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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.


01
Mai16

Mãe: buraco ou esperança?

por Fátima Pinheiro

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  hoje de manhã 

 

Mudo a letra ao Carlos do Carmo e digo que a Primavera nasce porque morre uma andorinha. As mães

morrem aos bocadinhos. A noite morreu. Hoje é dia da mãe. E?

Mais que a sentinela pela Aurora, eu espero, o dia nasce.  Reviver a Aurora de Murnau. O que de melhor se realizou sobre o amor. O filme é mudo mas diz tudo.

Ele vai morrer daqui a dias. E sabe. As perguntas que ele  fazia até agora, não é que  sejam inúteis, mas ganham sentido, pedem outras perguntas. Perguntava ele: vão renovar-me o contrato de trabalho em Fevereiro? Verei os filhos dos meus filhos? Agora já não interessam. Quero, preciso, de outras perguntas. Quem me diz o que ando aqui a fazer? Não é isto um buraco, sem fundo,ou com ele? Se há um Deus, eu não fui consultada. Não gosto disto. Odeio-O. Lembro as palavras de Dante. Pergunta também Dante: mas não é muito melhor amá-Lo?

A minha mãe acreditava, amava-O. Estou a fazer o meu testamento. Nada posso deixar aos meus filhos que valha . Apenas que olhem para mim e vislumbrem ou um buraco ou uma esperança. Nada há que fazer. Apenas abrir os olhos. Abraçar ou ignorar o tempo.

 

 

 

 

 

 

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