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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


30
Nov14

 

O que disse Costa ontem é matéria para uma candidatura a Património da UNESCO. Mas na categoria de Património Imaterial (como o Fado, ou o Canto Alentejano). Porquê? Porque as palavras que articulou são fonte inesgotável para o pensar. Falando embora sem qualquer convicção, num tom de voz acima do seu doce e suave estilo, que dessa forma o torna, esse sim, mais credível, a inspirar confiança -, já nada é como dantes. Precisou até de citar o Papa Francisco. Esquizofrenia? Ingenuidade? Agonia? Já sob o efeito abóbora, sem fadas madrinhas? Resultado operação Bimby, tempo 30, velocidade máxima, temperatura q.b.? Um conselho: não entres tão depressa nessa noite escura. Não é preciso queimar etapas.

Não gosto de dar ideias ao acaso. No argumentar é que está o ganho. Mas filósofos sem argumentos são facas sem corte. O caso é sério. Já tivemos disso e aguentamos ainda as diversas materializações do Engenheiro, como se de Pessoa se tratasse, e desdobrasse, imaterial, ora em aparições televisivas inéditas, nas quais nada acontece, a não ser uma aparição; ou em livros que auto-compra, num sucesso mais que Brown. Quem sai ao pai – neste caso a Soares – não degenera. Embora Sócrates não chegue aos seus calcanhares, também já lhe é permitido isto e aquilo. Sempre “around te corner”, são dois galos que dizem que há uma malta de canalhas que, mentindo e roubando os perseguem. Não terei eu o direito de saber de quem se trata e o que fazem? Ou a justiça não é para aqui chamada? Estamos na coisa pública ou na privada? E porque é que há coisas privadas que estão proibidas na  pública, e outras que é crime de lesa majestade não estarem? Dois pesos, duas medidas. Por isso é que digo: património da imunidade. O paradoxo ganha sim, mas não qualquer paradoxo. É preciso massa, cinzenta. Património da Humanidade.

Comida para o cérebro ou dentadinhas nele? Como o veado “anseia”, assim eu, quero perceber como é que se ganham eleições. Eu quero o Bem Comum. Mas não me cheira a nada disso. Cheira-me a demagogia, a um discurso que  cada frase botada não saía daquela carne. Fuga em lá melhor. Um teatro de assobiar. Lá nisso o Engenheiro era melhor. Costa não fica bem, não gosta, das estratégias “armânicas” do homem Science Po.

Com que lata Costa elogiou a dignidade humana, como se fosse um marco do PS? “Ainda ontem o Papa Francisco…”, e continuou. Que o actual Governo aposta na divisão dos portugueses e chumba todas as propostas que poderiam melhorar a vida das famílias? Não vás ao mar Toino.

“Os compromissos que esta maioria deseja não são para servir Portugal e os portugueses. O compromisso que querem é amarrar-nos à pedra que os leva ao fundo”. Pedra? Fundo? “Este Governo semeou a incerteza e a intranquilidade”? Semeou ou foi semeado? E na "inovadora" ideia de recuperar têxtil e do calçado? Aqui comovi-me e o meu pensamento elevou-se. Nunca tinha ouvido falar nisto...

“Não queremos um futuro só para alguns”, para quem “uma sociedade decente assenta na dignidade da pessoa humana e não deixa ninguém para trás”. Ah pois, eu para trás não quero deixar ninguém. É esta banalidade da política que me encanta. Mas não é deste Costa que ela vem.

Simplex e Novas Oportunidades, quem não as quer? A ser verdade o Processo de Sócrates, até o seu autor as quis aproveitar.

E namorando Juncker: “é insuficiente, mas vai no bom sentido”. Foge! Eu cá distingo muito bem entre moinhos e gigantes. Calo-me. Chega. Por hoje. E se, hoje também, o meu imaterial edil, quiser invocar a família do Papa Francisco, glose o Advento, que hoje começa. Ou pode começar a falar já da Passagem de Ano. Mas que decante a "procedura", como dizem os meus irmãos angolanos. É preciso encontrar as razões da dignidade da pessoa humana. Eu encontrei. Caro António Costa: quais são?

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27
Nov14

Isto não é o PREC, Dr. Soares.

por Fátima Pinheiro

Mário Soares em Évora, ontem /imagem da net 

 

Soares fala, e o mundo pára. E para muitos o que ele diz, será ainda lei. Desde a morte do PREC que o Dr. Soares tem crédito ilimitado, via verde, ou chamem-lhe o que quiserem. Eu já estava a estranhar ele não ter aparecido. Desta vez foi demais. Diz o quer, quando quer, e não parece que não tenha as suas razões bem pensadas. Não, não está fora de si. Está muito bem, e, como sempre, ataca no timing que considera mortal. E que não se pense que a missiva que Sócrates terá ditado ao seu advogado, hoje lida no público, seja de geração espontânea.

