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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


31
Mai15

 imagem tirada da net/ Painéis de S. Vicente de Fora - Uma visão Poética (2009)

 

« "Painéis de S. Vicente de Fora - Uma visão Poética" (2009) é uma reflexão de Manoel de  Oliveira (MO). Numa época que se preocupa mais com coisas penúltimas, MO dá-nos Portugal. O que inspira a reflexão, reconhece o realizador, é a crise em que a humanidade vive. O filme é assim apelo à paz, a uma visão humanista que não exclui nenhuma raça. Marco Müller, diretor do Festival de Veneza no dia da estreia do filme: "o grande mistério destes Painéis reside em não se saber ao certo quem são as personagens nele representadas, porque se algumas são reconhecíveis, muitas outras não o são".

Porque fez MO este filme? Para saber porque é que num dos dois painéis onde aparece S. Vicente, ele traz o livro aberto com uma passagem da Missa do Espírito Santo (João, XIV, 28-31). E no outro, o santo pega no livro fechado e tem o bastão da virilidade debaixo do braço, e a mão a deter o chefe guerreiro. E para saber por que razão no painel dos pobres, apenas um homem se encontra prostrado de cotovelos no chão.

O Painel em que o livro está aberto, Oliveira roda:"olhai bem!".E repete. É o cinema de Oliveira na exigência da contemplação. O filme termina com uma dança dos Pauliteiros de Miranda, dançando em frente ao quadro, num apelo à alegria de viver, a um banquete.

O filme começa com S. Vicente a "sair" dos Painéis, a colocar-se diante deles (de nós) e faz aquelas perguntas. Ricardo Trêpa convoca, para isso, alguns homens dos painéis. Vão "saindo" das 60 figuras do original (contando com a dupla representação de São Vicente), 18 personagens que se vão colocando no mesmo plano, isto é diante do Políptico, a olhar para nós.Vinde! E começa com os guerreiros. Vinde vós, também, homens do povo. E vós, os homens do painel da Relíquia. Vinde vós os frades, eles também, têm o seu papel, sem dúvida - embora não seja apenas sobre eles que recai a responsabilidade de fazer a paz. No fim é também convocado Diogo Dória, o infante D. Henrique, que irá fazer um apelo à paz. O Arcebispo não é convocado porque, diz o Santo, "já sabe o que vou dizer".

No Painel da esquerda São Vicente detém com a mão o chefe guerreiro como que a dizer: "É tempo de acabar [a guerra]". Ao que este, surpreso, responde "Eu?". Este é o ponto central da reflexão. É como se Oliveira nos provocasse - cada um - à mesma pergunta. E é de notar que é a única vez, nos escassos minutos do filme (sempre ao som da "música" de vento e de mar), que o Santo intensifica o tom de vós, numa intencionalidade, ou acting, muito incisivos: "Eu?" Como se dissesse: o que é que eu tenho a ver com isso? Sou eu que faço a Guerra? Sou eu que vou fazer a paz?

Quem está de joelhos, é o Oliveira? Sou eu? Diz o santo: o pescador é o único prostrado de joelhos a rezar pela salvação do mundo. É como se os Painéis fossem um só. O Painel da humanidade, com todas as raças, a "ecoar o clamor da crise" : o grito do pobre, do pobre saudoso de sentido (Eduardo Lourenço).

A razão pela qual num dos painéis o livro está aberto, e no outro fechado, é o corte entre Passado e Presente que Oliveira quer "unir". A razão da necessidade do homem estar de cotovelos, no chão, é porque é preciso gritar do fundo (S. Agostinho, Confissões II). Não basta perguntar por perguntar. Num dos seus mais belos filmes, o Vale Abrãao, Oliveira põe o dedo na nossa ferida.  É da boca de João Perry que vem a "minha" dramática alternativa : "vive-se....ou não se vive...".  Nos Painéis a vida, o viver, é deixar o livro aberto, sôbolo olhar que corre. E correr...

Oliveira é um "livro aberto" mediante um trabalho - construção - que revela o movimento de um Políptico trespassado de um presente que chega até nós como uma Nação Amada, e Ajoelhada diante do Livro que Ricardo Trepa traz ao "colo" (evocando quiçá a figura de Nª Senhora - Rainha do Porto, a cidade do Douro, da "sinfónica" faina fluvial); um Portugal que não nega que se enraíza num Cristianismo que nunca ficou "em casa" mas arriscou uma Missão que a Europa parece hoje querer esquecer.»

