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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


02
Nov17

Eu, fiel viva

por Fátima Pinheiro

Está cinzento. Hoje comemora-se o Dia dos Fiéis Defuntos em Portugal e no resto do mundo. A data também é conhecida como Dia dos Finados, Dia dos Mortos e Dia das Almas (conhecida como All Souls Day a nível mundial). Um dia serei comemorada assim. Muitos põem uma cara pesadona, outros choram. Eu não comemoro em especial. Todos os dias tenho presente este factor das nossas vidas e pergunto o sentido da minha vida. Tudo fica mais claro.

Nestes dois últimos anos morreram-me muitos. E, claro, o facto de lidar com a morte todos dias, não me tira o espanto e a dor daqueles que passam a estar comigo de outra forma. E também choro. E também choro os que não conheço. Contudo o que faço, e aqui está a outra face da mesma moeda, hoje comemoro o dia dos fiéis vivos. Eu incluída.

Hoje é então também dia de comemorar a vida. Mas claro que aproveito para conhecer mais sobre os que morreram. Tanto nas recentes mortes em Pedrógão e nos outros fogos que se seguiram, como com os mortos conhecidos universalmente, como Santo Agostinho, um dos meus mortos favoritos. E está bem vivo. Para ele foi a morte de um amigo que o levou à Filosofia. Não descansou enquanto não encontrou a resposta para o sentido de andarmos aqui.

Eu sei que não é preciso ser filósofo para encontrar a resposta.  E também sei que aqui sim, é uma estrada para pôr o acelerador a fundo. Não é matéria para picar ponto. Não satisfaz flor na campa, nas cinzas ou deitá-la ao mar e siga a marinha. Não é picar ponto.

Mas somos livres. Cada um faz como quer. Era o que faltava! Não me impeçam é de comemorar à minha maneira. Certo?

Começo por um ramo de flores. Vou sobretudo olhar os outros de forma nova. Ao meio dia e meia tenho um encontro marcado com um santo. O resto vou fazer tudo igual, o que para mim está sempre na novidade de fazer sempre novo, porque um dia não é igual ao outro. É através de tudo isto que a alegria não me larga e gere o choro e me põe a andar.

 

 

 

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7 comentários

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De Anónimo a 02.11.2017 às 15:47

Donde vimos, o que somos, para onde vamos? para quem não tem fé...
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De Anónimo a 02.11.2017 às 19:43

Gostava de perceber melhor o se comentário.
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De Anónimo a 02.11.2017 às 19:45

melhor, não percebi e gostaria de perceber
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De Anónimo a 02.11.2017 às 21:22

O que eu queria dizer é que para quem não tem fé nas teses de Santo Agostinho e não crê na vida para além da morte esta vida parece não fazer sentido. Apenas um sopro de consciência cósmica durante umas décadas e depois o sono eterno. Ou não? E mesmo que a transcendência exista, e eu acredito que sim, nós somos apenas matéria ou energia organizada e animada pelo adn, que voltará um dia ao caos dos elementos. É o que a ciência nos diz. Ou seja, somos perante a transcendência apenas eus virtuais de inteligência artificial criada e moldada pela realidade e culturas da civilização... percebe? O que acha disto?
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De Fátima Pinheiro a 02.11.2017 às 21:45

Acho muita coisa, muitos assuntos que não estão devidamente distintos. Estou um bocadinho estoirada (foi um dia de mt trabalho), mas vou tentar dizer o que penso.Se esta vida não tivesse sentido, nada faria sentido, nem a ciência, e nem haveria razões para continuar. Está a ver o que seria consequente cometer?
Se nos levantamos todos os dias é porque há qualquer coisa que nos move. E o que nos move, mesmo que não saibamos o que é, tem do meu lado uma procura. Também pode causar indiferença, angústia. Mas se eu quero saber, mesmo que tape e cancele as minhas perguntas,elas vêm ao de cima. Eu não quero ser um sono eterno. Eu quero estar acordada, ver, não acabar. Acha que estou com muitas exigências? E estou. Mas não fui eu que me inventei!!! Por isso o caminho de perguntar, cada manhã.
E quem o fez acreditar que somos apenas matéria? Não acha que há diferença entre o olho e o olhar?
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De Anónimo a 03.11.2017 às 08:50

Bom dia e obrigado. Vou pensar na diferença entre o olho e o olhar. Mas só há olhar enquanto temos sopro de vida.
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De Fátima Pinheiro a 03.11.2017 às 09:29

claro. pode pensar também na diferença ente gesto e mão. O sopro, ok. Mas quem sopra? Se calhar a transcendência não é só transcendente...

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