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Rasante

Rasante

António Costa: «Sype» ou «Scape»?

"Mais ser quem vence do que ser quem perde" (último verso do Canto XV do 'Inferno', da Divina Comédia, de Dante, de uma versão da net - ver a minha nota final). Quem tem sido o foco das atenções nesta lusitana praia? Alguém detido em Évora e Romaria a ele, com media a cobrir os andores, os peregrinos a sair e a entrar e a baixar a cabeça, em silêncio. Calar é bom, já o Eça dizia: é simultaneamente sinal  de inteligência ou da ausência dela. Letras garrafais e espantadas para espantar: Costa a 20k de Évora, a passar o seu Natal, e não visita o ex-prime minister! Não vai na Romaria, não mostra seu olhar! Se calhar sabe rezar. Ou, a Sócrates, saíu-lhe à costa uma espécie de fava - doce ou amarga, já digo... - de um bolo rei anunciado. Ou então é mesmo a versão dantesca que prevaleceu. Certo é uma coisa: as badaladas soam hoje mais em Évora do que no Rato. É mais o que por lá "se passas"...

 

Mas que novidade !  Costa sabe muito bem por que caminhos anda e não vai em inversões de valores, não anda aqui para inglês ver. Sócrates está a sair caro ao PS, e ontem na televisão já uma poderosa vidente admitia que o PSD pode muito bem ganhar. Resvés, mas que sim. E outros videntes poderosos, também implicam que se contem as favas. Com esta socrática detenção, já nada era como dante(s). Até eu, que podia era estar a escrever sobre o filme de Abel Ferrara, que estreia amanhã, sobre o meu querido Pasolini (coisa que farei, se Deus quiser), sobre o desempenho fabuloso de Willem Dafoe e Maria de Medeiros (a ante-estreia nacional, foi no Lisbon & Estoril Film Festival, no Estoril, o mês passado), estou a escrever acerca deste novelo. Antes sobre a tia Filomena! Mas pronto. Era para dizer o que penso sobre esta agitação amorosa que me pretende invadir de todos os lados. E devo dizer que tenho uma atração fatal pelo engenheiro. Não me passa um gralha filosófica. Chego a ser chata, mas não me passa uma pretensão sem razoável fundamento. Digo isto também das minhas pretensões. Tenho muita facilidade em reconhecer os meus erros e mudar. Neste processo tenho tido ajuda. E em 2014 que nem gingas. Interessa-me ganhar, sim. Mas não aos outros. Interessa-me ganhar-me, ganhar-nos. E tenho verificado que nós, a raça humana, tem por vezes dificuldade no ouvir. Daí as asneiras e a desumanidade em que caímos. Mas onde deixamos António Costa?

 

«Areais por tufão atormentados. A mente aquele horror me perturbando/, Disse a Virgílio: —  'Ó Mestre, que ouço agora? 'Quem são esses, que a dor está prostrando?' 'Chora quem viveu sem jamais ter merecido  nem louvor, nem desprezo. Mas deles não falemos: olha e passa'. » (cfr. Divina Comédia, 'Inferno', Canto III  30 - 51). Não sei o futuro nem sou metro de ninguém. Costa passou ao lado, ficou a 20km: Sócrates não merece nem louvor nem desprezo. Ou então, em vez deste escape, andam mas é a falar por sype. Se no EP de Évora entra um bolo rei, neste cabe seguramente uma fava especial, um micro Magalhães. E sabe Deus o quê.

 

Nota: prometo que logo, ou amanhã de manhã, uso a tradução de Vasco Graça Moura (que este ano já o passa noutro lugar, e retiro esta tradução da net. Por uma questão de rigor.