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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


03
Ago14

A «esquerda» veste chique

por Fátima Pinheiro

(fotografia da net)

“Cunhal, homem sexual” foi um post que fiz quando saiu o livro "Álvaro Cunhal no País dos Sovietes" (Aletheia, 2013), um dos marcos comemorativos do centenário do seu nascimento Veio isto outra vez porque ultimamente tenho reparado mais na moda masculina. Os homens de «esquerda» andam mais giros. “Esquerda” e “giros” são termos ambíguos, mas penso que se entende o que quero dizer. Já não aparecem “brega” nem “cafona”, mas sim chiques. E isto é relativamente recente; uma meia dúzia de anos. Gravatas e coisas assim já “eram”. Mas o que agora noto é que se vestem com mais requinte, e o estilo light que aparentam, é cuidado, e muitas vezes requintado. Desde os botões de punho que eram de uma "avô" que não era de sangue, mas sim "escolhida", aos feitos de missangas "outras", ou mesmo a um botim desconcertante e inesperado...

Helena Matos na véspera do lançamento do livro, num encontro que reuniu na editora autores e jornalistas, frisou que as fotografias que o livro mostra são uma mais valia para Álvaro, um homem que não comunicava facilmente, mas cuja presença bastava para impressionar. "Impressionante " foi mesmo a palavra escolhida pela escritora para definir Cunhal. Não era o orador de excelência, mas tinha uma presença, de cabelo bonito, que impressionava. Veja-se na página 26, para dar um exemplo, onde a sua marca chegava bem longe, nas palavras de Yulia Petrova (neta de Kruchov): "Vejo Portugal através do homem que está sentado ao meu lado. Já conheço Portugal: para mim Portugal e Cunhal fundem-se num todo único.”

O que vem então no livro? O (des)mito: numa capa que bem podia ser a de uma edição especial da revista GQ; a fumar com umas mãos impecáveis, estilosas, dedos de pianista a segurarem uma caixa de fósforos que nelas mais pareciam um isqueiro; com a filha e Arafat nos jogos olímpicos de Moscovo; em amena cavaqueira de barbeiro (e em russo) com Brejnev; a dar autógrafos, qual galã da 7ª arte.

Como diria Herman José (cf. “Nelo e Idália” sobre Manoel de Oliveira, onde Nelo diz que gosta dos filmes de Oliveira porque neles os verdes são muito verdes, os vermelhos muito vermelhos, aqui: http://youtu.be/MSx3TAIcjc4), a esquerda veste chique: uns fatos pretos muito pretos, umas camisas brancas muito brancas, umas gangas muito ganga. Ou uns cabelos penteados muito despenteados por cabeleireiros vestidos de preto, também muito preto. Barbas quase invisíveis, mas feitas à lupa e ao sabor da cara. Mais o toque de umas havaianas ou de um relógio de marca, a contrastar com último grito de uns jeans: ecológicos e de riscas cinzentas muito cinzentas, quase pretas mesmo pretas. Ou cinzento.

Já agora – vi na Revisata "Life Style" – deixem-se da mistura do azul e do preto e das cotoveleiras e botões claros, a contrastar com os pretos muito pretos. Já é muito previsível, gasto. Eu por mim não faço nada disto. Das revistas retenho apenas o bom. E não digo o que é. Como dizia a famosa Canal cinque, a moda é uma questão de atitude. Veja bem a minha direita o que sabe fazer a minha esquerda. Mas para as mulheres de "esquerda" tenho que escrever outro post, porque são outra loiça. E começo em Paris, claro!

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