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Na contracapa do novo livro de José Rodrigues dos Santos, Vaticanum, lê-se  que ele é "o escritor favorito dos portugueses". Mentira, digo eu que sou filha de boa gente. Não é a primeira vez que isto me acontece. Há uns aninhos ia eu pagar a gasolina, e mesmo junto à caixa registadora estava um livro dele intitulado "Isto é o último segredo.", e metia "Jesus", tema sempre vendável em épocas litúrgicas mais fortes. Neste caso era Natal. Comprei, li, sublinhei e escrevi. Ainda hoje agradeço ao jornal "Público" o ter publicado a minha opinião, num artigo com o título: "Isto não é o último segredo".

Hoje estava eu a pagar o café quando vi que junto à caixa estava um montinho de Vaticanum(s). Sei  que entre aquele e esteve livro muitos outros foram escritos. Mas este tem um nome "mais católico", e o Natal está à porta. Natal e vaticanum dão uma bela prenda! Eu gostava de vender assim muitos livros como ele, mas não tenho emulação, e inveja, muito menos. Escrevo este post pelo que li na contracapa: melhor isto, melhor aquilo, selo cinco estrelas, escritor de confiança (votado pelos leitores), ESCRITOR FAVORITO DOS PORTUGUESES.  Esta última é pior do que que afirmar que o carro favorito dos portugueses é um Fiat (peço desculpa à Fiat pela comparação). Eu cá prefiro um mercedes, um jaguar; mas não posso comprar. Compro um mais barato, que gaste pouco...

Abro o livro (claro que comprei e vou ler, para provavelmente escrever umas linhas), e leio o seguinte aviso, do autor, ou editor, não sei, "a informação histórica contida neste romance é verídica". Mas como é que o pessoal distingue fição de factos? "O algodão não engana". Agora este autor sim.  Não preciso de fazer um boneco, pois não? Isto é tão grave que já não sei se é vender gato por lebre ou lebre por gato. 

Vou ler, e pelo que já alcancei vou escrever, sim. Mas o mais grave disto tudo é que, sabendo todos nós, e não só os portugueses, que o Vaticano não equivale a santidade, o que se pretende aqui é vender, e bem.  À custa da ignorância própria e alheia. Não ponho em causa o poder ficcional do autor, mas que escreva sem a muleta destes temas. Uma coisa é certa : isto não é o Vaticano.

 

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