Os amigos são para todas as ocasiões. Fica-lhe bem visitar o seu amigo. Eu se fosse ele, já teria aparecido há mais tempo. Mas percebo que, neste caso, razões ponderosas o tivessem levado a demorar um pouco mais. Eu própria já estive em sítios menos simpáticos a apoiar os meus. Até tive que passar por perto certas noites, para no dia seguinte estar a tempo. Não tive televisão, como ele teve. E nem ele se preocupou em pedir para ela estar ausente. Antes pelo contrário. Ele gosta de falar para a Câmara...

Soares disse com todas as letras que este é "um caso político" orquestrado por “malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar". Só gostava de saber quem eram esses “malandros”, “que combate”, e de que primeiro-ministro está a falar. Bocas para o ar, Dr. Mário Soares? Piratas à solta? Lançar o terror? Imunizar o Dr. Costa a qualquer preço? Não, não, não. 

No PREC talvez o pudesse fazer assim, Dr. Soares. Agora, quando é outra coisa que está em causa, agora que o senhor revela cada vez mais ponderação, mais responsabilidade terá. A idade é para mim uma mais valia. Uma coisa é não ter o vigor físico que teve. Outra é ter-se passado da cabeça. Não me parece. Tem uma cabeça muito boa. O que o senhor é, é um animal político. Recomenda-se. Agora, eu tenho a obrigação de escolher a política que me parece mais razoável. A falar assim, Sr. Doutor, não recomendo a sua ninguém. Estimo o que fez por Portugal. Imagino onde hoje estaríamos se o senhor se tivesse mantido no seu melhor. Mas não me deve nada; sobretudo a mim, que tenho uma folha assim assim. Digo-lhe isto porque o senhor prometia. Mas cada um faz o que pode, não é?. José Sócrates fez o que pôde. Não é? E chegou onde me parece estar bem.

Que isto (o processo de Sócrates - ironia do destino...) não deveria ser tão mediatizado? Fosse pela calada. Que isto não se pode misturar com PS, disse o engenheiro, ontem, de sua boca? Impossível. Ia dizer impossibilidade ontológica. Mas não o faço por respeito às coisas como elas são. Seria como dizer que o senhor é monárquico, António Costa um asceta, ou o detido um filósofo. O que está em curso é uma outra revolução que usa a areia para atirar aos nossos olhos, e o esquecimento como uma arma de sedução a abanar para outros ares. Tanta mentira, meu Deus! "Como defender um assassino", estreia hoje à noite na AXN. Aconselho vivamente.

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25
Nov14

Vera Jardim, francamente!

por Fátima Pinheiro

 Vera Jardim /net

 

A propósito da prisão preventiva do ex-primeiro ministro José Socrates,  Vera Jardim disse ontem à noite  à RR que "...quando uma pessoa tem um amigo, presume que ele é inocente...". E os outros?

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24
Nov14

José: não sei perdoar

por Fátima Pinheiro

 

 imagem e semelhança/ da net

 

 

Não te dou como culpado, presumo a tua inocência. Nem estou aqui para te defender. Mas se és culpado, devo dizer que não sei perdoar, como não sei perdoar ninguém, Graças a Deus. Deves estar a sofrer. E muito mais ainda se estás inocente. E seja como for, acho criminoso o que estou a ver a correr nas malhas sociais. Tu com a Judite de Sousa naquela “célebre” e montada entrevista romàntica; tu numa fotografia com Soares, em que ele diz “eu não te disse que era melhor teres criado uma Fundação”, etc. Escrevo-te porque não se fala de outra coisa, e eu sou uma pessoa normal. E tenho pensado que se tudo isso de que te acusam é verdade, é grave. Não é trivial. Então?

Não me parece correcto, nem para mim nem para ti, especular. Resolvi então parar aqui. Apenas tenho pensado, e pensarei, muito. E penso no cenário de ser verdade tudo aquilo de que te acusam. E devo dizer que até penso que é verdade; mas como sou limitada, isso não me escandaliza; seria uma vez mais erro meu. E a ser verdade é mau. Em primeiro lugar para ti. É mau para a Política, para o Bem Comum. É mau para quem tem vivido estes últimos tempos de aperta o cinto de forma excepcional. Mas páro. Já chega. Não sei perdoar ninguém. E sou católica, imagina!

