Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


perfil.jpg

 

Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. O que não ponho é nada de lado. Porque que em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já não, e amanhã será. É hoje. Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas como diz o Amadeu, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Vamos ganhar o Europeu, quem sabe!

Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Amanhã é sexta. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

Ainda anteontem, o António  desafiou-me a ir ver umas coisas novas. Cortaram a respiração: beleza, luz e simplicidade. A arte que eu comtemplei, leva-me depois para casa, e o jantar sai-me melhor. À mistura com a fome, a guerra, a crise e as doenças, tudo isto parece ridículo. Mas não. Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto.

Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar os memoráveis. As voltas das horas desaguam-nos no infinito. E do que gosto mesmo é de respirar fundo. Estar com os amigos e abraçar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

images.jpg

 imagem tirada da net

 

 

Falo por mim. Agora, é para poucos o peso que carregas. Não sou bota abaixo. Hoje visto a camisola, canto o hino mais bonito do mundo, a transbordar de orgulho de ser portuguesa. Olho no écran as vossas caras, uma a uma, ao sabor do movimento da câmara, e da Bandeira Nacional, acredito na vitória, e não penso que seja fezada. Mas também não sei dizer porquê. É assim como no fado e nas touradas. Fátima também e neste caso sei porquê, mas o tema hoje não é a Cova da Iria.

Fala quem gosta de futebol, mas apenas sabe desta seleção dizer: Portugal, Fernando Santos, Quaresma e Nani. E que o guarda redes é do Sporting (sou benfiquista ferranha, já se vê). E hoje sei dizer também Hungria. Claro que há uma nesga de dúvida, que não está escondida, faz parte da vida. Quero apenas dizer aqui uma coisa que conferi no último jogo. Vem no título deste post: Cristiano, quem não dá valor ao que tem, estraga. Para que fique claro, nada do que digo quer interferir, nem poderia, na tua vida privada. Seria uma violência, uma desumanidade: a liberdade de cada um é intocável.

Cada um faz o que bem quer. Agora diz-me uma coisa: porque é que naquele penalti não fizeste entrar a bola? Um bocadinho mais para a direita, ela entrava. O guarda redes, esse, ia para o lado oposto, já sabias de cor. Eu penso que sei porquê, mas não digo tudo o que penso  porque nada devemos um ao outro, porque não sou cruel nem dona da verdade, e nem imagino o que por ti passou no momento em que tinhas tudo às costas e uma perna que pensaste. Mas sim digo quanto basta dizer: se soubesses o que vales não terias arriscado o brilharete e ter prescindido de uma entrada mais humilde, e não rasante, que nem isso acabou por ser. Foi um erro. Foi essa falta que estragou.

Ensinaram-que a palavra “humildade” nada tem que ver com ser parvinho, ou encolher-se. A palavra humildade vem do latim “húmus”, terra. É ter os pés na terra. Uma pessoa humilde é uma pessoa que sabe o que vale, poe em prática, não estraga, nem se estraga. És um menino da tua mãe, não te estragues.

Autoria e outros dados (tags, etc)

14
Jun16

Bar do Fundo da Praia Grande

por Fátima Pinheiro

 

WIN_20160528_19_54_26_Pro.jpg

 Manuel Cota, o homem que teve a ideia

 

Estou aqui com o “Cota”, o Zé-Maria, que é um dos três donos do Bar do Fundo.

O Bar do Fundo é uma coisa fantástica. É no fundo, no fundo da praia grande, eu lembro-me de isto ser um pequeno bar, não era?
Z: Exatamente.
F: Conta lá como é que começou...

Z: Então, o bar foi comprado pelo meu irmão, o que tinha o sonho deste projeto. Para ficar com o bar que na altura era uma coisa muito simples, aberto 4 meses por ano...

 F: E não tinha este arranjo arquitetónico que é uma coisa fantástica...

 Z: Não tinha nada disto...Era uma coisa...

F: Isto tem um enquadramento, aquela rocha ali, enfim... Isto... Quem conhece a praia grande sabe do que estou a  falar, é uma rocha fantástica...
Z: Que é a imagem de marca desta praia!
F: É, a imagem de marca!
Z: Cartão de visita!
F: Cartão de visita! E é uma rocha bela, faz-me lembrar o T.S ELIOT... Eu gosto muito de literatura, os “Coros da Rocha”. Mas para te dizer que isto tem um enquadramento arquitetónico único, podes gozar a praia, portanto não te sentes longe da praia mas ao mesmo tempo estás num restaurante como se estivesses em Nova York ou... É...
Z: Exatamente, exatamente...

F: E come-se muito bem e bebe-se muito bem... Mas conta lá, depois isto começou aos poucos, não é, ele fez...
Z: Exatamente. Quando quem aqui estava aceitou a proposta, o meu irmão ficou com o bar, continuámos no mesmo registo, ou seja, abertos 4 meses por ano, 5 meses...
F: E isso passa-se há quantos anos?
Z: Há 8 anos atrás. Na altura, continuámos no mesmo registro, de servir sanduiches, saladas... Mudámos...

F: E tu sempre junto com ele?

WIN_20160614_17_14_03_Pro.jpg

Z: Não! Eu não, porque na altura eu tinha... O meu irmão tem neste momento 32, eu tenho 25 portanto, havia um desfasamento de idades, eu estava ainda a acabar o décimo primeiro...

F:  ...Tu vinhas cá comer cornettos!

Z: Exatamente Risos

Eu só me divertia no bar ainda nessa altura... 

