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Rasante

Rasante

Deus tem password e eu sei qual é

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Quando escrevo sou como o sol, é para todos. Só faz sentido falar de Deus, se me referir a esse "desconhecido", esse nome que tem aquele significado de "eu acredito em alguma coisa superior". Falo uma linguagem universal. Os que dizem que não existe tal coisa chamam-se ateus. Os que dizem que existe são os "teos", ou  crentes. Os que dizem que não pode haver esse género de certezas são os agnósticos. Dizem que são tão humildes, tão humildes, que não se atrevem a uma opinião. Há pessoas que acumulam, e até se pode ser tudo dependendo dos dias e do mood, sendo assim Deus tratado como uma espécie de multibanco sem password. Ora anda cá, ó Deus. Como se afinal o conhecessemos até muito bem. Como é que Tu permites isto! Ou aquilo.

Toda esta conversa porqué e para quê? Estive ontem outra vez com o "Crime e Castigo", de Dostoievsky. Almoçei com um amigo recém chegado de umas curtas férias na Rússia e a sobremesa passou por ir ao romance tirar umas dúvidas. Genial: lê-lo é ler- me. É ler os outros, o mundo, a vida, as nossa vidas.

Posso enganar meio mundo, enganar-me a mim mesmo, mas a Ele não. Deus não é um edifício inteligente, mas não é parvo de todo! E, tendo um sentido de humor inexcedível, não está contudo para brincadeiras. Raskolnikov, o herói do livro, matou uma  velha aggiota e, qual lady McBeth, tem que matar uma segunda, ainda mais velhota, Lizaveta, que não era suposto estar na casa, mas estava e viu. Foi à vida também.

Raskolnikov, nome que significa "em pedaços", "quebrado", vive na ansiedade de quem, apesar da sua tese de ser um homem acima do comum dos mortais - o nietzscheano para além do bem e do mal; matar uma mulher que vive do dinheiro dos aflitos é quase uma obrigação, por um ideal -, apesar disso, dizia eu, ele tem um sentido de que o que fez não está certo. Uma velha imoral sim, agora Lizaveta, que era boazinha!!!....O escritor russo não inventa personagens ao acaso. Lizaveta tem este efeito de complicar o que lhe parecera, ao agora feito em cacos, tão linear. Mexe e remexe. Até que não resiste ao olhar de uma mulher, a crente Sónia, que por ele se apaixona. E como "do amor ninguém foge", é sob o olhar dela e no seu abraço que é salvo, sabe o que fazer: entrega-se. A decisão custou-lhe, até lhe chegou a parecer impossivel. Mas, imponente, o seu grito "sou um criminoso", proferido de joelhos, abraçado por Sónia (que significa "sol", "luz") naquela ponte imperial, diante dos que ali passavam,  devolveu-o a si.

Foi como a  revolução que aconteceu a  Lázaro morto, episódio descrito na Bíblia e que Sónia lhe lera, a seu pedido: quero saber onde te leva a tua fé, diz ele à  rapariga. Entregou-se não por cobardia, como chegou a pensar, mas por um amor concreto. Não por uma questão de valores, mas por uma pessoa. A minha fé  leva-me até si, disse ela antes de recitar de cor a passagem de Lázaro.

Durante sete anos  preso na Sibéria, ela está sempre presente. Potente e desarmada numa gratuidade que é divina e humana. E vai mesmo lá visitá-lo, nos poucos intervalos que tem entre a vida de costureira em S.Petersburgo. Não são apenas os que precisam de ver cosidos os seus chapéus que precisam dela. 

 A password?  É de caras.

 

Dogmas há poucos, seu palerma!

 

 

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O ano passado, na procissão da Festa da Assunção, na Igreja de Colares

fotografia do meu telemóvel

 

Não me refiro-me a "dogma" no sentido básico do termo, "verdade". Um dogma significa uma verdade. Basta ir ao dicionário. Um quadrado tem quatro lados iguais é uma verdade, um dogma. Quanto a esses, há muitos.

Não é desses que falo agora. Porque hoje a Igreja Católica celebra o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, escrevo sobre dogma neste sentido técnico. Quanto a estes nem chegam a meia dúzia. Estes são proclamados ex-cátedra. Sim, porque mesmo na Igreja há muitos dogmas naquele primeiro sentido. É ir ao Catecismo.