O perdão está nas mãos de Deus. Como a minha vida, e tua, está nas mãos Dele. Só Ele tem esse poder. O perdão é uma “coisa” que nos acontece, se nos deixamos ser perdoados. Isto parece um ajuste de contas, quer dizer, da forma que falo parece que estou para aqui a encolher a vida. Como tudo afinal se tratasse de uma contabilidade. Mas a verdade é que muitas vezes reduzimos a beleza de viver a isso mesmo, a uma burricada de cá se fazem, cá se pagam, duelos inúteis (por isso é que entendo muito bem Saramago). Temos uma tendência a ignorar ou esquecer a grandeza que nos “define” e nos é oferecida em cada circunstância. A minha Religião chama-lhe “pecado original”. E nisto, também, é realista. Como dizem os antigos, e S. Paulo repete-o, "Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero." Não me venham com coisas new age, género: supera-te, vive acima dessa, bora viver sem dor, etc. Não há aqui epidurais. Ou não terei eu “coração”?

A vida é sim uma festa. Espero que sejas inocente, e que se parem as brincadeiras. Eu? Não sei perdoar. E não me escandalizo. Deus me perdoe e ensine a destravar os meus ódios. O que me vale e me enche de alegria é saber que entre a “imagem” e a “semelhança” que sou,  há um caminho que me é dado. O tempo não é uma ilusão. O tempo é para a liberdade. O tempo é para sorrir porque a Vida, em nós, vence sempre.

Quem escreveu o que acabei de dizer, diz também: “A fidelidade (...) é a mais integral de todas as virtudes humanas. O homem participa numa batalha e, sem a fidelidade, não conhece a sua luta; apenas usa da violência, interpreta uma vontade, é instrumento de uma opinião. A fidelidade move-o desde a sua origem, é a primeira condição da consciência. Não se efectuam coisas novas sem fidelidade. Não se engrandece a piedade ou se priva com o mais simples sentimento, sem a fidelidade. Uma acção progressiva tem que ter raízes tumulares, raízes naquilo que encerrámos definitivamente - uma era, um conhecimento, uma arte, uma maneira de viver. A fidelidade, disse eu, assegura-nos o tempo de criar e o tempo de destruir o que se tornou inconforme à imagem do homem. Nada é digno de valor, sem fidelidade.”  (Agustina Bessa-Luís)

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uma tampa da net 

 

A justiça é para mim um must. O tema de hoje: José Sócrates & Company. Não que eu alinhe nos fogosos confutatis maledictis de Mozarts  e  Companhia. Prefiro as palavras de Santa Teresa que – parafraseio – reconhecem, com razão, que um PS  e um PSD que se elevam, elevam o mundo; tal como um PS e um PSD que fazem “porcaria”, enterram Portugal.  Por isso gostei do recente movimento de Miguel Macedo. Quem é este juíz Carlos Alexandre, que vai interrogar José hoje sobre certas coisas – incluindo fraude fiscal, corrupção, e assim - após ele ter sido detido no aeroporto, no seu ledo e Armani  regressar do brouillard? No meio há uma maison de 3 milhões de euros, em Paris. Coisa modesta, a minha alegre casinha. O Espinho-Suportem não lhe valeu. I want to break free. God  knows. Daria tudo para te ter aqui outra vez? Cruzes!

 

Sei os meus limites, e por isso sei que sou inocente até se provar o contrário. E que nem tudo o que parece é. Este é um caso muito sério e não é um caso isolado, eu sei. E não serei a única a olhar o Céu. Mas sei quem perdeu: foste tu e nunca eu, quer dizer, perdemos todos. Já perdemos demais, até. E agora: à la recherche du temps perdu? Como diz o povo – nós - não há bem que sempre dure e mal que não se acabe.

 

A adolescência é muito bonita. E tem o seu tempo. Mas eu por mim prescindo dum corpo Danone. E como compreendo quem se iluda para escapar ao peso das dunas! Passo pelo mesmo em certos momentos da minha vida. Tal como para mim, I wish nothing but the best for you; sometimes it lasts in love, sometimes it hurts instead. Agora, a Política, sendo a mesma coisa, faz parte de outra História. Não há aqui yogurtes à altura. Não é uma questão de paroles, paroles, paroles. Se não me adoça o “coração” – as minhas evidências e exigências elementares de verdade, beleza, justiça, felicidade, amor e bondade – de nada serve, e até a boca se amarga (sorry Alain Delon). Prefiro os diamantes que se deixam lapidar através das circunstâncias que cada dia nos dá hoje. Não há outras. Isso sim dói. Mas faz avançar. E os amigos são para o pior e para o melhor. A mim não me têm faltado. E agora?

