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Rasante

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Barrigas de aluguer voltam ao “Prós e Contras” de hoje

 

 mais do que uma barriga/imagem da net

 

A sangria desatou-se e as barrigas de aluguer voltam a estar em destaque. Hoje à noite, no Programa Prós e Contras, mais uma vez. Espero que a Torre de Belém se ilumine e que se argumente. Geralmente grita-se muito. Não vale a pena.

 

Não vou antecipar o debate, óbvio, mas tenho posição sobre o tema. E devo dizer que considero essencial debater, com argumentos, claro; e não apenas pelos valores democráticos. E nesta questão que envolve pessoas, é bom não esquecer quem “inventou” este conceito de “pessoa”. Mais precisamente que os gregos (para os quais nem todas as pessoas eram pessoas), foi um debate teológico em torno da natureza de Deus. Em pleno húmus cristão. Ou seja, a História não é para ir direta para o lixo quando não interessa e chamada à colação quando dá jeito. O cristianismo não é uma democracia, eu sei. Mas não é menos e é chamado a ser mais. Isto não me fecha ao debate, antes pelo contrário. Quero então colocar na mesa duas ou três coisas. Depois do debate, falamos outra vez.

 

Uma pessoa é uma coisa? Ou seja, pergunto doutra forma, a barriga que é alugada é para descartar? 

 

A pessoa humana tem dignidade, é algo intocável, sagrado. Pergunto eu: porquê? Que razões para essa dignidade? Tem porque sim? Para o cristianismo essa dignidade vem-lhe de ser uma criatura que é imagem e semelhança de Deus. E uma pessoa não crente – daquelas que são mais crentes que muitos crentes –, tem a razoabilidade de não tocar naquilo que não se sabe, joga-se pelo seguro. Neste caso das barrigas de aluguer, por exemplo, alguém sabe o que vai acontecer naqueles 9 meses de uma relação a todos invisível (as ecografias são preciosidades da mãe Ciência, mas não mostram tudo…). E se a rapariga mudou, descarta-se o laço que nunca foi só biológico – por muito que ela tivesse convencida de que era apenas isso; por muito que ela tivesse apenas querido ajudar –, mas potencial de sentimentos e afectos que não se descartam do pé para a mão?

 

Para não parecer que tudo isto que escrevo é puro platonismo, e que o que interessa é por os pés na terra, que se saiba que tenho os meus bem assentes. Conheço um casal que não pode ter filhos. Recorreu à adoção há uns aninhos, estava disposto a adotar irmãos. Esperou, e esperou – e nós sabemos muito bem as razões destas esperas….-, até que há cerca de uns meses cai-lhes no colo três irmãos. E lá andam, agora uma família: pai, mãe e três filhos que já eram irmãos e filhos de outros pais. Dá uma grande alegria porque a alegria deles é contagiante.  E casos como estes interessam ser conhecidos. São?

 

Concluindo, parafraseando o outro:  não é o que a tua barriga pode “fazer” por aquele que ta quer alugar, mas sim o que tu “podes” “fazer” da tua barriga.

 

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