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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

08
Out17

Como se vive o "agora"...

por Fátima Pinheiro

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Ao encontrar algo belo digo a quem está perto: olha, que beleza; e aponto com o dedo, se for caso disso. Em tempos encontrei-me com um budista a sério, um Mestre. Por acaso esta frase é estúpida. Encontrei-me, sim, com uma pessoa. Uma Beleza. Por isso aponto para ele e para o Centro que fundou em Sintra: Georges Stobbaerts.

Este homem sempre me  "acompanhou" porque sempre fiz yoga nos seus centros; era uma assistente fabulosa que dava as sessões. Era hata yoga, uma prática muito boa, secular. Não se confunde com religião, embora seja um re-ligar; do "eu" consigo mesmo. Há uns anos que deixei, mas dou por mim a fazer os exercícios. Desde o respirar (às vezes esquecemo-nos...), ao corrigir a postura, a concentrar-me com mais facilidade, etc. Posso dizer que Stobbaerts tem estado sempre presente.

Do encontro que tive com ele  - umas semanas antes de ele morrer  - fiquei a experimentar o que nunca tinha experimentado e hoje partilho. Sendo eu católica e ele budista, foi a nossa diferença, vivida na raíz, que permitiu abraço tão belo. Abraço que "ficou". Pensava eu que o budismo era desencarnado. Verifiquei que vivido na profundidade e sabedoria de Stobbaerts, no estar com ele, nos encontramos no mesmo Mistério da Vida. Mais do que palavras, é a "carne" que conta. Uma Presença que está, que Acontece e nos rega no momento. Momentos assim são eternos: o céu é mesmo a verdade das coisas, dos "agoras". O Centro que dirige e construiu com as suas próprias mãos - e mãos amigas da região e do Norte de Portugal - fica na Várzea de Sintra. Tinha tanto para lhe perguntar. Soube-me a muito, por isso foi pouco. Mudou-me.

O que mais me impressionou foi o facto de ele viver o "presente". É um homem pleno. E aumentou-me o desejo de ser assim: nem fugir para o passado, nem sonhar o futuro. Estar com ele e ver que ele vive "assim", foi como se ele me tivesse pegado um vírus. Perguntei-lhe a certa altura - na "entrevista" que partilho - como é que se vive o presente. Respondeu: "experimenta"; "para viver o presente é preciso praticar" Ontem já "fiz" mais "assim". É um murro no estômago. Estando mais "presente", estou no dia num silêncio que me faz ver melhor. Há um esforço da minha parte, mas tudo se torna mais simples, porque exige "apenas" atenção ao que Acontece. E as reações que tenho são acções de uma liberdade procurada e procurante.

O problema da nossa sociedade é que não pára, não dá lugar à "atenção" ao "eu", e cai no superficial. Descuido o meu "eu". O yoga "serve" para que me encontre comigo mesmo; não para mudar o mundo. Eu já sabia tudo isto, mas o que impacta é ver alguém que vive o que diz. Stobbaerts vive o presente, vê-se que está diante de uma Presença que ele diz desconhecer, mas sabe que o transcende. Por isso o encontro de si consigo mesmo é o segredo. A começar com a humildade, que é "a coisa mais bonita" que há. E apesar de me ter dito que infinito e finito são o "mesmo", eu vi que uma coisa é ele, outra o mistério da Vida, que nos transcende a ambos. Nós não nos pertencemos a nós, nem a ninguém, mas ao Mistério da vida, que é uma procura de vida, permanente. Felicidade, plenitude, serenidade, experimento. Fiquei de aprofundar o que é essa Presença; vou voltar porque o melhor da vida é mesmo a vida. E ali encontrei um homem "vivo". Que dirige o seu cavalo: uma história que ele contou, está na entrevista, e diz que "era uma vez um homem que cavalgava e alguém lhe perguntou para onde ia...".  Não pode ir no sábado ao Encontro TenChi - Sintra, sobre o tema "Escutar o Gesto". Mas decidi voltar ao Centro. Stobbaerts está sempre lá, mergulhado calmamente no "presente" e a partilhar a sua vida. Nos livros que publica e na Vida do centro, que se multiplica em momentos que podem levar cada um a encontrar-se consigo mesmo. Porque ele Vive. Por isso, misteriosamente, a Presença não pode não ter um Nome e um Rosto, humanos. Paradoxalmente é então aquilo que nos separa, aquilo que principalmente, nos une. Somos agora amigos. E com a forte palavra "amigo" quero significar o que Cristo diz aos que o seguem: Já não vos chamo servos, chamo-vos amigos porque um servo não sabe o que o Senhor faz. Foi por isso que Stobbaerts - que diz que não é um mestre mas um debutante - no meio do meu bombardeamento de perguntas, e num momento em que nelas me perdi, com um sorriso sereno e terno, constatou e prometeu: já vi que você às vezes perde-se,... é preciso estar presente; mas não vai se perder mais na sua vida. Ele lá sabe. E convidou-me a voltar "nem que seja só para respirar".