Assunção? Subida ao céu? Em corpo e alma?

Numa época em que corpo ou é idolatrado (corpos Danone, etc.; como se fossemos só casca) ou ignorado e para esquecer (filosofias que afirmam a pés juntos que a dor pode ser sublimada; como se alguma vez a dor fosse uma ilusão), fez e faz falta esta bússola do dia 15 de Agosto. Foi por isso que Igreja o proclamou . Estrela a guiar. A Igreja é Mãe e Mestra. É este um Dogma inventado pelo Vaticano? Não. Dogma quer "apenas" dizer "é assim", e é proclamado ex-catedra porque a força de uma experiência milenar, tra-diz-se cada dia, falando mais alto que todas as mentiras juntas. Um Dogma neste sentido forte não surge do nada mas de uma história milenar. Maria desde sempre foi assim entendida, isto é, sempre foi vista como tendo subido ao Céu em corpo e alma, desde as primeiras comunidades de cristãos. Nem é preciso recorrer à Iconografia.

Subiu Ela e subiremos nós. O resto é conversa miudinha, de quem ainda não entendeu que a força da História fala mais alto que o barulho. Muitos são os que passam a vida a botar discurso, a homologar ou engolir  dogmas por todos os poros, muitos deles tretas relativistas, e chamam-me tótó por acreditar no Dogma da Assunção. "A Igreja é um antro de imoralidade", pedofilia, orgias, etc., e com esta e frases parecidas, pretende-se arrumá-la. Mas a Igreja tem a sua raiz numa questão de conhecimento, de Logos. Não se mede pela moral.

A ignorância é pior que o piolho. Não há honestidade intelectual ser contra ou ignorar ou falsear a História. Sabemos quantos dogmas ex-catedra foram proclamados pela Igreja? Eu por acaso sei. Não é que seja melhor pessoa por isso. Graças a Deus que não sou definida pelas asneiras que faço!!! Apenas cresco e apareco. E um dia vou morrer. Mas to be continued, em corpo e alma. Como Ela.  Se Deus quiser.

 

Tenho interesse em mudar?

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 Naomi Tereza Salmon, Exhibits , 1994

 

Deu a vida por um homem. É uma história conhecida, a deste homem que hoje recordo. Refiro-me ao dar a vida no sentido de morrer mesmo. Lembro-me em particular dos que o fizeram e fazem por um futuro a vir (para abreviar, comunistas e homens-bomba). Ou seja, por utopias. Este post não é contudo um artigo da categoria "obituário", mas é sim uma opinião, por muito que seja desagrável. Há opiniões muito desagradáveis, sobretudo para uma mentalidade que erigiu o agradável em valor primordial. Nem por acaso folheei há pouco um livro que tenho na cabeceira, "Beleza desarmada", de Julián Carron, cuja apresentação em Portugal foi feita pelo historiador Rui Ramos, no Campo Pequeno. E vejo sempre com muito agrado a apresentação desse livro em S.Paulo na Livraria Cultura. A pessoa a quem dedico este pequeno texto deu a vida por um homem que conheceu num campo de concentração. Trata-se de  Maximiano Kolbe, que João Paulo II canonizou, e cuja Memória a Igreja hoje celebra. Sei que, para  dar um exemplo atual, muitos bombeiros merecem o altar e muitos são aqueles que têm morrido queimados vivos. Mas nada disso tira o valor ao caso que hoje aqui trago.

Quero  sublinhar dois pontos. Primeiro, que a crise que se vive hoje a vários níveis tem origem numa sociedade que acreditou que os valores do cristianismo poderiam vingar sem ele. A famosa "Religião nos limites da razão", do filósofo Kant. O resultado está à vista: em privado ninguém se entende, cada um faz o que lhe apetece  e a gestão da vida pública é o que se vê. Pedrogão é um bom case study. A cosmética das uniões de valores e pessoas ao sabor das ondas já mostrou que tem pés de barro. As mesmas palavras de sempre - trabalho, família, política, amor, religião, prazer e outras- estão vazias, como vazios estão quem as pronuncia e com elas se engana e enganam os outros, enquanto vivemos a média dos 70 anos que nos cabe neste planeta.