 

Estás dolorosa, lacrimosa!  - ó Luís, fico melhor a chorar assim, ou assim? -, pois. Nós também. Na caneca Zumba? Não. Queremos uma vida feliz. Ontem falei aqui do Tacho que Passos Coelho me deu, graças a Deus. Hoje? Dou-te uma tampa. É  uma coisa muito boa, multiusos, e tem um folheto que vem em inglês técnico.

 

Farta de umbigos. A Política trata sim do Bem Comum. Não me venham com piedosas intenções. Olhos nos olhos, quero ver o que você diz: um Largo de Cisnes ou este Largo do Rato? E, já agora, o que é que o Rato diz? E os poderosos – para os mais incautos - media? Eu cá prefiro ruas estreitinhas…

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21
Nov14

 

Passos Coelho é o Primeiro-Ministro do meu País. Todos os governantes têm as suas qualidades e os seus defeitos e tudo aceito como razoável desde que não prejudique a tarefa que lhes foi confiada, e lhes permita o seu desenvolvimento enquanto pessoas. É que há aqueles que deixam de o ser, mal pisam aquela “apetecível” escadaria. Esquecem-se do “bem comum”, se é que alguma vez  souberam o que isso era. Não é pelos defeitos e qualidades, porque nesse ponto, somos todos da mesma massa: silvas, costas, rios, seguros, sousas, lopes, seguros ou não, & Companhias. E ainda bem.

Porque escrevo isto? Já não se aguenta o ver apenas um lado da governação. Eu ouvi o que disse António Costa anteontem, e ontem. Que este governo está farto de governar? Mas quem lho disse, Sr Presidente da minha Câmara?

Sabemos todos da simpatia entre os “media” e os “Pê Ésses”.  Nas vésperas das eleições aperta-se o cerco e não há dia em que não venham a lume os “podres” do meu país. Sempre os houve e espero que haja cada vez menos. O que é grave é atribuir-se tudo aos governantes. Para quem não saiba, na máquina do Estado nem tudo é controlável. Somos um país pequeno, mas mesmo assim nem todos nos conhecemos. E não preciso recuar a "D.Afon-se Henriques" (como escreveu um aluno meu da Universidade; ou ao filósofo "Redecart" - outro aluno, este já mais avançado, que estudava pelos apontamentos de um colega....René Descartes, escrito à pressa é naquilo que dá...). A "burricada" tem anos. Leia-se mais, Eça, por exemplo. Mais, cada primeira página de jornal ou abertura de telejornal vende com o superficial. Falo de superfícies diferentes, seguramente. Mas anda ali algures entre o corpo da Jessica Athaíde e a descoberta de novos vírus. Estes são detectados, de preferência em Ministérios diferentes. A ver se a casa vai abaixo pelo desabar das paredes todas.  Até parece que é cirurgicamente. Quem é que de facto domina, para dar apenas um exemplo, a máquina kafkiana do Ministério da Educação? Eu não nasci ontem. E sei que quem prejudica os meus filhos está em maus lençóis; nem que seja, não por eles, mas para eu dormir melhor. Ponto-chave, este, o da abertura do novo ano lectivo. Dói.

E não se encontra assim nada de bom que esteve governo tenha feito? Os jornalistas são pagos para ir na onda do bota abaixo. Contou-me uma jornalista minha amiga que estando numa guerra “lá fora” muitas notícias eram feitas a pedido: “Ó pá arranja-me aí uma que tenha sido violada, e entro em “directo”. É só transpor para o que se passa cá. E o Tacho de que fala o título deste post. É simples. Conto em duas ou três linhas.

Sempre fui trabalhadora. Tive a certa altura um caso com um diplomata bem colocado e sempre me ajudaram a arranjar trabalho. E trabalhei que me fartei. Agora casa desfeita, amigos na mesma, mas no desemprego (já não sou “diplomata”), este meu Primeiro-Ministro deu-me o melhor Tacho que alguma vez já tive: deu-me o empurrão de me saber virar sozinha. Recorri a amigos de longa data, respondo a concursos e coisas que toda a gente faz. Dou mais valor à vida. As circunstâncias são o chão da nossa luta. É através delas – e não “apesar” delas -  que me têm acontecido coisas extraordinárias. Entre tantas, que aqui não cabem, um Livro que sai dia 11, e que se chama precisamente “Rasante”, o Conhaque-Philo, que é uma surpresa constante, e chega. Tiro muitas conclusões. Uma delas é que tenho à frente do governo do meus país um homem exigente e que exige de mim o melhor que posso dar.