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07
Out17

Do pouco se faz muito

por Fátima Pinheiro

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 Eu e os sabonetes no Mercado de Campo de Ourique

 

Sabedoria antiga vale sempre. Nós é que nos esqueçemos. Depois de umas semanas muito agitadas com as férias e regresso ao trabalho, e em novo registo político, o Rasante parou um bocadinho, para obras. Nem as receitas das terças, nem nada. E hoje foi um belo dum passeio. Simples. Pouco mas muito.

Passei pelo Mercado de Campo de Ourique, enfim descanso do pessoal. Almoço com duas pérolas e parei numa banca de coisas de beleza, com centenários sabonetes, da Ac. Brito. Para a beleza realçar. Afinal a vida é para ser bela. Tudo é analógico. 

Eu dou sempre a cara, e prefiro dá-la limpa e fresca. Preciso mesmo de um conselho.  Aconselharam-me dois sabonetes específicos, um sabonete exfoliante e um sabonete hidratante de leite de cabra. "Tratamento a baixo custo e com efeitos a curto prazo." Realmente baratos, cheiro e aspeto muito atraentes! Vou levar. 

Saí de lá muito contente a acreditar nesta alternativa. Vou de certeza melhorar e poupar muitos euros! 

Os efeitos destes dois produtos serão aqui descritos em curto espaço de tempo. E quem sabe que hoje tenha uma noite bem melhor. Corpo e espírito estão casados, e nada com uma consciência tranquila:)

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04
Out17

As Armas e os Barões Assinalados

por Fátima Pinheiro

 

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 cena do fime "A vida é bela"

O poder de umas autárquicas: mostram com mais clareza as armas e os  barões  assinalados. Não me refiro aos barões que aparecem agora a reunir. Entendo o que isso significa, mas antes escrevo sobre todos nós. Todos nós somos barões assinalados, como bem cantou Luís de Camões.  Gosto mesmo que me tratem por baronesa assinalada. Independente do que amesquinha e me pretende fazer a cabeça, digo o que penso, faço o que devo, e a minha participação política, que passa por Rasante, é viver tendo em conta os fatores todos. Desde o nascimento à  morte. Da família ao trabalho, do íntimo ao social. Uma cultura.

Assinalo  que a abstenção é crime porque mata parte da seiva que faz ser português. Assinalo o Adeus às Armas, que foi Tancos, e o facto de que no momento de votar o que interessa é o bolso. Tancos não interessa para nada! Nem a Marcelo, que não quer chatices com Costa. Marcelo, o Presidente de todas as selfies.

O que vale mais: a cara de Costa, uma cara leve que transborda de "porreiro pá" ou a cara pesada de Passos Coelho, que previne, não ilude e sublinha os podres? Também eu gosto da cara sorridente de Medina, e da  cara do  giro do BE. Já há homens giros no Bloco! (meninas, isto é para nós).

Não faço rescaldos, nem o caldo está entornado mais do que estava. Portugal move-se. Agora noutras  águas e o cenário é previsível. Dos fracos não reza a História. O que reza é quem pensa em desafios com futuro. Mas o que interessa o futuro? Eu também me interesso é pelo presente. Agora,  o presente não é um hoje sem densidade. O presente é a única oportunidade de construir um Portugal com coluna vertebral. O  resto, meus compatriotas, é caminhar passo a passo para a pompa e circunstância de funerais solenes na Basílica da Estrela, onde todos aparecem pesarosos.

Os barões assinalados são pessoas de bem, comem, bebem, e não fazem mal a ninguém. Uma  medianizinha como diz o RAP no " Calceteiro". Mas o mundo assim vai, e Trump e o da Coreia são pior. O sol e o turismo muito melhor.

