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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


Ronald Brautigam.jpg

 fotografia @fatima pinheiro

 

The musician recognizes an ugliness in this world we live. However he is the prove of the opposite. He´s full of energy, generosity and beauty.

Here we listen to what Ronald Brautigam thinks about music, what is a public, what makes music a Must, what it gives, how to "make" it, and more. The talk had place yesterday, at Fundação Calouste Gulbenkian, after he played Mozart piano concert nº27. 

He decided to be a musician when he was 4 , 5 years old,in bed, listening to his father playing Chopin. Play is for him to share a passion. We realy need music, to live the best way the ugliness of life. "Let´s not be sad, we are going to dye" says Haydn  in an opera that inspired this Mozart concert he played. Everybody has music. Music gives you energy. When he plays, music comes alive; when he plays happens that thing that  music gives. What´s that, I asked...

 

 

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milhazes e eu.jpg

O novo livro de José Milhazes, "A Rússia: parte de um todo", foi ontem apresentado por Guilherme Oliveira Martins. Com o rigor de um tribunal de Contas, introduziu-nos a uma obra que entende obrigatória, uma das melhoes que a Fundação Francisco Manuel dos Santos agora integra na sua coleção, tendo mesmo desafiado a instituição a enviá-la aos ministros dos negócios estrangeiros. Milhazes tem um valor inestimável. É um homem bom, e fácil de encontrar. Viveu na URSS e na Rússia uma vida e regressou cheio. Dois doutoramentos, um poço de sabedoria, um homem recto (ainda os há), divulgador nato, tem a paixão de ensinar, o que aliás está sempre a fazer. Mas porque não está numa Universidade? Perguntei-lhe se ele não gostaria, e ele disse que sim. Qual? A que me quiser aceitar.

O Doutor José Millhazes - assim o referiu ontem , por várias vezes, Guilherme Oliveira Martins - passa a vida de um lado para o outro, estão sempre a chamá-lo para falar da Rússia. Bruxo! Ele é que sabe do assunto. Quem perde não é ele, mas nós. Porque não está numa Universidade? Porque a inveja está muito bem espalhada (não é o bom senso, como pensava Descartes) e porque há poucos homens corajosos como ele. Estamos à espera que ele morra, para depois batermos palmas atrasadas e dizer que não havia como ele? Vamos deixar de lado caras de missa de sétimo dia! Nunca é tarde,oiço. Às vezes é. Noutro dia escorreguei numa casca de banana. Por acaso fiquei bem. 

O que deixo em cima em registo audio é só isso. Depois de ver e ouvir fiquei sem perguntas à altura. Quando ele lecionar numa das nossas universidades vou ser uma das primeiras a inscrever-me.

 

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27
Jan16

Já me tentaram lixar muitas vezes. E eu também aos outros.  Olho por olho. O novo livro do Papa Francisco tem um título super atrativo: "O nome de Deus é misericórdia". Muita gente comenta comigo: deve ser muito bom.  "Vou ler". Este sim. Novidade total... Como se fizessemos um favor ao livro. Um "vamos lá ver" se isto ainda vale a pena. Dar uma chance à Igreja. O Papa Francisco sim. Mas S.João Paulo II escreveu uma encíclica com o título "Deus é Rico em Misericórdia". Pois é, veja as diferenças. Serão assim tantas? E isto aplica-se à Política, às Presidenciais e a tudo o que há mais, Cavaco, Sócrates, e sucateiros...

E há uma excitação ao dizer-se que na pintura de Rembrandt, "O Regresso do Filho Pródigo", o célebre quadro da Misericórdia que está no Hermitage, o Pai agarra o filho com as duas mãos, sendo uma masculina e outra feminina! Mas alguém em seu pleno juízo pensa que o Deus que desejamos tem alguma mão "madrasta"? E não sabemos nós que não há mais mãe que Deus? Estes deslumbramentos assim, pela novidade, pensam que "hoje é que é", ou que "amanhã é que vais ser." Milhares de vida e de história reciclada em fast food. 

Que criancice. É mas é adiar o coração para o século vinte e picos, querido Ramos Rosa. Isto não vai lá com livros novos. É a justiça que aqui está no centro mais a experiência, que esquecemos, de que o metro que mede as acções nos excede. Fazer contas é tempo perdido. 

