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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


30
Jun15

Edgar Morin: paradigma encontrado?

por Fátima Pinheiro

 

 

Edgar Morin : « L’encyclique Laudato Si’ est peut-être l’acte 1 d’un appel pour une nouvelle civilisation »

www.la-croix.com/Religion/Actualite/Edgar-Morin-L-encyclique-Laudato-Si-est-peut-etre-l-acte-1-d-un-appel-pour-une-nouvelle-civilisation-2015-06-21-1326175.

 

 

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29
Jun15

Bergman e Oliveira: Pedro e Paulo

por Fátima Pinheiro

 

 

 imagem do filme "Luz de Inverno", de Ingmar Bergman/tirada da net

 

Os filmes são para ver "em grande". Ainda estão a tempo de ir ao Nimas ver o filme, do qual puz a imagem acima. Tenho pedido ao pai natal que me dê uns matraquilhos e uma sala de cinema para por na minha casa, mas até agora nada. Agora a sério. As versões restauradas melhoram, como é o caso desta obra de Bergman, de 1963, uma das três do seu ciclo "o silêncio de Deus". E o filme? E Bergman? E Oliveira? E o Pedro e Paulo, do título? Simples. Eu explico.

 

Em hora e meia, o que parece de uma aspreza e carregado de um tédio insuportável, pior ainda que um preto e branco que nos rouba o colorido da vida, é antes um presente que Bergman nos oferece. A Luz de Inverno é um empowerment, numa gestão que toca no mais fundo de nós e evidencia o que está em causa na vida. É uma comunhão. É uma libertação. E Oliveira? É chamado aqui porque é sobre ele que mais tenho escrito. Mas mais, eles dão-nos o mesmo, só que de formas diferentes. Acabo de os casar.

 

De Oliveira tenho dito e redito que tem uma forma fenomenológica de realizar. Bergman não prima nisso. Ainda não encontrei  o filosofar de Bergman. Só sei que vai "directo ao assunto", e que faz doer mais. Oliveira, sendo a autencidade em pessoa e nos filmes, é no entanto mais suave. Isto durante o filme. No depois, é Oliveira que dói mais, porque, continuando o filme presente, é um desafio constante à liberdade. Este filme de Bergman tem um fim que nunca poderia ser o de Oliveira. Bergman é um shot. Oliveira, uma agulha a ver se é apanhada pela veia. Um embucha,o outro estica. Mas se tivesse que dar um filósofo a Bergman - como a Oliveira dou Husserl - ia logo para S.Tomás. Ou Wittgenstein, para dar um do mesmo século. Mas que trabalho isto me vai dar! Fico-me hoje por estas notas rasantes. Digo ainda que ambos  mostram conteudos de fé e argumentos da razão. Parece-me que Bergman toca mais na fé, Oliveira na razão. Bergman é brutal no visionamento do filme: cada imagem tem um poder que ainda não encontrei noutros realizadores. Oliveira é uma música de fundo que se confunde com o nosso respirar.

 

Quem "aguentar" ver o filme até ao fim, ganha uma vida. Ontem privei com este perito em fazer com que os sentimentos saiam do ecrã, e se tornem tangíveis. São os meus sentimentos. Vivo-me por dentro. Sinto.

Para quem não pode saiar de casa deixo o filme aqui. faltam os últimos minutos, mas tem legendas em inglês <iframe width="854" height="510" src="https://www.youtube.com/embed/NZ6_0KlpK6I" frameborder="0"
allowfullscreen></iframe> ; t
odo o filme, com legendas em espanhol <iframe width="854" height="510" src="https://www.youtube.com/embed/qrwhiqUTw28" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>.

