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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.



(fotografia da net, e a despropósito; foi de uma coisa que eu vi em tempos e lembrei-me, por causa do "cretino")

José Sócrates hoje ao pequeno meu almoço, eu a ouvir as notícias. Dizia a "pivot" que ontem à noite (não me lembro, se calhar era fim do dia; estava ainda a acordar… e nas dentadas da minha torrada) a Procuradoria Geral da República, negando a notícia da Sábado (seria esta Revista?), assegurava que o antigo PM não está a ser investigado, nem foi constituído arguido no caso Monte Branco (ou troquei com alguma notícia de ski… ainda me falta um café para ficar boa). Entra depois Sócrates a dizer - de uma entrevista que deu ontem à televisão (…voltei, já bebi o café) - que não está envolvido, que não conhece a empresa que fazia "tais movimentos": “Isso é uma campanha de canalhice….eu não conheço ninguém…”; "querem agora arranjar um socialista qualquer...". Fiquei a saber que Sócrates é "um socialista qualquer". Nunca é tarde! É a banalidade; já me estava a esquecer da sua paixão pela sua colega Arendt (que não é de filosofia, mas de filosofia política; ai estas "rendas" filosóficas de quem se esqueçe que tudo está interligado!!! ou do Maritain que distingue sim, mas para unir)

“Canalhice”? Não conhecia o termo. Canalha sim, conheço. Pensei: deve ser uma adaptação do francês, "nuances" que lhe ficaram da Sorbonne. Fui ao Dicionário:

«Patologia: que ou aquele que apresenta comportamento comparável ao desse estado; imbecil, idiota – Cretino
Regionalismo-Brasil: pessoa insolente, atrevida, cínica
Fulano: somente quer ser aquilo que não é. É um perfeito cretino!»

A palavra existe, pronto.Os cretinos também. Nisto, nada como uns aninhos em Paris para aprofundar regras de método, de Descartes, por exemplo; sobretudo a de evitar juízos precipitados. São eles que muitas vezes levam ao erro. E caminhar no sentido da clareza e da evidência, as quais são adquiridas em intuições e deduções, os principais actos do espírito.

Cretinice? Campanha dela contra quem já foi considerado entre nós (ou seria isto para Manuel Maria Carrilho? Preciso mais café) o “Armani da Covilhã”? “Mais non, quel dommage”! Eu prefiro chamar mesmo cretino a quem o é. Será isto campanha – caseira, a minha – de cretinice? Que seja. O bom senso está bem distribuído, com ou sem o homem de um "Discurso do Método."

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Que livros devo ler no Verão? Então não pode ser que no Verão não vou ler? Que raio, até parece que o Verão é para ler, e nada mais está à altura!Era o que faltava. Já não posso com esta conversa de listas e listas de livros de férias...Parem um bocadinho.

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30
Jul14

Cinderella casa com Camus

por Fátima Pinheiro
.
(da net, sem tirar nem pôr)

Caro Alberto

"Nasci no ano em que morreste, 1960. Não te lembras de mim. Eu era a que no café da Piriquita, em Sintra, devorava as tuas linhas, enquanto comia travesseiros. 'Tarde, tarde te amei', uso as palavras de S. Agostinho que, num registo aparentemente outro, também escreveu uma espécie de 'Cahiers'. Só mais tarde vim a saber que a tua tese de mestrado foi sobre Neoplatonismo e a tua tese de doutoramento (tal como a de Hannah Arendt) sobre o autor de 'As Confissões'.

Aos vintes, tinha vontade de abraçar o mundo. Cada geração 'crê-se fadada a refazer o mundo', disseste-o três anos antes de morrer, em Estocolmo. Sentia-me com o peso do mundo às costas. Como Sísifo, subia aquela serra sozinha, mas descia infeliz. E lá ia mais um travesseiro. Até ao dia em que me foste apresentado. Entretanto tenho subido e descido muitas ladeiras. E percebi que o absurdo não pede o suicídio, antes a revolta, como disseste. E outras voltas me prenderam e percebi que a revolta começa 'cá dentro' - 'cada dia', como disseste -, e exige a resposta à minha medida. É simples, é saber qual o número do meu sapato. E antes descalça do que com o número errado.

