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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


22
Abr17

Fátima mascarada

por Fátima Pinheiro

Com a vinda do Papa a Fátima têm proliferado livros, artigos e filmes, que bem revelam o estado mediocre da produção cultural  no nosso país e  no  estrangeiro. Assunto ao qual é indiferente muito  boa gente. Mas a moral é uma coisa, conhecimento é outra. Não se tape o  sol com a peneira.

Quero então dizer que  vivemos a curto prazo, que também as editoras atravessam problemas, que não há estratégia educativa, e, gravíssimo, uma ignorância que brada aos céus. Mais, mente-se, dão-se cambalhotas epistemológicas, ofende-se, manipula-se, com base  em pressupostos que passam longe do crivo da inteligência e dos  factos. E uma ausência de filosofia  que bem mostra que se Descartes já passou de moda a um nível consciente, a um nível subjacente está bem actuante. Varrem-se séculos  de filosofia, vibra-se com o "eu sou eu e a minha circunstância" de Ortega e com os saltos de Kierkeegaard no irracional, e sobre Husserl, o genial filósofo  do  século xx ( e seguintes),  uma esponja! Confunde-se fé com superstição, razão com ciência, filosofia e teologia.

Já não se escreve para esclarecer (até porque quem não está esclarecido, não esclarece). Escreve-se para aparecer, para dar cartas, marcar posição. Sim, a liberdade é uma conquista.  Mas não é uma coisa absoluta. É simples, mas dá trabalho. Um trabalho diário de libertação. E se o papa bem sabe o que é a teologia da libertação, que sublinha a necessidade de dar condições materiais de  vida  às vidas, Ele é também o intelectual que sabe das necessidades de uma teologia da libertação de preconceitos em estado bruto, para que se caminhe no conhecimento. A verdade liberta.

Com bem sublinhou  Aura Miguel, os  pastorinhos  levaram uma vida de verdade, e é por isso que vão ser canonizados. Não é por terem visto Nossa Senhora. A verdade é que viram. Basta um pouco de honestidade intelectual. Mas é muito mais cómodo ficar no discurso que se choca com os desnecessários sacrifícios e explorações comerciais...E a Igreja a deixar e a incentivar. Mas importa não esquecer que Fátima é  também um fenómeno  de massas. Agora, não se reduz a isso. Tavez seja o aspecto mais visível. E é a isso que os nossos olhos se habituram.

Só duas notas para exemplificar. Angelo d'Orsi, sabe porque é que a bala está na coroa? Se soubesse, não escreveria o que escreveu no seu livro que li por recomendação de Vitor Serrão . Gramsci não tem instrumentos para compreender Fátima. Fátima é superstição e regressso ao pré-moderno? Não. Não foi espetar a bala na coroa sem mais. Dum historiador espera-se História. E já agora, D. Carlos Azevedo, sabe o que diz Husserl das potencialidades da intencionalidade? Dum teólogo também se espera Filosofia.

Antes a Fina da Armada e seu par, o Pe da "Fátima Desmascarada".

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7 comentários

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De Malik a 22.04.2017 às 14:35

Nós temos uns teólogos que descobrem evidências onde não há evidente...
http://instagrama.blogs.sapo.pt/e-evidente-que-nossa-senhora-nao-11906
Fazer o quê?
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De Fátima Pinheiro a 22.04.2017 às 17:06


O desejo de "aparecer" nos meios culturais não chega para fazer de uma pessoa aquilo que ela não é. O conhecimento baseia-se no amor à verdade e não no apego a falsos preconceitos.
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De XYZ a 22.04.2017 às 21:51

Filosofia hoje, é história assim como a teologia. Porquê? Porque deixou de dar respostas para o desconhecido. Teve a sua importância durante séculos, quando foi motor da ciência... Descartes e tal...

Desde há cento e tal anos que substituída pela ciência. O resto é fé... e o que é a fé? Uma forma de superstição...



:-)

Beijos
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De Fátima Pinheiro a 23.04.2017 às 01:18

forma de superstição?
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De XYZ a 23.04.2017 às 11:54

superstição | s. f.

su·pers·ti·ção
substantivo feminino

1. Sentimento de veneração religiosa fundada no temor ou ignorância e que conduz geralmente ao cumprimento de falsos deveres, a quimeras, ou a uma confiança em coisas ineficazes.

2. Opinião religiosa fundada em preconceitos ou crendices.

3. Presságio que se tira de acidentes e circunstâncias meramente fortuitas.

--------------------------------------


(latim fides, -ei)
substantivo feminino

1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.

2. [Religião] Sentimento de quem acredita em determinados ideias ou princípios religiosos. = CRENÇA

3. Religião, culto (ex.: fé cristã, fé islâmica).

4. [Religião] Uma das virtudes teologais.

5. Estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo. = CONFIANÇA, ESPERANÇA ≠ CEPTICISMO, INCREDULIDADE

6. Fidelidade.

7. Prova.

8. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.

.
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De XYZ a 22.04.2017 às 21:53


https://www.youtube.com/watch?v=a5dSyT50Cs8#t=186.358004
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De janeka a 22.04.2017 às 22:19

É isso. Acho que o homem disse o essencial.

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