 

Diz Bénard da Costa (vem no folheto do Nimas) :"é o filme de Bergman em que o seu reinado é mais absoluto". Nudez absoluta.  E talvez o melhor comentário sobre Bergman (ainda estou) no folheto, seja este: "O cinema não é um ofício. É uma arte. O cinema não é um trabalho de equipa. O director está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico". (Jean-Luc Godard, "Bergmanorama", Cahiers du cinéma, Julho – 1958).  Pois é, Oliveira não dá - no decorrer do filme - as respostas.  E já que e Igreja celebra hoje dois homens espectaculares, digo  de Bergman e Oliveira, que um é Pedro, e o outro é Paulo.

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 "O mundo é uma máquina a habitar" (Le Corbusier)/ imagem tirada da net

A primeira Encícica do Papa Francisco desarma. É como o "Amor" que André Sardet canta. Mas há mais. Fez sair da boca de Edgar Morin o seguinte: este documento é um virar de página para uma nova civilização.  Será que li bem?

Apresentada oficialmente a 18 de Junho passado, Laudato si foi na 5ªf apresentada em Lisboa pelo Patriarca de Lisboa, D.Manuel  Clemente. Trata-se do mesmo do mesmo? O texto cita a par e passo a "Caritas in Veritate", de Bento VI; já se escreveu tanto sobre ecologia; não teria já o nº53 ( não a uma economia de exclusão) da Evangelii Gaudium  - o "Programa de Governo" deste Papa- dito tudo sobre o assunto? Não. É, se bem que na continuidade, coisa nova. A ida de Francisco aos USA vai dar que falar.

Obama elogiou-a. O "New  York times" e o "Wall Street Jornal", entre outros, dão-lhe invulgar destaque. Francisco vai aos USA. Alías não pára. Tanta energia!  Afinal é esse o tema do documento, e significa  "em-trabalho" (do grego, “ativo, trabalhador”, formada por EN, “em”, + ERGON, “trabalho, ação”). E ele é assim mesmo; não lhe escapa uma. Ontem em Sarajevo, amanha, em Novembro, em África. Isto sem esquecer o seu quotidiano, de sandálias, a todo o terreno: as pessoas que vivem na sua rua. Tem o sonho missionário de chegar a todos. Todos? O mundo é "une machine à habiter", expressão que desconhecia, e que li ontem num poema fabuloso de José Tolentino Mendoça (Uma Canção Debaixo do Dilúvio in "Estação Central", 2012).

Sem se esquecer de si mesmo, Francisco sempre a pedir que rezemos por ele, que está doente. Qual o segredo? O viver em tensão para uma eco-logia integral, a que ele chama no texto a conversão a uma economia integral: não apenas a ecologia clássica, mas a que respeita cada espécie  no valor que tem, sem que o homem se belisque, ou belisque os outros, os outros "todos" mesmo; sem que os ricos do norte belisquem os pobres do sul. Reconhece até que os do norte têm uma dívida ecológica em relação aos do sul; e que a devem pagar.

Este argentino de uma letícia cheia de espaço, de "casa", É como se fosse uma faca/Que me infecta e ataca/Vai directa ao coração/O amor mata/Vagueia por dentro e compacta/É como um nó que não desata/Leva o ar e a razão, como canta Sardet. Ar e Razão, precisely: uma energia integral, a única capaz de arquitectar o nosso "dentro".

 

 

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 imagem de "O Velho do Restelo", tirada da net

 

Manoel de Oliveira: uma “realização” fenomenológica

duma conferência minha sobre o realizador, há uns anos, quando descobri que Oliveira era uma espécie de Husserl em cinema.

