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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


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Na entrevista ao DN, Marcelo já fala em cenários de recandidatura!!! Cruzes, deve ser por se tratar de uma Grande Entrevista. Tão grande, tão grande que não coube toda na edição de hoje do jornal, a segunda  parte sai amanhã. É para ser de espacito. Tudo bem. Hoje só queria lembrar que, se em política importa prevêr, o ponto de partida, importa sublinhar, é o presente.  

 

O "dever ético, um dever cívico, o dever estrito", de que fala o Presidente, o de se re-candidatar ou não, não está à mesa. O que está à mesa é este estado que temos vindo a viver. Isso sim. Um insólito e geringôncico irregular funcionamento de instituições. Uma mediocridade. É inadmissível. Um Presidente ou está ou não está à altura de dizer "basta!". De que temerá ao não estar nesse patamar de nobreza e sentido ético? Porque navegará ao sabor desta onda mentirosa, demagógica, utilitarista, que já mostrou, por "A+B", ao que veio, e para onde quer ir?

Importa pois olhar e ver o que se passa. Percebo que estar próximo das pessoas é importante para a cura das suas feridas, das suas dores físicas, das dores pelo que perdeu, bens e pessoas, percebo muito bem, até porque já vivi tudo isso na primeira pessoa. Mas não desviar as atenções é  essencial. Não sendo conselheira de Estado, nem de gostar de declarações formais, solenes, de pesar ou quejandas; fartinha de saber que a reforma florestal exige o que já foi escrito milhares de vezes por milhares de peritos; sabendo que estas forças armadas são tudo menos armadas, tudo menos forças, tendo a astúcia que Deus me deu para, não sendo muito inteligente, não ser parva de todo, tenho um conselho, que partilho na convição de que quem nasce torto pode sim endireitar-se.

A bomba atómica de que o PR fala na Entrevista - dissolução da AR - não é o único recurso disponível para por cobro a esta imoralidade e bagunça em que se vive, colorida agora das promessas para as autárquicas, que distrai e põe engodo nos cidadãos. Engodo do mau. Venha o conselho: já pensou o meu ainda PR nas outras soluções? Estou a lembrar-me de duas. Soluções corajosas. Soluções que só o PR pode tomar. Para os abraços nós ajudamos...

Por uma questão de bom senso, pelo menos, é mesmo um dever que não haja distração com os ontens:  o encontro amoroso-político de Costa e Macron, o "voltem que nós cuidamos de vocês" de Augusto Santos Silva aos portugueses que tiveram que sair da Venezuela. Somos mesmo bons, solidários, humanos...

O que nos vai custar este teatro de operações?  "Nao deixes para amanhã o que podes fazer hoje." 

 

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28
Jul17

A cultura do autoclismo

por Fátima Pinheiro

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Tanta pressa!! Passamos a vida a despachar. Ontem uma amiga de infância fez anos. Enviei logo de manhã uma sms, para despachar. O ideal era ir lá e dar um abraço. Mas ao menos um telefonema seria muito melhor do que a mensagem  digital. E o que dizer da voz, as gargalhadas!! Mas pronto, ao menos estive digitalmente. Sou tão organizadinha. E tenho medo de não ter tempo para tudo. Não é bem medo. É não querer deixar nada para trás, não me deixar ao improviso. Se fosse um funeral, ia, claro. Mas amanhã é dia de trabalho, e tenho tanto para fazer!! Ou então vou já à missa, para despachar. Ao menos cumpri o dever dominical. Eu que gosto e preciso de missa sempre, caio nesta tantas vezes!

Outra.  Vamos ao cinema. Antes comemos qualquer coisa - não é jantar - e depressinha. A que horas é o filme? perguntamos entre duas dentadas, faltam 5 minutos, despacha-te. Mas tem os anúncios. Ok. E vamos. Este está feito, fui ao cinema. Às vezes adormeço. Quem bom! Despacho umas horas de sono, e fui ver um fime. Quer dizer não vi nada. Parece que fazemos tudo o que é bom, mas sem o fazer. Não gozamos mesmo. É como lavar mal os dentes. Mas lavamos. Ou curtir o almoço com um colega, sem almoçar e na boca, com o sabor agro-doce de uma coisa que não leva a lugar nenhum. Só para despachar este ar antiquado de quem, na prática, não  vive neste maravilhoso século XXI, de homens e mulheres que mudam de partner como quem vai à casa de banho, faz o que tem a fazer e clica no autoclismo.  É como ir ao ginásio, a correr, claro! Agora inventaram o conceito  de "escapadinhas"...

