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Rasante

Rasante

Jorge Silva Melo: "é muito bom estar vivo!"

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Jorge Silva Melo, imagem tirada da net 

 

No dia da estreia de O Jardim Zoológico de Vidro, de Tennessee Williams, não resisti a umas perguntas ao encenador, o homem do teatro da politécnica. A pinta dele. A "uma mulher sem importância", não houve palavra que não "me" ouvisse, resposta a tudo. Um homem livre. Isto a minutos da estreia. Nas calmas, porque nele vida e teatro coincidem. Hoje, dia do Corpo de Deus, feliz coincidência, é bom postar aqui uma conversa com uma pessoa que encarna,cada noite, a esperança. Foi Péguy que pôs o dedo na ferida ao gritar que ela é a virtude pequenina que ampara as outras duas, a fé e a caridade. É ela que cada dia acorda com olhar renovado e diz bom dia - neste caso "boa noite" cada noite - aos pobres e órfãos. Assim como eu quero ser. No pórtico.

 

Rasante (R): Jorge Silva Melo. Vamos ter uma estreia fabulosa com certeza, Tennessee Williams, por si...

 

Jorge Silva Melo (J) : O Jardim Zoológico de Vidro, é a primeira peça no fundo escrita  pelo Tennessee Williams, ele já tinha escrito outras, mas esta é a primeira que teve um êxito gigantesco em 46, e que é uma peça de adeus. É uma mãe, dois filhos, um rapaz e uma rapariga e o rapaz já mais velho, vai-se lembrando de como foi a vida naquela casa, como a mãe era possessiva, autoritária, charmosa, falhada (completamente) mas, possessiva, e como ele separou...


R: Como um bocadinho todas as mães, não é?

J: Como as mães devem ser! Está na sua obrigação! risos


R: Assim muito possessivas também não...

J: Eu acho que faz bem... risos


R: Porquê, já agora?

J:  Então, é o que está nesta mãe! Ela sonha para os filhos aquilo que não teve... A filha é deficiente como a verdadeira irmã do Tennessee Williams, era deficiente, sofreu uma lobotomia e ficou como um vegetal até ao fim da vida, e viveu mais tempo do que o Tennessee Williams....

 

R: E o resto, vimos ver a peça, também não pode estar a contar tudo!

J: Mas é a maneira dele dizer adeus, e porque é que ele saiu de casa e porque é que ele sentiu sempre um remorso.

 

R: E porque é que se interessou por esta peça?

J: Esta adequa-se muito bem a este teatrinho íntimo...

R: Que já é a terceira peça este ano, não é? Pelo que eu li, eu estive aqui na anterior...

 

J: Pois exatamente, tivemos duas peças do Tennessee Williams, no São Luís e no São João. E esta adequa-se a este teatro pequenino, íntimo, porque é como se fosse um segredo. É um remorso ou uma confissão. E essa dimensão íntima adequa-se a este teatrinho.

 

R: A este teatrinho...

J: Onde os atores até podem falar mais baixinho do que eu estou a falar agora.

R: E diga-me uma coisa, gosta muito de Tennessee Williams, porque é que o escolhe? Poderia escolher outros!

 

J: É um autor muito marcante e que inventou muito do teatro moderno contemporâneo, aqui nesta peça ele marcou para sempre o teatro americano, ele consegue roubar ao cinema os flash backs, o narrador, os intertítulos, os saltos na narrativa e esta humanidade fermente e não normativa, que ele enquadra. São pessoas que não são heróis. Embora tenham uma vontade enorme de vencer na vida, mas não são heróis nem são exemplos. Isso foi tal surpresa, a peça fez 3 anos seguidos em cena, todas as noites quando estreou! 


R: E agora aqui também não se sabe... *Risos

J: Não fica 3 anos em cena! Risos

R: Nunca se sabe...
Sempre abertos ao mistério, não é...


J: Exatamente Risos

R: Teve alguma surpresa, nestes ensaios, estão a ensair há quanto tempo, só para ter uma ideia?