 

"Abstract: A obra de Manoel de Oliveira (MO) conhece o real em todas as suas dimensões, em particular o humano. A sua vasta filmografia não se limita a lugares comuns (filmes longos e chatos). Trata-se sim de uma obra potencialmente bela, exigindo do espectador um trabalho de atualização. Tem a genialidade de pro-vocar o humano que há em nós. Na linha do “conhece-te a ti mesmo”, apresenta imagens cuja intencionalidade é a de nos devolver a nós mesmos. A sua poética, plena de silêncio, é um lugar expressivo de uma ansiosa procura de sentido. Como sublinha E. Lourenço no Prefácio à edição da célebre Conferência de Antero de Quental: “estamos órfãos de um sentido que mereça esse título e saudosos dele”. Oliveira reconhece que os dois vetores do seu cinema são “a verdade e o acontecimento” – a sua busca não é ideológica nem puramente estética, mas sim existencial; aquilo que nos faz ver somos nós. Assim é o cinema, o contemporâneo. Com a visualização de algumas cenas dos filmes de Oliveira, faremos uma análise fenomenológica que pretende articular sentidos.

Oliveira “faz” filmes para conhecer o Mistério que dá sentido à vida e nessa medida não desiste nunca de perguntar pelas razões de tudo. Apesar de saber da dificuldade das questões metafísicas - resolvidas pela arte de uma forma que só a arte o sabe fazer -, Oliveira vai sempre mais além. Mesmo quando filma o infinitamente pequeno, é para filmar o infinitamente maior. “A vida é mais interessante que a arte” (Filliou, 2010). Um especialista de MO ecoa a ideia chave ou guião constitutivo do cineasta: “…nous sommes devant un grand mystère.” (Baecque, A., Parsi, J., 1996).

A nossa intervenção pretende mostrar em que medida Oliveira utiliza uma “câmara” fenomenológica. A fenomenologia é a filosofia que ainda “acredita” que é possível ir “às coisas mesmas”, ao “miolo” daquilo que acontece de forma implacável, quer queiramos, quer não. Husserl, o seu “decano”, usa a razão com essa finalidade: bem lembrou que nos colóquios se cruzam as pessoas mas não os discursos; entendia a filosofia como uma ciência rigorosa (1913) – cada ciência tem o seu rigor. Por outras palavras, propugna que “é a falar que a gente se entende”. Mais: foi ele que chamou a atenção de que não há ciência sem subjetividade; melhor, que é ela que confere à objetividade o lugar no mundo. Como reconhece um homem da fenomenologia da experiência estética: “L’authenticité de l’artiste, ce n’est pas seulement la fidelité à soi-même, c’est aussi la fidélité à son oeuvre(…).” ( Dufrenne, 1992).

Utilizando a razão, procura razões e articula-as com a melhor lógica possível. Coisa que a arte não faz, nem tem que fazer. O cinema de Oliveira manifesta assim, também, um apego à “…música das imagens” (Baecque, A., Parsi, J., 1996). Mas há uma forma filosófica de ver o cinema - e agora dizemo-lo mesmo de forma poética -: a razão sabe por onde vai o cinema, no trabalho de mostrar e articular razões. Pondo as coisas de forma mais clara – e esta é a melhor definição de Filosofia que encontramos –  a Filosofia faz as distinções essenciais  (Cfr. Sokolowski, 1992). Quem a define assim é Husserl que em 1900 - oito anos antes do nascimento de Oliveira; ano da morte de Nietzsche; cinco anos depois da primeira apresentação pública dos irmãos Lumière – nas suas Investigações Lógicas, magna carta da filosofia que se lhe seguiu, sendo justo até dizer que as mais variadas correntes filosóficas do séculos XX e XXI, são notas de rodapé a essa obra prima (já Hegel tinha dito que a História da Filosofia se resumia a um conjunto de notas de rodapé às obras de Platão; e não é por acaso que Husserl conhece muito bem Platão). Nesse livro defende-se a necessidade de ir às coisas mesmas, sublinhando que estas se dão, se revelam, em perspetivas sempre outras, a sujeitos que, por sua vez, têm histórias diferentes.