É o meu testemunho. 

E voltando ao meu Presidente da Câmara. Sabe mesmo do que estamos fartos? Pense um bocadinho….

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20
Nov14

 

Não consegui! Um segredo guarda-se e não se conta. Ou já não é assim? Ainda vou pensar e achar ou não se a minha liberdade chega a esse ponto. Mas acho que tenho uma ideia...

 

 

 

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20
Nov14

Entre os meus “descascares” das batatas para o almoço e os meus “fazeres” de sopa para o jantar vieram-me uns pensamentos. Coisa rara. Raros para mim não são, sim, os quadros que vejo todos os dias: os da irrazoabilidade dos dualismos e, muito menos, os dos maniqueísmos desresponsabilizantes.  No primeiro caso, o do dualismo, por exemplo, “este governo não serviu, ainda afundou mais o país, o próximo é que é”; no segundo caso, o do maniqueísmo, “este governo é uma coisa, o próximo que vem, esse sim, traz outra massa, outra gente, outro sangue”. Uma política entendida desta forma é desumana. Desumana porque mata, e nem sequer dos vivos sabe cuidar. Estas últimas semanas, são um case study de como as “mãos sujas”, que todos “somos”, andam sujas de outro sujo. Há porcarias desnecessárias. Querem saber?

Ora bem. Uma política dualista e maniqueista, pensa apenas nos bolsos e barrigas de alguns, cujo reinado, esquecem, tem prazo de validade. A vida é curta? Ai pois é. O melhor é aproveitá-la, “praticam alguns”. Eu? Ninguém tem nada com isso. Ou melhor, tem, tem, mas na medida justa. Bem sei que a moda está no “plano”: desde as top models tipo máquina de engomar,  ao mundo que já há uns aninhos batizaram de “global”, ou chapa zero. É a alegria das conferências power point, a idolatria das “excelências” (com letra pequena) e de um embandeirado empreendedorismo, que é ridículo porque muitas vezes é trabalhar pro boneco, ou para aquecer. Tablets, "ai podes" e assim. Agitação. É o clean da moral “verde”, que muitas vezes me cheira a pasto, e acaba apenas por alimentar “boas” consciências.

O bem comum já "passou" de moda há muito tempo. Eu diria que foram raros - e são - na História os políticos de letra grande. De dentro dos meus tachos e panelas vejo alguns. Não peço a ninguém que faça por mim esse trabalho de casa. Posso sim pedir conversa, comparar critérios, para avançar. Como dizia o outro, eu não sou “uma ilha”; e na polis que me coube, habito,  também “cidades invisíveis”.

E porque cada dia tem tido 24h, faço agora ponto parágrafo e convidei Jaime Nogueira Pinto e o Embaixador Franscisco Seixas da Costa para o próximo Conhaque-Philo, no dia 25 de Novembro. A data não foi por acaso. Vou perguntar-lhes pelas curvas de Portugal e do mundo. Estas semanas foram um shot delas. E para shot, shot e meio. Eles são pessoas para isso e muito mais. Acham normal que, em véspera de eleições, cada dia da semana seja um dia em que se descobre mais "uma falha" desta governança? Que os bandidos estão todos deste lado, e os xerifes, de botim a luzir (nada melhor que um par de sapatos bem tratados, nisso concordo), sejam todos uns inocentes e heróis? E que o justos paguem tudo? Ou que um roseiral seja um paraíso de odores "incênsicos", ao passo que um laranjal, apenas um titanic de interesses manhosos e cretinos finalmente a afundar-se de vez?

Entre as chazadas e o as azeites que cada dia nos dá hoje, terça-feira-feira está marcada para continuar este meu post de hoje. A ver se chegamos até lá. 

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18
Nov14

escrever

por Fátima Pinheiro

 imagem duma pintura de Fernando Baril/da net

 

Escrever é em companhia. O meu "Diário da Rússia" - que escrevi ao longo dos quatro anos que vivi em Moscovo, em breve numa livraria perto de você- é disso testemunha e começa assim:

 

«CHAMAR AS COISAS PELOS NOMES ou um POWER LIVRO? ASSIM, ASSIM ou DE POUCO, UM TUDO. Sei lá. Há tantos títulos possíveis. Mas o mais importante é que gosto de escrever. Resolvi fazer um livro. Enfim, já tenho muitos “livros” escritos, mas resolvi começar a por tudo em ordem, ou visível, manuseável. Só descobri que gostava mesmo de escrever, não há muito tempo. Mas já escrevo há muito. Poemas, prosas, coisas sem género, escritos.