F: E não fazias surf? Agora, se calhar fazes...
Z: Fazia, fazia.
F: Já fazias?
Z: Sempre fiz, desde...

F: Agora vai haver um campeonato, não é? 

Z: Vai haver este fim de-semana, o campeonato nacional de surf, da liga moche.
F: Aqui?!
Z: Exatamente aqui, em frente ao bar. Por isso é que estão aqui até a montar esta estrutura.

WIN_20160614_17_04_10_Pro.jpg

 F: Certo. E então pronto, continuaram, devagarinho e tal...

Z: Continuámos, na altura havia obrigação de quando comprámos (de quando o meu irmão comprou) de fazer este projeto, projeto que foi bastante alterado... Portanto este projeto não está exatamente igual ao que nós tínhamos de fazer na altura.
F: Ah! Certo!
Z: Mas havia essa necessidade, a Câmara exigia que fizéssemos algumas alterações a nível da estrutura... E pronto, essas alterações foram negociadas...
F: Ah, a Câmara exige este...
Z: Exatamente. Na altura era o parque natural e a Câmara... Há um ano e meio construímos o bar, e o parque natural e a Câmara passaram a ser 7 entidades.
F: Puxa!
Z: Ou seja, 7 entidades que tiveram que dar o aval a isto...

F: Mesmo assim, surgiu muito rapidamente para quem está de...

Z: Para quem está de fora, exatamente

Z: Para nós foi bastante difícil e feito mesmo ao último momento e quase não... Crítico para não ficar feito.

F: Portanto isto abriu quando?
Z: Isto abriu em Janeiro de 2015, dia 1 de Janeiro de 2015.
F: E estavas já então nessa altura, já não tinhas aquela idade mais pequenina, já...
Z: Pronto, depois é isso, eu ia explicar... Ao fim de 7 anos, entretanto tirei Gestão Hoteleira na Suíça, fui para o Brasil, fiz estágios no Brasil, cá em Portugal também, e... Encontrava-me num ponto da minha vida em que isto teria que andar para a frente, talvez nesta estrutura, mas se calhar teria que entrar mais alguém. Ou seja, nesse sentido, eu, a minha família, o meu irmão, nomeadamente a minha mãe, que somos os três principais sócios que aqui estamos...
F: Ai tu é que tiraste o curso!
Z: Eu tirei o curso.

F: Pois, estou a ver, tu é que és o especialista...
Z: Atrapalhado* Ehm... Cada um tem as suas qualidades e as suas especialidades.

WIN_20160528_19_54_38_Pro.jpg

 F: Diz lá então, tu fazes o quê? 

Z: Ehm, pronto, eu ajudei no fundo a tentar pôr isto um bocadinho de pé, com os meus conhecimentos, com a experiência que ainda era pouca, porque também sou novo... Mas pronto, tentámos por isto de pé. Conseguimos, foi difícil e...
F: Mas agora é um sucesso! A pessoa vem aqui e não tem lugar, tem que se marcar!

Z: É verdade! É verdade. Risos

F: Isso é muito bom! O que é que recomendas daqui?
Z: Em termos de...
F: Uma coisa é “o dia” não é, outra coisa, é para o jantar!

Z: Exatamente. É assim... Em termos de... Está a falar em termos de pratos, certo?
F: Se tens outras coisas para recomendar, também agradeço!

 Z: Pronto, é assim, na minha opinião, as nossas especialidades ou pelo menos o que nos pedem mais, desde marisco, pode ser desde as “Gambas Al Ajillo” (confirmei no menu, do zomato - https://www.zomato.com/pt/grande-lisboa/bar-do-fundo-colares-lisboa/menu#tabtop) a “Amêijoas À Bulhão Pato”...

F: Tens estrangeiros? Imensos?
Z: 80% dos meus clientes são estrangeiros...
F: 80 por cento?

Z: Entre 70 e 80 por cento são estrangeiros. Se vir, num dia como este, quase... Mais de metade eram estrangeiros.
F: Certo. Portanto é marisco, peixe...
Z: Marisco, peixe, desde... Pronto, como eu estava a dizer... Das entradas temos um Carpaccio de Novilho óptimo, umas gambas à Al Ajillo...
F: Têm este Linguine, é uma coisa maravilhosa...
Z: Exatamente. É um prato que sai muito também, não é dos meus preferidos mas porque eu não adoro massas, mas é um prato que toda gente adora.
F: Qual é o que gostas mais?
Z: O Bife de Atum, por exemplo, é um prato que toda gente gosta muito...
F: É? E gostas do bolo de chocolate?
Z: Adoro o bolo de chocolate!

WIN_20160528_19_58_37_Pro.jpg

 F: E o que eu acho aqui é que, tem preços mais caros, preços menos caros, mas acho que há aqui uma boa relação, não é?

 Z: Tem de haver! Isso foi uma das nossas apostas, nós apostámos um bocadinho na cozinha tradicional portuguesa mas não...

F: Vocês têm aqueles pequenos pratinhos que até saem bastante em conta... Quanto é que custa, por exemplo, um prato que tem aquele grão e bacalhau...?

 Z: Esse prato custa à volta de 6€, 7€.... 7€!

 F: E dá para um almoço! Pronto, é um almoço de praia, é uma refeição.

Z: É uma refeição! São pequenas coisas que nós tínhamos no bar antigo e que quisemos manter porque...
F: E que mantêm?
Z: Continuamos a ser um bar, um restaurante...

F: E pode levar-se isso para a praia, a pessoa pode vir aqui, buscar, não é? Ou não?

