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Rasante

Rasante

A Vida é um Piolho? chamo Bond, James Bond...

fotografia de um Bond, tirada da net

"Sem a música, a vida seria um erro”, escreveu Nietzsche. Extrapolando: “Sem a Filosofia, a vida seria um erro.” José Gil na sua última aula, intitulada "Formação da Linguagem Artística e a Filosofia", disse então que a docência lhe proporcionou múltiplas oportunidades de “pensar com…”. Sobre aqueles que desprezam o ensino da Filosofia por ser 'inútil' lembrou: "sabe-se que o ensino da Filosofia para crianças abre extraordinariamente as competências dos alunos na aprendizagem das outras disciplinas. E, porque é 'inútil', a Filosofia alarga o conhecimento, estabelece pontes novas entre domínios científicos diferentes, proporcionando a criação de novos objectos e novas disciplinas. O trabalho do conceito é um trabalho de criação, e a Filosofia é, antes de mais, criação de pensamento. Daí as suas repercussões, da política ao 'design' — atravessando toda a cultura, a arte e o conhecimento; assim como na ética e prática da democracia. Daí a sua importância (reconhecida em vários dossiês da UNESCO) para a educação da cidadania (…)."

Antero foi dos poucos a “ensaiar” a Filosofia entre nós. "As tendências da Filosofia na segunda metade do século XIX", "As causas da decadência dos Povos Peninsulares", para dar alguns exemplos. Agora , ele é acima de tudo um dos nossos grandes poetas. Talvez o nosso “metafísico” por excelência. Por isso, pleno de humanidade, como dizia Dostoiesky, que caracterizava a humanidade por dois sinais: pela inquietação metafísica e pelo sentido de humor. É por isso preciso procurar e descobrir novos Anteros. A vida pode "incomodar", como o piolho, mas há "bonds" a crescer, e a "fazer" crescer...

Quanto à análise da decadência dos povos peninsulares (a monarquia absoluta e o catolicismo, segundo disse em 1870), Antero esqueceu-se ou então "ignorava" o catolicismo e a monarquia "de direito". Alguns factos nem preciso de lembrar a sua mediocridade: tinhas razão, Antero, e hoje repete-se! Soluções? É preciso mais Filosofia para se compreenderem os elos esquecidos: para construir a partir de matrizes sólidas.

Sabes Antero, eu nisto estou com o Manoel de Oliveira. Sempre. E até parece que é simplista, mas não é. Ele reconhece sempre (ai o novo filme...) que a causa da decadência dos povos – e não apenas dos peninsulares – está no esquecimento do Verbo. Por isso é que o povo diz, e bem, que “a falar é que a gente se entende". Mas não é falar por falar - como quase sempre entre nós, na rua, nos media, tipo cruzar de formigas, "tudo bem", "tudo bem" -, é falar com o coração nas mãos, com as feridas à mostra… Percebeste isto muito bem! Aqui eu estou também do teu lado. Foi por teres deixado a tua ferida bem exposta, sempre, que não aguentaste…E se pusessemos o ponto no "i", estilo Bond?

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