J: Há 2 meses, normalmente uma peça tem 2 meses de ensaios. Tive uma surpresa porque há uma personagem, que é chamada a personagem “mais realista”, que é o contraponto desta família, e que é o Jim. E o Jim normalmente é visto como o homem que cumpre o sonho americano. Vai ser racional, vai vencer na vida, e não é nada. Ele QUER, ele QUER ter o sonho americano, mas ainda é tão falhado como todos os outros. Está convencido que a ciência, se vai desenvolver, está convencido que se vai curar, e que vai vencer na vida mas é com a mesma fragilidade do que todos os outros. E isso é muito bonito. Isso eu nunca tinha visto em nenhuma das versões da peça que eu já vi, não tinha visto uma tal fragilidade nesta personagem do Jim. Foi um prazer trabalhar com o José Mata, que é quem faz esse papel e foi uma das grandes descobertas da peça, que eu conhecia de cor e salteado, e nunca tinha reparado que o rapaz era muito mais frágil do que aquilo que nos parecia ser.

R: E sente-se, assim, frágil?

J: Sim, claro... Claro! *Risos


R: Qual é a nossa maior fragilidade?


J:
A fragilidade do teu nome é “mulher”, diz o Shakespeare. Risos

R: Então, diga lá um bocadinho, você é um homem de (se) fiar...

 

J: A fragilidade é aquilo que não conseguimos vencer, aquilo que não conseguimos fazer, aquilo que achávamos que estava “à nossa mão”.

 

R: A vida é simples ou difícil?

J: A vida é ir deixando para trás uma série de propostas e apostas.

R: Mas é simples ou é difícil? É porque eu acho que é simples...

J: É simples, é simples.

R: Eu também acho.

J: Mas é deixar para trás muita coisa.

R: Mas é simples porquê, já agora?  Eu depois também lhe posso dar a minha opinião Risos


J: É simples porque é só viver. É acordar e viver.

 R: Tal e qual!


J: Mas... Temos que deixar muita coisa para trás e isso é quase sempre doloroso.

R: Mas nem para toda gente é simples.

 

J: Não, há muitas pessoas que gostam muito de fazer uma grande complicação.

R: E sabe porquê?

 

J: Não.

R: Eu estou a perguntar...

J: Não... As pessoas gostam de complicar muito.

R: Porque também não é “só deixar ir”... Há uma coisa que temos de fazer. Há uma que eu faço!

J: Não, tem muito de ser feito, MUITO de ser feito.

R: O que é que faz?

J: Trabalho! *Risos

R: Mas mais do que isso, está bem, a vida é um trabalho... Eu acho que é a liberdade, a pessoa é livre de desistir, de decidir...

J: Mas é livre também de querer transformar, querer fazer as coisas, querer realizar.

R: Para quê?

J: Para isso, para estar viva. A vida é viver.

R: Temos um minutinho... Também é adverso, à palavra “beleza”?

J: Não, gosto da beleza e fico entusiasmado com essa hipótese.

R: É porque há artistas, que quando falo na beleza, quase que me “matam”.

J: Agora está muito na moda.

R: E então dizem “interessante”, arranjam assim uns sinónimos... *Risos

J: Não, eu gosto da beleza. Uma vez escrevi um texto que me foi pedido pelo José Tolentino a dizer que a beleza dá-me pontapés, excita-me, faz-me renascer para a vida, ponta-peia-me!

R: Ela define-se mais pela negativa do que pela positiva... ou não? Fá-lo estar vivo? A mim faz!

J: Sim... Faz-me estar vivo e faz me querer fazer coisas... Belas.


R: Esta peça é uma peça bela.

J: É, é uma peça que... Ainda ontem, no ensaio geral, haviam espectadores que estavam a chorar... Queriam casar com a rapariga, no fundo! *Risos

R: Risos* Bem... Fica para outro encontro, isto é mesmo só um apontamento... Eu acho que as peças ou a arte não têm mensagem. Concorda comigo? Não lhe vou perguntar mensagem até porque... Nem quero que tenha!

J: Não, estamos aqui a ver e a viver uma fragilidade de quatro personagens que são nossos primos, somos nós próprios, não somos primos... Mas nós conhecemos. E gostamos de os ver.

R: Obrigada, agora começou a chover, temos que acabar!*Risos
E vamos então ver e convidamos... Quer dirigir assim um apelo? Para que as pessoas saiam de casa, tirem os chinelos e venham ver coisas bonitas!


J: É tão importante estarmos juntos a ver, portanto, o teatro tem essa coisa extraordinária. Há pessoas vivas que estão daquele lado e outras que estão vivas, deste lado. Estamos todos vivos a ver uma coisa, sofrendo, e é muito bom estar vivo!

R: Isso é muito bom. E ninguém sabe quem regressa a casa, não é?