Hoje sou uma espécie de Cinderella a quem sobretudo um Principe não descansou enquanto não me calçou o cristal. Mas quero que saibas que, desde esse dia, ao tomar o meu divinal café, estive sempre bem acompanhada. O inferno são os outros? (para usar a expressão do teu colega Sartre...) Mentira. Se bem que seja bom o silêncio de não querer por vezes estar com ninguém, prefiro bebê-lo com as minhas 'Simones'. E tu estás sempre. E podes fumar.

O manuscrito que tinhas naquele carro que te 'levou', 'O Primeiro Homem' - romance autobiográfico - tem notas preciosas. Naquela em que dizes que o teu romance deveria terminar inacabado, está inscrito o destino da literatura e da arte: 'a mesma e anciã promessa de fidelidade que cada artista verdadeiro, cada dia, faz a si mesmo, no silêncio', palavras com que terminaste o teu Nobel discurso de 1957. É o que mais quero: essa fidelidade a mim própria que me salva de querer 'julgar' seja o que for, e essa espantosa vontade de tudo querer compreender. Julgar sim, no sentido de 'compreender' - a Hanna Arendt explica isto de forma tão maravilhosamente 'banal' -, de querer saber o nome de todas as coisas, mesmo o daquelas que não o têm e que, assim, paradoxalmente, são baptizadas.

Não me venham é com palavras mansas - tu sabes...- a cantarem-me os 'vem por aqui'. No mesmo discurso tens a coragem de dizer: 'Quaisquer que sejam as nossas enfermidades pessoais, a nobreza do nosso ofício sempre se enraizará em dois compromissos difíceis de manter: a recusa de mentir sobre o que se sabe e a resistência à opressão'.

Notável a atualidade das tuas palavras nesse e nos outros dias. Quanta mentira, quanta corrupção, quanta alienação. Quanta cedência e servilismo mascarados das cores das grandes causas. Quais causas! Causa há só uma. Como lembras: 'os verdadeiros artistas não desprezam nada; eles obrigam-se a compreender em vez de julgar. E, se eles têm um partido a tomar neste mundo, não pode ser outro que não aquele de uma sociedade onde, de acordo com a grande palavra de Nietzsche, não reinará mais o juiz, mas o criador, seja ele trabalhador ou intelectual.' É a causa da originalidade. Cada um ser o que é, na fidelidade e na promoção do que exige. De mosquinhas mortas estamos fartos (a propósito de Moscas, ainda não percebi a zanga que tiveste com Sartre, mas digo-te de caras que, mesmo sem saber, prefiro ir na tua Companhia).

Já na altura da Piriquita sublinhava nos livros as frases mais importantes para mim. A certa altura desisti. Tudo o que escreveste é decisivo. O mesmo com 'As Confissões' de Agostinho. A terminar, confirmo o que confessaste : 'A arte não é, aos meus olhos, um regozijo solitário. Ela é um meio de comover o maior número de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e das alegrias comuns'. Comoveste-me, do 'Avesso e o Direito', apoiaste-me em 'A Queda', e o movimento não mais parou. Goleaste-me e revoltei-me a favor do que consideraste serem duas as obrigações que fazem a grandeza da arte 'o serviço à verdade e à liberdade'. 'Aquele que, frequentemente, escolheu o seu destino de artista porque se sentia diferente, aprende depressa que alimentará a sua arte, e a sua diferença reconhecendo a sua semelhança com todos. O artista forja-se dentro desse ir e vir perpétuo de si aos outros, a meio caminho da beleza que ele não pode dispensar e da comunidade da qual ele não pode fujir'.