 

Começo com este livro que vai ser uma espécie de coligir dessas coisas que fui escrevendo. Se gostar, e se gostarem, talvez seja o primeiro de muitos livros que espero vir a escrever ao longo da vida. Adorava escrever romances, mas isso nunca me aconteceu. Acho que é preciso estar possuído, e isso eu nunca experimentei. Para além disso é necessário um forte espírito analítico, que não tenho. Sou mais intuitiva e sintética.

 

Tenho poemas que me lembro ser das coisas que primeiro comecei a escrever. Houve também uns diários, umas notas. Isto antes e já depois na Universidade. Depois tenho uma parte importante que foi o que escrevi quando vivi quatro anos em Moscovo, depois de ter vivido cinco em Washington. Foi muito belo. Foi uma transição fascinante com marcas muito vivas.

 

E há muitas coisas que escrevo na cabeça e nunca chegam a ir para o papel. Isso é mau porque tenho a sensação que acabo por perder muitas coisas. Escrevo e reescrevo, tudo na cabeça, mas depois falta tempo para sentar, por no papel como deve ser. E às vezes quando passo para o papel parece que já não era igual, ou que o fixar fez perder a vida que tinham quando estavam só na cabeça. É como os sonhos, contá-los não é a mesma coisa.

 

Não sei se faça um plano ou se vá começando no copy paste. Também me ocorreu que este poderia ser um Power Livro, uma espécie de elenco de pistas a aprofundar e a desenvolver, noutros livros correspondentes às diferentes ideias que este apontasse.

 

É que há uma coisa que eu tenho que é a de não me prender em nada e ir escrevendo sobre tudo. Há um fio condutor, mas sou feliz por confessar que tudo me interessa. Sou uma espécie de generalista. Por profissão, pelos meus estudos de filosofia. Mas acho que há nisto qualquer especificidade. É isso que é a Filosofia. Apesar das modas, ainda acredito nela e considero mesmo um crime prescindir-se dela. Este Papa teve, como sempre, a coragem de escrever um Documento sobre o papel da filosofia na cultura de hoje, A Fé e a Razão. Falou como ninguém e quase ninguém o ouviu. Pelo menos não se falou disso.

 

Acho que as coisas têm um nome, ou vários nomes. Cada coisa pode ter vários nomes e é isso que eu gosto de descobrir. Podemos até brincar com as palavras para abraçar as coisas de formas diferentes. A mesma coisa pode ser vista de múltiplos modos. É como se houvesse muitos caminhos entre as coisas, ou as próprias coisas fossem caminhos, uns mais escondidos que outros, bons de percorrer, potencialidades infinitas de união, de alegria, e tristeza, mas cheios da promessa de uma felicidade. Um pressentir duma plenitude, sempre a fugir-nos em cada esquina, mas sempre investindo os passos que, mesmo por entre quedas, recuos, desvios, não cessam de ser movidos por uma força certa de que existe um porto.

 

E mesmo quando não queremos abraçar a realidade. Às vezes apenas quereremos fugir ou ignorar, ou negar. Mesmo assim, está tudo sempre lá. A chamar por nós. Ou nós a chamar por isso.»

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16
Nov14

Camus: desarma

por Fátima Pinheiro

Camus: imagem tirada da net

 

O próximo Conhaque-philo tem como tema a literatura. Lembrei-me do meu Camus. Genial este  discurso doce e firme do Nobel, a 10 de dezembro de 1957. Que voz tão poderosa e a transbordar de amor!

http://youtu.be/M5QD-32MCv4

 