J: Exatamente.

R: Obrigada e pelo que tem feito pelo teatro e pelo que vai fazer!

J: Obrigadíssimo!

Moura de Carvalho: chutos e ponta pés?

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 Carlos Moura de Carvalho, foto tirada da net

 

Lembra-se do famoso CReSAP? Foi assim que o ainda em funções DGA foi recrutado. De uma forma transparente. Carlos Moura de Carvalho não precisa de apologias. Eu também sou namorada de Sócrates, só que para  além de ser wilde  sou  "uma mulher sem importância", e  a  filosofia , dizem, é inútil. Aprendi contudo que a injustiça é pior que o piolho. Não se faz: por dá cá aquela palha, o DGA foi ontem notificado que sairia. E Carlos não, não é caso único...

Tenho seguido de perto o seu trabalho. Até porque sou uma sua orgulhosa cunhada, o que me  dá ganho em subjetividade (não em subjetivismos). Vejo de perto. Sou mesmo parcial. Também Aristóteles começa a sua Metafísica a chamar as coisas pelos nomes (os Analíticos  - vão ao google).

Não merece. Como muitos outros não merecem outras coisas. Já agora, será que o futuro DGA vai ser escolhido através de um concurso mais transparente?  Ou é mais um rock in rio?           

Michael Nyman no PIANO de Adriano Jordão

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Mychael Nyman de arrasar

 

Adriano Jordão é o diretor Artístico do Festival de Música de Sintra, que vai na sua 51ª edição.  Também criou o de Macau, o dos Açores e o de Mateus. No dia da inauguração, a passada 5ªfeira, lá fomos ter com ele.

 

Como é que o senhor entrou neste “comboio”?
Eu?

Sim, o senhor, é um homem da música, pianista, esteve também no Brasil como nosso conselheiro cultural,e agora...

Exatamente. Eu tenho muita experiência na minha vida de festivais de música. 

O que é para si um festival? Eu já apanhei muitos festivais de Sintra  que não têm nada a ver uns com os outros.

Ainda bem que me pergunta! O que é que quer dizer para si a palavra “festival”?

Festa!

Claro. A primeira coisa é que tem de ser uma festa.
Mas o senhor é  que vai responder! Não esteja a tirar ideias... (risos)
Mas é isso mesmo. Tem de ser uma festa! A origem semântica de festival é a mesma do que a de “festa”. É uma festa, tem de ser um acontecimento. Não pode ser, como às vezes se fazem, juntar uns concertos, umas atividades, ao lado umas das outras... Tem que haver uma lógica...

Qual é a lógica deste festival de Sintra?
Ora, ainda bem que me perguntou! É o seguinte: Sintra é para mim romantismo. Sintra é exotismo. E Sintra também é, na tradição do festival, o piano. O instrumento, piano.

Sintra é o piano?

Sim, pela Marquesa do Cadaval. Para este ano, centrámo-nos no piano mas não no piano de uma maneira, digamos, “incoerente”. Então o que é que há? Há um piano hoje, do Michael Nyman. A seguir temos os dois pianos. Depois, temos o piano como instrumento de percussão. As pessoas não se lembram que o piano é um instrumento de percussão. Depois temos o piano em 4 mãos. Depois temos o piano num reportório que não é próprio do piano. Por exemplo: fados e tangos. A pessoa não liga tango ao piano, em princípio. Depois temos o piano noutro reportório também não habitual: Música árabe no piano. No Palácio da Pena. Tem tudo a ver!

Ai tenho de ir a esse, eu não tinha pensado....
Claro! E depois temos um concerto paradigmático de Sintra, um recital de Chopin no Palácio de Queluz. Uma grande chopiniana romântica. Aí estamos em pleno...em Sintra. Depois temos um concerto com um programa que é a história da música do piano. De Bach a Bartok. Depois temos um jovem artista português....
Está a ver se eu não tivesse vindo fazer-lhe um Rasante...

Claro, não veria a lógica! Portanto, a parte da festa já percebeu. Basta estar comigo para fazer uma festa!

Exactamente! Professor, eu não sei como é que o trato...
Adriano.
Já agora, como é que se trata um artista?
“Ó pá, tás bom?” (risos)

"Opá, tás bom?" diga-me quem é este homem que daqui pouco eu vou ouvir. Qual é a mais valia dele?