Eu sou eu e a minha circunstância, diz Ortega y Gasset, um dos grandes da Fenomenologia, e, curiosamente é uma das frases que MO põe na boca de Luís Miguel Cintra (LMC) em ” O Estranho Caso de Angélica”. Arrasando o Cogito ergo sum de Descartes, é a noção de intencionalidade que nessa obra se destaca. Não há consciência sem mundo, nem mundo sem consciência, isto é, toda a consciência é consciência de; o mundo não é deduzido do pensamento, o mundo é dado a um sujeito, sem o qual não faz sentido falar de mundo.

O tempo – passado, presente e futuro (e não é por acaso que os filmes de Oliveira rodam em torno desta densa e implicada conceção temporal, quebrando o eterno retorno do mesmo que encontrou em Hegel - e depois em Nietzsche e agora nos new (já old) ages -a sua consagração ou cristalização) –, o tempo, dizíamos, readquire o seu valor; e não é também sem razões que o próprio Husserl tenha vindo a comentar, por várias vezes, o livro XI das Confissões de Santo Agostinho, e que expoentes da Fenomenologia – como Hanna Arendt ou Edith Stein - tenham vindo a fazer as suas teses de doutoramento sobre os temas caros ao Bispo de Hipona.

O conhecimento não é então um fenómeno estático mas um encontro de duas energias, encontro interminável, mas de contornos definidos, isto é limitados; a Filosofia, como lembra inúmeras vezes Husserl, é uma ciência que possui o seu rigor próprio.»

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 Subject: Vídeo: Até Voares

 

«A paixão pelo humano» em Portugal.

Presos: todas as cadeias, todos os crimes. São quarenta.
 
É um homem que os acolhe. A rezar o terço.
 
Parece mentira, mas não. É impressionante. De facto, "we dont need money, we need change", disse Mary Gordon, Fundadora e Presidente da Roots of Empathy, que esteve esta semana em Portugal para dar uma conferência. Não fui, mas tenho o texto na mão. Só visto. Corta o respirar. O que faz o João Almiro? É muito simples...
 

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26
Jun15

 

 

O título dá a entender que a vida, para mim, não é boa. Nada disso. Gosto mesmo dela. E se calhar posso vir a não ter funeral. Quem sabe o que vem para a frente? Muitos tem morrido - como se diz por vezes, "foram desta para melhor" -, mas isso é passado. O futuro, quem sabe? E não há futuro. Isto que acabo de dizer pretence já ao passado, e o que digo "agora" era o futuro que eu desconhecia. Só há o presente. A vida "são" estes instantes que se vão comendo uns as outros, acontecedo sem a gente saber como. Esta semana estive com duas senhoras. Não há coincidências. E marcaram-me mais uma vez...

 

Quando dei por mim, já cá estava. Há quem viva à espera que "ela" venha" ( "ela", quero dizer, a morte, à qual Franscisco de Assis chamou de "irmã" ). Mas por diversas razões, e não necessariamente por não gostar de viver.  Esta semana estive com duas senhoras, com letra grande. Uma conheço há uns anos, a outra encontrei-a há dias. Uma rica, outra pobre. Ambas viúvas. Uma do Porto, outra de Lisboa. Quatro olhos cor de mel, e sem óculos. Rugas muitas, muitas. Dois olhares em frente, cheios de histórias, e com a esperança toda incontida em dois sorrisos contagiantes. Sei tudo, contaram-me. Cada uma à sua maneira. Com uma lágrima doce e colorida, com a mesma alegria que testemunda que  a "vida vale a pena". Camões leva-me agora a Fernando Pessoa: "Há uma música do povo". Pois há. Ouvindo-as sou quem seria, simples melodia, as que se aprendem a viver,uma emoção estrangeira, erro de sonho ido...

"Canto de qualquer maneira/ E acabo com um sentido!" O funeral? Um por-menor.

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24
Jun15

Onde se come bem em Galamares?

por Fátima Pinheiro

 

 

nanda

 Na Cantina do Picadeiro! A Fernanda Oliveira Manda.Este é um post de se comer. Ela conta "quase" tudo neste rasante que lhe fiz,muito satisfeita...

