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Rasante

Rasante

O Bloco de Esquerda arrotou.

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fotografia tirada da net

O Bloco de Esquerda(BE) celebou a aprovação da lei da adopção por casais do mesmo sexo com um cartaz com a imagem de Jesus Cristo.  Ao fazê-lo abandalhou a democracia.  Gozar com a fé dos outros é estupidez e cretinice.

Gozar com a  fé cristã é grave, pelas mesmas razões. Não respeita a crença daqueles que acreditam em determinados conteúdos de fé. Não estamos em recreio. É muito feio. E, last but not the least, não usa argumentos, coisa elevada entre os humanos. Que gozassem entre colegas de carteira. Jantassem juntos, festejassem, e arrotassem em companhia, mas não;  fizeram-no publicamente, aliviaram-se e cantaram a ofender. A isto chamo violência. Falta de educação. Ignorância teológica e política. Assim perderam crediblidade. Perderam categoria. Enterraram-se.

Quando vi esse pseudo cartaz ainda pensei que não valia a pena dizer nada. Porque quem revela tamanha ignorância e oportunismo está longe de outras vozes. Não sabe dialogar. Mas quem não se sente não é filho de boa gente. E eu sou filha de boa gente.

Doutro ponto de vista, o tal cartaz ao precisar de uma muleta destas, encerra a estima invertida por uma alavanca milenar. E porquê?  Eu bem sei porquê. São razões que se prendem aos conteúdos da fé que pretendem ofender. Esta parte o BE não entende, porque confunde moral e religião, confunde teoria e prática, confunde humor com badalhoquice.

Numa palavra, o manifesto do BE é uma bojarda absolutamente impotente para os beliscar, aos conteúdos de fé, entenda-se. A capa revela um raquitismo intelectual que fere a  mais ínfima gota de inteligência. É antes um brincar às "trindades". Uma séria inteligência pode não acreditar na santíssima Trindade Teológica em que eu acredito. Ponto final parágrafo. Agora não se brinca às trindades. Se o BE o quer fazer, brinque antes a outra trindade que de misterioso nada tem, e na qual esse partido político é o espírito santo de um pai e de um filho que também conhecemos muito bem...

LUIS TINOCO: UM ESPETÁCULO!

 

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 ontem na Gulbenkian, fotografia de MCC

 

"O Sotaque Azul das Águas", do compositor português Luís Tinoco, teve a sua estreia mundial ontem na Gulbenkian. Dirigida por Susanna Mälkki foi o nascer para o público de uma obra sinfónica que resultou de uma co-encomenda da Orquestra Gulbenkian e da OSESP (Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo).

Foi também uma surpresa, para mim. Mas há quem o conheça há mais tempo e afirme sem hesitação que Luis Tinoco é " o melhor compositor português da actualidade. "E eu que pensava que ontem era "só" Débussy e Ravel. O que este "Rasante" me tem ensinado! De surpresa em surpresa vidas felizes são construídas. Ele disse-me que era feliz.

Uma troca de palavras deixo aqui registadas. Tive o prazer de ter diante mim um homem disponível, aberto e de pés na terra. Com uma generosidade na partilha do seu saber e da sua experiência, que só um pedagogo possui (ele é professor na Escola Superior de Música e é um radialista na Antena 2, "geografia dos sons", e não é de ontem).

Um compositor que entende o acto criativo como a expressão honesta e competente de ideias que se "têm" dentro, e nesse sentido é consistente. A preocupação de qualquer artista é essa expressão que poderá tocar a alma dos outros. Ou não.

Para quem ainda quiser ouvir hoje, será às 19.00h na Gulbenkian (transmissão na Antena 2).

For those who may want to listen, you can tune Antena 2 today at 7.00 p.m., live broadcast (http://www.rtp.pt/antena2/)

 

O papa Francisco é um pedinchão

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 imagem tirada da net

 

Perante os milhares de fiéis que se juntaram na Praça de São Pedro para a habitual oração dominical do Angelus, Francisco apelou à comunidade internacional para que termine definitivamente com a pena de morte. Defendeu que “também os criminosos gozam do direito inviolável à vida”. Fez um um apelo geral “à consciência dos governantes para que consigam um acordo internacional para abolir a pena de morte."