(2/7/2013 - Expresso on line)

 

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Manoel de Oliveira, no trabalho de realização do "Gebo e da Sombra"/imagem tirada da net 

 

Talvez o melhor da sua última década, palavras de um crítico acerca do recente filme de Manoel de Oliveira “O gebo e a sombra”, homónimo da peça de Raul Brandão. Quando o vi pela primeira vez encontrei qualquer coisa mais. Comparar interessa, se estão em jogo critérios: Oliveira apurou a sua aposta numa performance sem redes. Seis atores geniais, dão-nos em 92 minutos, numa cozinha – a famosa gaiola - a totalidade e a beleza do carácter dramático da existência humana. Está tudo aqui. Numa divinal dança de luz e sombra, vale o silêncio que nos poderá devolver a nós próprios. Estamos diante da pedra preciosa do colar que é a cinematografia dum olhar inigualável?

O que cativa não é a largueza de imagens como as de um Vale Abraão. É antes uma contenção, densidade, a espessura do humano todo. Em altas vagas sem fundo, que provocam a liberdade do espetador a um mergulho sem fim, no terreno ontológico a que Oliveira sempre nos habituou. Preso numa fidelidade às palavras de Brandão, faz outra coisa. Não por prescindir do último ato, mas por dele fixar o melhor.

É uma história sobre a pobreza: Gebo, contabilista, chega a casa com o dinheiro do trabalho. Esperam-no a mulher, Doroteia, e a nora, Sofia. O filho, João, acaba por roubá-lo e fugir. Duas visitas frequentes, o Chamiço e a Candidinha, dão o contraponto de humor e ligam o interior ao exterior da casa. O mesmo fazem as janelas e as portas, através das quais o dia dará lugar à noite, e esta à manhã, quando batem à porta e se dá o Acontecimento.

Está tudo aqui, diz Jeanne Moreau, fazendo festinhas na mala de Michael Londsdale. Como seria bom ter este dinheiro; dizer: faz isto, faz aquilo. E Luis Miguel Cintra: a arte! a política! era preciso visão, um pulso forte! a rotina instalou-se. Um frio de rachar, lá fora! Ai, e a música!; exprime melhor que tudo o amor; ficavam-me todas pelo beicinho. E finge que toca flauta!

Leonor Silveira, mulher sábia, cuida de todos, ocultando (com o sogro) de Claudia Cardinale, mulher de dores, o desassossego de Ricardo Trepa, seu super-homem. Em frequentes esperas religiosas à janela, recebe sinais do tempo. Do espelhado chuvoso, cabem na câmara de Oliveira, ela, de costas, e uma Imagem de Nossa Senhora, num nicho, lá fora. Depois, numa das suas rondas da noite – aquela em que João desaparecera com o dinheiro -, lá está Sofia diante da mesma estátua (agora grande) num diálogo silencioso. O cinema de Oliveira não tem pinga de moralismo. Mostra-se o cruzar de olhares onde a nossa liberdade é também implicada. Somos, ou não, apanhados no fogo cruzado daquela oração?

A culpa do marido, ela sabe, é diluída no desejo que ele tem de uma vida melhor. Não é melhor morrer do que viver sepultado?, perguntara ele uma vez, num dos momentos do seu permanente desassossego. É o que ela pergunta à Senhora, de quem recebeu seguramente pronta resposta: a consolação, que Oliveira dá no rosto sereno e luminoso de uma Leonor Silveira irrepreensível.

Batem à porta, de madrugada. A esperada visita da polícia escancara os olhos da trindade: o pobre, a sofia e a doroteia. Espantadas por razões diferentes ouvem: quem roubou fui eu. De pé, com o sol que se adivinha por incidir em metade do écran, o Gebo deixa desvanecer a sombra. É o acontecimento de uma liberdade que também me devolve a humanidade, que me devolve a mim mesma: uma imaculada realização.