E no trabalho? Às vezes dá gosto, outras não. É como os dias. É como o fim de semana. Muitas vezes o melhor é despachar: os cinco dias que passem depressa para chegar aos dois; ou que se despachem os dois para chegar aos cinco. O mesmo dos dias de férias. Temos pressa de chegar às rotinas do trabalho. E queremos mais um reveillon, queremos passar para o ano a seguir. E as prendas, ou prenda, de Natal? Tudo a  postos. Agora às vezes, para despachar, é um envelope com dinheiro. E damos a  boa  desculpa de que é com dinheiro porque a pessoa pode escolher o que quer. Ele tem tudo! Ela é que sabe! Na, na, queremos é vêr  o assunto despachado,  não ter que pensar. Bastaria um bocadihno para imaginar o que a pessoa gostaria. Mas, até ja me esqueci de ti! Já não sei quase nada de ti. De que cor é o teu cabelo? És careca? Fiquei na semana que passou, ou ainda me lembro de coisas de há 10 anos ou mais atrás. E nunca mais tenho netos!!! E a viagem que vou fazer para o ano. E a minha festa de anos? Feita. E aquela dos meus filhos arrumados, só falta o mais novo!!!!!?????? E os dias para os sogros??

Tanta pressa. E os dias não perdoam. Vão passando. E vou a correr buscar os filhos, sobrinhos, ou visitar os velhinhos que encaixo aos sábados na minha vida, ou vou ao jantar marcado atempadamente para não falhar - ou despachar... - fazer as compras, o comer. E a loiça lavada, e  a roupa em dia. E o livro todo lido. Às vezes a passar as páginas à pressa, para chegar ao fim. E ter lido! Há quem leia em cruzado. E fui ver o tio ao hospital. E as rotinas das praias e dos toldos ! E a abstenção, os inquéritos parlamentares, comissões independentes e segredos de justiça?

Pode ser tudo muito bom, eu sei. Mas pode ser tudo muito mau. E por ser a despachar - vida que não me dá prazer nem gozo - tenho vindo a inovar. Como? Comecei seriamente há uns meses. Embora dê trabalho, é muito simples. É perguntar-me: "Fatinha, o que queres?" "Escreve num papel!". Esta pergunta pode ser feita em qualquer lugar, mesmo em plena asneira.

Escrevi tudinho. É só coragem e decisão. E tenho vindo a despachar o que não me interessa. Uma espécie de ascese. O papel é um vade  mecum, um escapulário onde decidi  escrever os nomes dos meus amigos.  Há coisas que não se deitam no autoclismo. 

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27
Jul17

De passitos...

por Fátima Pinheiro

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Entrei hoje em Campanha eleitoral por Pedro Passos Coelho. E estou cheia de razões!!!! Querem ler?

Grão a grão enche a galinha o papo, devagar se vai ao longe. E o seu contrário: quem não arrisca não petisca, quem vai ao mar perde o lugar. Olho a História Universal e os casos confirmam. Nem preciso de puxar muito pela cabeça. Não sou vingativa em relação aos que nada fazem e parece terem tudo, nem em relação aos que só sabem prejudicar. E muitos são os que agem assim para comigo. Também não me deixo ir por conversas de recompensas futuras.  Em última análise a vida é um eterno presente. Nem digo: o último a rir é o que ri melhor, um dia hão-de ver, e frases do género. Mesmo que tudo diga que não, quem vive o agora é que é.

Olho à minha volta e vejo. Limitadamente, claro. É apenas um olhar. Mas há os outros olhares todos onde vejo o que eles vêem. Limitadamente. O que nos torna  numa espécie de companhia ilimitada. As novidades sucedem-se umas atrás das outras. Que raio de conversa esta hoje?!!!!

É que Portugal precisa de governo. Como dona de casa sei bem o que isso é. Quem vejo ao meu redor que tenha mostrado trabalho feito, paciência para suportar sacanices, mentiras e injustiças?  Quem está no lugar onde é mesmo preciso estar? Estar mesmo, e não apenas para a fotografia? Quem tem falado para apontar o que está errado? Quem é discreto e corajoso? Quem não se atreve a dar passos maiores que as pernas? Quem dá os passitos certos, na hora? Quem é honesto e não vive a fazer de conta mas em primeira mão, a prescindir de cosméticos e de campanhas de imagem caras?

