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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


01
Fev17

Eutanásia: desejada ou desejante?

por Fátima Pinheiro

 

eutanásia.jpg

 

Hoje analisa-se no Parlamento a Petição a favor da Eutanásia. O deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, abriu anteontem o Programa prós e contras, precisamente sobre a Eutanásia. É o autor dessa petição, como o nome mais light de "Despenalização da morte medicamente assistida". Desta vez foi muito claro quem é pró e quem é contra (parabéns Fátima Campos Ferreira). A questão, apesar de muito complexa, é simples, como se pode verificar logo nessa intervenção inicial. Tudo o que a seguir se disse seria até escusado. Não querendo brincar com uma coisa muito séria, até parece que há uma espécie de alzeihmer filosófico.

Sabemos que é fácil navegar na maionese holandesa, e nos chamados direitos já aquiridos, e sabemos também que Kant é o guru de muitos; os gurus têm crescido como cogumelos, e tal como eles, é preciso ter cuidado, não vão ser eles venenosos. Os números postos na mesa ontem divergiam. Mas o que escrevo vem antes, ou melhor, está noutro patamar.

Com uma calma que lhe vem de defender o que acha ser óbvio o deputado começa a desenrolar o seu discurso. Muito simples: lembra que cada um dos presentes - a Fátima Campos Ferreira, por exemplo, é que decide o que faz. Não sei dizer à letra, mas era uma coisa do género: sou eu que decido com quem quero casar, sou eu que decido de que música gosto, sou eu que decido o que visto, sou eu que decido que filme vou ver,...lá,lá,lá,....sou eu que decido que vou morrer. Sou eu que decido tudo. Mesmo que se seja entregar nas mas mãos do médico a encomenda, sou eu que decido. Claro como a água, eu sou uma terra de decisões. Falta perguntar-lhe: senhor deputado, terá sido também o senhor que decidiu vir à vida?

Pode parecer simplista, mas passar por cima deste "pequeno" pormenor, que é "ao dar por mim já cá estou", é desonesto inteletualmente. Ninguém está aqui para ser do contra, para ser contra a pessoa, para prolongar sofrimentos que parecem monstruosos. Trata-se de realismo. Nenhum de nós tens as chaves da vida, a morte é sempre assistida, e medicamente assistida, e não tem dignidade. A vida sim, é digna, por isso tem mais razão quem quer "proporcionar" vida, mais e melhor se possível. Quem propociona os paliativos adequados (aqui bastaria menos estádios de futebol e mais cuidados de uma humana assistência médica; e eu que sou uma benfiquista ferranha, mas sei que a vida vale mais que o futebol - até parece ridículo ter que dizer isto; mas o futebol é só um exemplo...). Tem mais razão quem tem para oferecer ao outro mais do que abrir-lhe uma porta antes de tempo.

Há muitas janelas que se podem abrir para que o outro não se sinta um peso. É muito fácil sentir-se pesado, saber que dá trabalho, e dá. E se nós quisermos ter trabalho? Quem me impede de amar o outro custe o que custar? Falinhas mansas, não obrigada. 

Mais de 14 mil pessoas assinaram no entanto outra  petição , intitulada "Toda a vida tem dignidade", contra a eutanásia, que foi entregue a passada quarta-feira no Parlamento. 

 

 

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