Z: Poder pode. O que nós fizemos também foi, na altura do verão, ou seja em Agosto... Julho, Agosto e Setembro, montamos uma barraca mais pequena na areia com uns puffs, com uma zona... 

F: Com esses pratos mais pequenos?
Z: Com sanduiches para manter a vertente bar e com as saladas... Todas as saladas que nós já tínhamos no bar antigo.
F: Olha e qual é o segredo da gestão de uma coisa destas?
Z: O segredo da gestão de uma coisa destas...
F: É que tu montaste isto assim... Aprendeste o quê lá fora? Falando assim meio depressa?
Z: Muito da parte de como gerir um restaurante, de gerir os recursos humanos, o que é preciso, a parte de contabilidade, desde criar o menu, ehm... todo o equipamento que é necessário para uma cozinha...

F: Portanto, tu tens a consciência de que tudo o que tu aprendeste teoricamente, na prática isso se aplica ou tiveste que...

Z: Aplica, aplica bastante.

F: Aplica? Onde é que aprendeste mais?

Z: Muita, muita coisa. Muita coisa foi... Aprendi aqui não é...
F: A fazer...
Z: Na prática, exatamente.

F: Mas onde é que aprendeste mais, em que País é que aprendeste... Talvez com os Brasileiros? Não faço ideia!

Z: Para ser sincero, não foi com os brasileiros, foi mais...
F: Então, diz lá?
Z: Foi mesmo na Suíça porque.

WIN_20160528_19_58_21_Pro.jpg

F: A Suíça. A Suíça é uma escola...

Z: Sim e acima de tudo, a grande vantagem que tive foi, que isso também foi uma aprendizagem não tanto em termos técnicos para a restauração ou gestão hoteleira mas para a minha vida! Foi aí que conheci pessoas de todo o mundo...
F: Na Suíça.

Z: Exatamente. Tive professores das mais variadas nacionalidades e isso, pronto, ajudou-me a crescer como pessoa...
F: Claro e gostaste de viver na Suíça, toda gente diz que é bom...

Z: Não adorei viver na Suíça porque eu prefiro mar a montanhas, mas... Risos

F: Já se percebeu! Risos
E vives aqui? Já disseste, não é?
Z: Vivo entre cá e Lisboa sempre... Mas estou cá muito, estou cá praticamente todos os dias.
F: E continuas em estudos ou dedicas-te a...
Z: Não, neste momento estou dedicado a isto e tenho outras ideias, outros projetos para a minha vida também, não vou ficar só por aqui...

F: Não vais agora aqui contar, não é...

Z: Exato.

F: Estamos a falar de que lá “no fundo” está-se aqui muito bem...

Z: Como eu lhe estava a dizer...
F: Ah, ias a dizer uma coisa, desculpa!

WIN_20160528_19_57_33_Pro.jpg

 

 Z: Desculpe! Tinha-me feito a pergunta dos preços do menu...

F: Ah pois, para explicar que isto às vezes parece que é muito caro, visto assim de fora...

Z:. Exatamente. E já tivemos essa reação de pessoas que entraram e ficaram “será que...”

F: Até com medo de entrar, eu ao principio achei “isto... Aquilo deve ser uma coisa, uma  fortuna...” Que eu não sou propriamente rica, não é?
Z: Mas não, nós tentamos fazer uma coisa para todas as carteiras... Ou seja, a gente pode vir aqui e comer um bitoque por 10,5€, um Bacalhau à Braz... Tem pratos típicos portugueses a um preço perfeitamente acessível, como depois temos pratos mais caros como o Risotto de Lavagante...
F: Claro, é como tudo, é como...
Z:  ... Por exemplo, que é um dos pratos que mais sai, que eu recomendo... (interrompido) 
F: Qual é?
Z: Risotto de Lavagante.
F: Risotto de Lavagante...

Z: Pronto, é um bocadinho mais caro mas é como tudo, tem preços para tudo, desde a seleção de vinhos a um menu de carne, peixe, entradas, portanto... Dá para tudo!
F: Dá para tudo! Pronto. E agora vai começar a grande... Durante todo o ano têm gente ,é isso?

 Z:  Sim, tem corrido bastante bem. Mesmo durante o inverno, as pessoas perguntam muito como é que tem corrido, se temos tido muita gente e a realidade é que... Nós também apostamos muito nas redes sociais, de instagram, facebook.... E isso hoje em dia é uma mais valia, eu acho, para conseguir dar...

WIN_20160613_22_34_57_Pro.jpg

F: É verdade, e isto é muito bom... A música é ótima! Onde é que vão buscar esta música? 

Z: Muita da música que aqui passa...
F: Esta, por exemplo, é fantástica!
Z: Esta, por exemplo... Risos i
Isto depois também tem a ver com o que oiço em casa com os meus pais, desde “Bossa Nova”, R&B, Jazz, ou seja...

WIN_20160528_19_52_41_Pro.jpg

 F: Os teus pais também passam aqui a vida, não é? Eu sei que o teu pai é médico, em Sintra. Mas eu vejo-o aqui... Eu sou de Sintra, devo dizer.

Z:. Exatamente, o meu pai é médico em Sintra e em Lisboa e portanto... É como... Lá está, nós fomos criados um bocadinho, também em Lisboa, mas um bocadinho aqui, ou seja, temos uma grande ligação a esta terra e fomos criados... Eu fiz praia a minha vida toda neste cantinho da praia, tenho uma relação especial com esta rocha. 

 F: Neste cantinho... É um cantinho... Como é que tu descreverias este cantinho para quem não conhece? 

