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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.




Morreu ontem, o Pedro: “as lágrimas, como tudo na vida, têm princípio e fim. O amor não. Vive inteiro, em cada momento, do qual é o princípio e o fim.»

A citação é de Luís Martins (http://www.ionline.pt/iopiniao/depois-chorar). O da fotografia é o “meu” rapaz, é o do meio; os outros “meus” são duas raparigas. Deus levou-me mãe e pai. Ia-me levando a mim no dia 5 de maio, no qual vi a “mal cheirosa” de frente e escapamos por cinco dedos. Do carro nem falo. A minha sobrinha, a meu cargo num fim de semana, em Albufeira, foi atropelada quando íamos a atravessar a passadeira. O carro que não parou - estava contra sol e não viu - raspou-a. Mas foi só com o retrovisor. Caiu como morta. E eu a pensar como dizer à minha irmã e ao meu cunhado uma monstruosidade destas. ‘Antes tivesse sido um dos meus’, pensei. No Hospital de Faro vimos que não. Viva e bem viva. A filha de uma amiga minha tomou comprimidos para se matar. Foi por um triz. Às vezes digo a Deus: “só falta tirares-me um filho!”

A Igreja que frequento todos os dias nunca me enganou: Ele dá, Ele tira; és pó e ao pó voltarás; e mais de mil citações. A Igreja que frequento não me diz “não chores”, nem tira a dor. Mas tem o realismo de falar na morte e na dor; não é como muita filosofia que conheço, que ilude a questão, na pretensão de saltos heroicos, de “superar” a dor. Não me venham com conversas. Nem com estas. Nem com as outras do “ai, tens fé, sempre estás consolada.” Devem estar gozar. Quem entra na Igreja fica por acaso sem coração? A fé é uma anestesia? Nalguns casos será. Mas é como em tudo. Até como no futebol.

Em relação a ontem, não conheço pai, nem, mãe, nem filho. Mas ela é diferente. Entra-me em casa na TV. Ontem não entrou. Ou melhor, entrou de forma diferente. E até agora no momento em escrevo, percorro em diagonal textos e textos sobre esta “curva”. Ninguém pode dizer “não chores mulher”. Nem preciso dizer porquê. Mas quero falar. O que escrevo é palha. Será perda de tempo? As palavras de nada valem, mas é o que há.

Eu sei que outras pessoas perdem filhos. E que a morte é igualmente arrasadora. E de muitas nem se fala. Mas vão-se criando uns laços…”mediáticos”. Por isso desta se fala mais. Longe, a milhas, dizerem-me : "esta morte é simbólica". Uma ova!. A morte e a dor dos que ficam são irredutíveis e insustentáveis. É a negatividade pior que todas as negatividades, dizia-me outro dia um amigo que perdeu a mulher.

Certo que muitas vezes em relação às figuras públicas caímos nas cusquices que fazem das revistas cor de rosa um sucesso de bilheteira. Mas tenho por certo que às vezes falamos dos outros para matar silêncios que incomodam. Mas não vou em Schopenhauers. Nem alinho no Saramago desiludido da natureza humana. Saramago era um homem “duplicado” - mas isto fica para outra rasante… -, que paradoxalmente é “meu”.Gosto muito dele.

Alguns perguntarão hoje: onde está esse teu Deus Bom? Que boa pergunta. E a resposta é ainda melhor, porque não sou eu que a dou. Tem isto a ver com a disputa agora entre Costa e Seguro? Tem. Como dizia há uns meses (http://expresso.sapo.pt/morreu-ontem-o-luis=f855328) do Luís: ” Pode morrer- se aos 29 anos? Pode. Durante a noite, sem ´ninguém’ dar por isso e estarmos a esperá-lo, como de costume, para o pequeno almoço, e ele nunca mais aparecer? Sim. O que vale é que sei que ‘passou desta para melhor’. Acredito. A fé não tira a dor, mas sim ainda nos dá mais energia para não nos esquecermos d' Aquele que ‘faz’ cada batida do meu coração. Fé? É pedir, pedir, pedir, mendigar o sentido das nossas vidas. Não se percebe? O facto da morte incendeia a vida desta curiosidade imparável. Luis: ‘tu não podes morres’, diria Gabriel Marcel. Porque amar uma pessoa é ter a certeza que ela é feita para ‘mais’ do que para uma correria a olhar o nada. Só assim a vida vai fazendo sentido. Caso contrário, era só escolher um penhasco ou uma boa janela e zás. E por que continuo a caminhar cada dia? Há quem opte por curtir ou gozar e esquecer. Às vezes também o faço. E o sabor amargo que fica depois, e às vezes até 'durante'?... O mais fundo do meu desejo humano sabe que é feito para o doce. Procurar, procurar, procurar. Com tudo e em todos. Como o doçe Luis que parece que ‘acabou’, mas está agora mais presente e potente que nunca…”.

Acabam de me dizer no meu facebook: "Deus não existe porque se existisse não me faria sentir isto; todas as manhãs após o meu despertar me questiono porque é que continuo a acordar." Só há uma Pessoa, carne da minha carne, que me pode enxugar as lágrimas e ir “explicando” PORQUÊ. Não preciso de dizer Quem é. E vou pedir-Lhe, na Missa, onde Ele ESTÁ, sempre: consola-me aqueles dois, por Amor de Ti. O rapaz, sei que está bem. Por alguma razão S. Francisco a chamava de "irmã"; à morte.

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