 

(Dezembro 2012)

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23
Mai15

 

Sofia Areal lança hoje o seu novo website, em Cascais: um belo fim de tarde a não perder. A artista conta-nos em que consiste esse "catálogo" vivo, interativo, de toda a sua obra. As novas tecnologias a facilitar a Beleza que caracteriza uma Sofia que se considera numa nova fase da sua vida, uma nova fase da sua arte, agora que vai fazer 55 anos. Uma Sofia com mais luz própria, com uma força que diz estar ligada ao número cinco: um amarelo forte, cor do sol, de forte pujança.  A arte, reconhece, tira-nos do superficial, filtra o dia, eleva o quotidiano,subindo uns degraus mais próximo do céu, e o céu será muita coisa....

 

Às 18h no Museu Condes de Castro Guimarães. 

 

 

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 Susana e Carlos Moura de Carvalho/fotografia de António Alfarroba

 Na Porta de entrada, 15 de Maio 2015

 

 

A Mercearia Criativa celebrou os seus cinco anos na 6ª feira passada. O Rasante não podia faltar à Festa. Palavras para quê? Um espanto. O Carlos Moura de Carvalhou conta como tudo aconteceu e do que nos espera....

 

 

 

 

 

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21
Mai15

"Me olvideé de vivir": é capaz!

por Fátima Pinheiro

 

Julio Iglesias estará a 30 de maio no MEO Arena, onde irá apresentar o seu novo espetáculo, integrado na WORLD TOUR 2015.

45 anos de carreira, mais de 300 milhões de discos em todo o mundo. É o único artista a quem foi atribuído um Disco de Diamante por ter vendido, nos seus primeiros 10 anos de carreira internacional, mais de 120 milhões de discos.

Foi distinguido com mais de 3.195 discos de ouro e platina. Figura no Guiness Bookof World Records como sendo o artista que mais discos vendeu num maior número de idiomas e já realizou mais de 5.423 espetáculos em 89 países de todos os continentes.

A letra: "De tanto correr por la vida sin freno/ Me olvidé que la vida se vive un momento/De tanto querer ser en todo el primero/ Me olvidé de vivir los detalles pequeños. /De tanto jugar con los sentimientos/Viviendo de aplausos envueltos en sueños/ De tanto gritar mis canciones al viento/ Ya no soy como ayer, ya no se lo que siento/ Me olvidé de vivir/ Me olvidé de vivir /Me olvidé de vivir! Me olvidé de vivir/ De tanto cantarle al amor y la vida /Me quede sin amor una noche de un día/ De tanto jugar con quien yo más quería/ Perdí sin querer lo mejor que tenía./ De tanto ocultar la verdad con mentiras /Me engañé sin saber que era yo quien perdía /De tanto esperar, yo que nunca ofrecía/ Hoy me toca llorar, yo que siempre"

 

 

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18
Mai15

José Milhazes:um bobo da corte!

por Fátima Pinheiro

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  Um dos belos Palácios de S.Petersburgo/ imagem da net

 

José Milhazes lança o seu novo livro amanhã: "O Favorito Português de Pedro O Grande. Um grumete que chegou a  general e chefe das polícias". Fomos falar com o nosso especialista em temas de Leste. O que ele nos disse! Desde o papel de António Vieira - assim se chamava - aos seus descendentes, entre os quais, os irmãos Michalkov, famosos cineastas russos.

 

E contou-nos também das suas preferências em termos de portugueses com trabalho feito, como o médico Ribeiro Sanches. E portuguesas?, perguntamos. Deu-nos então a conhecer Julia, filha da Marquesa de Alorna, que casou como o Sr. Strogonoff, mais velho e de dentes fracos (estão  a ver de onde vêm os célebres bifinhos"); e um outro português..., bobo na corte russa. 

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17
Mai15

Maria Ulrich: back in town

por Fátima Pinheiro

 

 Maria Ulrich/imagem tirada da net

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 Vejam a nova programação da Fundação Maria Ulrich. Rasante falou com a Catarina Almeida para saber as novidades.