 

 

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24
Jun15

A EDP apresenta o "melhor de mim"

por Fátima Pinheiro

 

  

   imagem do making off do documentário/ tirada da net

 

Afinal havia outro (aposto que na gaveta há mais…). O último filme Documentário de Oliveira: “Um século de energia”, encomenda da EDP para a sua campanha publicitária, a ser exibido em 10 cidades portuguesas, a pedido do cineasta, que, durante os trabalhos de montagem, foi por outra “porta”, e acabou por não ver o resultado final. Eu podia ver o filme e ficar calada. É de uma beleza tão “ordinária” que bastava ver e experimentar a correspondência ao mais "eu" do meu "eu". Contudo, como Henri de Lubac sublinha, a mística é uma colheita da tarde. O mundo em que vivo – a minha rua – diz-me que há muita espiritualidade. Pois depende do que por isso se entende. A mim,há muitos que me sabem a pouco. Há mesmo, por vezes, mais mística no futebol. Este post é um registo filosófico, em si menor (isto exige outro texto), do que esta obra de arte oferece ao mais que socrático, “conhece-te a ti mesmo”. Nas III Jornadas de cinema em português http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20141204-201201_cinema_em_portugues_iii_jornadas_2010.pdf expliquei a minha forma de ver os trabalhos deste homem, a quem vi, não há muito, no CCB, de joelhos, a beijar as mãos de Bento XVI. Numa palavra: “. . . nous sommes devant un grand mystère.” (Baecque, A., Parsi, J., 1996). Mas a filosofia, ao invés do que se pensa, articula, distingue, esclarece. Pode gerar felicidade, energia, argumentando até ao abismo que há que saltar, se for caso  disso.

 

Oliveira utiliza uma “câmara” fenomenológica. Sim, há formas filosóficas de ver o cinema - e agora dizemo-lo mesmo de forma poética: a razão sabe por onde vai o cinema, no trabalho de mostrar e articular razões. Pondo as coisas de forma mais clara – e esta é a melhor definição de Filosofia que encontrei – a Filosofia faz as distinções essenciais (Cfr. Sokolowski, 1992). Quem a define assim é Husserl, por onde passa a filosofia hoje. Desde 1900. O conhecimento não é um fenómeno estático mas um encontro de duas energias, encontro interminável, mas de contornos definidos, isto é limitados; a Filosofia, como lembra inúmeras vezes Husserl, é uma ciência que possui o seu rigor próprio. A realidade impõe que o guião se converta e não vá por ali; disse-me um dia Luis Miguel Cintra, que no momento de filmar MO tem uma grande sensibilidade ao que acontece; ou “L’événement fonctionne comme ouverture dont la possibilité peut toujours se répéter.” (Lavin, 2008). 

 

Há tantas fenomenologias, quanto os fenomenólogos. Oliveira é um realizador fenomenológico, como foram muitos. O suprasumo deste movimento filosófico está em Husserl e nas categorias que ele encontrou para entender os mundos. Realçamos as seguintes:Parte/todo; horizonte; Identidade/Perspectivas/Ausência/Presença /Memória – Retenção (passado), Reconhecimento (presente), Antecipação (futuro). Muito para um post, eu sei, mas vou dizê-lo sinteticamente. Olhando para "Um século de energia", a partir de como mais de um século de energia  se realiza uma história, uma vida. Oliveira vai mais uma vez ao que é o humano. E é porque a sua experiência energética é tão rica que consegue mostrar o tecido que faz a vida, o invisível que nos rega, nos move e ilumina. Fenomenologia? Oliveira mostra de forma genial imagens que "aparecem" (fenómeno) plenas de "lógica" (logos), acontecendo assim um todo em que as partes se distinguem sem se confundir. 