 

Mas ele sabe que isto demora. Então lá vem ele, pedinchão: ao menos  não seja executada nenhuma pena de morte durante a celebração do Jubileu Extraordinário:"proponho aos católicos que cumpram um gesto de valentia: que nenhum condenado seja executado durante o Ano Santo da Misericórdia” que decorre até 20 de novembro. E porque não?

 

 

Lutero tinha razão

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imagem tirada da net 

Vem isto a propósito de uma conversa recente. Sobre tudo. Religião inclusivé. Lutero em especial. Mas o que escrevo é mais abrangente e serve para as nossas vidas. Serve para mim. Se eu tenho razão, e do outro lado de que faço parte não há razão, o que faço? Saio, e faço à parte?

A este propósito verifiquei mais uma vez que somos muito ignorantes e tomamos muitas vezes opções apenas por desconhecimento. Se soubessesmos da matéria, muito poderia ser diferente. Depois não temos tempo para aprofundar as questões. A vida é complexa e vamos fazendo o que pudemos. Rotinas, obrigações, urgências, cansaço. O tempo para amar também se esvai.Todos sabemos do que estou a falar...

Lutero fez bem ao "sair"? Ele estava cheio de razão. A História da Igreja não é propriamete um mar de rosas. E quem fundou a Igreja bem sabia que Pedro, o escolhido para primeiro papa, o tinha negado três vezes antes do galo cantar. Pois aqui está. O gesto fundacional é o de uma vida, não o de uma moral. A moral é toda quase igual em todo o lado. Mas a Igreja não é uma moral, é uma vida. Humana. Instrumento do Divino.

Lutero tinha razão. Havias razões de sobejo para sair. Mas ao fazê-lo foi bem diferente daquela mulher que à decisão de Salomão - de cortar o menino ao meio, metade para cada uma das duas pretensas mães -  decidiu abdicar do seu filho só para que não o partissem ao meio. Lutero tinha razão, mas "perdeu-a".

 

 

Queres ter prazer?

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@FP

 

Agita, usa e deita fora. Às vezes é assim nas nossas vidas. Mas tenho duas pernas como "aprendi" no filme  Lucky Start. Duas pernas servidas para tudo e para nada. No filme o milagre acontece: a  incapacidade de andar é morta pelo amor que faz aquele homem correr. Ele galopa movido pelo seu coração que quer ardentemente o que deseja. Pernas para que vos quero?  S.Tomás de Aquino ajuda. Cada acto humano, se é livre, tem a sua perfeição. Um plus, um excesso, um brilho, numa palavra: prazer. Tanto há prazer em pensar, como há prazer em comer, e por aí fora. A Suma Teológica explica isto de forma brilhante.

 

Este fim de semana fui a um retiro, como é habitual na quaresma. Não é uma fuga. É para me re-ter no prazer de pensar. As rotinas levam-nos muitas vezes a sermos pensados pelos outros, a sermos uns alienados, vampirizados "sem cabeça". Não, obrigada.

 

Eu quero uma vida em primeira mão, dias e noites cheios de prazer. Se assim for é uma vida que vale a pena, uma vida a transbordar e a chegar para todos. O que conta não é o que digo é o que faço, eu sei. E para fazer é preciso cabeça, discernimento. Mais, re-tirei-me para que tirem de mim o que precisarem. Eu dou. A minha espiritualidade não é asséptica: é uma espiritualidade encarnada. Em tudo o que faço ou ponho-me toda, ou nada.  E de asneira em asneira vou sendo re-colhida por aquele que não me engana.

Tarantino: conta mais!

 

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 Kurt Russell, uma imagem do filme tirada da net

 

Um filme, quando o é, contem os outros todos...Porque mostra a vida. Esta, sujeita a mil interpretações, é sempre a mesma. Nua e crua: nascemos, morremos e…Tarantino tem o seu risquinho no cavalo, e de forma nada nua e crua. Quais murros! É logo pistola, pontaria, rapidez, gatilho e zás. “Os oito odiados”, o seu último filme, não podia escapar à regra. Mostra o invisível (quais Maliks, prescindo) em pouco mais de dois cenários, a caminho de Red Rock

Um landscappe de neve, árvores, sol, céu, nuvens e tempestades sem que nada esteja a mais ou a menos. Blocos, planos de uma potência arrebatadora, de uma imponência inconfundível, a rasar coração e olhos; inultrapassáveis, a fazerem pressentir um forro, um X que está sempre presente ao longo da obra. Os outros cenários são a housescape da Minie, estalajem, mercearia, estábulos. O grande e o pequeno cruzam-se, misturam-se sem se confundirem, estampados nos 8 que se vão matando uns aos outros nas três horas desta história de fadas. Rios de polpa de tomate vão desaguando aparentemente de forma errática. Com drama e ironia. Não é assim connosco? Comigo é, tendencialmente, intermitentemente.

