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RASANTE

RASANTE

Frei Bento Domingues e eu, faz hoje 4 anos

 

 

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O burro, a vaca e Frei Bento Domingues.

Todos temos preconceitos. Eu, por exemplo, antes de conhecer uma pessoa faço uma ideia dela. Favorável ou não. Outra coisa é essa pessoa acontecer-me... E depois se acontece é uma amizade, ou não. Para isso existe uma coisa chamada tempo. E as pessoas são muitas, e o tempo é pouco. O que quer dizer que é para ser assim. Não vale a pena criar macacos no sotão. E só tenho que tomar conta dos “meus” ( mas este universo é…lá volto ao princípio), dos que me foram entregues (mas depois há os que estão para me ser entregues, e eu finjo que não reparo). E há as preferências. E detesto quando se diz “já não quero conhecer mais ninguém”; é como se eu dissesse que quero parar que a vida me continue a acontecer. Isto por causa do título. Eu – que sou uma incorrigível filósofa e queque de direita – só podia não esperar nada do bem amado teólogo de esquerda que, não sendo um teólogo de sistema acaba por fazer uma teologia de crónicas, aos domingos.

Frei Bento de Domingues, que hoje recebe uma homenagem, na Universidade Lusófona. Noutro dia falaram-me dele. Curioso que na crónica de ontem ele cita o texto da imagem que pus acima, neste post. E até põe aspas: “Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento”. E alargou o debate. Fixar-me no essencial. Fazer aquilo que nunca foi feito. Maria escolheu a melhor parte. A ver se ando. Hoje, pelo menos. O que é essencial no Cristianismo? A mensagem não, porque ela é de todas as éticas, morais e por aí: igualdade, liberdade, fraternidade. Um filósofo russo, do início do século XX, dizia que o essencial do Cristianismo era a pessoa de Cristo e tudo o que dele provém. Pois eu quero que Ele me continue a acontecer, não como imaginei, não uma ideia dele. Ele mesmo, com o burro e a vaca.

Perdi a fé...

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Duas mães

 

Fé pode ser muita coisa. Mas tem dois sentidos básicos. É o acto de acreditar ou confiar em alguém. E é também "aquilo" em que se acredita, o conteúdo da fé.

Nesta época de Natal é natural que se fale disto. Eu sou isto, eu sou aquilo, ou seja, acredito em Deus mas não pratico, ou, pratico mas não acredito em Deus. Ou sou crente mas à minha maneira. Poderia multiplicar as posições que, com mais ou menos convição, cada um vive, ou diz ser a "sua". 

Há quem diga que perdeu a fé. E há muitas formas de o dizer. Da menos à mais inquieta. Neste mundo pleno de posssibilidades cada um vê o que quer. O que é certo é que se caminha sempre. Uns dias melhores que os outros. Mas é impossível fazê-lo sem se acreditar, seja no que for. 

Quando digo que perdi a fé tenho que identificar o que perdi. Se calhar não perdi nada...

 

O significado atrás do feriado

 

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Maria, no filme de Pasolini

 

A Igreja raramente recorre à proclamação de um Dogma no sentido forte do termo, isto é, ex cathedra ( de resto há muitos dogmas, entendendo-se estes como máximas, verdades, opiniões). Mas quando o faz é por razões pedagógicas, para realçar algum aspeto que esteja a ser “descurado” na vida da Igreja; e fá-lo a partir dessa experiência de vida. Isto é, reconhece formalmente o que já é vivido no seu seio, na sua prática milenar. Numa palavra, não o faz à la a carte e por razões do “eclesialmente” correcto, ou para inglês ver. Vem isto a propósito do Papa Francisco, mais uma vez a marcar pontos ao “obrigar” a pensar e a conhecer a Igreja; a fazer as distinções essenciais. Foi no regresso da sua visita à Terra Santa, ao responder à pergunta dos jornalistas: o celibato dos padres poderá deixar de ser obrigatório? Já em 2012 se tinha pronunciado sobre este assunto. Paulo VI e Bento VI também. Em ambas as ocasiões disse: eu sou a favor do celibato dos padres; embora não seja um Dogma – e por isso pode mudar-se - , o celibato é um Dom de Deus à Igreja, uma disciplina, uma regra de vida que eu aprecio muito; por isso, apesar dos seus prós e contras eu sou a favor; temos do celibato dos padres dez séculos de boa experiência; a tradição tem a sua validade…. Não se espere portanto que o próximo Sínodo de Outubro, sobre a Família, se centre na questão do celibato, e outras que vêm à colação (contraceção, homossexualidade, etc.). É preciso ir a montante: pensar, entender, clarificar o que é a família, que está em crise, e tudo ver a essa luz. A Madre Teresa de Calcutá dizia que a Palavra de Deus não é a Bíblia. What? A Palavra de Deus é a Bíblia, sim, mas mais a Tradição. Dogma e Tradição casam bem, como há pouco referi. São poucos os Dogmas ex-Cathedra. Mas como o século 19 resultou numa aceleração permanente – ainda em andamento -, nestes últimos dois séculos foram proclamados três Dogmas. Em 1854 o da Imaculada Concepção de Nossa Senhora, que sublinha a atualidade do pecado original como razão da fragilidade do humano, que se traduz na dificuldade em não conseguir realizar o bem que se vê e gosta e quer, mas acaba por fazer o que não gosta, ou no fundo não se quer. Em 1870, o Dogma da Infabilidade Papal (em matérias de Fé), para mostrar que o homem não é a medida de todas as coisas, numa época em que esse é um sound bite vertiginoso e imparável. E em 1950, o Dogma da Assunção de Maria ao Céu em corpo e alma, para lembrar a unidade de corpo e alma, que é o homem; o corpo não é o usa, gasta e deita fora; uma “coisa”, “um número”, mas uma dimensão essencial do humano. ”Eu não tenho um corpo, eu sou um corpo”, é uma pedra no pântano materialista então a iniciar um reinado do qual ainda hoje se desconhecem contornos. João Paulo II viria a seguir, e devido à sua formação fenomenológica, foi capaz de começar um estudo sobre a sexualidade que se veio a concretizar na sua obra, e nas catequeses de 4ªfeira, já publicadas entre nós. A designada “Teologia do corpo”.