O gesto da consciência humana é o que permite olhar para tudo isto com olhos de agradecimento. Sei por onde vou e arregaço as mangas. E como não sou maniqueísta, sei que somos feitos paredes meias de nobreza e vileza. O que me faz avançar é ter recebido um grande Amor, que me dá vida em cada adormecer e em cada  acordar. 

De nada  serve pensar como governar Portugal se eu não sei o que quero para mim. Que quero eu da vida? Mas estará realmente alguém interessado nisso? O tempo é pouco e  a questão é difícil. O melhor será ir andando ao sabor da onda, e depois "logo se verá"? Não. "A vida é  bela", como mostra o filme, cheio de razões que nem sempre temos pachorra para descortinar. Sei muito bem Por quem os Sinos dobram.

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01
Out17

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O Porto Canal é indecente. Convidar o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates para comentar a noite das autárquicas revela uma total ausência de profissionalismo, uma vergonhosa falta de ética. O critério foi, mais uma vez, a guerra de audiências. E, suspeito, mais qualquer coisita.

Mas isto faz parte do jornalismo que temos. Quanto a  mim, não perco  a esperança de virmos a ter melhor. E para Canais tenho sempre o Canal Caveira, do famoso cozido à portuguesa. Júlio Magallhães, com o prato que oferece hoje à noite, não dá cozido mas frito, e é mais Canal Múmia. Perdeu o norte!

Sócrates é inocente, e mais uma vez apresenta-se "para além do bem e do mal", mas, garanto-vos que, apesar de ter estudado filosofia em Paris, não percebe nada nem de Sócrates,  nem de Nietszche. Desses filósofos percebo eu. E gosto muito, mesmo muito, quer  de um, quer de  outro. Há razões para isso.

Sócrates é inocente. Presumo. Mas não construo uma casa nas suas areias movediças. E tu Júliio,  o que queres  construir com este convidado? Podias ter convidado  a Madonna!!! Podia ser que ela comprasse mais uma casinha. Na Foz, ou assim. E assim sim, terias audiências. Aproveita a ideia, que aí é que os portugueses ficariam mais habilitados acerca de um assunto tão estruturante para a nossas vidas: a política. E ela, que fala espanhol, até poderia fazer um dueto com o engenheiro sobre a Catalunha. Mas também podia ser em inglês. Seria uma ilha tão bonita, um porto com tanto sentido...

Eu gosto de coisas genuínas. Pouco me interessa um catavento.  Ainda me lembro do Júlio dos tempos do Professor Marcelo, como também me lembro do Professor Marcelo, dos tempos do Júlio...E quanto a José não me parece que tenha pinta de mártir do Japão, sim, não anda ele sempre a dizer  que não gosta de aparecer?!! Vai agora ao Tal Canal? Vai agora comentar para o nosso bem? Sim, falta de dinheiro não é com certeza.

Eu? Uma cidadã comum, blogueira por gosto e convição, que hoje  vai votar para ganhar. Tu? Fica com o Omelete e o Magalhães, que também tens no nome. Mas não te esqueças  que para hameletes   receita.

 

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30
Set17

EU VOTO

por Fátima Pinheiro

 

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"Vendes a torre dos clérigos em propriedade horizontal", definiram-me assim. Não é mentira. Verdade é que não sou má rapariga, sou multifacetada e muito positiva. Uma espécie de empreendedora. Esfrego o chão aos pulos ao som da RR; tenho Bimby, mas está avariada, e nunca se comeu tão bem cá em casa. Fui casada com um diplomata, na Igreja e tudo. Diplomata dos bons. Somos e seremos muito amigos; até porque temos três obras comuns, duas raparigas e um rapaz .