O  segundo ponto que sublinho: para quem está interessado em mudar-se a si à sociedade em que vive, olhar para o gesto de Kolbe fornece as razões que podem realmente mudar para um sentido que faz sentido. Mais: muda mesmo!

No final de julho de 1941 estava o santo no Bloco 14, “bunker da morte”: um subterrâneo, onde um grupo de sorteados, nus, esperavam a morte. Era um terror, podia ser a qualquer momento. As razões de Kolbe? Ofereceu-se para morrer em lugar de um deles, que gritava pela sua família. Kolbe não se ofereceu pela humanidade. Deu sim a sua vida por aquele homem. A revolução que transforma vem deste olhar para o outro , nos  olhos, como filho de um mesmo Pai. As igualdades, as liberdades e a fraternidades são "nadas", "fazem mal" (Papa Francisco), se não se nutrem n'Aquele que um dia chamou este filho polaco a ser abraçado para ser franciscano. Sem o Cristianismo assim entendido e vivido, não vamos longe. Graças a ele, o bunker da morte foi bem longe. Transformou-se em capela de oração e de cânticos, com vozes cada dia mais debilitadas, mas vozes. Foi com injeção letal num braço que se estendeu espontaneamente, e que chega até mim...

 

Ó pra mim a brincar às entrevistas!!!!

A vida é um espaço de encontro/TM Rasante

 

E para terminar os meus posts sobre Van Gogh, deixo o registo da conversa com um dos responsáveis de um evento cultural, onde pude ver uma magnífica exposição do artista. A conversa teve lugar após a sessão inaugural deste evento que abriu com chave de ouro: Paul Bhatti, ex-ministro da Harmonia Nacional do Paquistão. Após  o assassinato do seu irmão, Paul, médico, é agora um activista pelo diálogo inter-religioso no Paquistão. Apesar de viver sob ameaça de morte, Bhatti  tem uma presença imponente, corajosa, e de uma paz sorridente e desarmante. Foi ele que deu o mote a este evento cultural. E  nessa noite houve mais: Elvira Fortunato, Henrique Leitão, Afonso Reis Cabral.

5 highligts para ser feliz já hoje


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fotografia de um dos meus Conhaque-Philo, que me fazem muito feliz, na Casa Museu Medeiros e Almeida

 

O meu método para ser feliz custou-me apenas o que vivi até hoje e é feito de lugares comuns. Só se distingue dos outros porque é o meu. Contudo, porque é mais o que nos une do que aquilo que nos separa, partilho. Penso que posso poupar tempo a muitos, e porque faz parte da vida um princípio básico: experimento mais alegria em dar do que em receber, o que só acontece - a alegria - depois de dar. Sem saltar primeiro,  nada de verdadeiramente  interessante me acontece. É uma receita sim. Uma prescrição que tenho aprendido. Paradoxalmente, é no entanto intransmissível. E os 5 highligts andam sempre juntos e sem ordem cronológica. São casados.  O sol nasce para todos, mas ninguém o vê por mim. O meu método numa palavra: rasar. 

 

Manoel de Oliveira, o Papa, Eduardo Lourenço, Santo Agostinho, Luigi Giussani, Luis Osório, Mafalda Sá da Bandeira, Georges Stobbaerts, Tim Cook,  são decisivos. "O resto é mar, coisas que eu não sei contar".

 

1. Confiar

Sem isso nada feito. Confiar significa apostar na hipótese de que ela, a vida, é e está para me ser favorável. Também posso mandar tudo à fava. É uma opção. Razões para a minha hipótese? Basta reconhecer que houve pelo menos uma vez na vida em que foi assim.

 2. Simplificar 

A vida é simples, não é difícil. Ela, a vida é, sim, complexa. Razões? O que faço eu para me por a funcionar, o que fiz e faço para ser e existir? Rien, de rien. Do envelope vazio não tiro 20€, verdade? Dificil é por exemplo, e digo para mim agora, fazer o pino ou jogar como o Ronaldo. Por outras palavras,  a vida está ao meu alcance, o trabalho que me é exigido é tão  só seguir ou desbravar as circunstâncias. Ser muito esperta a olhar, abrir os olhos. Observar, observar, observar. O quê? O que me vai caindo ao colo, e levantar o rabinho para ir ver por detrás, debaixo da mesa, ou do outro lado da rua. A vida é simples e exige simplicidade. E trabalho.