CAMUS:  "Ao receber a distinção, com a qual vossa livre Academia, gentilmente, honrou-me, minha gratidão era tão profunda que eu mensurava a que ponto essa recompensa ultrapassava meus méritos pessoais. Todo homem e, por uma razão mais forte, todo artista, deseja ser reconhecido. Eu o desejo também. Mas não me foi possível compreender sua decisão sem comparar suas repercussões ao que sou realmente. Como um homem quase jovem, rico apenas de suas dúvidas e de uma obra ainda em construção, habituado a viver na solidão do trabalho ou nos retiros da amizade, não teria tomado com certo pânico um acórdão que o levou, de súbito, sozinho e reduzido a si mesmo, ao centro de uma luz ofuscante? Com quais sentimentos também poderia receber essa honra em um momento em que, na Europa, outros escritores, dentre os maiores, são reduzidos ao silêncio, e ao mesmo tempo em que sua terra natal conhece um infortúnio incessante?
Conheci essa confusão e esse tumulto interior. Para reencontrar a paz, foi-me necessário, em suma, colocar-me de acordo com uma sorte muito generosa. E, já que não podia me igualar a ela, apoiando-me nos meus próprios méritos, não encontrei nada para me ajudar, além daquilo que me sustentou, ao longo de toda a minha vida e nas circunstâncias mais adversas: a ideia que me faço acerca de minha arte e do papel do escritor. Permitam-me apenas que, com um sentimento de reconhecimento e amizade, eu lhes diga, tão simplesmente quanto puder, qual é essa ideia.
Pessoalmente, não poderia viver sem a minha arte. Mas nunca coloquei essa arte acima de tudo. Se ela me é necessária, ao contrário, é porque ela não se separa de ninguém e me permite viver, tal como sou, no nível de todos. A arte não é, aos meus olhos, uma regozijo solitário. Ela é um meio de comover o maior número de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e das alegrias comuns. Ela obriga, então, o artista a não se isolar; ela o submete à verdade mais humilde e mais universal. E aquele que, frequentemente, escolheu seu destino de artista porque se sentia diferente, aprende bem rápido que ele não alimentará a sua arte, e sua diferença, de outra forma que confessando sua semelhança com todos. O artista se forja dentro desse ir e vir perpétuo de si aos outros, a meio caminho da beleza que ele não pode dispensar e da comunidade da qual ele não pode se arrebatar. É, por isso, que os verdadeiros artistas não desprezam nada; eles se obrigam a compreender em vez de julgar. E, se eles têm um partido a tomar nesse mundo, não pode ser outro que não aquele de uma sociedade onde, de acordo com a grande palavra de Nietzsche, não reinará mais o juiz, mas o criador, seja ele trabalhador ou intelectual.
O papel do escritor, ao mesmo tempo, não se separa de deveres difíceis. Por definição, ele não pode colocar-se ao serviço daqueles que fazem a história: ele está ao serviço daqueles que a sofrem. Ou, caso, ei-lo sozinho e privado de sua arte. Todos os exércitos da tirania com seus milhões de homens não o removerão da solidão, mesmo e, sobretudo, se ele consente em tomar o seu passo. Mas o silêncio de um prisioneiro desconhecido, abandonado às humilhações do outro lado do mundo, basta para retirar o escritor do exílio, cada vez, ao menos, que ele consegue, no meio dos privilégios da liberdade, não esquecer este silencio e fazê-lo ressoar pelos meios da arte.
Nenhum de nós é tão grande para tal vocação. Mas, dentro de todas as circunstâncias de sua vida, obscuro ou provisoriamente célebre, jogado aos ferros da tirania ou livre por um tempo de se exprimir, o escritor pode reencontrar o sentimento de uma comunidade viva que o justificará, com a única condição que ele aceite, tanto quanto lhe for possível, os dois compromissos que fazem a grandeza do seu ofício: o serviço da verdade e da liberdade. Já que sua vocação é a de reunir o maior número de homens possível, ela não pode se acomodar à mentira e à servidão que, lá onde elas reinam, fazem proliferar as solidões. Quaisquer que sejam as nossas enfermidades pessoais, a nobreza do nosso ofício sempre se enraizará em dois compromissos difíceis de manter: a recusa de mentir sobre o que se sabe e a resistência à opressão.