Fui professora na Católica e andei por Gabinetes. Na Rússia ensinei em 6 universidades e traduzi (arranjei o dinheiro) um livro sobre Fátima, que contou com a presença da autora, a jornalista Aura Miguel, no Kremlin, juntando diplomatas, religiões cristãs, testemunhos de ortodoxos que "sobreviveram" à prisão pela forte fé nos acontecimentos da Cova da Iria, e mais. O diplomata russo que o apresentou, sempre se interessou pelo "dossier" Fátima, como referiu. O livro da vaticanista mudou-o profundamente, testemunhou. Morreu uns meses depois. Ao lançamento de "O segredo que conduz o papa", seguiu-se um jantar (ia a dizer na nossa Embaixada) em casa de um diplomata italiano. O livro foi apresentado na língua de Dante. Entretanto, ainda lá por fora, aproveitei e, a distância, acabei o Mestrado da Católica, e fiz uma pós graduação em Fenomenologia. Conheci e tornei-me amiga de cão, gato e piriquito. Os bons diplomatas não brincam em serviço e fazem trabalho de casa: faço bacalhau com natas, arroz de pato e natas do céu, de olhos fechados. E a luz aberta por quem me abriu o desejo de uma vida consolada, não mais deixou de bater em mim. 

 

Entretanto tornei-me bloguista. Às três pancadas entrevisto o belo e bom Pablo Hermoso (http://rasante.blogs.sapo.pt/pablo-h-de-mendoza-o-campo-pequeno-e-a-25392), o maestro Gustavo Dudamel, Grigory Sokolov (http://expresso.sapo.pt/grigory-sokolov-a-vida-e-bela-disse-me-ele-ontem-na-gulbenkian=f811162), o Lula dos Santos, o Ton Koopman, a bisneta de uma das fundadoras da Casa Batalha (http://rasante.blogs.sapo.pt/encontrei-a-casa-batalha-e-a-shakira-na-24682), e escrevo algumas opiniões, como esta http://rasante.blogs.sapo.pt/ps-e-poder-das-circunstancias-32630

Manoel de Oliveira tornou-se o meu campo de investigação, na Universidade, que fica mesmo junto ao passeio da minha casa. Criei o blog 100mim, a ele dedicado http://100mim.wordpress.com

Sigo-o a par e passo - estive nas filmagens do penúltimo filme dele http://expresso.sapo.pt/fui-as-filmagens-de-oliveira-vim-alfa-pendular=f865451

O Miguel Ribeiro http://www.miguelribeirophoto.com/ tirou-me umas fotografias, para o blog ficar bom do ponto de vista da imagem. Escrevi à borla um ano no expresso online, o que me deu uma experiência inestimável. A"paga" foi essa e o livro que reune as crónicas. Escrevi e publiquei também um livro com três conversas com Eduardo Lourenço, uma pessoa verdadeiramente extraordinãria. Escrevi (em coautoria com Maria do Rosário Lupi Bello) a história da grande Maria Ulrich (Tenacitas), aquando do centenário do seu nascimento. Pelo meio, uns artigos no Público, como este http://www.publico.pt/opiniao/jornal/passas-ou-nao-passas-23703373 sobre a passagem de ano.

Das tertúlias cá em casa, passei para outras, fora de casa, e que vão na terceira edição, na  Casa Museu Medeiros e Almeida. É uma coisa chamada Conhaque-Philo https://www.facebook.com/pages/Conhaque-Philo/520931661373616?ref=bookmarks

Amanhã vou votar. O segredo desta alegria que recebo cada manhã, com ou sem sol? Está na cara e no que passa por mim. É o segredo de Fátima...

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29
Set17

Pedro: nem Santo nem Guerreiro!

por Fátima Pinheiro

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Afinal o prometido? A revelação na edição de hoje do Jornal Expresso, de importante  informação sobre Tancos, como aqui notei e elogiei. Hoje, no editorial, o jornal Expresso corta-se. Se eu me chamasse  Pedro Santos Guerreiro demitia- me. A partir de agora a responsabilidade é dele. 

Então o jornalismo? Então há coisas que se reveladas iriam por em causa a segurança nacional? Ainda mais do que já está?  Chegamos ao terrorismo informativo? Eu não acredito no que está a acontecer. 

Cheira mal. Afinal é tudo da mesma raça. Viva Loures e Oeiras !! O resto é conversa. 

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29
Set17

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Quem ontem teve que passar pela Av. da República por volta das seis, sabe do que falo. Quem não passou, acredite se quiser. E já tive situações mais graves nessa zona. Noutro dia ia apanhar o autocarro 83 e ia sendo atropelada numa daquelas novas vias para ciclistas. E não sou caso único. Eles todos bem apetrechados, capacete xpto e na esgalha, eu uma pessoa contente por ter ficado viva. Que mais me irá acontecer?