3. Distinguir

Distinguir o que interessa daquilo que não leva a lado nenhum. Distinguir essenciais. Aguçando o interesse, o gosto, ir ao core, ao que vale a minha atenção. "Não me encontrei no lixo". Um bom banho ajuda sempre. E depois? Depois sento-me e escrevo num papel o que quero. Um plano ambicioso. Mas verdadeiro. Um plano com aquilo que quero mesmo, de coração na mesa e sem medos. Neste momento não interessa se vou ou não vou conseguir. Interessa sim saber identificar aquilo que me pode fazer feliz. Sem rodeios, identificar o alvo. Mas sem pintar a manta ou brincar às utopias mentirosas, porque nos enganam com adiares perniciosos e subversivos. Por exemplo, não me venham dizer que gordura é formosura.

4. Decidir

Identificado o que quero, segue-se a grande revolução: ter coragem para decidir lutar pelo que quero. Revolução significa ruptura e por vezes vilolência. Este é o ponto de viragem. E não é difícil!!!!! Está à mão. É arranjar a coragem, cuja etimologia é "ação do coração".  Escuso de subir aos altos das montanhas ou ao fundo dos mares. É já.

5. Pedir

Não dá para nos isolarmos. É mentira. Tudo e todos ajudam. Mesmo quem nos é obstáculo. Podemos usar a varinha mágica do espírito positivo que corta a direito e entende quem mais não sabe do que emanar o negativo. Há pessoas e coisas leves e outras pesadas. Neste ponto o segredo está no pedir eficaz, que pede à pessoa certa. Se pedimos também a Deus, então chama-se oração. E peço também aos outros e a tudo.  Arrepio caminho, ganho gosto e consolação. É mesmo "impossível viver sozinho". Companhia, memórias, sabedoria, amor. Vamos a isto, agora!!!

Hoje não vou amuar

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 fotografia tirada da net

 

Houve tempos em que amuei. E verifico que ao longo dos anos os amuos foram sendo diferentes. E de fora ficam os amuos brincalhões que duram pouco, terminam com um beijinho e até têm graça. Quero hoje dizer que amuar não leva a lado nenhum. Falo por mim, é muito melhor. Tudo flui com mais eficácia, e os nós que encontramos ou fazemos durante o dia, desfazem-se. As coisas resolvem-se e tudo à nossa volta fica solar. E mais. Tendo verificado os efeitos positivos de tal postura, cada vez tenho menos vontade de amuar, mesmo se as circunstâncias a isso me apelam. E as razões para amuar vão, paradoxalmente,  aumentando com o tempo. Mas eu é que mando em mim!!!!!

Em pequenina os amuos eram uma espécie de coisa natural, instintiva, de defesa, ou para chamar a atenção. Ou uma espécie de bloqueio, de não saber o que fazer. Resultado de ter sido contrariada.  "Ai é? Vou amuar." Lembro-me como se fosse hoje. Depois vêm os amuos da escola, os da adolescência, os do namoro e os do casamento. Estou a falar de mim e da minha geração. A geração de hoje amua de formas digitais, mais frias e muitas vezes irreversíveis. Mas hoje há outras "espécies"   - os amigos amigos, os do face, os seguidores, os que me likam no instragram, etc. -, o que assume contornos que ainda não sei definir. Mas em termos do que entendo por amuo, penso que falo da mesma coisa. Até porque sou também um pouco desta geração.

Amuar contigo, o que é? Um sinal que te dou para dizer que não concordo, que corto, que não me interessa, não vale a pena. Tudo isto mais ou menos radicalmente. Mas se amuo é porque tens valor para mim. Então o mais razoável é dialogar. E na hora. Senão azeda. E difere o amuo das relaçoes. Se é nas relações de família, no trabalho, e noutras.

Em suma,  no meu programa para hoje vou incluir o facilitar-nos a vida. Uns olhos lavados, uma boca que abre e fecha para edificar, uns ouvidos no lugar, um nariz a funcionar, umas mãos abertas, e uma vontade firme e corajosa de viver melhor.  Claro que este planeamento deve incluir os inesperados, pois neles consiste a vida. Surpresa radical esta vida que me acordou para mais um dia, e que me enche as mãos de um nada onde tudo pode acontecer, à minha maneira...