Por mais de vinte anos de uma história demente, perdido e sem ajuda, como todos os homens da minha idade, nas convulsões do tempo, fui apoiado dessa forma: pelo sentimento obscuro de que escrever, hoje em dia, era uma honra, porque esse ato obrigava, e obrigava não apenas a escrever. Ele me obrigava particularmente a manter, tal como eu era e segundo minhas forças, com todos aqueles que viviam a mesma história, o infortúnio e a esperança que compartilhávamos. Esses homens, nascidos no começo da primeira guerra mundial, que tinham vinte anos no momento em que se instalavam, ao mesmo tempo, o poder hitleriano e os primeiros processos revolucionários, que foram confrontados em seguida, para perfazer sua educação, à guerra da Espanha, à segunda guerra mundial, ao universo concentracionário,à Europa da tortura e das prisões, devem, hoje em dia, criar seus filhos e suas obras em um mundo ameaçado pela destruição nuclear. Ninguém, eu suponho, pode lhes exigir de serem otimistas. E eu sou da mesma opinião que nós devemos compreender, sem cessar de lutar contra eles, o erro daqueles que, por uma desmesura de desespero, reivindicaram o direito à desonra, e afluíram para os niilismos da época. Mas resta que a maior parte de nós, no meu país e na Europa, recusaram esse niilismo e se colocaram em busca de uma legitimidade. Foi-lhes necessário forjar-se uma arte de viver em tempos de catástrofe, para nascer uma segunda vez, e lutar em seguida, com o rosto descoberto, contra o instinto de morte em ação na nossa história.
Cada geração, sem dúvida, crê-se fadada a refazer o mundo. A minha entretanto, sabe que ela não o refará. Mas sua tarefa seja, talvez, maior. Ela consiste em impedir que o mundo se desfaça. Herdeiros de uma história corrompida onde se confundem as revoluções decaídas, a técnicas que se tornaram loucas, os deuses mortos e as ideologias extenuadas, onde os poderes medíocres podem, hoje, tudo destruir, mas sem saber convencer, onde a inteligência foi rebaixada até se tornar a serva do ódio e da opressão, essa geração teve de, nela mesma e em torno dela, restaurar, a partir de suas próprias negações, um pouco daquilo que constitui a dignidade de viver e de morrer. Frente a um mundo ameaçado de desintegração, onde nossos grandes inquisidores arriscam estabelecer para sempre os reinos da morte, ela sabe que deveria, em uma espécie de corrida louca contra o relógio, restaurar entre as nações uma paz que não seja aquela da servidão, reconciliar, novamente, trabalho e cultura, e refazer com todos os homens uma arca da aliança. Não é certo que ela possa, alguma vez, realizar essa tarefa imensa, mas é certo que, em toda a parte no mundo, ela já sustente sua dupla aposta de verdade e liberdade, e, à ocasião, saiba morrer sem ódio por ela. É ela que merece ser saudada e encorajada em toda parte onde quer que ela se encontre, e sobretudo lá onde ela se sacrifica. É sobre ela, em todo caso, que, certos de seus acordos profundos, eu gostaria de responder à honra que vocês acabam de me fazer.
Ao mesmo tempo, após ter falado sobre a nobreza do ofício de escrever, eu terei recolocado o escritor no seu lugar verdadeiro, não havendo outros títulos que aqueles que ele compartilha com seus companheiros de luta, vulnerável mas obstinado, injusto e apaixonado por justiça, construindo sua obra sem vergonha nem orgulho à vista de todos, sempre divido entre a dor e a beleza, e dedicado, enfim, a extrair de seu duplo ser as criações que ele tenta, obstinadamente, edificar dentro do movimento destrutivo da história. Quem, depois disso, poderia esperar dele soluções prontas e belas morais? A verdade é misteriosa, elusiva, sempre a se conquistar. A liberdade é perigosa, tão dura de viver quanto exaltante. Nós devemos caminhar para esses dois fins, penosamente, mas resolutamente, certos, de antemão, de nossas falhas sobre um tão longo caminho. Qual escritor, nesse momento, ousaria, em boa consciência, fazer-se pregador de virtude? Quanto a mim, devo dizer uma vez mais que não sou nada disso. Nunca pude renunciar à luz, à felicidade de ser, à vida livre onde cresci. Mas, apesar dessa nostalgia explicar muitos de meus erros e de minhas faltas, ela me ajudou, sem dúvida, a melhor compreender meu ofício, ela me ajuda ainda a manter-me, cegamente, perto de todos esses homens silenciosos que suportam, no mundo, a vida que lhes é feita por nada além da lembrança ou do retorno de breves e livres felicidades.
Levado assim àquilo que sou realmente, aos meus limites, às minhas dívidas, bem como a minha difícil crença, sinto-me mais livre de vos mostrar, para terminar, a extensão e a generosidade da distinção que vocês me concederam, mais livre de vos dizer, também, que gostaria de recebê- la como uma homenagem oferecida a todos aqueles que, dividindo o mesmo combate, não receberam qualquer privilégio, mas conheceram ao contrário o infortúnio e a perseguição. Resta-me então vos agradecer, do fundo do meu coração, e de vos fazer publicamente, em testemunho pessoal de gratidão, a mesma e anciã promessa de fidelidade que cada artista verdadeiro, cada dia, faz a si mesmo, no silêncio."

Livre tradução do discurso feito por Camus em 10 de dezembro de 1957, logo após o recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, por Por Pedro Gabriel de Pinho Araújo – pedrogabriel84@gmail.com 

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