Z: Essa... Não sei explicar... Passei aqui várias noites da minha vida... Ainda tenho 25 anos, tenho muito tempo pela frente, se deus quiser, mas já passei por aqui...  Sei lá, dos melhores momentos da minha vida, da minha infância, foram aqui que passaram. Com os meus melhores amigos, desde a minha namorada, etc, foi sempre aqui.
F: Sempre aqui...
Z: Muito em Lisboa também mas aqui foram os momentos que eu mais recordo.
F: Só experimentando, não é? Então vamos convidar as pessoas a virem ao Bar do Fundo e a disfrutarem desta maravilha.
Z: Serão bem recebidos.
F: Obrigada.
Z: Obrigada eu!

Autoria e outros dados (tags, etc)

WIN_20160602_18_32_25_Pro.jpg

Leonor Xavier e o Embaixador Seixas da Costa, 2.6.2016, no El Corte Inglês

fotografia Rasante

 

Ambos escritores, ambos jornalistas/comentadores, ambos diplomatas. Tal como ela, ele é um lutador. Não que haja nada errado no típico diplomata, agora ele não é o diplomata que faz o último posto e descansa ou que escreve memórias. Ele tem uma opinião com a qual contamos, sempre presente no que escreve e no que diz em espaços públicos.  A sua luta continua na atualidade de exercício político. Como ela, para quem obstáculo significa trampolim. Não é a vida um belo moinho?

 

E há uma coisa que ambos têm e é inestimável.  “Fazem” como quem respira. Estão sempre prontos porque estão sempre presentes. Inteiros, sem máscaras, com a simplicidade de quem nada tem a defender. Sentido de humor, simplicidade, inteligência, gratidão. Neles o extraordinário acontece, e torna-se natural. Uma espécie de dolce fare niente, que se atinge com muito trabalho e que lança perfume.

 

Ela acaba de escrever mais um livro: “Portugueses do Brasil e Brasileiros de Portugal”. O diplomata apresenta a diplomata. Sim, fazer uma entrevista exige saber ouvir, fazer emergir o outro. Foi no El Corte Inglês, no dia 2 de Junho. Ainda não o li. Estou cheia de vontade. Mas pelo que já sei pressinto coisa boa. À medida que os dias vão passando, há coisas que topamos à cabeça. Posso então dizer que não li mas gostei. São 18 entrevistas. Na apresentação do livro a autora confessou que teve alguns nervos antes de ter em frente Carlos Drummond de Andrade, mas tudo “lançou o começo de longa e comovente conversa.” (p.61).

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

12
Jun16

Vamos renovar as energias?

por Fátima Pinheiro

Como tenho que renovar energia ponho hoje um post de há um ano, mas tem tudo aquilo em que continuo a acreditar . Renovado, portanto.

edp-manoel-de-oliveira1.jpg

imagem do making off do documentário/ tirada da net

 

  

Oliveira é uma energia renovável. Passaram dois anos da sua morte. E afinal havia outro (aposto que na gaveta há mais…). O último filme Documentário de Oliveira: “Um século de energia”, encomenda da EDP para a sua campanha publicitária, a ser exibido em 10 cidades portuguesas, a pedido do cineasta, que, durante os trabalhos de montagem, foi por outra “porta”, e acabou por não ver o resultado final. Eu podia ver o filme e ficar calada. É de uma beleza tão “ordinária” que bastava ver e experimentar a correspondência ao mais "eu" do meu "eu". Contudo, como Henri de Lubac sublinha, a mística é uma colheita da tarde. O mundo em que vivo – a minha rua – diz-me que há muita espiritualidade. Pois depende do que por isso se entende. A mim,há muitos que me sabem a pouco. Há mesmo, por vezes, mais mística no futebol. Este post é um registo filosófico, em si menor (isto exige outro texto), do que esta obra de arte oferece ao mais que socrático, “conhece-te a ti mesmo”. Nas III Jornadas de cinema em portuguêshttp://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20141204-201201_cinema_em_portugues_iii_jornadas_2010.pdf expliquei a minha forma de ver os trabalhos deste homem, a quem vi, não há muito, no CCB, de joelhos, a beijar as mãos de Bento XVI. Numa palavra: “. . . nous sommes devant un grand mystère.” (Baecque, A., Parsi, J., 1996). Mas a filosofia, ao invés do que se pensa, articula, distingue, esclarece. Pode gerar felicidade, energia, argumentando até ao abismo que há que saltar, se for caso disso.

 

Oliveira utiliza uma “câmara” fenomenológica. Sim, há formas filosóficas de ver o cinema - e agora dizemo-lo mesmo de forma poética: a razão sabe por onde vai o cinema, no trabalho de mostrar e articular razões. Pondo as coisas de forma mais clara – e esta é a melhor definição de Filosofia que encontrei – a Filosofia faz as distinções essenciais (Cfr. Sokolowski, 1992). Quem a define assim é Husserl, por onde passa a filosofia hoje. Desde 1900. O conhecimento não é um fenómeno estático mas um encontro de duas energias, encontro interminável, mas de contornos definidos, isto é limitados; a Filosofia, como lembra inúmeras vezes Husserl, é uma ciência que possui o seu rigor próprio. A realidade impõe que o guião se converta e não vá por ali; disse-me um dia Luis Miguel Cintra, que no momento de filmar MO tem uma grande sensibilidade ao que acontece; ou “L’événement fonctionne comme ouverture dont la possibilité peut toujours se répéter.” (Lavin, 2008). 