De nora para avó


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 fotografia Rasante

 

Transcrevo uma carta que encontrei ontem no caminho, ia a chegar a casa. Tem a ver comigo e talvez com mais pessoas. Espero que possa chegar ao destinatário, ou se calhar era um rascunho o que encontrei. 

Cara avó Fernanda,

"hoje é o seu dia de anos, é dia de Festa, e é ao que venho. Parabéns! Como não estou aí a festejar, escrevo estas linhas, porque dia de anos é também dia de verdade, e eu agora já não deixo para amanhã o que posso fazer hoje (nem sempre consigo, nem sempre tenho coragem; gostaria de pedir-lhe para a visitar...). E sobretudo porque no sangue dos meus filhos corre sangue da avó. Era só para lhe agradecer os netos que me deu. Refiro em especial a que é escritora, que sei que hoje lhe escreveu mais uma carta, a qual assino de cruz, porque sei o quanto ela gosta de si. E principalmente porque tenho aprendido que a falar é que nos entendemos e, também, que Deus gosta assim, gosta de paz.

Escrevo para lhe pedir desculpa de todo o azedume e cinismo que tive para consigo. Não soube estar à altura. Devia tê-la compreeendido, e ter sabido como a sua vida, muito complexa, a determinou. A sua mãe morreu, era ainda a Fernanda uma criança. O seu pai trocou-a pela madrastra que lhe arranjou e nunca, pelo que sei, quiz saber de si. Depois, vieram as noras, de quem ninguém a podia obrigar a gostar. Do genro sei pouco. Compreendo por isso o que tenha sentido quando aconteceram as separações.

Queria pois agradecer-lhe os netos que me deu. Melhor não poderia ser!!! Cada um deles.  Se um dia eu vier a ter netos, neles também correrá o seu sangue. Alguns terão os seus olhos, outros a sua altura, ou os seus defeitos. Outros ainda, terão a sua determinação e força para estancar os desaires e os momentos difíceis da família. Brincarei com eles ou então vê-los-ei de longe, onde Deus me quiser "por". Ele fará o melhor, como faz sempre. Ele sabe quando. É ele que faz as contas. Melhor: nem são bem contas. O nome D'Ele é Misericórdia, como nos tem ensinado o Papa Francisco. O Francisco que lhe conte o que aconteceu quando se soube que ele tinha escolhido esse nome. Estavamos os dois juntos, a vir do médico.

Fundamental é também agradecer-lhe o resto, que não necessito de lembrar. Tudo aconteceu e acontece para o bem de cada um. Graças também a si, sou uma mullher feliz. E desejo-lhe tanta ou mais felicidade do que a que tenho.

Só mais uma coisa. Há casamentos que nunca existiram. Mas há outros que existiram, simplesmente não foram alimentados. Cada um sabe do seu, e Deus sabe de todos.

 

Um beijinho desta nora que não a adora, mas que a estima e lhe deseja um dia muito feliz, e muita coragem pela sua nova etapa de vida. Quem sou eu para lhe dar conselhos, mas devo dizer-lhe, que da minha pequenina experiência de vida que tenho (já lá vão quase 60, um zero à esquerda comparado com os séculos dos séculos)  e de ter tido e "ter" uma mãe e um pai que desde cedo me mostraram os olhos de Deus, a vida é para abraçar com muito amor. Como lembrou noutro dia uma amiga minha, médica, o sangue por dentro é todo vermelho." 

Bem  haja!

 

 

 

Quem decide as eleições...

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Volto ao meu tema recorrente nestes últimos tempos do diz que diz, e depois diz outra coisa. E desaparece e volta a aparecer. E permite e promove declarações "sabe Deus", como aquela do CEMGFA, sobre a sucata. Anda a calar Marcelo, ou então Marcelo é mesmo assim. Mas porque volto a Costa? Eu explico. É mesmo para ateu não crer, ou não querer, depende da perspectiva.

Primeiro era a tanga. Depois da fuga veio o período socrático. Fartança. Passos veio a seguir e começou a  reconstruir Portugal, depois de tanto desgoverno e de bolsos de muitos a encherem-se sob uma a justiça low profile, isto é, com dois pesos e duas medidas.

