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Rasante

Rasante

Isto não é o PREC, Dr. Soares.

Mário Soares em Évora, ontem /imagem da net 

 

Soares fala, e o mundo pára. E para muitos o que ele diz, será ainda lei. Desde a morte do PREC que o Dr. Soares tem crédito ilimitado, via verde, ou chamem-lhe o que quiserem. Eu já estava a estranhar ele não ter aparecido. Desta vez foi demais. Diz o quer, quando quer, e não parece que não tenha as suas razões bem pensadas. Não, não está fora de si. Está muito bem, e, como sempre, ataca no timing que considera mortal. E que não se pense que a missiva que Sócrates terá ditado ao seu advogado, hoje lida no público, seja de geração espontânea.

Os amigos são para todas as ocasiões. Fica-lhe bem visitar o seu amigo. Eu se fosse ele, já teria aparecido há mais tempo. Mas percebo que, neste caso, razões ponderosas o tivessem levado a demorar um pouco mais. Eu própria já estive em sítios menos simpáticos a apoiar os meus. Até tive que passar por perto certas noites, para no dia seguinte estar a tempo. Não tive televisão, como ele teve. E nem ele se preocupou em pedir para ela estar ausente. Antes pelo contrário. Ele gosta de falar para a Câmara...

Soares disse com todas as letras que este é "um caso político" orquestrado por “malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar". Só gostava de saber quem eram esses “malandros”, “que combate”, e de que primeiro-ministro está a falar. Bocas para o ar, Dr. Mário Soares? Piratas à solta? Lançar o terror? Imunizar o Dr. Costa a qualquer preço? Não, não, não. 

No PREC talvez o pudesse fazer assim, Dr. Soares. Agora, quando é outra coisa que está em causa, agora que o senhor revela cada vez mais ponderação, mais responsabilidade terá. A idade é para mim uma mais valia. Uma coisa é não ter o vigor físico que teve. Outra é ter-se passado da cabeça. Não me parece. Tem uma cabeça muito boa. O que o senhor é, é um animal político. Recomenda-se. Agora, eu tenho a obrigação de escolher a política que me parece mais razoável. A falar assim, Sr. Doutor, não recomendo a sua ninguém. Estimo o que fez por Portugal. Imagino onde hoje estaríamos se o senhor se tivesse mantido no seu melhor. Mas não me deve nada; sobretudo a mim, que tenho uma folha assim assim. Digo-lhe isto porque o senhor prometia. Mas cada um faz o que pode, não é?. José Sócrates fez o que pôde. Não é? E chegou onde me parece estar bem.

Que isto (o processo de Sócrates - ironia do destino...) não deveria ser tão mediatizado? Fosse pela calada. Que isto não se pode misturar com PS, disse o engenheiro, ontem, de sua boca? Impossível. Ia dizer impossibilidade ontológica. Mas não o faço por respeito às coisas como elas são. Seria como dizer que o senhor é monárquico, António Costa um asceta, ou o detido um filósofo. O que está em curso é uma outra revolução que usa a areia para atirar aos nossos olhos, e o esquecimento como uma arma de sedução a abanar para outros ares. Tanta mentira, meu Deus! "Como defender um assassino", estreia hoje à noite na AXN. Aconselho vivamente.

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