Nyman é um homem que se celebrizou através de um filme chamado?
Ai isso eu não sei!
Ah,  “O Piano”, está a ver? Portanto, se eu faço uma coisa, ligada toda ao piano, tem toda a lógica começar com uma aproximação ao piano que não é a aproximação da música clássica e elitista. Não vem de casaco fazer um recital de Chopin, não é nada disso. Percebe?

Pois, eu estou a imaginar, porque eu ainda não...
Agora vamos ver o que é que acontece! Se as minhas previsões estiverem erradas, para a próxima entrevista a Maia.
A Maia? (risos)
Está a ver? Faz uma entrevista à Maia!
O que vale é que estamos no ano da misericórdia. (risos)
A Maia faz uma previsão, e é muito melhor do que eu!
Para terminar, isto já passou o tempo e vai começar...
Já está rasante! (risos)
As pessoas não podem ir a tudo, não têm dinheiro, não têm...A cultura é cara...Qual é o concerto imperdível?
Depende do ponto de vista...
Do seu ponto de vista...
Para mim obviamente, eu diria que é o concerto “Recital Chopin” em Queluz. Eu sou um homem da música clássica. Para estes jovens que estão aqui hoje, o imperdível é o Michael Nyman! Quem seja muito curioso, se calhar quer é ir ver música árabe no Palácio da Pena.

E se eu tiver os pontos de vista todos, quero ir a tudo!
Exactamente, ir a todos os concertos!
Olhe, muito obrigada, foi um prazer conhecê-lo e espero ter outra oportunidade para falar consigo, obrigada.
Com certeza, para a próxima traga a bola de cristal...

Estado deixa milhares sem cartão de cidadão

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 Sofia Reimão, José Diogo Martins e João Carlos Loureiro, ontem na inauguração do Congresso

 

Milhares de seres humanos ceifados , zás e já está. Não eram os pobrezinhos. Saiba aqui como , quando, onde e porquê. E se a eutanásia passasse, como agora se pretende, mais ficariam sem cartão antes de tempo. Um pequeno detalhe: o dono do tempo e da vida tem outro nome, não se chama Estado, e tem amigos especiais. Hoje há novidades.

A 'Federação Portuguesa Pela Vida' organiza ontem e hoje o Congresso "Os desafios da vida e dos tempos." O programa . À tarde somos convidados para uma Caminhada pela Vida. Nesta terá início a recolha de assinaturas para uma petição que diga sim à vida e a uma cultura humana, um sim para se por no lixo estas modernices de quem nem sabe do que fala quando diz a palavra "eutanásia". Esta apresenta-se como solução, como a promessa de uma boa morte ( do  grego , eu+tanós ). A morte não pode ser uma coisa boa assim sem mais, por muito que o queiram perspectivas de blocos de esquerda, de meio ou direita. A morte só é 'boa' numa perpectiva que nada descarta. Autoridade, sabedoria e experiência para dizer que morrer é 'bom', que é natural, que faz parte da vida, só a tem quem já por ela passou. Quem tem as chaves da vida?

Do ponto de vista filosófico - esta questão não é do foro religioso - a razão impõe que não se toque no que não se sabe. O antes do embrião, o que é? Quando é que eu começei? Naquele instante em que a minha mãe foi violada? E o que se passa realmente na pessoa que lhe dói e sofre? Quero morrer, diz. Mas será que quer mesmo? Autonomia é uma coisa, dignidade outra.

Deixemos mentiras. E  tretas. Não me venham com a conversa de que não há cuidados paliativos suficientes. Eu sei que é preciso mais e melhor. Vamos por pé em rama verde? E o cartão de cidadão, como é? Vamos sim trabalhar nas obras. Fazer para que se possa  nascer, para que se possa crescer e passar pelos momentos finais, em Companhia, em Solidaridade. Tenham pachorra para me aturar. Por outro lado chamem-me tótó, não faz mal.

"Nova" Sofia Areal: hoje no Museu do Oriente

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 Sofia Areal : tudo de novo!

 

"A Oriente tudo de novo - Cadernos de Viagem de Sofia ", é uma exposição que apresenta 28 trabalhos inéditos da artista Sofia Areal (n. 1960), desenvolvidos no âmbito de uma residência artística em Macau, enquanto bolseira da Fundação Oriente. Obras em tinta-da-china, aguarela, lápis de cera, acrílico e grafite, numa mostra singular de um nome referência da arte contemporânea portuguesa. A inauguração é hoje, dia 12 de Maio, às 18h e 30m, no Museu do Oriente.