 

Há tantas fenomenologias, quanto os fenomenólogos. Oliveira é um realizador fenomenológico, como foram muitos. O suprasumo deste movimento filosófico está em Husserl e nas categorias que ele encontrou para entender os mundos. Realçamos as seguintes:Parte/todo; horizonte; Identidade/Perspectivas/Ausência/Presença /Memória – Retenção (passado), Reconhecimento (presente), Antecipação (futuro). Muito para um post, eu sei, mas vou dizê-lo sinteticamente. Olhando para "Um século de energia", a partir de como mais de um século de energia  se realiza uma história, uma vida. Oliveira vai mais uma vez ao que é o humano. E é porque a sua experiência energética é tão rica que consegue mostrar o tecido que faz a vida, o invisível que nos rega, nos move e ilumina. Fenomenologia? Oliveira mostra de forma genial imagens que "aparecem" (fenómeno) plenas de "lógica" (logos), acontecendo assim um todo em que as partes se distinguem sem se confundir. 

 

“Hulha Branca”, que realizou em 1932,antecipa o documentário; é retido e cresce, no presente; naquele espaço de Serralves, ao "criar" a música e a dança que projectam as suas sombras, numa unidade que dá cada coisa no seu lugar. A força artística dos movimentos das bailarinas e os sons do quarteto que insiste no tom, são um todo cujas partes não se perdem contando assim uma história onde é ilustrado o processo de transformação de energia.

 

Os moinhos de vento antecipam-se nas suas sombras nos pinheiros e arbustros. Aparecem depois na sua imponência a mostrar futuras formas de energia. Como os braços, nos gestos erguidos daquelas mulheres que dançam nas cores de um escarlate, que se funde no preto e branco do que não passou. Os fios eléctricos são riscas horizontais no fundo azul de um céu: uma pintura viva de natureza, arte e trabalho (minuto 7,minuto  9). O que acontece desde a imagem inicial onde se vê também o Douro da faina fluvial. A arte que MO põe sobreposta excede, promete, espanta, como um grito bom a pedir e mostrar sentido. Tudo a um ritmo conjugado de pitch´s, fotografias, flashes; doações,segundo a segundo; bateres de corações: coincidências em que me revejo, ausências grávidas de presenças, a mostrar o invisível; faces do cubo que nunca se dá todo, e é sempre envolvido num todo pressentido em horizonte.

 

E a água, traz o sol e o vento. Como irmãos,da mesma terra, da mesma fonte. Sem que a aparente inutilidade da arte belisque o trabalho ou negócio, espelhados em caras de homens alegres, de dentes tortos, e olhos e mãos iguais a "mim". De mãos dadas, na mesma luta - o melhor de mim -, como canta Mariza no making off. No filme não há letra. Há a música da água, de sinos, do vento, do poderoso silêncio. Dos pássaros. E o som do mostrar que "sem ver,é acreditar"; "é preciso perder para se ganhar". "O melhor de mim está por chegar". Aqui compara-se a cena final do filme e a do making off: MO de mãos postas na bengala, a equipa que para ele olha a pedir a genialidade. O minuto 2.54 não mente a mesma câmara,os mesmos séculos, o mesmo "eu". Tudo a terra une. E a água enche-se de humanidade,escorrendo por paredes abaixo, e por debaixo de pontes,arcos e escadas de pedras, no mesmo sangue. O melhor, de mim. A desafiar-me o meu SIM.

Autoria e outros dados (tags, etc)

09
Jun16

Há o dia das sogras?

por Fátima Pinheiro

bruxas 3.jpg

 imagem  tirada da net

 

Gosto de bruxas. "I put a spell on you ... Cause you're mine", canta Nina Simone... Onde deixaste a tua vassoura? E a varinha mágica? Faz-te mesmo falta, ou és mais menina para fazer poções? Gosto da cor dos teus olhos, não é azul, nem é verde, é o que é, a cor dos teus olhos. Castanhos leais? Moves-te como um gato e tens língua de cobra... A tua companhia são os mochos e um peixe muito especial; não te reduziste aos vulgares felinos. És uma bruxa!

Mereces ir para a fogueira... Eu próprio gostava de fazer uma na Praça do Comércio para te queimar. Agrada-me a ideia de te ver a arder nas minhas chamas, com o mundo inteiro a admirar as labaredas... Sei que não me levas a mal, ris-te apenas com as tuas gargalhadas estridentes que rasgam o silêncio da noite e a minha alma. Esse teu desprezo pelo inevitável e trágico fim que te aguarda arrepia-me. És uma bruxa!

A maioria das pessoas não sabe que o és. Tens esse ar frágil, há até quem te trate carinhosamente por "miúda". Lançaste-lhes o teu feitiço ou hipnotizaste-os com esses olhos de cor "definita", ou talvez ensurdeceste-os com o riso. Deixaste-os dormentes. És uma bruxa!

