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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


20
Mai17

Eu a encher chouriços...

por Fátima Pinheiro

encherchouriços.jpg

encontrei esta fotografia no blog de Luís Desenha 

 

Hoje até parece conversa de chacha. Mas este blog, apesar de muitas vezes parecer ser outra coisa, será tudo e mais isso. Isto porque para mim as coisas mais banais e superficiais, fazem-me bem. Porquê? Porque não recuso o prato do dia. Tenho o bom hábito de nada deitar fora e sei que em todas elas há um fundo. É como o não haver almoços grátis. E é porque hoje é sábado. Mas atenção: na 2ª feira eu digo "porque hoje é segunda". Há quem seja esquisito com o nome dos dias. Eu não. Sou é esquisita  na forma de viver. Prefiro o bom e o perto. O gosto e a beleza. Gosto de ver tudo até ao fim. E sei que, no fundo, nada tem fim; e por isso com toda a certeza do meu duvidar afirmo que a vida tem uma plenitude inesgotável. Muitas vezes escondida, eu sei. Que confusão! Não.

Hoje abordo o "falar" de duas palavrinhas das quais não se pode fugir: "problema" e "mistério". Não nos livramos delas, seja às terças, seja às sextas. E da forma como "elas" significam, posso ter uma vida de chacha, ou não. Não que tenha inventado a roda. A distinção entre "problema" e "mistério" foi feita pelo filósofo Gabriel Marcel, que se deteve também na famosa distinção entre "ter" e "ser". Isto para dizer que de chacha não são as conversas. Outra coisa sim...

Falar é um must. Mesmo se estou sozinha. Falo com os meus botões, ou, desde o final do século XIX, falo com o meu fecho éclair (não é Gedeão?). Aristóteles, o filósofo do bom senso e do rigor, por ser peripatético e ter vivido uma vida genial, acabou por dar as cartas quase todas, e até o pontapé de saída às bolas com as quais a humanidade passou a jogar. Conhecido pelos seus "o homem é um animal racional", "o homem é um animal político", é menos conhecido por ter reconhecido que o homem é, antes de mais, o que articula, aquele que fala. E escreveu sobre isso que se fartou. Não é por acaso que os filósofos que valem mais, tenham na "linguagem" e seu uso o tema central dos seus pensamentos. E que a Retórica seja afinal tudo menos retórica. Hoje tem é outros nomes, mas é ela que continua a fazer rodar. Dou o exemplo de Wittgenstein par dar um exemplo de "hoje". E para não ser acusada de estar sempre a por Husserl num pedestal. Falamos de tudo e de nada. Das coisas, do seu sentido ou não. Do amor ou da plenitude da nossa auto-consciência. Da política, ou das convivências sociais. Problemas e mistério.

O "problema" está diante de mim, para que eu o resolva. O "mistério" não é um problema porque não está diante de mim, mas antes eu é que estou "dentro dele".  Temas  existenciais interessantes se eu lhes der valor, estimar. Mas há quem só goste de sol, e abomine a chuva. Há quem só ande em terreno liso, e evite as rugas da terra. Há quem só goste de receber, e não de dar.

Há mesmo quem não se interesse por nada a não ser pelo umbigo. O que em si não faria mistério, se não estivessemos a falar do umbigo do próprio. Mas umbigos há muitos. Eu gosto. O meu "está lá", já sei. Não gosto é de perder tempo. Até posso dizer que um homem se mede pelos umbigos que procura e como os procura. No final de contas há sim é pessoas, que por uma razão, são mesmo de "chacha": não tem interesse para nada e não se interessam por nada. Por isso gosto de todas, todas valem o mesmo. Como eu, que assim sou também intermitentemente. Às vezes dou por mim a encher chouriços...

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5 comentários

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De XYZ a 20.05.2017 às 13:11


https://www.youtube.com/watch?v=ZLJdLm6u16k

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De Coração desatinado a 20.05.2017 às 15:27


O que faz rodar isto, é o I, me, mine e o dinheiro...
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De XYZ a 20.05.2017 às 15:46


Certo, mas embrulhadas em retórica...
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De Coração desatinado a 20.05.2017 às 16:19


Esses acham-se os donos do mundo, e julgam que os outros só servem para encher choriços.
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De Anonimo a 21.05.2017 às 00:06

Veja lá que rejeitar o que se mete no prato é feio, ninguém rejeita nada.

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