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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


21
Fev15

Grécia: a new kid in town

por Fátima Pinheiro

 imagem tirada da net/ podiam ser os Eagles, mas não

 

Mudam-se os “termos” e algumas vontades. Varoufakis é a “novidade” in town, nas reuniões destas últimas semanas. Ao regressar a Atenas será também a new kid in town. Novo na cosmética, porque de facto leva na bagagem apenas mais 4 meses de empréstimo, TPC para apresentar 2ªfeira e o reconhecimento de que afinal somos todos bons rapazes, e de que mais vale acompanhado do que uma solidão teimosa em não reconhecer que a EU faz a força. A zona euro não derivou, e não houve regra que se alterasse. Houve mudanças acidentais mas a substância mantem-se (cfr.http://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2015/02/150220-eurogroup-statement-greece/). 

Palavras suas, ontem: “Hoje foi um momento decisivo, porque a Grécia tem-se sentido muito só, isolada, nas reuniões do Eurogrupo. Hoje quebrámos esse isolamento”. “Quebrámos”? Quem quebrou? Quem o “acolheu”. Uma espécie de regresso do filho pródigo. Mas percebo as especulações em torno do que parece ser uma lança na Europa. Percebo que gostemos do ”agora é que é”, “este sim”. Percebo que se prefiram “salvadores” bem parecidos e de boa retórica, ou, se quisermos, uma ideologia “atractiva” de promessas, a um discurso de cortes e austeridade. As utopias sempre pareceram o discurso mais razoável.

“Troika” tem agora o nome “instituições internacionais”,“parceiros”, cooperação”. Mas no passa nada: tudo fica como o Eurogrupo tem definido. Mantém-se o programa de resgate com a sua lógica e mantém-se a troika a negociar e garantir o seu cumprimento. Mantêm-se em vigor as medidas tomadas ao abrigo dos acordos com a troika, comprometendo-se Atenas a não avançar com medidas de forma unilateral. Tudo ao contrário do que pedia o novo governo grego. Os eleitores perceberão que se trata de uma extensão do programa de ajustamento (expressão de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, que não esteve com meias tintas), que tem subjacente o célebre Memorando de que tanto falamos. Remember the promise you made...

A Grécia tem, sem dúvida, liberdade para propor um conjunto de medidas orçamentais novas, mas serão as entidades FMI, BCE e Comissão Europeia  - "externos", "não gregos" - que irão avaliar se são ou não suficientes e informar o Eurogrupo dessa avaliação. Mas se os gregos fizerem mal o TPC a apresentar na 2ªf no Eurogrupo, o acordo atingido ontem é zero. Jeroen Dijsselbloem lembrou que as políticas “não devem colocar em risco a recuperação económica”, e que se irá usar a “flexibilidade existente no programa”. O que não significa que haverá um novo programa, mas que importa sempre discuti-lo. Naquele espírito dos fundadores da EU, que sempre a viram como uma vida e não como um esquema inflexível.

Em suma: a montanha terá parido um rato, um recuo gradual do governo grego face às promessas eleitorais e dos primeiros dias de governo. Wolfgang Schäuble, o ministro alemão, reconheceu que o novo ministro das finanças da Grécia terá “alguma dificuldade em explicar aos seus eleitores” o acordo atingido no Eurogrupo de 20 de fevereiro de 2015. Que se lembre, digo eu, que o povo nem sempre bem ordena. E que a democracia é, através de todas estas contradanças, o melhor kid in town.

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1 comentário

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De Para que tb conste. a 17.03.2015 às 18:59

Venho em missão: divulgar este artigo de um jornal belga: http://www.20minutes.fr/economie/1563175-20150316-hjalmar-schacht-banquier-adolf-hitler-genie
Deixo aqui um aperitivo - " L’Allemagne est le pays qui a connu le plus fort allègement de sa dette au XXe siècle –il a bénéficié d’une autre réduction conséquente après la Seconde Guerre mondiale- et au XXIe siècle, il est celui qui se montre le plus intransigeant pour que les autres pays s’acquittent des leurs…"
Tradução (para o caso de não saber tocar piano :) " A Alemanha é o país que teve o maior alívio de dívida no século XX - beneficiou de mais uma redução consistente depois da 2ª G. Mundial - e no XXI é o mais intransigente em relação ao alívio da dívida dos outros países ..."

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