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 imagem tirada da net

 

Crises não matam vida e cinema. No festival de Veneza, daqui a dias, Manoel de Oliveira apresenta o seu novo filme, O gebo e a sombra. "Faz um filme sobre a pobreza", pedem-lhe. Ao que respondeu ser "um tema muito difícil". A dona crise fê-lo partir (d)a peça homónima de Raul Brandão, de uma atualidade que não esperávamos encontrar. Em quatro atos (96 páginas da edição do Círculo de Leitores), o teatro diagnostica o humano: as sociedades em contrastes e dramas desafiam a liberdade de cada um a desejar uma vida maior. Como Oliveira nas suas obras, não dá soluções mas mostra-se, e neste caso do cinema, no poder que a imagem tem. Provoca e faz, ou não, avançar. Cheio de sombras e de gebos, é solar. Penetra o eu, e o pássaro vai decidir se sai ou não da gaiola, recorrente nos filmes a que nunca me habituarei. Não há mensagem, há uma pergunta que sai da boca do Gebo, o pai: resta saber se a gente vem a este mundo para ser feliz. O gebo, o pobre, sou eu. E quero saber agora, como no céu. Que estás tu a olhar para mim, velha cheia de sonhos irrealizados?, pergunta João, o filho, à mulher, Sofia, no take da página 51.

 

Isto da política está cada vez pior. Era preciso um homem de pulso. (p53.) Já não há arte (p13); não há nada que chegue à arte... ponho-me a pensar [nela]e vem-me uma tristeza (p45). A gente chega a pensar em morrer (p24). Foi tudo inútil! (p96). Como me dói o que dizes, aqui no coração (p78). Talvez a verdade nos salve (p72). Entretanto, a vida dura, nas suas pungentes urgências, impaciências, cansaços e tampas, leva a esquecer, às vezes a entreter: trabalhar e dormir. E a sacrifícios. Não há que cismar, e o tempo é dominado por outras coisas, que o coração dói. Não se acompanha mais, diz o fado.

 

Mas não acaba assim! Há uma sombra que pisca, e o coração sabe que não é de pedra (p74). Brandão põe em João a possibilidade de mudar; ele faz gritar por um sentido. Na peça é apresentado com estas palavras: Aí está o homem!(p38). Eu tinha boca e nunca tinha gritado (p96), espanta-se o Gebo. Ele, homem do dever (p.73), entrega-se à polícia, por um dinheiro do suor da sua contabilidade, que foi o filho a roubar. Dostoievski espreita por muitas páginas desta peça, é inegável. E Oliveira gosta muito disso. Afinal, como Claudel, noAnúncio a Maria: para que serve a vida se não for para ser dada? Fui eu que roubei (p83).

João: vocês não sabem o que é a vida. A vida! (p43). E eu, pobre voz, peço:Não entendo e quero ver... (p75). Ver! Se nós pudéssemos ver! (p77). E o que faz perguntar não cessa de amparar, vindo da boca do filho as palavras de toque, a apontar um lugar: Não procures em mim outra figura senão a que conheces...a do desespero não queiras vê-la... (p60). A promessa vem das palavras do pai: Espera que quero ver e hei-de ver! (p78).

 

E Sofia, mulher do filho, e que não tem este nome sem mais, quando o coração está negro como a noite (p82) - e é de noite que se pergunta (p17; 61-62) - vai dando sempre a deixa: o que eu acho é que há talvez outra coisa maior que não conheço, mas pressinto... É uma coisa que me mete medo e que me atrai.(p75). Eu, o Gebo: Outra coisa?... outra coisa maior? (p76). Eu: No céu? A sabedoria: Não, na terra. (cfr. p76)

Somos uns desgraçados. Por isso é preciso dar tempo e espaço na terra, agora, já, às estrelas que aparecem. Oliveira é seguramente uma das mais brilhantes. E, na p95, o Gebo termina o que escrevo: Ah, essas noites em que a luz se foi fazendo cada vez mais clara [refere-se ao tempo passado na prisão, de castigo a pagar o crime]... Uma hora em que entendi tudo e todas as vozes dentro de mim se sumiram com medo à minha própria voz. A gente só não se arrepende do mal que faz neste mundo.

 

http://www.publico.pt/opiniao/jornal/oliveira-mostra-o-pobre-a-gritar-por-forca-maior-ja-25051310

 

 

 

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 imagem de Nossa Senhora de Fátima/tirada da net, há 4 dias

 

D. Raymundo Damasceno Assis, Cardeal Arcebispo da Aparecida, preside este ano às cerimónias na Cova da Iria. Falou ao Rasante, mesmo a seguir à Vigília de ontem. Mas já era dia 13. Segredos e mais segredos, registados aqui em cima, que nos recordam o que é essencial. E aponta caminhos para 2017. Como viver uma vida digna desse Nome? Simplicidade, simplicidade, simplicidade...