E ontem? Parecia que estávamos em guerra, ou que tinha havido bomba. As eleições são domingo. Em quase cada cruzamemto da Avenida estavam agentes a "ajudar". O sinal estava vermelho e eles gesticulavam para avançar. Vermelho, a pessoa hesita, é normal. Eles meio zangados e impacientes, repetiam para avançar, como que a dizer "então???? avança, depressa!!!". E os braços a mandar. E nós perplexos a avançar. E a parar nos outros vermelhos, não sem algumas dúvidas.

No regresso foi igual. Aliás, pior. Mais carros sem saber como fazer!. Aquela zona de Lisboa encolheu, mudou de regras e tornou-se caótica. Em certos pontos é vacatio legis. E, hoje não preciso dizer mais, escrevi estas linhas para levantar a minha voz nesta época eleitoralícia.

Não quero mais do mesmo. Medina não merece o meu voto. Nem ele nem quem pior, muito pior, tem feito com Portugal. Em todas as frentes, que andam agora de mão estendida, a ver se ainda apanham  alguma coisa. Votar em Medina é votar em quem "governa", sem eira nem beira, o meu País.

Sim, não me venham dizer que este voto não é nacional! Se assim não fosse o que que estava a fazer em Cascais, anteontem, António Costa com um senhor de cor negra a apoiar a  ex-ministra Canavilhas, a dançar ao ritmo de uma boa guitarrada!!!!????  Ele ria-se, recebia umas palminhas nas costas, dadas pelo senhor que cantava e dizia que o apoiava. Canavilhas era só salero. Cascais no seu melhor e Costa, até aguentar, abandona o local já com a cara de quem ali foi picar o ponto. Até o previsto Comício foi cancelado.

Voltando à minha aventura, ou inferno, de ontem. O túnel do Marquês foi o oásis que me permitiu  respirar por uns momentos.

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28
Set17

Política local é assim!

por Fátima Pinheiro

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Jardim das Artes. Porque arte, é fora. E se o Jardim das Amoreiras fosse até Montmartre? É até aí que queremos ir com a sua arte e com a nossa iniciativa. Cultivamos a ideia de que trazer a arte para a rua, torná-la mais próxima e acessível, num ambiente descontraído, tem um sentido artístico. Foi assim que surgiu a ideia do Jardim das Artes. Trata-se, nada mais, nada menos, do que plantar arte num dos jardins mais inspiradores de Lisboa. Num evento que vai já na 2ª edição e que é organizado pela Boa Vizinhança de Santo António, o Jardim das Amoreiras abre-se às escolas de arte e a todos os artistas que queiram mostrar o seu talento.

Da pintura ao desenho, da escultura à fotografia, da gravura à aguarela, todos estes temas serão bem acolhidos neste movimento de expressão artística.
 
O Jardim das Artes irá ter lugar, dia 30 de setembro, entre as 11h00 e as 19h00 e o custo é de 15 euros por participante. ENVIE  A SUA CANDIDATURA para jardimdasartesbv2015@gmail.com
 

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27
Set17

Cheira-me a ditadura

por Fátima Pinheiro

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Imagem de um filme de Tarkovsky

 

Agora são postos no mercado outra vez. Refiro-me aos célebres cadernos de atividades rosa e azul. A Porto Editora, que por recomendação de altas autoridades tirou os livros do mercado,  diz ter ficado agora comprovada "a não existência de qualquer discriminação". Santo Deus, então não se viu logo, como a própria empresa reconheceu? Trata-se de matéria que  Ricardo Araújo Pereira desmontou em segundos! Mas não. A editora afirma que foi necessária "uma análise serena e ponderada de um caso que gerou imediata polémica assim que foi conhecido". A editora que há dois dias voltou a por os azuis e rosas nas livrarias aproveitou a ocasião "para denunciar o que classifica de lamentável manipulação". Pois eu também lamento, mas sim outra manipulação, não a das redes sociais, mas a do toque e foge do Governo. E ai Jesus, que antes de Domingo já posso ir comprar os cadernos.

Eu sei o que é ditadura. Quando ensinei na Universidade um colega disse-me: cuidado, olhe que já se sabe que você pertence ao Comunhão e Libertação...Quando fiz umas conferências numa prestigiada Universidade Russa, e a pedido, contei o fenómemo Fátima, na parte mais picante alguém entrou na sala a mandar-me calar. Eu como só tenho medo de baratas, deixei-me estar, continuei e terminei.  Terminei o que tinha preparado, que foi seguir o que a vaticanista Aura Miguel escreveu sobre o tema, o livro "O segredo que conduz o Papa". Foi para não me perder com especulações sobre o tema e porque considero ser o melhor livro sobre Fátima.