A criança fez borrada, vem ter comigo, o que faço? Não é melhor começar de novo, abraçá-la na bela justiça que aqui não serve para nada e deixar-nos invadir pela alegria de um recomeçar? Misericórdia? Por-me no coração do outro e deixar que aconteça o abraço que esse outro deseja? Ter um coração assim? Antecipar-se e dar ao outro o que deseja, sem que ele o peça. Não sei. Só sei que já me aconteceu. Não preciso de dizer quem foi pois não? Em perdão e  Miseri-córdia somos uns incompetentes. O único know how que temos é a nossa liberdade. E essa nem Deus toca. Quero ser abraçado? Então tenho que pedir; e a isto se chama oração. E fica-se com uma vontade de abraçar os que se cruzam comigo...

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25
Jan16

 Ralph Fiennes diz o soneto 129 de Shakespeare/ video tirado da net

 

Não é só por causa do "to be or not to be". É a poesia. Meu Deus, ninguém até agora  soube como Shakespeare  por os sentimentos a preto e branco, mas com todas as cores e suas tonalidades, em forma letrada. Ontem mostraram-me o soneto 129. Porque o achei dos mais fabulosos,  fui ao google para saber mais e há rios de análises e mais análises. Não tenho por isso qualquer pretensão ou intenção de as ler. Fica sim comigo um soneto que descreve o céu e o inferno, o espírito e a matéria, o homem e a mulher, o amor e o sexo, a natureza e a graça, a liberdade, a felicidade e o tempo. Prazer e dor. E o mais que houver. 

 

Sonnet 129: Th'expense of spirit in a waste of shame

BY WILLIAM SHAKESPEARE

 
"Th' expense of spirit in a waste of shame
Is lust in action; and till action, lust
Is perjured, murd'rous, bloody, full of blame,
Savage, extreme, rude, cruel, not to trust,
Enjoyed no sooner but despisèd straight,
Past reason hunted; and, no sooner had
Past reason hated as a swallowed bait
On purpose laid to make the taker mad;
Mad in pursuit and in possession so,
Had, having, and in quest to have, extreme;
A bliss in proof and proved, a very woe;
Before, a joy proposed; behind, a dream.
All this the world well knows; yet none knows well
To shun the heaven that leads men to this hell."
 

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povo.jpg

«Eduardo Lourenço (EL): Portugal é um País que nasceu “cruzado”. Coletivamente cruzado. As pessoas não perceberam isto de Camões: “Eu canto o peito lusitano.” O “peito lusitano” era aquele país que se envolveu num ato único como se fosse “um só”; era aquela malta toda que ele englobou nos Lusíadas: não era um rei, não era um herói, o Sebastião não era cantável, nem coisa nenhuma; era o povo português, isto é extraordinário, era o povo português como um coletivo. E esta ideia é extraordinária; aliás, os portugueses só existem para eles quando num momento qualquer, numa vitória, no futebol, numa coisa dessas, têm o sentimento que existem para eles próprios. Senão, nós, os portugueses temos uma grande capacidade de solidão, de uns em relação aos outros. Debaixo destas fórmulas de contacto as pessoas vivem muita solidão... 

Fátima Pinheiro (FP): Não vão ao fundo das questões...

EL : Vão, vão, mas de outra forma: vão silenciosamente.

FP: Silenciosamente?

EL: Silenciosamente, sim. E isso vê-se nos autores mais conhecidos, nas coisas que têm. Mas não fizeram disso uma coisa dramatizante...Não tivemos “shakespeares”! Não houve uma dramatização das lutas. Nós temos momentos que são verdadeiramente shakespereanos, mas nem esses sequer foram “aproveitados”.

FP: Quais foram?

EL: Eu só vejo dois. De um lado, a Inês de Castro, por isso é que se tornou realmente mítica. O outro foi Alfarrobeira. Houve um, mas foi “lá fora”, foi D. Sebastião, que vai ser um mito futuro. E só tardiamente é que foi explorado de outra maneira. E depois um povo não precisa de ter justificação. Sou desse povo. Eu sou português e basta.»