Gosto da Cristina

 

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Não gostamos todos de forma igual. Agora, gostar é gostar. Eu gosto muito da Cristina. Ao princípio quando apareceste as primeiras vezes ao lado do Manel Luís, devo dizer-te que te achei um bocado foleira. Tinhas sim uma alegria e um sorriso contagiantes. As gargalhadas, uma delícia. Agora que és estrela, vedeta, uma mulher cheia de estilo e charme, isso de natural de que gostei desde o princípio, está lá todo e já não passo sem te visitar. Sobretudo na revista que tem o teu nome. Que outro nome poderia ter?

Visito-te porque o que dizes tem muito daquilo que eu gostaria de dizer mas encolho-me. E olha que eu não sou moçinha de estar quieta. Gosto dos temas aparentemente banais, mas que são os nossos temas. E porque escrevo isto? Porque não vivo sem escrever, escrevo sobre o que me interessa, e tu interessas-me. Tens uma virgindade que a tua fotografia que escolhi para este post exalta e faz bem.

Há pessoas em quem o mal não pega. Pelo simples facto de serem, transbordam luz. Vida. Isso é TEU. Obrigada pelo que aprendo contigo.

José Rodrigues dos Santos: Isto não é o "Vaticanum".

 

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Na contracapa do novo livro de José Rodrigues dos Santos, Vaticanum, lê-se  que ele é "o escritor favorito dos portugueses". Mentira, digo eu que sou filha de boa gente. Não é a primeira vez que isto me acontece. Há uns aninhos ia eu pagar a gasolina, e mesmo junto à caixa registadora estava um livro dele intitulado "Isto é o último segredo.", e metia "Jesus", tema sempre vendável em épocas litúrgicas mais fortes. Neste caso era Natal. Comprei, li, sublinhei e escrevi. Ainda hoje agradeço ao jornal "Público" o ter publicado a minha opinião, num artigo com o título: "Isto não é o último segredo".

Hoje estava eu a pagar o café quando vi que junto à caixa estava um montinho de Vaticanum(s). Sei  que entre aquele e esteve livro muitos outros foram escritos. Mas este tem um nome "mais católico", e o Natal está à porta. Natal e vaticanum dão uma bela prenda! Eu gostava de vender assim muitos livros como ele, mas não tenho emulação, e inveja, muito menos. Escrevo este post pelo que li na contracapa: melhor isto, melhor aquilo, selo cinco estrelas, escritor de confiança (votado pelos leitores), ESCRITOR FAVORITO DOS PORTUGUESES.  Esta última é pior do que que afirmar que o carro favorito dos portugueses é um Fiat (peço desculpa à Fiat pela comparação). Eu cá prefiro um mercedes, um jaguar; mas não posso comprar. Compro um mais barato, que gaste pouco...

Abro o livro (claro que comprei e vou ler, para provavelmente escrever umas linhas), e leio o seguinte aviso, do autor, ou editor, não sei, "a informação histórica contida neste romance é verídica". Mas como é que o pessoal distingue fição de factos? "O algodão não engana". Agora este autor sim.  Não preciso de fazer um boneco, pois não? Isto é tão grave que já não sei se é vender gato por lebre ou lebre por gato. 

Vou ler, e pelo que já alcancei vou escrever, sim. Mas o mais grave disto tudo é que, sabendo todos nós, e não só os portugueses, que o Vaticano não equivale a santidade, o que se pretende aqui é vender, e bem.  À custa da ignorância própria e alheia. Não ponho em causa o poder ficcional do autor, mas que escreva sem a muleta destes temas. Uma coisa é certa : isto não é o Vaticano.