Quem foi capaz de enfrentrar Ricardo Salgado e dizer "acabou- se  papa doce"?

Leio agora no DN digital que o Presidente da República, em entrevista ao Diário de Notícias que será publicada no próximo fim de semana, lembra que vivemos numa democracia e, "portanto, em democracia não há desaparecimento de vítimas, não há, como se contava de algumas ditaduras estrangeiras, aviões a lançar corpos no mar. Isso não existe". Mas, e agora digo eu, numa Democracia não há desaparecimento do primeiro-ministro, leia-se António Costa, quando o País mais precisa. Numa Democracia não há desaparecimento do Comandante Supremo das Forças Armadas, num momento de autêntico caos, de dito por não dito. De desnorte de soberania. Não estaremos a brincar aos indíos e cowboys! ? Não estou a dizer que o PR não tenha estado lá (depois da confusão dos primeiros dias esteve, depois desapareceu e só voltou - obviamente - depois da lista divulgada). Estou a falar de desaparecimento de autoridade. 

Nessa entrevista ao DN  - uma entrevista a dedo para assegurar o regular funcionamento das insituições... -  o PR pede "cabeça fria". Mas isso é o que mais tem havido!!!! Quer mais fria do que a do primeiro ministro que vem falar de segredo de justiça em relação à tal lista!!!  E de reformas para o futuro e no computador e mais dinheiro na saúde e planos e planos, a serem feitos mesmo ali, em Pedrógão (deve ser para fazer o luto....) para um Interior global, sustentável e digital? Segundo a sua conceção de Democracia, Senhor Presidente, o seu  António Costa não sabe o que isso é.  E pelos vistos o Senhor também não. Também o que poderia eu esperar: não foi o Senhor que lhe deu o governo sem ele ter ganho as eleições? 

 

 

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transferir (9).jpgO País? Bem. Vê-se no espelho de quem governa e no espelho de quem garante o regular funcionamento das instituições.  Os fogos passarão. A onda de optimismo que caracteriza a esquerda, agora alargada, continua em crescendo, uma espécie de vie en rose. A ilusão de que a culpa é do fogo, e de quem atravessou a estrada quando não devia; essa ilusão floresce nas barbas de quase todos, incluindo-se aqui o misterioso, inefável e inestimável apoio de onda dos media em geral. Só falta o canto de Sócrates que agora , e uma vez descoberto o dono do dinheiro, vai piando mais fino. Mas a farsa é tal que algumas ricas vozes sensatas insistem em chamar as coisas pelo seu nome. Bem hajam. Sem vocês, tudo seria uma esquizofrenia, ou uma monstruosidade.  Ainda acredito no fogo que arde sem se ver, no fogo que muda e vira as páginas da História.

 

O senhor feliz, após breve e notório desaparecimento foi agora para Mação. Só quem lá está é que compreende, diz. Então eu não compreendo? Será que o País caberia todo em Mação, ou estaremos condenados à ignorância? Feliz por ser compassivo com quem sofre, o senhor feliz, magnânino, até ignora a mentira do CEMGFA. Primeiro o material de Tancos era sucata, e ontem ficamos a saber pela mesma boca, que o material não era sucata. Na minha terrra isto chama-se mentir. Por que não ser magnânimo com o General? Eu bem queria acreditar que as instituçoes estão a funcionar regularmente, mas não consigo. Nem quero ser desmancha prazeres. Mas não vejo razões que me dêem prazer. O utilitarismo do senhor feliz desgosta-me. O seu comportamento político de não fazer ondas para ser cada vez mais feliz, entristece-me, gera mal, envergonha. 

Mas isto de não querer confrontos com o senhor contente - nem com ninguém - tira-lhe em coluna vertebral. Lembra-me um senhor chamado Pilatos. E, à maneira de Jesus, caminha sobre as águas, deixa as ondas para o mar e vai abraçando a gente da nossa terra. Tolera Costa, porque o que o move é mesmo, e só , ser feliz. Como comentador já assim era, muito Gentil e a fazer todos muito felizes também. 