  

(Fátima Pinheiro, "Três conversas com Eduardo Lourenço", Chiado editora, 2016, p. 244)

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22
Jan16

Rui Ochoa e os shots de Marcelo

por Fátima Pinheiro

 

Marcelo.jpg

 imagem tirada da net

 

Quem está farto da Campanha? Eu não. Ao contrário do que diz o poema "serradura", a minha vida não se cansa e há quem a levante. Seria cretina se afirmasse que nada disto - política, etc -  tem a ver comigo. Não sei se amanhã acordo, não morrem tantos todos os dias? Não, não é retórica ou sofística, é pão pão, queijo, queijo. Cada dia vem ter comigo como um cubo: tem sempre uma parte ausente. Mas que não deixa de ser uma presença. E eu interessa-me esta espécie de jogo? Continuar a viver contem implícita a decisão de aceitar esta vida, ou vidinha, que encontro e na qual posiciono a minha liberdade e criatividade. Tenho este minuto e terei os que se seguem. Neste momento em que escrevo há uma infinidade de momentos que outros vivem. Cubos para muitos cubos. É tudo de um mistério arrasador que espanta. E há razões que me fazem seguir, caminhar. Vamos lá saber porquê!? Experimento os olhos de quem me é mais próximo e me dá a mão: arrancam-me um sorriso, tornam-me feliz. Por isso, tudo o que me acontece é doce e libertador. E Marcelo?

Marcelo, entre os outros candidatos, é para mim o melhor. Estou a falar desta Presidenciais. E não tenho tempo agora de dizer as razões. Mas também não será difícil adivinharem quais são. Queria apenas registar que os "shots" de Marcelo são-nos dados por um homem sem adjectivos: Rui Ochoa. A sua máquina fotográfica confunde-se com a sua mão. Tira uma fotografia como quem bebe um copo de água. Num momemto que capta um momento. Zás e já está. O que nos dá a ver, como na fotagrafia é isso mesmo. O algodão não engana. 

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21
Jan16

Maria de Belém: still the same?

por Fátima Pinheiro

 

m belem.jpg

 imagem tirada da net

 

Custou-me ouvir de Manuel Alegre -  no dia em que Maria de Belém anunciou a sua candidatura - este argumento: "é tempo de haver uma mulher na Presidência". Se eu votar nela não será seguramente por ser mulher. Esse é um discurso pobrezinho. E demagógico, populista. Se me decidir por ela será sim  por ter razões que a fazem mais forte do que os outros candidatos; por ser esta mulher que conheço mal, e a quem já perguntei pessoalmente pelas razões deste seu gesto. Por isso é bom que  os candidatos se apresentem com um certo tempo de antecedência. Não interessa agora falar do que já lá  vai, mas sim conhecer as pessoas, homens ou mulheres, que estão na corrida. É o  que tenho feito.  E, caro Manuel Alegre, o que o senhor disse nem sequer é poesia. Se fosse, tudo bem. Mas penso que o senhor faria melhor, isto é, um belo poema sobre o seu sexo oposto. Dizer o que disse é matar à cabeça todos os os outros argumentos que a seguir referiu.

 É tempo sim de conhecer, de argumentar. Qual é o machado que corta a raíz ao pensamento? Eu até sei, mas não preciso de dizer, certo?

 

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20
Jan16

PEDIU UMAS PRESIDENCIAIS?

por Fátima Pinheiro

marcelo.gif

imagem tirada da net

 

Nestes tempos  tenho pensado que uma campanha para Presidente da República deveria ser isso mesmo, e não outra coisa; e deveriam ser candidatos apenas pessoas com a possibilidade de virem a ser eleitas. Tudo isto me parece muitas vezes uma burricada. Let´s focus on this subject: PRESIDENTE DA REPÚBLICA. O mal está em que não se distinguem nem as coisas nem os tinos.

A democracia abre as portas todas. Mas sem desmerecer ninguém não vejo como pode Nóvoa, Belém ou Marcelo se perfilarem ao mesmo que Tino. O critério do número de assinaturas é insuficiente nestas corridas. Ou então estou enganada.

Mas que outro critério se pode acrescentar? Falta a tal mão invisível. O que é certo é que se a coisa fosse levada a sério, não se forjariam assinaturas, não se organizariam excursões para encher comícios. Nem se empurraria ninguém para o que fosse sem um consentimento razoável.

Leio a Constituição: «O Presidente da República é o Chefe do Estado. Assim, nos termos da Constituição, ele "representa a República Portuguesa", "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas" e é o Comandante Supremo das Forças Armadas."» Quem me garante que Tino não terá mais tino que Marcelo? Não se diz que é a pessoa que faz o cargo? A vida tem surpresas. Para ironia, ironia e meia. E estou farta de circo.