Não acredito em bruxas, mas que tu existes, lá isso existes. Nunca me enganaste. Nem tentaste, verdade seja dita...Talvez por isso o teu feitiço não tenha pegado, não sou teu... Não te valeram os teus olhos hipnotizantes, nem os movimentos de gata, muito menos a língua viperina... Desprezo as tuas poções... Ainda não sabes, mas parti a tua vassoura em dois... Deitado na cama vejo o teu corpo nu junto à janela, alumiado pela lua cheia... Pensas que os seus raios te safam a pele. Ainda não sabes que o feitiço se virou contra a feiticeira? E mesmo assim, desarmada e vulnerável não deixas de ser o que és... És uma bruxa muito"fish". Que voa sem parar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

marcelo.jpg

Uma mulher sem importância e um Presidente afectuoso

Fotografia de Rui Ochoa

 

 

Pois é. Agora - de barriga de aluguer na agenda - a porca torçe o rabo. Concerteza que sim, o Presidente da República é-o de todos os portugueses, concilia, previne e tudo o mais, o que é bom, o bem comum. Sabemos. Agora preciso de saber, de ouvir da sua boca se acha que é para o bem de uma mulher alugar-se, ser realmente, ontologicamente, MÃE, e depois deixar de o ser? E um filho ser arrancado ao lugar onde foi gerado? Ou Aristóteles já não vale? Se não, é como dizer (e pior ainda) que o Direito de hoje nada tem a ver com o direito Romano. Um Presidente de afectos não se despiu da pele de homem. Ou despiu?

 

Com todo o respeito que lhe devo e merece, pode até chutar a bola. Mas não sem antes DIZER o que pensa deste assunto. Senão é um igualzinho ou pior que os outros.  Ou afinal é só conversa esta cena dos afectos? Ou afinal è à vontade do freguês? Ou andarei distraída? Eu sou a favor do que nos liberta da ditadura dos pseudo-afectos, vestidos e convencidos das mais boas intenções. Há pessoas que não podem ter filhos, e sofrem muito com isso, eu sei. Mas o que sofrem não é resolvido por um expediente  do género dá cá aquela palha. Sem uma razão que valha a pena, em nada contribuimos para construir uma sociedade humana. Então é preciso gritá-lo. Baixinho, mas prenho e cheio de razões adequadas, à altura do Portugal que sempre desejei. À altura de cada pessoa. Não é esta uma boa causa?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

WIN_20160601_20_42_37_Pro.jpg

 Teresa Vilaça e João Almeida/Casa Museu Medeiros e Almeida

 

 

A Casa Museu Medeiros e Almeida fez anteontem 15 anos. O Rasante esteve na Festa e trocou umas palavras com a sua directora, Teresa Vilaça, que nos fez lembrar Picasso : "dêem-me um museu e eu encho-o."


Rasante (F) : Teresa Vilaça, Diretora da Casa Museu Medeiros e Almeida que faz hoje 15 anos. Em poucas palavras ou sintetizando, o que é esta Casa?

Teresa (T): Esta Casa é a casa onde viveu o senhor António Medeiros e Almeida e a mulher. Mais tarde, transformou-se em Casa Museu. Também pela ausência de descendência ele quis abri-la ao público e, portanto, oferecê-la ao usufruto do público.

F: Só que esse senhor, não sei se muita gente saberá quem é...

T: Não, se calhar não sabem quem é mas de facto ele foi um grande empresário, foi um homem muito importante. Foi um homem tão importante, mas bastante low-profile; tão importante quanto foram os Champalimaud, os Melo ou mesmo os Espirito Santo mas ele, e aliás era amigo deles todos, e dava-se com todos, mas de facto muito low-profile, acaba por ser um bocado pouco conhecido.

 

F: De qualquer modo, deixo o link para quem quiser e vale realmente a pena visitar esta casa. Eu também não a conhecia há uns anos, conheci, e agora considero um pouco a minha casa mas Teresa diga lá então.

T: Mas portanto eu posso dizer que esta casa apresenta a melhor coleção de artes decorativas que o país tem. Mesmo tendo a certeza que a fundação Gulbenkian é uma boa coleção mas a fundação Gulbenkian foi feita por um não-português.

F: Então Medeiros e Almeida é o maior colecionador português!


F: E cheio de gosto....

T: Cheio!

F: Diga lá peças... Coleções...

T: Peças únicas que não se vêem mais em lado nenhum, o relógio de noite da Rainha Catarina de Bragança, ...

F: E montes de relógios, não é?

T: Para além da melhor coleção de relógios que a Europa apresenta, os relógios Breguet, a melhor coleção de primeiras encomendas da porcelana da China da passagem dos portugueses no século XVI pela China, já que foram os primeiros a lá chegar... Uma belíssima coleção de mobiliário assinado francês...

F: Eu até li no New York Times há pouco tempo que esta é uma casa obrigatória de se visitar, que pouca gente conhece mas que é obrigatória de se visitar. É verdade, não é?

T: Exatamente.... Neste momento, é considerado um dos pequenos museus obrigatórios já que os pequenos museus são chamados os museus cheios de charme. É uma casa com as memórias... Que transporta as memórias do casal que aqui habitou, e isso é muito apetecível às pessoas.


F:
Outra coisa que eu noto, porque eu venho também de vez em quando aqui comer neste adorável buffet que se pode usufruir todos os dias (a comida é muito importante e as refeições são muito importantes...). E tenho visto a casa e tenho apreciado cada vez mais a casa. Sinto-me em casa. O que é que diz às pessoas, para virem cá?

T: Exatamente, que venham ver uma casa que no fundo toca a todos porque todos temos as nossas memórias e as nossas memórias são sempre mais ou menos coincidentes com aquilo que se vê aqui, e portanto, isso toca-nos muito, é uma coisa que todos saímos daqui com um encantamento. Para além de que aproveitamos também e vemos belíssimas obras de arte, que nos deixam...

 

F: E a casa está sempre cheia de coisas, colaborações... Eu própria até faço cá uns debates, mas agora não venho cá para falar sobre isso, mas noto que tem sempre exposições... Como é que é, as pessoas chegam aqui... A Teresa tem olho! 