Pessoas como tu, 'fiéis como punhais', mexem, fazem a diferença, porque têm os 'olhos bem abertos'. Querem e fazem, pela arte ou sorte que lhes coube, 'impedir que o mundo se desfaça'.

um abraço,

Fátima

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(fotografias da net)

Já ando a sonhar com prisões. Ou dou a ideia que sou agora uma provedora, amadora, de tais lugares. Com efeito, num espaço de semanas é o terceiro ou quarto post que escrevo sobre o tema. Com a APAR, fogo na Prisão de Paços Ferreira e Assunção Esteves à mistura. Deve ser genético. A minha mãe desde muito cedo que começou a visitar a do Linhó. E fê-lo até morrer. Mas o que foi desta vez? Então é assim. Há dias, enquanto aguardava pelo acesso à visita a um preso, assisti a uma conversa entre duas senhoras. Mas que coisa, ao que chegamos.

Uma delas angustiada contava que o seu marido com mais de 70 anos, sofre de cancro da faringe, o qual é controlado no Instituto Português de Oncologia (IPO) uma vez ao ano. Entretanto já tem por todo o corpo outros carcinomas, sendo um deles na pele. Sendo-lhe negada - queixava-se ela - a possibilidade de se dirigir ao IPO para tratamento de mais uma situação oncológica, optou por queimar as chagas com lixívia.

Desconheço os direitos deste homem, se devia ou não estar hospitalizado, etc. Mas tenho a certeza de que a lixívia não tem o direito de lhe ter “feito” o que fez.

Se calhar o que escrevo foi só um pesadelo. Ou Freud explicaria isto. Também já vi pior. Uma vez, no maravilhoso Metro de Moscovo, vi num dos lugares ao meu lado, um farto e cinzento Bigode, acabadinho de cortar. Era em pleno Inverno, e os graus, lá fora, são muito, muito, negativos.

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Há dias, aqui no Rasente, escrevi sobre Paulo Coelho. Retive o "bom" mas disse desde logo que era muito critica em relação à sua obra. Em tempos escrevi este texto, que mantem toda a sua actualidade.

«Ao escrever estas linhas não estão em causa as intenções dos autores (Browns, Coelhos e outros) ou mesmo as de quem os lê. Estão sim, na mesa, coisas objectivas, factos, teses, que escapam a esse domínio. Não é por acaso que muitos e muitos visitantes do Museu Louvre já não estejam interessados em ver o famoso sorriso de Mona Lisa. Pena!

A pergunta muito repetida por quem visita aquela jóia de Paris é agora, antes, a de saber o sítio certo onde foi encontrado o corpo morto do conservador do museu, para estar “perto” de Tom Hanks, que encarnou na produção cinematográfica a trama de Dan Brown. Como até parece que com aquele filme “a montanha pariu um rato”, já para os “Anjos e Demónios”, do mesmo escritor, parece que Brad Pitt vai poder descansar.

Até damos de barato que o “Código da Vinci” não tenha qualquer pretensão científica. Faz linha num certo tipo de escrita que a muitos agrada. Como agrada a vasta produção de Paulo Coelho, e de outros também, até de penas lusas.

A pretensão científica poderá não prevalecer. Agora, não se pode ignorar o facto de que estamos diante de livros que abordam questões de interesse espiritual, histórico e filosófico, e que o fazem de uma forma que para o grande público – e é importante sublinhar que estamos a falar de obras intencionadas para o grande público -, podem ser lidas como “verdades”, isto é, como coisas que aconteceram mesmo daquela maneira.

Isto, já descontado todo o negócio que se tem gerado em torno destas produções, um fenómeno que vai do turismo ao franchising, de divulgações científicas e culturais de segunda e terceira mãos. Para não dizermos que já se chegou ao chinelo. Mas não é disto que se trata agora aqui directamente.

Quem pega, por exemplo, no “Alquimista” de Paulo Coelho, não está propriamente à procura de um livro policial, verdade? Está sim, e de uma forma despretensiosa e informal, à procura de um auxílio, de “dicas”, de uma inspiração ou orientação para o seu percurso de vida. Fartos dos escândalos das religiões oficiais – e sem tempo para grandes demandas – muitos se aventuram, sozinhos ou em grupo, em novos caminhos, em novas re-ligiões. Há uma vontade de re-ligação, de recuperar o tempo perdido.