Há dias ouvi Maria de Belém afirmar que o Presidente da República é um Provedor. E depois entrou em detalhes sobre o que isso é. Baralhei-me e pensei que se estava a falar de Santana Lopes. Ouvimos tanta coisa que ficamos sem norte. Mas estou em campanha estou. É dever de qualquer cidadão pensar e agir. E não calar o que se vê.

Sem darmos por isso, em breve virão outras Presidenciais. Até lá espero que se cresça em democracia, o mesmo é dizer em discernimento. Engrandecer o discurso porque Portugal merece. Cada um dos portugueses merece mais do que os argumentos que têm estado na corrida. Tudo menos “le point”. Confrange o discurso de quem beija mais e onde, de quem tem este ou aquele na fotografia, dos estudos que cada um tem, e mais não digo que cansa. Aqui sim: haja tino, no crescer do trigo e do joio.

 

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18
Jan16

Mahler: uma economia vital

por Fátima Pinheiro

montanha.jpg

Gustave Carus (1824) 

imagem tirada da net

Para onde vou? Eu vagueio nas montanhas. Procuro repouso para o meu solitário coração - diz Mahler na sua "Canção da Terra". Ouvi-a há uns dias na Gulbenkian numa interpretação imponente sob a direção de uma batuta finlandesa: a talentosa maestrina Susana Mälkki. O compositor é porta de vidas, de futuro. Com uma filosofia bem definida e implícita, Mahler grita em coro com Nieztsche pelo "Sentido da terra". Marcam, cada um à sua maneira, a passagem para além do século XIX com sementeiras ainda por dar fruto. A criatividade só pode gerar criatividade. O semelhante conhece o seu semelhante (já dizia Empédocles, muitos anos antes de Cristo). Não é por acaso que as narrativas deste século não prescindem de usar a "economia" e a "ecologia" como palavras chave (no caso da ecologia lembramos que “oikos” significa “casa”, e “logia”, significa estudo; neste caso estudo da casa, tendo em conta o meio ambiente; estudo da Terra, uma casa na qual habitam diversas espécies, uma família).Contudo estes filósofos pisam mais que a superfície, vão no ontológico. Sem dúvida todos os saberes são fundamentais. Mesmo o saber inútil. Quem não o tem em conta habita uma casa inacabada, sem fundações. Álvaro de Campos disse-o como poucos: "É por um mecanismo de desastres, /Uma engrenagem com volantes falsos,/Que passo entre visões de cadafalsos /Num jardim onde há flores no ar, sem hastes"(in “Opiário”). O que digo hoje aqui é música. Querem ouvir?

Não é por isso por acaso que o Papa Francisco centra o seu discurso na economia que mata, no nojo que é a indiferença. E Manoel de Oliveira, enraizado no que vê, tem a Terra como tema central da sua filmografia. Dá à luz, entre outros, filmes como "O Pão", "Ato da Primavera", "Douro faina fluvial", "A Caça", e o último tem como centro "A energia".

Mahler, a semana passada? A música, que aqui evoco hoje, realiza memória, em cada nota, o lugar que é o coração. "A Canção da Terra" questiona esse "eu" de forma brutal e doce, harmoniosa e explosiva, abrangência total -chega a todos os lados-; a letra descreve e faz sentir montanhas, luas, mares, sóis, sombras, choro, alegria, dor, revolveres de terra. Ela é uma potência que fere, perfurando e desaparafusando.  Aquece as sombras que nascem ao pôr-se do sol por detrás das montanhas. É uma promessa que pede a minha liberdade. Seca ternamente as lágrimas e o riso que correm de a ouvir.

A cortante pergunta  solta-se a meio da Canção:  "Se a vida não passa de um sonho, porque toda esta fadiga e tormento?"

Que conto eu nestas linhas? Nada. Mas a mim desperta a alma. A Música forra de veludo a carne. A Filosofia de Mahler brota da terra, do mais intimo de mim. E resplandece o céu azul no horizonte, eternamente.

 

 

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16
Jan16

Quem melhor que a música?

por Fátima Pinheiro

Em O Gebo e a Sombra, Raul Brandão diz:”nada exprime o amor como a música”. Schubert é um caso. O invisível abraça-nos  o coração.

 

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