Com Passos tivemos pois que apertar o cinto. Ao fim de um Governo de medidas austeras porque necessárias, mesmo assim ganhou as últimas eleições. Mas, diz quem diz saber, não chegava para governar. Marcelo dá o Governo a um PS que inventou, em conjunto com gente interessada, a famosa geringonça. E agora, expliquem-me, todos os dias dizem-me que - e apesar das recentes tragédias causadas por um governo em férias - as nossas vidas estão uma maravilha. Como se consegue uma coisa assim?

Eu sei que quem decide as eleições são os bolsos. Todos os dias oiço que vão aumentar as reformas, os subsídios, que vamos ter mais não sei quantos hospitais. Coisas boas.  E as coisas que não funcionam e que prometem que a casa um dia destes vem outra vez abaixo? Não, não sou desmancha prazeres. Sou é a favor de muitas vezes ter que fazer o que não gosto, quando é preciso. Detesto sim a mentira, a imparcialidade, o mau gosto e a falta de carácter. E que estraguem o meu país, a vida das pessoas.

Desmintam-me: caminhamos de ilusão em ilusão, para um Portugal virtual, ou a curto prazo, verdade? Quem não quer por mão nisto? Costa virá abaixo, um dia. Entretanto goza na minha cara. E na sua? 

Sexo "ocológico"...

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Só faltava esta: o sexo ecológico! Tomar banhos à dúzia, vibradores a energia solar ou brinquedos eróticos sem PVC. Ideias que convencem  os sexólogos? A mim mais me parecem relações ocas!!!!! Mas apetece-me dizer: cada um que faça o que quiser!!!

Os retiros sexuais, o "sexo ecológico" e a utilização de emoticons eróticos nas mensagens são algumas das tendências sexuais de há uns meses para cá. Ao que parece, segundo um artigo publicado no El País Brasil, o futuro passa, ainda, pelo heart hunting sentimental (recrutamento de parceiros estáveis) e por encontros não focados na penetração. Para alguns sexólogos, só esta última faz algum sentido, mas a grande tendência para o futuro deveria ser "os casais viverem em intimidade de forma genuína, dizendo o que gostam e o que não gostam, sem terem medo que o outro vá embora".

O "eco sex". É então uma palavra para designar a tendência de tornar o sexo mais ecológico. Rege-se por alguns princípios como tomar banho a dois para economizar água e apagar as luzes ou usar velas. Mas há muito mais para quem quiser tornar a sua vida sexual mais verde: há por todo o lado sex shops ecológicas -  a Other Nature foi pioneira - que, além de lubrificantes ecológicos, vendem, por exemplo, chicotes feitos de pneus de bicicletas, ao invés do couro.

Podemos ter todas as opiniões sobre sexo. Tanto faz, o  que tenho eu a ver com o sexo dos outros? Mas neste assunto lembro-me sempre do que dizia Chesterton, de que a imparcialidade é um nome elegante para a ignorância.

Durante muito tempo andamos de boca fechada. Sexo era um tema tabu. Alguém me falava disso? Hoje  é o contrário. E o que oiço? Tudo muito pela rama. Por paradoxal que pareça foi João Paulo Il o primeiro filósofo a pegar no tema de uma forma completa. Conhecer é muito bom. Tudo sabe de forma diferente.

A minha querida LGBTIQ+++++....

 

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A ideologia de género é mesmo ideologia e não faz o meu género. Pretende fazer do zero, rebentar com a família, embora use o mesmo termo para a sua aquitectura. E, obviamente, eu, e alguns como eu,  sou categorizada, pertenço, a um período histórico mental ultrapassado.  Até a gramática já mudou!! A língua, essa, já mudou.