T: Nós temos uma programação que normalmente está a dois anos e portanto, vamos conseguindo manter essa programação perfeitamente viva... Mas de qualquer maneira, um dos objetivos desta casa é exatamente ser transversal a todos os tipos, não é só museu, e, portanto, também abrimos os espaços a debates, a conferências a temas fraturantes enfim, a tudo aquilo que nos aproxime cada vez mais da sociedade civil, que é isso que nós pretendemos.

 

F: Por exemplo, este ano, o que é que se destaca? Eu vim cá várias vezes e vi sempre coisas novas... Coisas de pintura, de fotografia...

 

T: Acabou de sair daqui uma belíssima exposição sobre 2 artistas contemporâneos – a Carla Cabanas e o Manuel Valente Alves... Vamos ter ainda várias, práticamente mensais até o fim do ano...

F: E faz muitas visitas, não é?

 

T: Fazemos visitas diárias, há um site da casa museu, onde está isto tudo. Estamos permanentemente a fazer visitas até gratuitas, oferecemos visitas, visitas temáticas, visitas à casa Museu, visitas...

 

F: Aos Sábados... Às Segundas...

T: Aos Sábados... De 15 em 15 dias aos Sábados do meio dia à uma, há visitas guiadas gratuitas. À quinta-feira de 15 em 15 dias há visitas temáticas à hora de almoço gratuitas, portanto, os sábados de manhã são também gratuitos... Portanto, o público não pode dizer que não vem cá porque é muito caro.

 

F: E para se informarem então, vão ao site e vêem tudo?

 

T: Aconselho vivamente irem ao site. Se não entenderem o site, procuram o número de telefone, telefonam, que ao telefone daremos todas as informações.

F: Teresa, qual é a peça que a toca mais...

T: A que se destaca para mim. Eu sei, eu sei muito bem qual é.

F: Então diga.

T: É um par de cómodas que ainda hoje falámos. É um par de cómodas portuguesas em pau santo, Dom João V do século XVIII que é uma coisa magnifica, pela sua dimensão, pela sua escala, pelo seu movimento... São umas cómodas barrocas, lindíssimas que eu de facto...

 

F: E de onde lhe vem essa energia toda?

T: Ai, isso não sei...

F: Que está, está!

T: Eu penso que é uma necessidade, de avançar, continuar, e portanto, sem energia não seria possível dominar isto. Que apesar de tudo, é muito trabalho, e uma mini-mini, super equipa.

F: Mas é uma mini equipa!

T: Mini SUPER equipa!

F
: Uma coisa que lhe devo dizer é que no facebook estão sempre a meter coisas novas...

T: Permanentemente...

F: E uma coisa que eu noto, é que o vosso facebook relaciona os assuntos da atualidade com peças que vocês têm!

T: Exactamente!

F: E verifico que têm sempre uma peça que tem a ver com o atual.

T: Sempre. Temos 2500 peças expostas e portanto, a graça que se faz, diariamente, é chegar ao autor da peça, ou à pessoa com quem a peça está relacionada no dia do nascimento. Portanto no dia dos anos dessa personagem, que está relacionada de alguma maneira com a peça, nós pomos “Parabéns ao não sei quantos” e pomos a peça.

F: Ah... Certo... E depois têm coisas giríssimas. Abriu agora uma coleção, quer dizer agora não, há um ano creio, uma coleção de leques...


T: Exatamente.


F:
Que coleção é essa?

 

T: É uma belíssima coleção de 270 leques, dos quais, 70 são europeus e 200 chineses. E então abrimos; nós só expusemos para já, os europeus. Mas a ideia é daqui a 2 ou 3 anos,  fazer a rotação e virem os chineses. E expusemos os leques, que tem sido um sucesso porque é também uma temática das artes decorativas que não está muito explorada.

 

F: E hoje aqui nesta tarde de festa, que estamos aqui a concluir, ouvi também dizer que também há música... E que há...

 

T: Há Concertos...


F: E Ballet...


T: Sim, há ballet...Exactamente.

F: Há de tudo!

 

T: Há de tudo um pouco...


F: “Eu faço tudo”, pode dizer! Risos

T:
Exatamente. Eu faço tudo. Dinamizo...

F: A Teresa faz tudo, parabéns.

T: Muito obrigada Fátima.

F: E de certeza, o casal Medeiros e Almeida deve estar muito contente com o seu trabalho.

 

T: Espero que sim, eu espero que sim...

F: E convidamos todos a virem, que têm as portas abertas!


T: Muito obrigada!

Autoria e outros dados (tags, etc)

02
Jun16

ANTÓNIO COSTA em TOP LESS

por Fátima Pinheiro

to+.jpg

 imagem tirada da net

 

Como não sou ministro posso falar à vontade nas redes sociais (por acaso já fui ministra de estado por três vezes, sempre em mandatos de 9 meses que levei até ao fim, uma espécie de CRESAPS levadas a sério). E hoje faço como Edmund Husserl : ponho a pessoa em epígrafe "entre parentesis", o que não é possível fazer (mas também não há filósofos imaculados e o pai da fenomenologia - a minha "filosofia" de eleição - não foge à regra). É que têm acontecido muitas coisas que levo atravessadas. Um dia alguém disse que o país estava de tanga, não foi? Pois agora, digo eu, está em top less.