 

O senhor contente, cada vez mais contente com o seu "comigo é que é" (e muitos indices e relatórios independentes do estrangeiro a confirmar...). Bem pode agora - depois das merecidas férias - planear, dizer que vai fazer, chutar para canto, e aparecer nas televisões com hora estudada e marcada. O destino marca a hora! Catarinas, Mortáguas, Jerónimos, aguentam bem o preço do poder, e aqui e ali vão tapando buracos. Mas já não têm a graça de um touro enraivecido. Até já tenho saudades de quando eles eram genuínos e abriam a boca para dizer verdades. Mas passaram para a Côrte e o caldo, sem se entornar, até poder ter bom aspecto, mas azedou. Sonsice. E insonso é o ar que nos dão a respirar. Sal? Aumenta o das lágrimas de Portugal.

 

E já agora falando de Salgados: vem agora o homem inocente (atchim)  a querer passar por marmota bébé. Cabia aqui um palavrinha às editoras, mas isto vai longo. Nos anos recentes tem saido cada livro. Eles, os "inocentes", ficam com mais tempo e escrevem a sua inocência. Mas voltando ao mister Ricardo Salgado, e porque escrevo sobre o meu País, devo escrever que houve um homem que lhe disse Não. Por acaso esse homem foi o mesmo que ganhou as últimas eleições. Para quem esqueceu chama-se Pedro Passos Coelho. E o senhor feliz o que decidiu? Decidiu ser mais feliz, e investir o senhor contente com mais contentamento. Optou por uma ave rara...

Qual flautista de Hamelin, Costa continuará a pular e a saltar, a encantar tudo e todos. Mas a música começa a soar mal, e ainda há quem se ache gente, e não um rato que só vive para o queijo. Por enquanto esta tristeza que trago, tenho a certeza, foi de vós que a recebi. Porreiro, pás!!!  

A  Proteção Civil acaba de dizer que está tudo  controlado, mas o vice-presidente da Câmara de Mação, ao início desta manhã, diz outra coisa: "já ardeu metade do Concelho", sendo a situação "completamente descontrolada", "catastrófica" (sic). O senhor ainda aí está com o seu Povo? Ah, e o Ministro da Saúde acaba de dizer que vai ter mais orçamento. Pudera!!!!

 

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25
Jul17

Vou "contabilizar" o morto !

por Fátima Pinheiro

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"O governo não contabiliza os mortos”, aforismo de António Costa, a rematar a pergunta de quem quer saber ao certo quantas pessoas morreram no crime de Pedrógão. É segredo de justiça, inventaram há umas horas. É mais segredo de injustiça, acho eu. Realmente dá que meditar. Por certo deve ser uma coisa zénica, metafísica até. Eu cá não sei o que é contabilizar um morto. O governo confessamente diz que não sabe. Abençoada ignorância! Realmente os Governos devem é saber governar. Isso sim. Tanto na prosperidade, como na provação. Só que muitas vezes só pensam em contabilizar os votos que vão ter, as oscilações da sua popularidade, a começar com a do Chefe, os dias de férias, as medidas populistas e demagógicas. A oração do Governo : "venham a mim os vossos votos, assim nas autárticas como nas legislativas."  E pedem-se "tanto propriedades como compensações ".

Realmente a política não é para todos. Um governante é um especialïsta. Em governar. Não tem que saber tudo. Mas, pelo menos o minimozinho. E não ter vergonha na cara. Uma espécie de herói. Um todo o terreno. E quando a porca torçe o rabo não nos obrigar a ter que perguntar "mas onde é que está o wally?".  Neste caso, nas horinhas, onde está Costa? Heading to Venus? Onde está a vergonha na cara? Onde estão os que têm parte nas responsabilidades?

"Poder é querer", ou não seria melhor "querer é poder"?  Penso que chegou o tempo de acabar com a indecência. Melhor, a indecência gerou o absurdo. O Governo acabou por morrer. Nasceu sem pernas e acabou por se espalhar em contradições e ser um "faz figura". Nem digo figura de quê. Mas  isto ainda sei contabilizar: the final countdown...

Vão para Vénus. Venha um PS à maneira. Não sou mulher que baixe os braços à alternância partidária. Mas Portugal não é uma guerra de tronos qualquer nem um jogo de cartas manhoso. É casa de grande memória e nela me revejo nos homens e mulheres de boa contabilidade.

