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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


31
Dez14

"Mais ser quem vence do que ser quem perde" (último verso do Canto XV do 'Inferno', da Divina Comédia, de Dante, de uma versão da net - ver a minha nota final). Quem tem sido o foco das atenções nesta lusitana praia? Alguém detido em Évora e Romaria a ele, com media a cobrir os andores, os peregrinos a sair e a entrar e a baixar a cabeça, em silêncio. Calar é bom, já o Eça dizia: é simultaneamente sinal  de inteligência ou da ausência dela. Letras garrafais e espantadas para espantar: Costa a 20k de Évora, a passar o seu Natal, e não visita o ex-prime minister! Não vai na Romaria, não mostra seu olhar! Se calhar sabe rezar. Ou, a Sócrates, saíu-lhe à costa uma espécie de fava - doce ou amarga, já digo... - de um bolo rei anunciado. Ou então é mesmo a versão dantesca que prevaleceu. Certo é uma coisa: as badaladas soam hoje mais em Évora do que no Rato. É mais o que por lá "se passas"...

 

Mas que novidade !  Costa sabe muito bem por que caminhos anda e não vai em inversões de valores, não anda aqui para inglês ver. Sócrates está a sair caro ao PS, e ontem na televisão já uma poderosa vidente admitia que o PSD pode muito bem ganhar. Resvés, mas que sim. E outros videntes poderosos, também implicam que se contem as favas. Com esta socrática detenção, já nada era como dante(s). Até eu, que podia era estar a escrever sobre o filme de Abel Ferrara, que estreia amanhã, sobre o meu querido Pasolini (coisa que farei, se Deus quiser), sobre o desempenho fabuloso de Willem Dafoe e Maria de Medeiros (a ante-estreia nacional, foi no Lisbon & Estoril Film Festival, no Estoril, o mês passado), estou a escrever acerca deste novelo. Antes sobre a tia Filomena! Mas pronto. Era para dizer o que penso sobre esta agitação amorosa que me pretende invadir de todos os lados. E devo dizer que tenho uma atração fatal pelo engenheiro. Não me passa um gralha filosófica. Chego a ser chata, mas não me passa uma pretensão sem razoável fundamento. Digo isto também das minhas pretensões. Tenho muita facilidade em reconhecer os meus erros e mudar. Neste processo tenho tido ajuda. E em 2014 que nem gingas. Interessa-me ganhar, sim. Mas não aos outros. Interessa-me ganhar-me, ganhar-nos. E tenho verificado que nós, a raça humana, tem por vezes dificuldade no ouvir. Daí as asneiras e a desumanidade em que caímos. Mas onde deixamos António Costa?

 

«Areais por tufão atormentados. A mente aquele horror me perturbando/, Disse a Virgílio: —  'Ó Mestre, que ouço agora? 'Quem são esses, que a dor está prostrando?' 'Chora quem viveu sem jamais ter merecido  nem louvor, nem desprezo. Mas deles não falemos: olha e passa'. » (cfr. Divina Comédia, 'Inferno', Canto III  30 - 51). Não sei o futuro nem sou metro de ninguém. Costa passou ao lado, ficou a 20km: Sócrates não merece nem louvor nem desprezo. Ou então, em vez deste escape, andam mas é a falar por sype. Se no EP de Évora entra um bolo rei, neste cabe seguramente uma fava especial, um micro Magalhães. E sabe Deus o quê.

 

Nota: prometo que logo, ou amanhã de manhã, uso a tradução de Vasco Graça Moura (que este ano já o passa noutro lugar, e retiro esta tradução da net. Por uma questão de rigor.

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