António Costa, Portugal agora é que era ou ira ser? Como sou uma mulher sem importância e tirei férias esta semana, deixo aqui umas linhas, são um feliz zero à esquerda neste universo onde há mais vida do que nos blocos, sejam eles de direita , de esquerda, mais os outros. Na segunda feira telefonei-lhe, mas o senhor PM estava numa reunião. Há coisas que só se dizem em privado, não podem ser escarrapachadas nas redes sociais.  Isto nunca se sabe. Mas fui muito bem educada pelos meus pais, e sem bofetadas, note-se. Na escola uma reguadazinha, mas coisa que passou: mordi uma colega porque ela fez umas coisas feias. Até hoje não mordi mais ninguém, só na brincadeira. Mas vimos, ouvimos, não podemos calar, não é? O futuro a Deus pertence.

Ia-me esquecendo do post. Os numeros da OCDE , os de ontem e os de hoje, muito, muito abaixo do optimismo vigente. Top? Less. O ensino público, por lei,  obrigatório para todos,  revela-se um monopólio do ensino, esquecendo a vitalidade de uma polis que takes a village e respeita as diferenças, de todo o tipo. A cultura finalmente no topo? Pois não. Começou à bofetada, obrigou o PM a educar os ministros; estranho ter que vir a público dizer aos ministros para se portarem bem nas redes sociais...então não é suposto serem já crescidinhos? Pois outra vez top less.

Não me alongo (vou arrancar um dente), e já que Carlos Moura de Carvalho é o homem com quem a minha querida irmã casou, e levou um ponta pé no traseiro ao ser demitido sem mais nem porquê, só queria dizer que é uma falta de educação não ter recebido uma palavra sequer , da parte do Governo que serviu com com dignidade enquanto esteve a cumprir as suas funções como Diretor Geral das Artes. Estiveram todos na semana passada na bienal de Veneza, e nem uma palavrinha!  Também não se faz. Abaixo de cão? Less, muito less. E sempre me disseram, e eu não podia estar estar mais de acordo, "uma carta tem sempre resposta".

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

António_Costa_2014_(cropped).jpg

 António Costa, imagem tirada da net

 

A política é um xadrez. Muitas vezes é apenas uma burricada. O Director Geral das Artes (DGA) tem toda, toda a razão. A carta que escreveu ao Primeiro-Ministro (PM), a pedir as razões do seu afastamento, deixará tudo na mesma. O PM não irá responder à carta porque todos saberemos a razão da injustiça de que o DGA será alvo.

Sempre me ensinaram, e eu concordo, que uma carta tem sempre uma resposta. De qualquer modo esta carta, e tudo o que Moura Carvalho tem dito nestes dias, e hoje nos media, são, esses sim, gestos de nobreza política. Põe a nu a hipocrisia do tira lá, dá cá. Não muito diferente da do querer governar à bofetada, género João Soares.

O trabalho do ainda DGA foi exemplar. O que fez foi cumprir a sua missão com excelência, com um orçamento mínimo. Carlos Moura-Carvalho não precisa dos louros que António Costa receberá já em Londres em Setembro com a Utopy by Design, para dar um exemplo. Os actos ficam com quem os pratica. Carlos é um homem às direitas. Siza Vieira, é prova. É destes e destas que precisamos.

António Costa não perde o sono. Não digo o que perde porque devo respeito àquele que se diz Primeiro Ministro de todos, meu também. Mas permita-me dizer-lhe senhor PM, que tristeza. E da sua boca nem um elogio verdadeiro (DOS FALSOS NÃO PRECISAMOS) ao homem que arquitectou a representação de Portugal no evento de Veneza. Não se faz. E nem o senhor é Papa, nem eu me chamo Catarina (de Sena; não haja confusões).

 

Leio no facebook de Carlos Moura de Carvalho o que este acaba de escrever há três horas:

«Acabo de me despedir de todos os funcionários da DGArtes, pois termino hoje as minhas funções de Diretor Geral das Artes por decisão do Secretário de Estado da Cultura, comunicada há dias na primeira reunião que tivemos.

O argumento invocado foi o de que é preciso dar uma "nova orientação" à gestão da DgArtes.

A nomeação de um diretor geral por concurso público e por cinco anos (período mais longo que o ciclo político...), não deve ser interrompida abruptamente por uma decisão política em que não ficam claras as razões para essa interrupção. Existem expectativas jurídicas e humanas que obrigam a uma ponderação profunda e a uma decisão muito fundamentada. É uma condição elementar de respeito pela dignidade da pessoa humana, constitucionalmente consagrado, mas também de transparência no processo de escolha dos mais altos cargos da administração pública portuguesa.

Infelizmente, o Ministro e o Secretário de Estado da Cultura não pensaram assim e procederam a minha exoneração sem referir qual é a nova "orientação" que alegam e quais as razões pelas quais não estou em condições de a levar a cabo e que justificam a cessação antecipada da comissão de serviço, a dias de se lançar novos concursos de apoios às artes e depois de dez meses em que tivemos de lidar com quatro tutelas e um dos mais baixos orçamentos de sempre da DGArtes.

Escrevi igualmente ao Primeiro Ministro solicitando a sua intervenção numa matéria que me parece delicada e que põe em causa a legitimidade das nomeações por concurso público, mas, infelizmente, não obtive qualquer resposta.

Saio com frustração por não ter podido concluir os vários processos de médio e longo prazo que estava a desenvolver.

Mas mantenho a esperança que o nosso país encontre um caminho de valorização da cultura e das artes como setor estratégico. Fortalecer as cadeias produtivas das artes é fortalecer a dimensão simbólica que elas contêm e que se opõe a muitos valores dominantes no mundo.

É com este pensamento que continuarei a enfrentar os desafios que a vida me colocar, procurando faze-lo com independência, sentido de responsabilidade e respeito pela lei.»

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D


Links

imagens rasantes