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Rasante

Rasante

Costa dá para que Rui Rio?


Van Gogh, "Os primeiros passos"

Para mim foi novidade, por ter sido ontem. Mas mais vale tarde do que nunca. A pronúncia do Norte levantou-se no “Terça à noite” da RR. Rui Rio está disponível já. Seja para líder do PS, seja para a Presidência da República. Se houver, claro, uma vaga de fundo, “um movimento grande”. “Não se pode defraudar ninguém e fugir…” - aqui estaria a lembrar-se de uma pessoa que eu cá sei?; dois coelhos de uma cajadada? O silêncio da justiça face ao BES é para ele sinal de descrédito das instituições. Digo eu: e o Governo anuncia ontem – dia de greve nos hospitais – que os hospitais vão receber uma transferência; números certos e tudo. Logo ontem!? A mim não me perturba o bolo-rei ou os beijos desajeitados nas mãos de “rainhas”. A mim o que me incomoda é o desgoverno ou uma política que se faz no mesmo tempo enquanto se espera na consulta do dentista (para quem pode ir). Precipitada, de contas e de dinheiros surpresa. Mas também não mudo de camisa sem mais. Preciso de razões para mudar.

Se a mudança é à rama, de nada vale; não vai longe. Habermas: só no encontro com o outro se pode desenvolver aquele consenso, num “processo de argumentação sensível à verdade”. O resto é utopia como tive ocasião de lhe dizer quando cá esteve recentemente na Gulbenkian (http://expresso.sapo.pt/habermas-e-o-grilo-falante-ii=f838169). Faço votos para que se mude? Quero um Rio em vez de um Coelho?

Acredito na Política, porque a vida, que estimo, não se faz sem ela. Mas ela é Ação, e não cirurgias anestésicas para obter o poder pelo poder. A Política “serve” para servir a razão das razões, lembram os livros a “Política” e a “Amizade”, de Aristóteles. Mas isto é bom senso. E a boa filosofia é isso mesmo. A vida, na sua beleza e dramatismo, pede-nos mais e melhor. Platão comparou-a a um suceder de vagas mais ou menos tumultuosas. Quero-a? Sim. Verifico que vale a pena; que sempre que desisti foi cretinice. Vai o Brasil desistir depois de um 7? A Dilma sim, está em maus lençóis – dos quais nunca terá saído. Mas não se trata de andar para a frente por andar, ou custe o que custar, grávido de um estoicismo que se cansa rapidamente; mas sim de ir dando os passos possíveis. Muitas vezes dão-se 3 para trás, para se dar meio em frente. Mas faz-se assim o caminhar.

Na tua mão cabe “perfeito o meu coração”. Não vou em cantigas. Não é fadista quem quer mas sim quem nasceu fadista. Como diz S. Paulo: olho tudo, e retenho o que é bom. Ainda ontem li no meu abençoado facebook esta bojarda de Heidegger, através do José Maria Silva Rosa, da UBI. Comenta a frase, cita. E volta a conter. Diz José Rosa: “A consciência não só cresce; também decresce…Martin Heidegger, em 1933, no «Jornal de Estudantes» da Universidade de Friburgo”: «As regras do vosso ser não são doutrinas nem ideias. Só o próprio Führer constitui hoje e no futuro a realidade alemã e a sua lei.» Como foi isto possível?!, pergunta o meu amigo. Invertendo, continua, e cita Heraclito de Éfeso: «A muita inteligência não ensina a ter êthos.»

Política? Sim, para matar as fomes e as sedes todas.

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