Ou então simplesmente pega-se num livro de Paulo Coelho para descontrair “meditativamente”, isto é, para ler uma coisa que tem de certo modo algo a ver com a vida, mas que não implica com isso o mínimo compromisso com qualquer grupo religioso ou igreja. Teoricamente cada um pode, repito, construir, sozinho ou em grupo, a sua própria religião, o seu caminho de re-ligação ao infinito, na tentativa de encontrar o elo perdido. O autor pode não ter pretensões científicas mas é muitas vezes lido como se as tivesse. E aqui está um grave problema: o “Alquimista” não é a Bíblia ou o Corão, mas é para muitos tido como tal. Com Saramago é diferente, ele não é militante. “Caim”, o seu melhor livro – ele próprio o confessou quando o lançou na Culturgest – não belisca o livro sagrado. Saramago não oferece receitas, embora haja pontos críticos, que deixo para outro texto.

Importaria nestes casos uma clareza objectiva que distinguisse o que é daquilo que não é. A fome (às vezes avidez, às vezes chill out) de espiritualidade que hoje se vive, e se vê na disseminação de tudo o que é produto oriental ou africano – do chinelo ao incenso, do tofu à missanga pós-60 (claro!), dos spas de wellness às naturas das nossa catedrais de con-sumo (onde até também há coisas muito boas!a eterna história do trigo e do joio…) -, pega nos “fenómenos” que se vendem e adere. Segue. Lê, sublinha e pratica, um pouco de um lado e um pouco de outro.

Não é o catolicismo que se vê progressivamente “convertido” numa religião “à la carte”. É a própria vida e suas espiritualidades que assim se vivem e se decidem (melhor, são vividas e decididas) ao menu. Daí o êxito, ou a saída, de produtos que se ofereçem com essas características.

Dan Brown, Paulo Coelho e mais, estarão no céu, na 1ªfila. Mas não é disso que se trata; e até porque Deus é certificado na matemática do amor. Trata-se sim – e agora refira-se em particular o homem de Tom Hanks – de um ataque ao cristianismo histórico pretendendo reduzi-lo a um embuste de dois mil anos por um poder ávido de almas e de mundo. Nisto estou com o arcebispo de Chicago, que pergunta assim: “Haverá alguém que pense realmente que todos os máritres morreram para proteger o segredo de que Jesus e Maria Madalena eram casados?” (Carl OLSON, Sandra MIESEL. A Fraude de “O Código da Vinci”, p.10). E é de notar que o século XX deu mais mártires ao mundo, do que nos outros séculos todos que o antecederam. São factos. E há livros sobre o assunto.»

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29
Jul14

(fotografia tirada da net)

Olho à minha volta: “vira o disco e toca o mesmo!” As notícias da manhã, por exemplo, vão na linha de que o cessar-fogo é uma miragem, ou um negócio a fazer e vantajoso apenas para uma minoria. O verbo “exigir” está gasto, venha ele de Obama, da ONU, ou do Papa. Já para não falar do que se passa no meu país. O que fazer para parar este “ramram”. Só posso falar do que se passa comigo. Aconteceu-me uma coisa que me mudou.

Como experimentei essa diferença radical, e como já percebi que somos todos feitos da “mesma massa”, tenho a certeza que a mudança passa por aí. Como a adquiri? Porque ao olhar à minha volta, vejo pessoas, ou “momentos” de pessoas, que já fizeram e fazem a diferença. Têm um factor X que arrasa o desumano. Desarmam. Neste caso digo para mim: “Maria, vai com elas!”

Um dos “meus” filósofos: "Chegarei…diante dos campos, dos vastos palácios da memória, onde estão os tesouros de inúmeras imagens trazidas por perceções de toda espécie (...). Grande é realmente o poder da memória (…). Viajam os homens para admirar as alturas dos montes, as grandes ondas do mar, as largas correntes dos rios, a imensidão do oceano, a órbita dos astros, e esquecem-se de si mesmos! (cfr. Santo Agostinho, “Confissões”, INCM, Livro X, cap.VIII). Então, vou bloquear-me? Sair de cena?

