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Rasante

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Donald Trump é um "pobre de espírito"?

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imagem tirada da net

 

Sempre que se fala de um "pobre de espírito" há uma grande confusão. Tanto é "pobre de espírito" o maluquinho da aldeia como a Madre Teresa de Calcutá. Em que ficamos? E vem isto a propósito de quê? Porque ontem em todas as missas do mundo se ouviu o Evangelho das Bem-Aventuranças. E porque o novo inquilino da Casa Branca, como diz um vizinho meu, "é tudo gente doida".

Por formação profissional, a filosofia, interesso-me por fazer as distinções essenciais (no entendimento de Aristóteles e Sokolovski, entre outros). Não me venham falar de "pobre de espírito" se não se sabe o que afinal isso significa.

A "pobre de espiríto" associa-se alguém que não tem os pés assentes na terra, um coitado, fraco, resssentido (no sentido nietzscheano), doido, panhonhas, um marginalizado, vá lá. Li ontem uma notícia sobre Trump, de um médico que, violando o sigilo profissional, o dá como doente, salvo erro, com um narcisismo maligno e abunda no tema para dizer que é mesmo uma doença que o incapacita de exercer um cargo político.

Por outro lado, o termo pertence ao cristianismo. “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” ( Mateus 5:3). "Pobre de espírito" é a pessoa que sabe o que vale; que sabe o que são os valores. Ou seja, é a pessoa que sabe que vale, quais os seus limites, e que por isso necessita de ir constantemente à fonte deles, Deus. Como quem bebe o que mata a sede. "Pobre de espírito" é aquele que, no pouco ou no muito que tem, sabe que "Só Deus sacia". (São Tomás de Aquino, In Symbolum Apostolarum scilicet «Credo in Deum», expositio, c.15: Opera omnia, v. 27).

Ainda há quem diga que Trump tem alguns valores. Não vejo quais. O único valor para ele ele é ele. O que vendo a fundo, está bem. Deus entrega-se por cada um de nós. Por mim, por Trump, por cada um de nós. Cada um de nós foi criado à Sua imagem e semelhança. Só que nalguns de nós a imagem está como que enterrada (as razões disso são para outro post).

Mais uma vez Chesterton tem razão: "o erro é uma verdade enlouquecida". E sei que se Trump, se lê-se isto diria: "é uma pobre de espírito".

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