 

 

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24
Jul17

Obviamente demita-se!

por Fátima Pinheiro

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Onde é que é hoje o fogo? Sertã e Castelo Branco, é onde está pior. Vai passar a clássico? Pessoas queimadas e mortas, e ninguém diz nada. Coitadinhos, não têm culpa! Quem não tem culpa foi quem morreu e morre por incúria. Quem ficou de mãos a abanar, chora pelos que partiram, sem férias que os descanse. As queimaduras emocionais não se curam com um 'delete' tecnológico. Ficam para sempre.  E parece haver apelo e agravo. Já quanto à Inquisição ninguém a poupa. Pior, muito pior o que se está a passar. É uma analogia, obvio. Eu não misturo temas. É só por uma espécie de paradoxo da tangência.

Na Assembleia da República ouvi dizer que obviamente dois ministros não seriam demitidos. E que as ações deles eram da responsabilidade de um outro. Então que se demita esse outro, António Costa, óbvio! Não adianta ir ao local, após merecidas férias, e pôr um capacete e uma cara de missa de sétimo dia. Só adianta para a imagem, que parece ser a única preocupação de muitos.

Tinha muito mais a dizer, mas hoje não quero nem posso. Que o meu silêncio tenha o valor de um profundo pesar e grito de indignação. Acabe-se com esta piolhada! Mas parece que não, os Media insistem no deixar vir a mim as criancinhas...

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23
Jul17

Gozar o domingo

por Fátima Pinheiro

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Comentando opiniões sobre a fé em Deus, um professor meu dizia: todos ficam excitados com a frase de Kierkegaard "a fé é um salto no irracional"; calam-se, e o assunto "relações fé e razão", está arrumado; só que se esquecem de perguntar quem é que dá o salto. A Ressureição ninguém a viu. Por isso a Ciência, a dama da demonstração, não é para aqui chamada. Mas a maior parte das vezes, é em seu nome que se nega a veracidade do tal acontecimento. É uma espécie de anacronismo metodológico. Este assunto pode ser posto numa pergunta que me é dirigida por quem diz que o túmulo de Jesus está vazio: foi assalto? Ou: quem dizes tu que é Jesus de Nazaré? É Deus? Ou não? O mesmo filósofo reconhece que esta é "a" pergunta . É que se Ele é Deus, se ressuscitou, tudo muda de figura. Mas como posso eu saber? Ou: quem salta, onde, para onde, como, e porquê?

Se a vida apenas se dirige para a morte, nada na vida faz sentido completo e bem fizeram muitos, como o meu vizinho, que acabou com a brincadeira há dias. Qual é o gozo de gozar se tudo é vão? Mas também fazem bem os que decidem ficar. Agora, se é para ressuscitar, e se eu não vi, então vou perguntar a quem diz que acredita. Vou chamar-lhe Pedro. Não lhe pergunto por ser bonzinho, mas por ser um homem onde brilha uma "coisa maior" que ele, e isso atrai-me. Mas para me dar argumentos; não me contento com fezadas, quero saber porquê. Que razões me dás da tua fé, Pedro?

Não vi. Procurei. E onde vi uma humanidade maior, uma alegria estampada no rosto, parei e disse: eu quero isto para mim. No túmulo vazio vi umas mulheres que diziam: Ele não está aqui, ressuscitou, porque o tinham ouvido de um anjo. A Maria Madalena, que não O conheceu logo (pensou que era o jardineiro), Ele pediu para dar a notícia. Era um homem diferente dos outros, diante do qual o meu coração palpitava mesmo. Um homem que correspondia ao meu desejo de humanidade.

E passou de boca em boca. De carne em carne, de curiosidade em curiosidade. Uma vida que tem milhares de anos, e que chega até mim numa cara que me atrai, toca, e põe em carne viva as minhas inquietações. Como aquelas mulheres, eu quero e hoje: verdade, beleza, justiça, bem, amor. À volta tudo grita ou conspira o contrário, mas aquele homem era, em pessoa, tudo aquilo. E seguiram-No.

Seguir é simples como beber um copo de água. Um salto. Igual a muitos saltos que dou ao acreditar, por exemplo, pelo que sei e vejo, que o meu filho, desta vez, não me está a mentir. Não o posso demonstrar, isto é, dizer todos os passos que me levam a julgar como verdade que assim é. Mais simples: não é por razões científicas que sei que o meu filho me está a falar verdade. É por outro método, ao qual os filósofos chamam de certeza moral: confiar num outro que me dá razões para tal. Para não ir mais longe, foi John Henry Newman em "The Grammar of assent" que explicou isto melhor que ninguém. Demonstra que tratando-se do sobrenatural, a razão não faz nada que não costume já fazer em assuntos naturais, como o do meu filho. Salta. Só que para lá do natural.

