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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


29
Nov16

AS PANCADAS DO AMOR

por Fátima Pinheiro

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 AS PANCADAS DO AMOR

 

Tenho pancada, levo pancadaria, e cada manhã apanho com uma Pancada no coração. Cada manhã, absolute beginner.

Coração? Sim. Não sou da era pós-verdade, mais uma mentira do culturalmente correto. O meu coração, o meu eu, como reconheceu Sófocles, é igual ao de Putin, ao do rei Salomão, é feito da mesma massa; bojarda ontológica: têm a mesma natureza. Posso viver como se o meu coração não existisse, mas isso é outra coisa. Não há pessoas com coração mau. Como não há pessoas que não desejem amar nem serem amadas.

As palavras não estão gastas. Gastas estão as pessoas. Sabemos distinguir o uso que dou à palavra “amor” aqui: “amo-te” e “amo estes sapatos, são a minha cara” (esta é para nós, meninas).

O tempo e o sangue são chaves. A Pancada matinal é tão subtil que finjo não ouvir. Ao longo do dia é igual: diante das circunstâncias, a minha liberdade é desafiada a uma posição. Ver ou não ver. Decidir ver é andar de coração nu, despido das máscaras ou dos “mas e ses”; um ensaio sobre a cegueira. Esse virgem coração na mesa, nas mãos, é fratura exposta. Sujeito a guerras perdidas, a pancadas injustas, escárnios e quejandos. Sangues.

Contudo, esse sangue vale mais do que um rosto mascarado de projetos e vitórias sanguinárias. Falo de mim. De mim que te trato como um número, uma equação, um degrau, um obstáculo. Quando assim te olho, vejo-te como um robot, sombra platónica; vejo- te sem o sangue que te corre nas veias e que é igual ao meu. Cadáveres ambulantes, disse o filósofo. Não será então mais simples desapertarmos os nossos corações? Queres adiar? Ou dizer como Santo Agostinho, quando já a sabia toda, “ainda não, ainda não, amanhã…”.

É simples. É complexo, mas simples. Vi e vejo pessoas, e momentos de pessoas, que decidiram uma existência aberta. Sem batotas, nem calculismos. Levam que se farta, mas transbordam de uma alegria que me transcende. E quero-a também para mim. E até já lhe sei o nome. Dá-me lume, faz-me rir e com chutos e pontapés é para sempre. Enche-me de música o coração, vai-me longe encerrar, mas dá-me o vento e o mar. Foi Deus? Não sei, não sabe ninguém. Agora, dentro de mim bate um perfeito coração.

Eu, incapaz de amar, quero amar até onde vejo, até onde alcançar. Tenho os olhos de Deus. Ao olhar para os teus, de Carne. Quem não quer arranja uma desculpa. Quem quer procura um caminho. Procurei-Te, mas foste Tu que em tempo, sangue e amor me deste a primeira Pancada.

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27
Nov16

O Natal tem "avesso"

por Fátima Pinheiro

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O  Natal chega daqui a 4 Domingos. "Advento" é o nome que se dá a este tempo de espera e expectativa. São 4 semanas de Advento. No caso das famílias separadas pode dar vontade de não fazer a coroa de advento (como dantes). Só misteriosamente sou feliz : acabo eu de acender a primeira vela e a alegria não fugiu, antes se multiplicou. Como se não bastasse bateu-me à porta uma rainha,  e lanchamos à luz do Advento. Já Natal.

 

O Advento e o Natal também têm  um avesso. É uma ausência, mas ao mesmo tempo uma presença só possível porque o Natal tem também o lado "direito". A nossa coroa de Advento não nos faz companhia como dantes. Mas "está". Ausente e presente, porque o Natal não engana. Chamem-me ideológica. Mas é mentira.

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25
Nov16

video de João Villaret a dizer o poema de Régio

 

O poema "Toada de Portalegre", de José Régio, com música de Rabih Abou-Khalil, pelo fadista Ricardo Ribeiro, estreia-se hoje, em Lisboa, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Jan Wierzba. É só para dar conta da ocorrência. 

Leio na Lusa que para Ricardo Ribeiro  apresentar a "Toada de Portalegre" foi uma odisseia e, ao mesmo tempo, um orgulho.

"Era um sonho meu, mas que todos alcançámos - eu, a orquestra, o maestro e o Rabih [Abou-Khalil]", acrescentou.

O poeta José Régio (1901-1969) viveu em Portalegre, de 1928 a 1967, onde foi professor no então liceu nacional, atual Escola Secundária Mouzinho da Silveira. A amizade com Manoel de Oliveira (aqui sou suspeita) animou a 7ª arte do nossa maior realizador. Muito lhe devemos, "E a cada raminho novo/Que a tenra acácia deitava,/Será loucura!..., mas era/Uma alegria/Na longa e negra apatia/Daquela miséria extrema/Em que eu vivia."

 
 

 

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21
Nov16

Era uma vez na América...

por Fátima Pinheiro

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Trump no centro das atenções. O dinheiro é realmente o nosso maior inimigo, reconheceu ontem o Papa Francisco, ao encerrar o Jubileu da Misericórdia. Uma amiga dizia-me ontem - eu ainda um pouco incrédula - uma coisa do género: "enquanto tu tiveres algum dinheiro no bolso, não vais ficar sozinha." Eduardo Lourenço na sua inteligência humorosa compara-me ao americano. Ele é jovem, só tem 400 anos; pensa mas é no futuro, ambiciona um lote em Marte. Eu cheia de umbigos, a olhar para o passado.

Até vou em cabarets. Mas fico onde fica o homem que vive cada instante como se fosse o primeiro. O último. O único. Sempre que posso corro para o abraçar. Para nada. Só para ser. Agora mesmo. Na América. Ou Marte.

Quando ela morreu, foi de mão cheia. Está a fazer três meses. 

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