 

“Hulha Branca”, que realizou em 1932,antecipa o documentário; é retido e cresce, no presente; naquele espaço de Serralves, ao "criar" a música e a dança que projectam as suas sombras, numa unidade que dá cada coisa no seu lugar. A força artística dos movimentos das bailarinas e os sons do quarteto que insiste no tom, são um todo cujas partes não se perdem contando assim uma história onde é ilustrado o processo de transformação de energia.

 

Os moinhos de vento antecipam-se nas suas sombras nos pinheiros e arbustros. Aparecem depois na sua imponência a mostrar futuras formas de energia. Como os braços, nos gestos erguidos daquelas mulheres que dançam nas cores de um escarlate, que se funde no preto e branco do que não passou. Os fios eléctricos são riscas horizontais no fundo azul de um céu: uma pintura viva de natureza, arte e trabalho (minuto 7,minuto  9). O que acontece desde a imagem inicial onde se vê também o Douro da faina fluvial. A arte que MO põe sobreposta excede, promete, espanta, como um grito bom a pedir e mostrar sentido. Tudo a um ritmo conjugado de pitch´s, fotografias, flashes; doações,segundo a segundo; bateres de corações: coincidências em que me revejo, ausências grávidas de presenças, a mostrar o invisível; faces do cubo que nunca se dá todo, e é sempre envolvido num todo pressentido em horizonte.

 

E a água, traz o sol e o vento. Como irmãos,da mesma terra, da mesma fonte. Sem que a aparente inutilidade da arte belisque o trabalho ou negócio, espelhados em caras de homens alegres, de dentes tortos, e olhos e mãos iguais a "mim". De mãos dadas, na mesma luta - o melhor de mim -, como canta Mariza no making off. No filme não há letra. Há a música da água, de sinos, do vento, do poderoso silêncio. Dos pássaros. E o som do mostrar que "sem ver,é acreditar"; "é preciso perder para se ganhar". "O melhor de mim está por chegar". Aqui compara-se a cena final do filme e a do making off: MO de mãos postas na bengala, a equipa que para ele olha a pedir a genialidade. O minuto 2.54 não mente a mesma câmara,os mesmos séculos, o mesmo "eu". Tudo a terra une. E a água enche-se de humanidade,escorrendo por paredes abaixo, e por debaixo de pontes,arcos e escadas de pedras, no mesmo sangue. O melhor, de mim. A desafiar-me a liberdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 o making off de "1 século de energia" (2015)

 

Sempre que vou ao Porto, por muito que diga que é por isto e aquilo, a razão é Oliveira. Assim foi ontem. Da Campanhã ao meu destino são dez minutos de carro. O meu taxi driver levou um bocadindo mais. O Rui Veloso, contava-me ele, iria Aliar-se ao Santo, na Avenida. Eu? Tinha, mais ou menos, todo o tempo do mundo. Da terra que vinha do Rio. Enquanto ele narrava os cantos da Foz, o meu TM resolveu brincar, rasante, como se pode ver aqui aqui. O Porto enmanjericava-se e eu inundada de Beleza tamanha. Para o S.Pedro prometo coisa mais profissional. Uma máquina fotográfica a sério e um fotógrafo a sério, para serem duas faces da mesmo moeda.

 

E o que faz aqui no título o Papa Francisco? Escreveu uma Carta Encíclica, Laudato si, um maná filosófico (que quero contar, mas hoje não tenho todo o tempo do mundo) onde a Terra é a mesma que Oliveira sempre mostrou. Desde o arado que vemos no "Pão", à "Hulha" (1932) bailada e tocada no campanha publicitária, lançada na passada 5ª feira, pela EDP, intitulada "1 século de energia" (2015), realizada pelo cineasta. A antecipar-se à COP 21, de Paris, e a lembrar-me a conferência de Fabrice Hadjadj, também no Porto, em 24 de Janeiro  passado. A conferência deste filósofo de primeira, começa precisamente assim: 'O tema que, nestes dias, nos ocupa é tirado de um discurso pronunciado pelo Papa Francisco de 2 de Julho de 2014 por ocasião de um seminário internacional intitulado Por uma economia cada vez mais inclusiva. Neste discurso, o Santo Padre apela, em primeiro lugar, a 'refletir sobre a realidade, mas a refletir sem medo, a refletir com inteligência'. Quais antropocentrismos! Quais economias de exclusão! Integral é que é.