Já agora, quando a Aura Miguel me fez uma visita a Moscovo, um grupo de amigos russos ficou tão interessado que decidi arranjar maneira de o publicar em russo. Pedi ajuda e dinheiro e a Aura teve que voltar a Moscovo para o lançamento. Foi um evento memorável. Estavam representantes ortodoxos, ao mais alto nível. Diplomatas, e muitos amigos. Não foi uma beatice católica.

A autora fez a apresentação do livro em italiano.  Tinha recebido um convite para irmos jantar, a seguir à cerimónia no Kremlin, na residência de um grande diplomata italiano. E hoje é tudo.

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26
Set17

O PS ganha as eleições

por Fátima Pinheiro

 

 

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O PS ganha as eleições no domingo. Não me baseio em sondagens. Sou apenas uma aplicada observadora. O PS ganha, e ganhar tem dimensão nacional. A retórica de que, politicamente, nacional e local são coisas diferentes é incompleta. E o  PS ganha porque veio a investir e a cortar naquilo que lhe dá o poder de agora encher o bolso dos que no domingo lhe vão dar o "agradecido" voto. É Deus no céu e a geringonça na terra. E é compreensível. "Que ninguém passe fome", disse uma vez o recém-falecido bispo vermelho, D. Manuel Martins. O vermelho vale muito, mas não é tudo. 

O PS ganha porque Marcelo deixou (foi Cavaco que deu posse a Costa, 3 meses antes de Marcelo ser eleito, mas...).  Foi o PSD que ganhou as anteriores eleições, e a solução, sabiamente forjada  por quem sabemos, não era a única solução. Cavaco estava na recta final, acabou por fazer como Pilatos e Marcelo, ao chegar, fez o mesmo, Pilatos, queria presidir sem chatices. O PR queria continuar como sempre foi: leve e magnânimo, a ensinar e a usufrir. Ontem, com alguma tristeza, vi-o na sua chegada a Luanda, para participar na cerimónia de tomada de posse do recém-eleito Presidente. Achei-o abatido. Notava-se na cara. Lá no fundo sabe o que fez e o que anda a calar. Como diz Irina Shayk, a que era do Ronaldo e faz a campanha da conhecida marca de lingerie "intimissimi": "beauty starts inside". E Marcelo é um homem de boa cepa. Mas não tem chegado.

O PS ganha, sim, mas Portugal perde. Vamos pagar  lá mais para a frente. A sala está bonita, mas debaixo do tapete...E não é só isso. Há cortes que não deveriam ter sido feitos, e já se começam a fazer sentir.  Mas os bolsos carentes, esses, estão prontos ao voto. Agora aqui poderia falar doutros bolsos, sempre na maior, porreiros pá, mas hoje não.

Mas feitas bem as contas, o PS ganha mas é em falta de vergonha na cara, ganha em falta de sentido de Estado.

Quem ganha é afinal quem não sabe enganar o Povo. Quem não mente.

Quem ganha é o Expresso por ter publicado o que publicou e por sexta-feira ir divulgar mais. Eu sei que para um bom jornalismo  é  preciso identificar a fonte do Relatório.  Mas diante das graves circunstâncias que temos vivido, a mim basta-me a credibilidade daquele jornal. 

Espero que Portugal mostre, mais cedo ou mais tarde, tudo o que tem "inside". O que se nota na cara.  Nunca embarquei em Don Sebastiões, mas sei que há quem mereça a nobre tarefa de por Portugal no rumo, com tradição e inovação. Portugal um desafio a combater já, com o futuro em perspectiva; não um Portugal de buracos que vão sendo tapados mal e porcamente, à medida de votos. O meu País, que não troco por outro,  não é um monte de cinzas entregue a terroristas.

Sejamos pragmáticos sim. Mas não a qualquer preço. Se for preciso eu ponho-me de cócoras, ponho. Mas é para mudar as fraldas a quem delas precisa e precisa de ajuda. Não é para fazer figuras tristes "lá fora". Portugal é "intimissimi".

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