António Câmara, o “meu” YDreams de eleição, toca na ferida, diz-me o que bloqueia o olhar: “os principais bloqueios da percepção são a ausência de perspectiva e a adopção de estereóptios.” (“O futuro inventa-se”, Objectiva, p. 53). Onde está o milagre?

É olhar para mim; é lembrar-me que sem “mim” tudo aparenta acontecer, tudo me é dado sem rosto. Sem a minha “faixa” de humanidade, sem o pedaço de “homem” que tenho entre mãos, o cessar-fogo é uma utopia. E vai-se vivendo, até um dia. Há pessoas que não aguentam. Oiço agora uma voz que me grita em surdina: “Maria, vai com as outras, à criatividade!” Quanto custa? "A liberdade."

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Lançamento do livro "Caim", Culturgest, o editor e o escritor (30.10.2009)
Fotografia do meu TM

Muito simples e lógico. Um gesto "umbilica-se" no seu agente. O Papa Francisco já disse e escreveu - muitas vezes - a razão pela qual ele faz o que faz: Cristo, Senhor do Mundo e da História. Ontem, sobre o conflito israelo árabe, disse da janela de Pedro: "Por favor, parem! Peço-vos com todo o meu coração, é tempo de parar. Parem, por favor!” Mais uma vez os jornais o vão elogiar, como têm feito desde o início do seu pontificado. Mas, na maioria dos casos, sem que lhes interesse abordar sequer por umas linhas, que o que ele diz e faz vem-lhe de um mandato. Como se neste Papa houvesse o direito e o avesso; um por fora e um por dentro. Como se o Papa fosse uma espécie de "Principezinho" mais formal, a dar mais legitimidade a "frases" (que já vi em canecas e T-Shirts e noutros merchandisings): "o essencial é invisível aos olhos"; e outras que não sei de cor, como "é preciso regar a rosa", e por aí fora; e calma, eu gosto do livro. Por este andar irá por certo receber um Prémio Nobel - por acaso não sei se um Papa pode receber tal galardão; mas para este Francisco, nem que passasse a ser; mais uma "inovação" deste Pontificado!

Por suas vez Saramago, outro Nobel, tem um novo livro a sair em outubro. Soube agora pelo nº26 da Revista “Blimunda" que é, para além da correspondência, o seu último romance. Será sobre guerra e paz, sobre um adeus às armas. Quando lançou o livro “Caim”, na Culturgest, no dia 30 de Outubro de 2009, a pergunta de Saramago foi, naquele fim de tarde: “o que fazer para se proibirem as armas?” E note-se que vem na sequência temática da “primeira guerra”, entre Caim e Abel. No discurso que fez disse que o seu livro seguinte seria sobre como acabar com as armas e que se basearia numa frase, não se lembrava se de Hemingway, no “Adeus às armas”, ou de “L’espoir”. Eu estava lá mas não apanhei tudo! Curioso que pela mesma altura Manoel de Oliveira tinha em “mãos” o seu filme sobre os Painéis de S.Vicente, cujo tema é "como acabar com a guerra". É o famoso “basta” que o santo grita ao guerreiro.

Também Obama recebeu o Prémio Nobel Paz. Até ontem, por telefone (leio nos media) pediu ao primeiro-ministro de Israel um cessar-fogo humanitário imediato. Não sabia que o "por telefone" fosse assim tão melhor. Pode ser que por telefone a coisa se resolva e se cresça em humanidade. Quem sou eu!

Três homens, um céu? Sim. No entanto há que distingui-los. Ver de onde lhes vem e sai o que são. Para mim que sou católica, e acredito no Deus de rosto humano, não me é indiferente a Razão pela qual o Papa Francisco é "assim". Para Ele todos os homens tem igual dignidade porque são feitos à "Imagem e Semelhança de Deus" (coisas a distinguir: imagem e semelhança; fica para outro post). Não se trata de terem dignidade "porque sim", mas por essa razão. De resto, não há outra "razão" que aguente direitos e consensos. Ou nos agarra pelo sangue, ou não há paz que se aguente.

