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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


Herberto Helder é, entre os poetas vivos, topo. Contudo, não dá a cara. Para ele, dar a cara é escrever o que escreve. Mas poderá alguém considerar-se dono da sua poesia? Como poeta, saberá isto melhor que eu. Ou será ele um espírito? Então ele, para quem a palavra “carne” diz tudo! É só ler a sua poesia. Os leitores, que como eu o admiram e lhe compram os livros de edição limitada, a um preço complexo, terão alguns direitos. Não desistirei de o entrevistar. Só se morrer primeiro que ele. E se "não sou digna de entrar em sua morada", seja ao menos entrevistado por um jornalista de carteira. Eu sei, a cultura "dá pouco". Os jornais não a consideram dama de primeira página. E se o fazem é "assim" em letra pequenina que é para aparentar que "aqui" tratamos de tudo, até de cultura! Ou então são do género de porem na capa outras damas, em grande e a mostrar o melhor dos seus argumentos. Eu cá prefiro não ir ao engano! Mas voltando à vaca quente, gostaria de uma entrevista minha, porque tenho as minhas perguntas. Ainda bem que tenho uma pinta de paciente, a ciência da Paz.

Evocando outros poetas que estimo. A maior sofisticação está na maior simplicidade, não é Sophia? Que o coração não é para adiar, sim António! Que a vida se vai comendo como os gomos de uma laranja, em metáfora, pois é Nuno! E que o amor... vou buscar os sonetos do William, ou não saio de "casa" e pego no Luís. Mas já que falo de Camões, experimento que o que é bom "arde e vê-se", não fosse o nosso sangue bater "contra a carne", não é Herberto? E por falar de ti, quando é que, com os teus olhos de prosas - que nos sonegas - nos dizes o que achas disto tudo? Do nosso hoje; do que gira em Portugal. Do PS “renovado”, ou da reedição do Sócrates, ou do "António Costa representa o pior de Sócrates", como glosou ontem Nuno Melo à Rádio Renascença, sei lá. Ou Passos Coelho, que dele só se aponta o "lado B". Todos temos as nossas quedas, ou não? Destas e de outras coisas podias falar, dizer o que pensas? Carne contra carne. Retórica sim, essa devia ser privada. Não precisamos de “poesia” barata. A política e os comentários são para fazer com caixa alta. E quem escreve "assim" Poesia....

Sim, nessa "carne" há mais que o constitucional poético. Da minha parte li-te, reli-te, já fui à leitaria da Trindade – onde dizem que vais - mil vezes, e nada. Pode o nosso grande poeta recusar-se a presentear-nos com uma conversa? Um dia, a capa de uma revista era o nosso Helder. "Uau, conseguiram!", pensei. Não. Era um artigo acerca do homem que se recusa a dizer-nos mais do que aquilo que diz na sua poesia. Partilhará com os seus e "não dará" nenhuma entrevista. "Então mato-me!", alguém terá dito. "Que se mate", terá Herberto comentado.

Mas eu quero. Porque nos poemas que fazes, todos ensanguentados, são tarantinos de sombra e luz "contra a carne". A minha também. Abrem caminhos, canais, portas, janelas, rios - e eu também tenho o direito de aí querer correr fora do papel. Cara a cara. Para todos.

Prende-se isto ao que se entende pelo labor ou paixão de escrever. Ninguém escreve só para si. A folha em branco é a cara do "outro" que do outro lado, ou dentro de nós, espera palavras prometidas. Anseia por humanidade. E eu quero uma vida humana, onde o orçamento conta, seguramente, mas não é tudo. A poesia não é a resposta, mas também faz parte do jogo. Por isso eu acho que quem a faz como ninguém, hoje, tem o dever de nos dar uma prosa política, hoje. A arte tem uma dimensão e uma força anímica universais que não escapam a uma inscrição “carnal” na História. E hoje esta faz-se, constrói-se, com outros meios, estando nós mais longe e mais perto uns dos outros. Meu caro, quer queiras quer não, estás na tourada.

Espero que me leias, e se pensares "vai dar uma volta", acredita que vou, e feliz. Desiludida? Não. Só uma coisa me desilude. Mas essa não ta digo; em público, claro. E para começar diz-me: “porque foges tanto?” E "para que serve a vida se não for para ser dada?" (Paul Claudel). Quando quiseres dou-te o meu telemóvel. Pede-o ao teu filho e convida-me para um café.

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9 comentários

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De kika a 01.10.2014 às 10:14

Eu adorava ser entrevistada pela Fátima Pinheiro
O problema é que
J'ai pas la ferveur de Rosa Parks
j'ai pas le génie de De Vinci
j'ai pas les pieds sur terre
j'ai pas l'humour de Charlie Chaplin
j'ai pas la chance de Neil Armstrong

justemoi,mes délires
j'ai rien d'autre à offrir
mais je sais qu'en vrai
c'est déjà ça
Ben l'Oncle Soul
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De kika a 01.10.2014 às 10:25

Ben l'Oncle Soul - Soulman Youtube
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De J. Anjolas a 01.10.2014 às 14:17

C'est dommage :)
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De kika a 01.10.2014 às 19:14

Dommage ?!non!
Sans délire la vie manque passablement de couleur :-)
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De J. Anjolas a 01.10.2014 às 22:54

Não haver entrevista é que é dommage para si... La musique, cela, c'est chouette, non?
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De kika a 01.10.2014 às 23:45

O Sr. é o máximo...percebeu tudo certinho e direitinho
O meu grande trauma é a entrevista que nunca terá lugar.
Prefiro sem dúvida a música e o gato da minha vizinha.
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De J Anjolas a 01.10.2014 às 23:46

:)
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De kika a 01.10.2014 às 12:45

Mas será que neste país sou a única
a delirar ? Começo a pensar no complexo
de querer ser única ;-)) os comentadores
não querem nada comigo.
Acho que está a resultar
Vou já a correr fazer seja o que for
com a certeza que vai único. :-)))
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De kika a 01.10.2014 às 13:15

Bom dia Srs e as suas respectivas
Sou eu outra vez
Afinal ser única acarreta muitos sacrifícios .
Não é complexo ,estou mais inclinada para
a nevrose .
Que lhes parece?

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