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Rasante

Rasante

Eu a encher chouriços...

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encontrei esta fotografia no blog de Luís Desenha 

 

Hoje até parece conversa de chacha. Mas este blog, apesar de muitas vezes parecer ser outra coisa, será tudo e mais isso. Isto porque para mim as coisas mais banais e superficiais, fazem-me bem. Porquê? Porque não recuso o prato do dia. Tenho o bom hábito de nada deitar fora e sei que em todas elas há um fundo. É como o não haver almoços grátis. E é porque hoje é sábado. Mas atenção: na 2ª feira eu digo "porque hoje é segunda". Há quem seja esquisito com o nome dos dias. Eu não. Sou é esquisita  na forma de viver. Prefiro o bom e o perto. O gosto e a beleza. Gosto de ver tudo até ao fim. E sei que, no fundo, nada tem fim; e por isso com toda a certeza do meu duvidar afirmo que a vida tem uma plenitude inesgotável. Muitas vezes escondida, eu sei. Que confusão! Não.

Hoje abordo o "falar" de duas palavrinhas das quais não se pode fugir: "problema" e "mistério". Não nos livramos delas, seja às terças, seja às sextas. E da forma como "elas" significam, posso ter uma vida de chacha, ou não. Não que tenha inventado a roda. A distinção entre "problema" e "mistério" foi feita pelo filósofo Gabriel Marcel, que se deteve também na famosa distinção entre "ter" e "ser". Isto para dizer que de chacha não são as conversas. Outra coisa sim...

Falar é um must. Mesmo se estou sozinha. Falo com os meus botões, ou, desde o final do século XIX, falo com o meu fecho éclair (não é Gedeão?). Aristóteles, o filósofo do bom senso e do rigor, por ser peripatético e ter vivido uma vida genial, acabou por dar as cartas quase todas, e até o pontapé de saída às bolas com as quais a humanidade passou a jogar. Conhecido pelos seus "o homem é um animal racional", "o homem é um animal político", é menos conhecido por ter reconhecido que o homem é, antes de mais, o que articula, aquele que fala. E escreveu sobre isso que se fartou. Não é por acaso que os filósofos que valem mais, tenham na "linguagem" e seu uso o tema central dos seus pensamentos. E que a Retórica seja afinal tudo menos retórica. Hoje tem é outros nomes, mas é ela que continua a fazer rodar. Dou o exemplo de Wittgenstein par dar um exemplo de "hoje". E para não ser acusada de estar sempre a por Husserl num pedestal. Falamos de tudo e de nada. Das coisas, do seu sentido ou não. Do amor ou da plenitude da nossa auto-consciência. Da política, ou das convivências sociais. Problemas e mistério.

O "problema" está diante de mim, para que eu o resolva. O "mistério" não é um problema porque não está diante de mim, mas antes eu é que estou "dentro dele".  Temas  existenciais interessantes se eu lhes der valor, estimar. Mas há quem só goste de sol, e abomine a chuva. Há quem só ande em terreno liso, e evite as rugas da terra. Há quem só goste de receber, e não de dar.

Há mesmo quem não se interesse por nada a não ser pelo umbigo. O que em si não faria mistério, se não estivessemos a falar do umbigo do próprio. Mas umbigos há muitos. Eu gosto. O meu "está lá", já sei. Não gosto é de perder tempo. Até posso dizer que um homem se mede pelos umbigos que procura e como os procura. No final de contas há sim é pessoas, que por uma razão, são mesmo de "chacha": não tem interesse para nada e não se interessam por nada. Por isso gosto de todas, todas valem o mesmo. Como eu, que assim sou também intermitentemente. Às vezes dou por mim a encher chouriços...

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