Até 28 Agosto | Entrada gratuita
Mais informação: http://bit.ly/1T7vHCR

 

aqui a ouvimos. Desta vez falamos por telefone.  

 Rasante (R): o que é que queres transmitir com esta nova exposição?


Sofia Areal (SA): Em contraponto de “a oeste nada de novo”, aqui sim, e para mim ”a oriente tudo de novo”. A 16 de Novembro de 2014, cheguei a Macau. A Macau, ligava-me tudo e todos que por lá passaram e que por aí estão. Sou pintora, o que durante anos para mim estava assente, viver no ocidente, transformou-se na vontade de cortar barreiras.

Esta exposição no museu do oriente é o resultado de mês e meio em Macau e mais tarde uma estadia em Hong-Kong – “A oriente tudo de novo”. 

Aceito perguntas, dou respostas.

 

R:  O que é que quer dizer “Cadernos de Viagem de Sofia”? O quadro que escolheste para a capa deste evento fez-me lembrar dragões.

SA:  O grafismo Oriental é por si próprio desenho, pintura. E foi aí, e por aí, que comecei estes pequenos esboços serial-Macau. Sou de natureza entusiasta em relação ao melhor que nós humanos temos. Quando surge um momento, local novo, tudo é entusiasticamente envolvido. 


R: Sei que o que te faz é pintar, o que expressa os teus sentimentos e o que pensas da pintura. Mas se pudesses numa palavra descrever o que é o Oriente.  E numa outra palavra o que é o Ocidente... Se se complementam ou não há possibilidade de um ponto de união?

SA: Acredito por fundamento na igualdade das pessoas. No entanto, a surpresa de viver e o viver faz-me acreditar que o AMOR/RESPEITO permite tudo. Nem deus nem Homens, o mundo. A forma circular que eu repito, repito e quero sempre e para sempre repetir.

 

R: Qual é a cor do Oriente? E já agora porquê?

SA: “Amarelo, vermelho e preto.
Amarelo – Sol
Vermelho - AMOR
Preto - Noite”.


R: Dá  aqui uma razão para uma pessoa vir à exposição/ver o que pintaste. Uma razão apenas...

SA: Acredito que ao vermos o melhor que os outros nos dão, faz de nós um ser melhor. E o momento exato onde tudo está a nascer – acontecer – merece a nossa maior atenção.

Mamã, posso inaugurar um túnel?

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  imagem tirada da net

 

Por não acreditar em coisas sem sentido, devo dizer que foi o episódio da inauguração do túnel que me levou a escrever estas linhas. E que foi Sócrates, um dos meus recentes ex-primeiro ministros, que nos fez olhar para o túnel. Se não fosse ele, alguém, na semana que passou, iria notar no Marão? Digam-me se há no mundo homem mais belo que eu? Estas linhas referem aspetos que considero essencias à Política. Ao Sócrates effect lá iremos, mais para o Verão.

 

O túnel é meu, é nosso. Todos os que lá morreram são irmãos meus. O irmão de Sócrates, que efetivamente morreu lá - "Perdi um irmão no IP4, tinha de vir cá", disse -,  também é meu irmão. De bom gosto eu própria inauguraria aquele túnel. A política não é feita à medida ou ao espelho. A política é para o bem comum que só o é se for para cada pessoa. Ai não? Os políticos são uma cambada de mafiosos? 

 

Como não sou maniqueísta e muito menos cegueta, acho nada disso. Há de tudo em tudo. Os políticos têm o desafio de enfrentar ambições desonestas, neste salve-se quem puder.  Contudo têm o mais nobre desafio de com um gesto poder mudar a vida de muitos. Os políticos de mão-cheia não são os que arrecadam com elas, as mãos, o que não devem, mas sim os que as erguem generosas a construir os túneis das nossas vidas. 

 

Marcelo "assim você mi mata!"

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   Marcelo Rebelo de Sousa, ontem em Moçambique, na Escola Portuguesa

   fotografia tirada da net

 

As pessoas são um bocado bota abaixo, e por diversas razões, assunto pelo qual tenho o maior interesse, alguma experiência, e uns quantos estudos. Não interessa agora a "cor" política do Presidente. Alías porque Marcelo tem cor própria. Não é presidente quem quer.