Quem salta é então a razão. Porque encontra "alguém" da sua família: razões. Também posso saltar por fezada. Mas é desumano ir atrás porque "sim". Pedro não. Eu também não. Só descanso, ao saltar no desconhecido que me conhece como ninguém. Por isso é razoável reconhecer que Ele ressuscitou: senão eu não seria o que sou, nem quem sou. Sei-o porque me experimento. E está na cara. E se um dia me aparecer um outro Pedro maior, vou segui-lo. A coerência não é por si, um valor. Nestas coisas o valor está em termo-nos em conta. Mas o que eu vi no Pedro é de tal ordem que duvido que mude. Não que seja eu a medi-lo. É ele que me mede a mim. Como disse a Zaqueu, o tipo que cobrava impostos e que, por ser baixinho, teve que subir a uma árvore para O ver passar: desce daí que Eu vou a tua casa agora. Procurou, encontrou. Saltou cheio de razões, mesmo não abarcando tudo. Bom sinal: se eu tudo abarcasse estaria apenas diante de um mim e não de uma coisa maior. O cristianismo é superior à razão, mas em nada lhe é contrário. E é a razão que reconhece que há algo maior que ela. A fé é "Um raio de luz na escuridão", diz sempre o Papa Francisco.

 

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21
Jul17

A Ordem dos Futebolistas

por Fátima Pinheiro

 

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O que andarei a perder? Serei afinal homosexual? O assunto da homosexualidade, volta não vai, vem à mesa. Os couples, ou duplas do memo sexo, recorrem frequentemente ao arrendamento de barrigas para terem aquilo a que chamam "filhos". Obviamente (já pareço António Costa) trata-se de uma analogia. Como diria o Monchique são coisas de bichas modernas, dantes é que era. Vão ao youtube e riam-se.

Agora  foi a propósito da filha do grande senhor Adriano Moreira e sua mullher (a dona Dolores de Isabel), com suas indignações em relação a um outro grande Senhor,  António Gentil Martins, que também dispensa apresentações. Uma espécie de Bela contra o Monstro. Apenas um problema de enfoque. Eu esclareco.

Como de costume, muito pouco gentil, e a propósito de um Senhor, esse sim Gentil de nome e com a nobreza que Portugal lhe reconhece, vem a Bela pô-lo a julgamento na Ordem dos Médicos.  Ela tem olho  e sabe onde estão as pessoas com pinta. De vez enquando dá assim nas vistas. É de família. Impossível passar ao lado. Também quando vou pela rua e vejo um ajuntamento não fico indiferente. Aprendi com a minha Dona Dolores.

O "estupor moral" de que fala  a agora célebre entrevista de Gentil Martins ao Expresso é também o meu. Como é possível homologar uma atitude daquelas? É realmente digno de espanto! Com todas letras, como aqui notei.

Acontece que o O Monstro aqui não é o Médico mas o acto do Futebolista. Agora lembrei-me: há a Ordem dos Futebolistas?

Só não gostei das afirmações que Gentil Martins fez em relação à mãe de Ronaldo, de que ela não lhe teria dado educação. Não sei se deu ou não. Mas o médico já lhe pediu desculpa. Às vezes saiem-nos coisas que não queriamos dizer. Certo? Com quase 90 anos, calculo que ainda mais...

E também te digo, bela Isabel, com essa idade, quase um século, é raro alguém pedir desculpa.  Com a tua já é mais frequente. A Ordem dos Médicos? Nem comento. A homosexualidade é complexa e é assunto ainda a ser estudado. Mas não misturemos. Barrigas de aluguer é outro assunto. Há heteros que a elas recorrem. Tenho que ir.  Mas levo o assunto comigo.

 

 

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20
Jul17

É mais  agradável não abordar temas fraturantes. Como por exemplo este último incidente com Gentil Martins. Ou o das barrigas do Ronaldo. Porquê? Simplesmente porque gostamos de estar de acordo uns com os outros. Preferimos os bem legítimos e merecidos momentos de conforto e prazer. Uma boa almoçarada, e se vem à baila  um assunto em que temos ideias diferentes, mudamos de tema e dizemos que é o melhor a fazer. Não tem mal nenhum, é natural. E até por vezes, mesmo sozinhos, decidimos não pensar em certas coisas. A vida dirá, logo se verá, com estas palavras nos auto - justificamos. Há assuntos mais práticos, úteis, e é sobre eles que interessa investir o nosso tempo, automotivamo-nos. Vamos é ser pessoas modernas, abertas e tolerantes, civilizadas e com sagrado respeito pelas ideias dos outros. O pior é que nem sempre há ideias. Por outro lado, a vida encarrega-se de se antecipar. O sofrimento é tramado! Mesmo assim (dou um exemplo) morre alguém, ou acontece Pedrógão, funeral, exéquias, caras de missa de sétimo dia, passam umas semanas, para a frente e a vida continua. Pois continua...