Não é por acaso que a Filosofia, há milénios, começou com a lógica, com um estudo das palavras e, sempre que surge um filósofo, é da linguagem que tem de tratar primeiro. Aristóteles ontem, Husserl em 1900, e hoje, para abreviar, os analíticos. Não falo hoje da origem, mas da natureza. Da origem há novidades: Dan Brown já nos deu o presente de Natal.  Da natureza sim, vou abundar. Para isso recorro ao meu filósofo preferido que diz que reconhece, e bem, que "o enunciado não termina em si, mas na coisa". Por exemplo, se eu digo "este copo é de vidro" este enunciado não fica fechado em si mas aponta para "isso" que intenciono. E posso intencionar de forma gestual, ou das formas que eu for capaz de criar para referir a mesma coisa, neste caso o que é designado pela palavra "copo". Com a LGBTIQ (a abreviatura tem vindo a aumentar) passa-se o mesmo.

Pouco importa o nome que eu der a esta ou àquela pessoa, o masculino e o feminino são intencionados por mim, mesmo se eu usasse outras palavras. Há homens e há mulheres. Ponto. Por muito que se diga o contrário quando alguém nasce, não nasce selvagem, é menino ou é menina. É como na gramática haver o género masculino e o femininino. 

Uma vez perguntaram ao  D.José Policarpo se era a favor do casamento homosexual. Ele, que conhecia o jovem jornalista, respondeu: "só se for na tua terra!". 

Obviamente que "cada cabeça sua sentença", não nos vamos processar uns aos outros por pensarmos as coisas de forma diferente. Posso ser Lésbica, Gay, Bisexual, Transexual, Intersexual ou ainda a Questionar. Trata-se de uma ideologia porque trás disto vem uma visão do mundo, não faz por menos. É uma uma forma de entender os homens e as mulheres,  uma forma de ver que parte da cabeça e perde pouco tempo a olhar as coisas; que defende que uma visão do sexo apenas como atração entre um homem e uma mullher é mentirosa e redutora. É só uma opção, uma entre tantas... Ser mulher  e ser homem é algo que cada um vai decicidindo ao longo da vida. O "y" dos cromossomosas é para esquecer.

E se argumentos mais não tenho para pensar de forma diferente, paciência. Tenho o mais forte de todos: a natureza. Gosto de ter pai, de ter e ser mãe e de ter filhos. Claro que se algum deles fosse das comunidades LGBTIQ, amá-lo-ia assim, da forma como escolheram viver. Faz parte da minha natureza e da deles. Amarmos e ser amados.

Donde tira a sociedade, de onde tiramos nós, a ideia dos papéis masculino e feminino? Não é de ser rico ou pobre. É das vidas e das caras das pessoas que por mim passaram e passam. É das vidas e das caras das pessoas por quem passei e passo. E esses encontros e desencontros são muitas vezes duros e complicados. Mas não é por isso que as coisas deixam  de ser o que são. Só a liberdade é que gosta de "sair", faz parte da sua natureza. Tudo o mais é para se construir. Um filósofo português lembrou que o homem é dado em natureza para se reconstruir em liberdade. E  ontem Eduardo Lourenço - um homem que sempre quiz ser homem ao longo da vida... - na entrevista que deu ao Público disse "Sei tanto agora que tenho quase cem anos como quando tinha dois."

Quando eu era pequenina, aos domingos de manhã, ainda na cama, ouvia o meu pai e a minha mãe, também ainda na cama, falavam, falavam, falavam. Por isso eu sou hoje tão feliz. Ao longo da vida fui questionando, finalmente encontrei-me e sei o que quero. Fui a menina do meu pai. Não fui a sobrinha do tio que ia casa do irmão brincar ao "ursinho" com a menina que conheci em mulher, e ainda  lhe dói o que calou durante anos. 
Teria mil mil histórias para aqui contar. E sei que somos todos únicos e irrepetíveis. Lembro só a da Patrícia, que antes de se chamar  assim, se tinha chamado Pedro,  fez uma operação ... Disse que ainda era infeliz, mas que ao pé de mim se sentia bem, que nem precisava de fumar. A cara rebentava de silicone.

E a história do João, que passa a vida a dizer bem das tias, que eram gays, lésbicas, ou homosexuais, mas que o criaram, e que lhe deram tudo, mais do que muitas famílias com pai e mãe. Ainda bem. O amor é muito bom. Agora, as coisas são o que são. E cada caso é um caso.  Como se passa com os heterosexuais. Eu não me reduzo a um número.

Por vezes é como se os meus queridos LGBTIQ tivessem várias peles vestidas. Às vezes despem-nas. Para mim!!! Alguns fumam...