 

Nem de propósito. Já no ar o cheirinho das Festas da Noite, no abraço do Douro e arredores do horizonte dele, gravou-se no "Melhor de mim" que  "O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor." (Laudato si, nº12).

 

Nota - depois de amanhã, 3ªfeira, sai no Rasante um post sobre o Filme Documentário "1 século de energia".

 

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18
Jun15

Parabéns Santa Casa: UAW!

por Fátima Pinheiro

 

 O Projeto UAW – United at Work

 http://uaw.unitedatwork.eu/noticias.php?cd_noticia=234

12-06-2015
 
30 DE JUNHO - APRESENTAÇÃO FINALISTAS UAW

«No próximo dia 30 de junho o Centro de Reuniões da FIL acolhe, a partir das 14h30, o evento que marca a apresentação pública dos finalistas do Programa de Empreendedorismo Intergeracional do Projeto UAW - United At Work. Os projetos finalistas apresentarão ao público as suas ideias de negócio, explicando em que consistem e quais as necessidades sociais a que respondem.

O Projeto United at Work (UAW) - “Fostering Intergenerational Entrepreneurship” é um projeto de experimentação social promovido pela Santa da Misericórdia de Lisboa através do seu Departamento de Empreendedorismo e Economia Social. O Projeto é cofinanciado pela Comissão Europeia através do Programa Europeu para o Emprego e Solidariedade Social PROGRESS (2007-2013), com o valor máximo de financiamento (850 mil euros, correspondente ao primeiro lugar entre 128 candidaturas de toda a Europa). A grande premissa do Projeto é promover o empreendedorismo intergeracional para criar mais emprego e novas empresas desenvolvidas em conjunto por jovens e seniores qualificados.

O Projeto United At Work constitui-se em 3 fases operacionais. Numa fase inicial pretendeu-se através de um Debate Público discutir o desemprego de jovens e seniores qualificados, divulgar as potencialidades do empreendedorismo e das práticas intergeracionais e mobilizar os cidadãos para a identificação de necessidades sociais e a criação de ideias inovadoras. Numa segunda fase foi desenvolvido e testado um Programa de Empreendedorismo Intergeracional destinado apenas a jovens desempregados com menos de 30 anos e seniores qualificados desempregados com idades entre os 50 e os 64 que se aproximam do fim da vida ativa. Este Programa juntou 100 jovens e 100 seniores e facilitou a constituição de equipas intergeracionais, capacitou as equipas para desenvolver projetos de negócio e apoiou a criação conjunto de empresas. O final desta fase é assinalado agora com a Sessão de Apresentação dos Finalistas, no dia 30 de junho, no Centro de Reuniões da FIL a partir das 14h30.

Depois desta fase inicia a Avaliação e Disseminação do Projeto, a terceira fase, que avalia e partilha as boas práticas através da realização de um conjunto de eventos que incluiu conferências Internacionais, workshops, produção e divulgação de documentos de avaliação do projeto. O Projeto UAW pretende contribuir para a definição de uma política pública social e económica transversal de integração de jovens e de seniores na vida ativa, através do empreendedorismo. O principal objetivo é o desenvolvimento de um modelo de empreendedorismo intergeracional que permita ativar e agregar as competências e experiências de jovens e seniores para promover o emprego de ambas as gerações e a criação conjunta de empresas.»
 

https://www.facebook.com/unitedatwork?ref=hl

 

http://uaw.unitedatwork.eu/agenda.php

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