 

AS PANCADAS DO AMOR

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 AS PANCADAS DO AMOR

 

Tenho pancada, levo pancadaria, e cada manhã apanho com uma Pancada no coração. Cada manhã, absolute beginner.

Coração? Sim. Não sou da era pós-verdade, mais uma mentira do culturalmente correto. O meu coração, o meu eu, como reconheceu Sófocles, é igual ao de Putin, ao do rei Salomão, é feito da mesma massa; bojarda ontológica: têm a mesma natureza. Posso viver como se o meu coração não existisse, mas isso é outra coisa. Não há pessoas com coração mau. Como não há pessoas que não desejem amar nem serem amadas.

As palavras não estão gastas. Gastas estão as pessoas. Sabemos distinguir o uso que dou à palavra “amor” aqui: “amo-te” e “amo estes sapatos, são a minha cara” (esta é para nós, meninas).

O tempo e o sangue são chaves. A Pancada matinal é tão subtil que finjo não ouvir. Ao longo do dia é igual: diante das circunstâncias, a minha liberdade é desafiada a uma posição. Ver ou não ver. Decidir ver é andar de coração nu, despido das máscaras ou dos “mas e ses”; um ensaio sobre a cegueira. Esse virgem coração na mesa, nas mãos, é fratura exposta. Sujeito a guerras perdidas, a pancadas injustas, escárnios e quejandos. Sangues.

Contudo, esse sangue vale mais do que um rosto mascarado de projetos e vitórias sanguinárias. Falo de mim. De mim que te trato como um número, uma equação, um degrau, um obstáculo. Quando assim te olho, vejo-te como um robot, sombra platónica; vejo- te sem o sangue que te corre nas veias e que é igual ao meu. Cadáveres ambulantes, disse o filósofo. Não será então mais simples desapertarmos os nossos corações? Queres adiar? Ou dizer como Santo Agostinho, quando já a sabia toda, “ainda não, ainda não, amanhã…”.

É simples. É complexo, mas simples. Vi e vejo pessoas, e momentos de pessoas, que decidiram uma existência aberta. Sem batotas, nem calculismos. Levam que se farta, mas transbordam de uma alegria que me transcende. E quero-a também para mim. E até já lhe sei o nome. Dá-me lume, faz-me rir e com chutos e pontapés é para sempre. Enche-me de música o coração, vai-me longe encerrar, mas dá-me o vento e o mar. Foi Deus? Não sei, não sabe ninguém. Agora, dentro de mim bate um perfeito coração.

Eu, incapaz de amar, quero amar até onde vejo, até onde alcançar. Tenho os olhos de Deus. Ao olhar para os teus, de Carne. Quem não quer arranja uma desculpa. Quem quer procura um caminho. Procurei-Te, mas foste Tu que em tempo, sangue e amor me deste a primeira Pancada.

O Natal tem "avesso"

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O  Natal chega daqui a 4 Domingos. "Advento" é o nome que se dá a este tempo de espera e expectativa. São 4 semanas de Advento. No caso das famílias separadas pode dar vontade de não fazer a coroa de advento (como dantes). Só misteriosamente sou feliz : acabo eu de acender a primeira vela e a alegria não fugiu, antes se multiplicou. Como se não bastasse bateu-me à porta uma rainha,  e lanchamos à luz do Advento. Já Natal.

 

O Advento e o Natal também têm  um avesso. É uma ausência, mas ao mesmo tempo uma presença só possível porque o Natal tem também o lado "direito". A nossa coroa de Advento não nos faz companhia como dantes. Mas "está". Ausente e presente, porque o Natal não engana. Chamem-me ideológica. Mas é mentira.

S.Luis estreou ontem "Toada de Portalegre"

video de João Villaret a dizer o poema de Régio

 

O poema "Toada de Portalegre", de José Régio, com música de Rabih Abou-Khalil, pelo fadista Ricardo Ribeiro, estreia-se hoje, em Lisboa, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Jan Wierzba. É só para dar conta da ocorrência. 

Leio na Lusa que para Ricardo Ribeiro  apresentar a "Toada de Portalegre" foi uma odisseia e, ao mesmo tempo, um orgulho.

"Era um sonho meu, mas que todos alcançámos - eu, a orquestra, o maestro e o Rabih [Abou-Khalil]", acrescentou.

O poeta José Régio (1901-1969) viveu em Portalegre, de 1928 a 1967, onde foi professor no então liceu nacional, atual Escola Secundária Mouzinho da Silveira. A amizade com Manoel de Oliveira (aqui sou suspeita) animou a 7ª arte do nossa maior realizador. Muito lhe devemos, "E a cada raminho novo/Que a tenra acácia deitava,/Será loucura!..., mas era/Uma alegria/Na longa e negra apatia/Daquela miséria extrema/Em que eu vivia."

 
 

 

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