A certa altura Kurt Russel pede à rapariga mais valiosa dos 8 que toque e cante. Ao terminar ele pede mais uma canção e ela canta. Mal ela pára, ele, ainda de pé, arranca-lhe a guitarra destrói-a contra a parede e diz não cantas mais. Senta-se derrotado, triste até, por uns segundos. E segue, avançando no registo anterior, o de um ódio que ignora. A beleza foi-lhe insuportável.

O filme de Tarantino tem cores de Caravaggio, densidade de Sokurov, realismo e contenção de Tarkovski, nudez e simplicidade de Eastwood, caricato de Almodovar. Paradoxalmente tem todo o silêncio de Oliveira. Lembro-me principalmente das quatro paredes de “O Gebo e a Sombra”. Menos teatral, é a justiça que está também no centro deste filme de Tarantino. E em ambos, iconografia cristã. Um Cristo crucificado e já morto numa madeira emoldurada da branca neve, dura uns bons segundos no princípio e no fim dos odiados; da janela indiscreta de Oliveira, muito espreita uma estátua da Mãe de Deus, em nicho a luzir umas mãos orantes e protetoras.

Iam todos para Red Rock. Ficam pelo Caminho. Ennio Moriconne é a paradisíaca banda de um filme que faz amor, dá prazer e aponta a ferida.

PORTUGAL 21: Crise na Comunicação Social e mais...

Hugo Nogueira, fundador da Associação Portugal XXI. Encontramo-nos hoje ao almoço. Vale a pena ouvi-lo.

 

 

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 Hugo Nogueira, fotografia tirada da net

Grupo Portugal XXI surgiu há cerca de um ano.

É um grupo de reflexão fundado por XXI cidadãos com diferentes experiências profissionais e diferentes sensibilidades partidárias, mas com um interesse comum: a causa pública. Entendem que não basta identificar os problemas, importa ainda indicar e escolher os caminhos para os ultrapassar. Convidam quem sabe para partilhar aquilo que sabe. Para isso reunem os membros fundadores num jantar de dois em dois meses. Os jantares assumem diferentes formas e contornos, que vão desde tertúlias a debates, podendo ainda assumir a forma de conferências. Cada encontro tem sempre um ou mais oradores que respondem a uma dúvida provocatória.​  

O que querem

O Grupo Portugal XXI surgiu da vontade dos seus fundadores de debaterem os temas mais relevantes para Portugal num espaço de liberdade, aberto ao exterior, que se preste a um convívio entre os fundadores e os seus convidados. Pretendem assim dar um contributo efectivo para a sociedade em que vivemos, ajudando a estabelecer pontes, a promover consensos e a identificar soluções e caminhos alternativos para resolver os desafios que Portugal hoje enfrenta.

 

 

 

Onde pára a Eutanásia?

 

fotografia @P.C.

O Prós e Contras - RTP de ontem tem muito que se lhe diga... veja aqui o programa na íntegra http://www.rtp.pt/play/p2233/e224685/Pros-e-Contras. É um tema complexo, é preferível falar de outras coisas. Mas é preciso falar da Eutanásia. Não fugimos com o rabo à seringa. Estamos todos de parabéns pela forma como decorreu a conversa, e porque verificamos mais uma vez que é mais o que nos une do que o que nos separa. O manifesto assinado por Ricardo Sá Fernandes tem esta virtude de levantar a questão, de a debater; o próprio Sá Fernandes reconheceu que é preciso ver isto sem precipitações, até porque, disse-o claramente, este Parlamento não tem legitimidade para legislar nesta matéria. Isabel Neto distinguiu claramente um ponto: a eutanásia não  acaba o sofrimento, a eutanásia acaba com a vida. Rui Nunes chamou a atenção para um mudança de paradigma que não pode ser feita do pé para a mão, lembrou Hipócrates e que é preciso que se oiça o que os médicos pensam; até porque a liberdade individual e inalienável da pessoa que opta pela eutanásia é entregue a um médico.