O chutar para canto é bom, mas é no futebol. Não nestes assuntos. Ainda a semana que passou, um filósofo português que eu desconhecia, disse numa entrevista que deu na RTP2 que gostava muito do Papa Francisco. E que não queria ir para o céu porque gostava de morar em Lisboa. Ora eu também gosto de Epicuro no sentido em que comer um simples peixe numa das nossas tascas, onde o fazem como ninguém, é do melhor e basta. Mas para mim isso "faz parte" do Céu de que fala o Papa Francisco. O céu não é uma pasmaceira pós-morte, em que nada se faz e se morre de tédio. Ninguém saberá agora o que é na sua versão completa. Só depois da morte; senão não é Céu mas uma projeção humana. Mas o Céu começa agora. Paradoxalmente até nesta Gaza ensanguentada.

As pessoas têm alegrias "diferentes"; eu, e não por acaso, vejo as que vêm do Céu. Como? São aquelas que me mudam e me vão consolidando a felicidade. Esta não vem toda de uma vez, não se reduz a um pronto a vestir. É antes como o lado oculto do cubo. Como o lado "oculto" do Papa, de que não se fala.

Como "sei" que já começou? Por uma experiência, que é um "juízo" (como o juizo 'X é Y'). As filosofias têm todas razão. Pois têm. Mas umas apresentam mais "razões" que outras. Eu gosto de morar em Lisboa. E por favor: parem de elogiar "metade" do Papa Francisco. Assim, a meias, "cinzentonamente", ninguém lhe faz justiça, mas sim apenas uma "biga" instrumentalização. Dá vontade de "vomitar". Eu sei que é "fashion" elogiá-lo. Mas andará ele a falar para o boneco? Chega de monstruosidade nesta "faixa" feita de Céu.

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27
Jul14

Os adultérios de Coelho

por Fátima Pinheiro

A actualidade deste tema clássico - o adultério- é gritante. Escuso de relembrar - e para não ir mais longe – o que se passou na semana que passou. Tantos problemas, escusados também; porque a traição é muitas vezes tão frequente quanto inocente. É “humana”. O moralismo é que não adianta nada. Uma traição, pelo contrário, pode “adiantar o amor”; pode enriquecer em humanidade.

“Adultério” é o mais recente livro de Paulo Coelho. Entre nós, há dois meses, editado pela Pergaminho. O tema é a traição. Há mil definições de “traição”. O básico: “traição: 1. Acto ou efeito de trair./ Perfídia./3. Entrega aleivosa./4. Quebra aleivosa da fé prometida e empenhada./5. Infidelidade conjugal./6. Emboscada desleal; surpresa vil." (in “Dicionário Priberam da Língua Portuguesa”, 2008-2013). E Santo Agostinho mete sempre a sua colherada: "Negar a verdade é um adultério do coração." Serei eu adúltera?

O fenómeno da traição é universal; habita entre nós também, portanto. O livro estará já por tudo o que é país. Não fosse Coelho o escritor mais lido e traduzido em todo o mundo. Isto diz tudo.

Paulo Coelho escreve sobre o assunto porque a maior parte das mensagens que recebe dos seus leitores é recorrente na confissão de que a traição é o grande problema que afecta as suas vidas. Mais do que o problema da saúde.

O autor veste a pele de uma personagem feminina e escreve que o caminho da felicidade é o compromisso. Uma relação é um desafio. Casado há 34 anos, Paulo Coelho tem dito e repetido que o que mantém uma relação viva é o diálogo. É o perdão. Incondicionais. Reconheceu que é isso que se passa com Jesus Cristo. Quando Pedro Lhe pergunta até quantas vezes se deve perdoar - o tal moralismo tecido de uma mentalidade de cálculos, neste caso quem interroga o mestre avança com o número 7 - , Ele responde: “não 7, mas sim 70x7” (Mateus 18, 21.-22). Um galope de coração.

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26
Jul14
(fotografia da net)

Vou mudar de Paradigma de Títulos. Começo amanhã; como nas dietas. Hoje ainda estou no antigamente. Então fui ver a parte de título que faltava nos títulos que têm saído sobre a triste notícia que vamos ter que pagar até não sei quanto; até quando.