 

Isto hoje era só para dizer que tenho orgulho em ver o que poucos, ou ninguém, sabe "fazer". De mãos dadas com Moçambique, como menino de seu pai, saudoso governador daquele que é hoje um país cheio de graves problemas. Não escapa ao seu papel mais difícil, mas também não escapa à alegria de estar com aquelas crianças. Por outro lado, é também para dizer que a quem se queixa de que se mexe e gasta muito, que se lembrem das críticas que dirigiam a quem não se mexia, diziam. E mais do que gastar, Marcelo "gasta-se". Tem estatuto, perfil, idade, para poder ter optado por ficar na praia. Chamem-me lambe botas. Não me importo. Viva Portugal, que sabe rir, dançar e  abraçar o mundo, para a Deus dele dar parte grande. 

 

Novo temor da Maura lança? Maravilha fatal da nossa idade? Dada ao mundo por Deus, que todo o mande? (Lusíadas)

 

"Paizinho"

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imagem tirada da net

 

Este post surge de eu ter visto no mural de uma amiga no facebook, ela e o pai, e ela a comentar, a dizer-lhe: "paizinho". E também porque domingo foi dia da mãe. E porque entre as meninas e o paizinho há um "não sei quê".

 

É verdade que sendo eu crente acredito que o meu pai está vivo. A morte já não tem poder sobre ele. Como sei que as matérias de fé não têm prova científica. Nem têm que ter. Um Deus a caber no meu tubo de ensaio não tem interesse. Nem me ajoelho diante do Motor Imóvel de Aristóteles. Gabriel Marcel serve o meu registo. ‘Amar alguém é dizer: tu não morres!’ Paizinho.

 

O filósofo francês desenvolve a ideia da comunidade invisível dos que já partiram mas estão presentes de forma misteriosa. "Mistério" opõe-se a "problema", e nada tem a ver com coisas que fazem cócegas na barriga e que estão num escuro, ou escondidas. Não. No ‘problema’ o objeto está diante de mim. No ‘mistério’ eu estou envolvida.

 

Ok, acredito, sei da presença dos que não vemos. Há contudo momentos em que lhe queria dizer ‘Paizinho’, olhos nos olhos. Ou irmos agora tomar um café.

Deus Regressou HOJE

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 imagem tirada da net

 

Conheci este teólogo pela leitura de um livro seu, "A paciência de Deus", no qual explica a diferença entre um crente e um ateu de um forma nova para mim, o que me mudou mais um bocadinho - ver o meu  http://expresso.sapo.pt/o-que-distingue-um-ateu-de-um-crente-1=f849468.

Só ontem soube que está em Portugal e que hoje vai estar na Culturgest para  reflectir connosco sobre o  «O Regresso de Deus». Ás 18h e 30m, entrada livre.

O pontificado de Francisco deu um “novo estilo” à Igreja Católica, “é um novo capítulo na história do Cristianismo”, disse em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre Halík está em Portugal para um conjunto de conferências e celebrações, ligados principalmente à apresentação da sua nova obra, ‘Quero que tu sejas - Podemos acreditar no Deus do amor?’.

 

 

Mãe: buraco ou esperança?

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  hoje de manhã 

 

Mudo a letra ao Carlos do Carmo e digo que a Primavera nasce porque morre uma andorinha. As mães

morrem aos bocadinhos. A noite morreu. Hoje é dia da mãe. E?

Mais que a sentinela pela Aurora, eu espero, o dia nasce.  Reviver a Aurora de Murnau. O que de melhor se realizou sobre o amor. O filme é mudo mas diz tudo.

Ele vai morrer daqui a dias. E sabe. As perguntas que ele  fazia até agora, não é que  sejam inúteis, mas ganham sentido, pedem outras perguntas. Perguntava ele: vão renovar-me o contrato de trabalho em Fevereiro? Verei os filhos dos meus filhos? Agora já não interessam. Quero, preciso, de outras perguntas. Quem me diz o que ando aqui a fazer? Não é isto um buraco, sem fundo,ou com ele? Se há um Deus, eu não fui consultada. Não gosto disto. Odeio-O. Lembro as palavras de Dante. Pergunta também Dante: mas não é muito melhor amá-Lo?

A minha mãe acreditava, amava-O. Estou a fazer o meu testamento. Nada posso deixar aos meus filhos que valha . Apenas que olhem para mim e vislumbrem ou um buraco ou uma esperança. Nada há que fazer. Apenas abrir os olhos. Abraçar ou ignorar o tempo.