Um começo de informação e debate. Até porque o conceito de eutanásia não está clarificado. Veja-se o que aconteceu na Bélgica. Uma coisa é certa: os que são a favor, são-no porque não vêem outra saída e oferecem a porta da eutanásia; os que são pró recusam essa porta, e preferem deixar a janela aberta.

Voltaremos a este tema, porque o que nos interessa são RAZÕES. Todas elas. Pesadas, medidas. Não fosse eu de Filosofia e não me colocasse neste ponto: se nada fiz para ser, poderei destinar-me?

Falei com alguns dos participantes. Deixo o registo de um excerto de um deles, a Laurinda Alves.

 

Nicolau Santos aposta na Web Summit 2016 (audio)

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Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit

@A. S. photo

 

A Startup Global, com uma edição no Porto e uma em Lisboa, respetivamente a 2 e 4 de Fevereiro passado, contou com a presença de Nicolau Santos, director  Adjunto do  jornal Expresso. Moderou duas mesas redondas com os grandes intervenientes desta movimentção que levará à Web Submmit 2016 (7-10 Novembro)  que pela primeira vez se realizará em Lisboa, o que se repetirá em 2017 e 2018. Fomos ter com ele no final do debate de Lisboa, para nos trocar por miúdos o que aqui está em causa. Está optimista e entende que esta é uma oportunidade a não perder. Vamos a isto?

 

 

 

 

Mata-me de amor

 

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 imagem do último de Tarantino, tirada da net

 

Dias sem sentido são monstros . Às horas cegas seria eu a primeira  a pedir a eutanásia, a "bela morte" como diz a etimologia (  e há a distanásia, e mais tanásias, é muita coisa....). Alto ou baixinho gritaria a alguém: LEVA-ME DAQUI PARA MELHOR; AH, E QUERO ASSISTIR A ESSE MELHOR (o nada não cabe na cabeça de ninguém). Mas uma coisa é o que digo, o que quero, outra é o que quero MESMO. Escrevo hoje sobre a eutanásia porque a circunstância está no Parlamento. A urgência de legislar. São mais que sabidos os prós e os contras, as literaturas a respeito, os filmes, os casos contados na primeira pessoa. E na semana passada uma rádio a informar-me de um facto que eu não sabia: a razão mais invocada  para quem pede ajuda para morrer é o estado de depressão em que se encontra. Assim sendo a eutanásia tem um vasto campo de actuação. Ou não.

Uma depressão pode pedir remédios. Mas muitas vezes não há. As pessoas vivem mal. O dinheiro anda mal distribuido. Deixemo-nos de tretas. Por outro lado, há a história dos cuidados paliativos, hoje em foco nos media. Uma espécie de revisão da matéria já dada. Números, saúde, vida, filosofia, psicologia e liberdade.

 

Uma depressão pede uma mão com tempo e amor, esta é a verdade. Uma  depressão não se aguenta com picares de ponto, com palavras magras - "quem sabe vai passar", "se queres, és livre, eu faço o que queres" , "ajudo-te a acabares com isto"-, ou boas intenções. Uma depressão exige ternura e firmeza; em palavras como "eu não saio daqui, de ao pé de ti." Bem sei que não sei o que é um viver quase "vegetar" , mas calculo que o que sei chega para desejar que me ajudem  a matar o que de mim experimento à vista desarmada. Mas chega também para saber que, se quiser, posso pedir que não me larguem as mãos e os olhos. A Eutanásia que quero é a de uma morte que me acompanha desde que nasci. Uma bela morte que está no horizonte que pode ser apenas o espelho de um desejo apertado  ou uma janela para contemplar o que me faz viver, um X que desconheço mas me faz gritar e, por pouco que seja, abrir um canto do olho.

Podem as leis apoucar ou engrandeçer o meu Desejo? No fundo, no fundo, o que quero é viver. Mas com dignidade, dizem-me por toda a parte. Esqueçemo-nos que a vida vem sem adjectivos. Nua. 

Digam que isto é música celestial, ou poesia. Não me importa, não é Antero? Não é Mário? Não é Bernardo?

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