 

Já a homilia tinha sublinhado este ponto. Porque complicamos? Porque não somos simples, não olhamos como Lúcia, Jacinta e Francisco, que souberam olhar o que parecia uma impossibilidade, e obedeceram. Ela, por seu lado, olha constantemente para o Filho, Jesus Cristo. "Aparecida" numa árvore comum - mas muito valiosa -  a uns meninos iguais aos outros, tornou Portugal local onde Papas ajoelham e Lhe pedem outras "impossibilidades". O Cardeal da Aparecida não quer menos: quer "ser configurado com Cristo", programa para cada um de nós.

 

É isso que quero? Melhor: o que quero? Não há terceira via: a vida ou tem sentido ou é uma grande burricada. Vale a pena parar, e ver o que se passa num local que vai crescendo em turismo religioso e coisas assim, mas onde  a presença do essencial não é apagada por quem, com ou sem intenção, quer é apenas ganhar dinheiro.

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12
Mai15

  S.João Paulo II num dos seus encontros com Ela, no Santuário de Fátima /imagem tirada da net

 

Releio pela enésima vez o melhor livro alguma vez já escrito sobre Fátima: "O segredo que conduz o Papa", da jornalista da RR e vaticanista Aura Miguel. Nestes dias a memória dispara, e é assim, reter o essencial. Hoje é Francisco que é Papa, e daqui a dois anos será a sua fotografia que eu vou postar com a Mãe do Céu, no centenário das Aparições. Melhor livro? Sim. 

 

Ninguém é indiferente a Fátima. Todos têm opinião, mesmo que seja a de não ter opinião nenhuma. Depois há muitas "bocas" sobre o tema. E a eterna história do aproveitamento comercial. Como se isso não fosse certo e sabido, em todos os domínios! Ou estamos no reino dos anjinhos? Chega! Este assunto é de tal modo sério para ser assim tratado. Bota-se opinião, desconhecendo como se passaram as coisas. Acha-se a mensagem ridícula. Mas sabe-se, estuda-se, essa mensagem?

 

O que move três homens tão distintos e tão diferentes - mas todos de uma personalidade fantástica, forte, musculada, inteligente-, João, Bento e Francisco, a ajoelharem-se diante Dela, como crianças? A pedir amor, paz, misericórdia, e mais, para cada um de nós, e para os que mais sofrem? Andarão a brincar às aparições? Eu sei que não é dogma. Eu própria, quando era jovem, e já era católica, olhava para o pequeno écrã e os 13 de Maio não me diziam nada. O que aconteceu? Fui. E li. E vi pessoas que acreditavam. E aconteceu-me. Lá. No momento que Ela me olhou e se calou. Os silêncios de Fátima, não há palavras para os contar. É preciso mesmo procurar, para encontrar. Nada cai do céu aos trambolhões. Sem liberdade, nada feito. 

 

Desde então não parei. Até que há uns anos a Aura Miguel escreve um livro que conta como tudo se passou. Um livro que desbrava caminhos na História de Fátima. Tudo fundamentado. Sem esquecer que há sempre uma dimensão que nos escapa, sabemos que essa dimensão nos escapa; o que é já saber qualquer coisa. Mas ler não chega. Ajuda. É por-se a caminho, de coração nas mãos e com olhar de pastorinho: não ter medo de acreditar no inacreditável, no impossível. Não ter medo de ser bem aventurado, como dizia ontem o meu entrevistado.

 

Tive o privilégio de participar no seu lançamento em russo, no Kremlin, com a presença de representantes de outras religiões. Sem papas na língua, contou tudo. Em italiano. Em Portugal nem sabemos avaliar o privilégio e a responsabilidade de um Acontecimento sem igual. We take it for granted, para incultos, primários e utilitaristas. Pena que se desculpe  o desinteresse por causa da lama que, por vezes, não deixa luzir Aquela Senhora, "mais brilhante que o sol", para usar as palavras dos pastorinhos. É como querer que o carro ande sem pôr primeiro a gasolina. Ou o gasóleo. Eu vou, a seguir ao trabalho. E regresso ainda hoje, porque amanhã trabalho. Pedi boleia. Quando se sabe o que se quer, é pedir ajuda. A noite de 12 para 13 não a dou por adquirida. Vou ter novidades.

 

 

 

 

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