"Ricardo": "Ricardo é um nome Masculino. A origem do nome Ricardo é Germânico. Significa senhor poderoso e indica um homem prático e decidido, o qual todos procuram quando precisam de orientação. Equilibrado e seguro não se intimida quando precisa lidar com pessoas cuja opinião diverge da sua. Derivado do nome pessoal RICARDO, Senhor poderoso."

Ponderoso, no mínimo. Dizem para me alegrar porque os nossos nomes estão escritos no céu (cfr.Lc 10:20). Logo esta semana em que conheci José Prudêncio, um filósofo que aproveita o bom da Astrologia, e que estará aqui muito em breve.

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"Early Summer" (1951)

Os dois realizadores são geniais na forma como, sem “estragarem” a linguagem pura da 7ªarte, mergulham nas raízes da política. Não mostram por mostrar. No seu trabalho é a Beleza, mesmo, que acontece. São por isso tesouros de atualidade e modernidade que nos mostram o que se passa. Mostram na circunstância, mas para além dela. Intemporais e na crista da onda. Clássicos e modernos. Cinema. Estão na minha mesa de cabeceira. Para quê? Na linguagem do Capuchinho Vermelho: “Para eu ver melhor.“ Rasantes a furar a minha liberdade. Furam Gaza, o Espírito Santo, mais uma festa que tenho hoje cá em casa, o BES, os aviões que caiem todos os dias, o almoço que vou fazer,e hoje é comida italiana,a lua, o corte de cabelo, as férias, as estações, as prisões de visita anunciada, José Eduardo dos Santos, os beijos que dou e recebo, as invejas, a educação, tudo. Fogos que ardem sem se ver, estes dois senhores do Olhar. Eu? Levo o Cestinho: tem cerejas, termus de chá e um pão de ló, feito à maneira, curiosamente, da minha Avó.

Por isso não perco de vista o livro “Manoel de Oliveira. Análise estética de uma matriz cinematográfica”, de Nelson Araújo Oliveira, lançado a 24 de Maio passado, em Serralves. Lembramos que Oliveira está ainda a trabalhar na montagem do seu novo filme, a curta-metragem “O Velho do Restelo.”

Por isso noto que o “early summer” de 2014 traz às salas comerciais mais três filmes de Yasujiro Ozu em versões restauradas. No Espaço Nimas começou ontem e vai até quarta-feira http://medeiafilmes.com/filmes/ver/filme/o-fim-do-outono/modo/proximasestreias/

E são sempre histórias que podem ser as nossas histórias. E são. Por isso é me interessam. Sobretudo porque contadas por quem as sabe contar. Neste caso, mostrar; em imagens que matam qualquer narrativa. São narrativas de "outro filme". Para quem tem paciência, que não é senão a "ciência da paz".

Do site da Medeia recolho:

A FLOR DO EQUINÓCIO (1958)
Na recepção do casamento da filha de um velho amigo seu, Hirayama questiona-se porque razão Mikami, outro velho amigo, não compareceu. Na verdade, Mikami estava preocupado com a filha Fumiko, que fugiu de casa com o namorado, e não quis ir à cerimónia. Mikami pede para Hirayama ir ver como Fumiko está. Este visita então o bar onde ela trabalha como empregada. Ao mesmo tempo que Hirayama se mostra compreensivo com Fumiko, fica furioso quando Taniguchi, o namorado de sua própria filha, faz uma surpresa e pede permissão para se casar com ela.

BOM DIA (1959)
“Bom dia” retoma um antigo filme do próprio Ozu (“Nasci, mas…”), modificando a história para fazer sentido no período em que foi rodado: neste filme dois rapazes juram não voltar a dizer qualquer palavra até que os pais comprem um aparelho de televisão.

O FIM DO OUTONO (1960)
Após o falecimento de Miwa, os seus melhores amigos decidem preocupar-se com o futuro da sua viúva, Akiko, e da sua filha, Ayako. Todos acreditam que a melhor solução é casar a jovem, mas esta rejeita um após o outro, todos os candidatos que lhe são oferecidos. Assim decidem casar primeiro Akiko.

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