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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


05
Out14

Deus fotografou-me

por Fátima Pinheiro

Não sabia que Deus era também um artista em fotografia. Não tinha experimentado na pele. Decidi e fui ontem a um dos seus ateliers. Disseram-me que Ele tirava fotografias. Mas tinha saído. Tinha lá um Seus artistas preferidos: foi esse o que Ele escolheu para esse trabalho. O que me aconteceu foi mais uma confirmação da minha alegria e das minhas razões de viver (a tal ponto que não me importaria se as fotografias se tivessem perdido...). Por isso agradeço a Deus e à sua arte, porque me mudaram.

Fiquei a conhecer-me melhor, e participei de uma forma pouco comum do processo artístico ou criativo. A arte é uma coisa simples. Por isso mesmo é uma forma de conhecimento da realidade. E uma forma de a construir. E como não sei se ainda estou por cá a partir de amanhã, explicito a "ideia " de Deus,  agora. A de religião demora mais tempo.

Digo-o assim. A ter que escolher entre ser especialista em framboesas ou comer uma framboesa (estou a falar duma fruta que gosto), eu prefiro comer a framboesa. Um cientista sabe (ou não?) que é incapaz de "fazer" cada batida do meu coração. Há um "X" que o "faz". O artista tirou-me as fotografias, e nesse gesto transcendeu-se, e eu também. Acontece uma Presença. Um momento no tempo mas "fora  do tempo", como diz  T S Elliot. E isso fica claro como a água, nesse tempo em que a máquina foi operada. Não era o artista que estava diante de mim. Claro que era. Com o teu talento, sem intencionalidade, mas cheio de arte, "fez" as batidas do meu "eu". De mim.

E porque era ele, o artista, que estava ali, vê-lo outra vez é estar diante desse "X" de uma forma excepcional e mais provocativa. Diante de qualquer pessoa esse "X" acontece, bem sei. Mas todos temos as nossas preferências, aquelas pessoas através das quais esse "X" se torna mais misterioso- no sentido em que ilumina, em que torna tudo mais evidente; "a beleza salva o mundo" (Dostoievsky), salva-me, isto é, devolve-me a mim mesma.

Prefiro Bach a Roberto Carlos. Mas gosto de Roberto Carlos. A sério.

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