Trago agora o Papa Francisco à colação porque a Igreja Católica, não sendo a única religião, nem a única forma de pensar, é referência milenar. E está sempre debaixo de olho.  Para o bem e para o mal. Chama muito à atenção. Veja-se o interesse que suscitou e suscita este "novo" Papa, por exemplo. E quando se trata de questões morais, nem se fala! Mas a Igreja não é uma moral. Não é não.

Neste ponto há dois pesos e duas medidas. Para dar um exemplo recente, ai Jesus se aparece uma orgia na casa do conselheiro papal! Agora se o nosso Cristiano nega donas Dolores aos filhos que compra, está tudo bem. Temos pena, mas ambos os casos são crime. Não se brinca com inocentes. Todos erramos. A Igreja também. Quando Deus A inventou, sabia muito bem que estava a construir sobre argila. Então não escolheu para Papa um Pedro que O negou três vezes antes de o galo cantar ? Isto não é um mito. Aconteceu mesmo.

Nem tudo o que parece é. Quanto o Papa Francisco apareceu quase todos diziam que ele era um progressista. E a muitos agradou e agrada mais do que um Ratzinger, para dar um exemplo. Agora não é verdade que ele seja um progressista. Ele posiona-se e age é de forma diferente. Na altura, quando ele surgiu, num prós e contras da RTP, tive o privilégio de sublinhar este e  outros aspectos, como se pode ver e ouvir no video acima.

Houvesse alguma dúvida, e para exemplificar com um assunto também sempre na berra, a família, veja-se o que o Papa ensinou sobre o Matrimónio. Foi numa das Catequeses das 4ªs feiras. No essencial podemos sintetizar assim: Francisco é revolucionário e conservador. Como? Aquilo que Ele conserva é que é uma Revolução: "devemos entender o seu (do matrimónio) sentido espiritual, que é deveras excelso e revolucionário, e ao mesmo templo simples, ao alcance de cada homem e mulher que confia na graça de Deus." E no final reconhece que São Paulo tem razão: "trata-se mesmo de um «mistério grandioso»! Homens e mulheres, suficientemente intrépidos para levar este tesouro nos «vasos de barro» da nossa humanidade — homens e mulheres tão corajosos! — constituem um recurso essencial para a Igreja e também para o mundo inteiro. Deus os abençoe mil vezes por isto!"

Ao fim de 56 anos (mais 9 meses na barriga da MINHA D. Dolores, uma espécie de IRS ou IVA), tenho razões suficientes (algumas são referidas no video acima) para ter a certeza que a Igreja Católica é o único lugar onde posso começar de novo e contar comigo. O único lugar onde a morte é encarada de frente, e incinerada ou não, a pessoa continua.  É por isso mesmo que, na horinha, se chama um padre e se parte de uma igreja.  É por isso que respeito o que de mais sagrado cada pessoa tem: a sua liberdade.

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19
Jul17

 

 

 

É genial. Do melhor! A banda militar no desfile nacional de celebração do 14 de julho, em Paris,  tocou diante de Trump o conhecido Get Lucky, da banda francesa Daft Punk com Pharrell Williams.

A visita oficial a Paris foi surpreendida com este grande sucesso em 2013. Mas nada escapa à geometria cartesiana, e sempre com uma finesse que nem 1000 hollywoods. Nada escapa a Macron!!! Não é difícil imaginar as indirectas. Destaco, misturando, pedaços da letra...

 

À bon entendeur...

 

Like the legend of the phoenix/ All ends with beginnings/What keeps the planet spinning/The force from the beginning/We've come too far/To give up who we are/So let's raise the bar/And our cups to the stars/She's up all night 'til the sun/I'm up all night to get some/She's up all night for good fun/I'm up all night to get lucky/We're up all night 'til the sun/We're up all night to get some/The present has no ribbon/Your gift keeps on giving/What is this I'm feeling?/

 
If you want to leave, I'm ready

 

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