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Rasante

Rasante

Manoel de Oliveira é o realizador deste blogue

 

 fotografia de JM

 

Há poucos anos um amigo meu - que sabe que sou comunicativa por natureza - falou-me na possibilidade de criar um blogue. Comecei por achar que era uma tarefa impossível, até porque não sou muito dada a tecnologias e não sabia como começar tal “coisa”; mas a certa altura resolvi arriscar, e “atirei-me” a essa aventura. Na altura vivia uma circunstância pessoal difícil, e vi este desafio como uma oportunidade de me abrir à vida e aos outros, em vez de me fechar na minha própria dificuldade. 

 

Tomei como fonte de inspiração uma grande figura da nossa cultura, de quem gosto e que admiro muito, o cineasta Manoel de Oliveira. Alguns dos seus filmes foram marcantes na minha vida, e por isso decidi dedicar-lhe a minha entrada na blogosfera. Daí ter escolhido como primeira imagem do meu blogue a estátua de Joana d’Arc que se pode encontrar em Paris e que surge precisamente no filme de Oliveira “Belle Toujours”.

 

Como se costuma dizer, na vida “não há coincidências”, e a verdade é que o livro "Rasante" (Chiado editora, 2014), foi lançado no dia de aniversário de Manoel de Oliveira. De certo modo posso dizer que tudo o que escrevo tem no olhar o modo como Oliveira olha para a vida, portanto nesse sentido o conjunto de crónicas reunidas no livro é um pouco “o filme da minha vida”.

 

Tal como dizia Camus, quem escreve deseja ser lido, não há escrita exclusivamente para si próprio, e portanto estes meus textos são também isso: reflectem a necessidade e o gosto de chegar aos outros, de comunicar, de dar um pouco de mim, das minhas alegrias e das minhas tristezas, da minha forma de pensar e de sentir a vida – e, claro, de receber em troca o feedback de quem me lê.

 

O ritmo de escrita de um blogue como este é o ritmo quotidiano, por isso estes textos estão marcados pelos acontecimentos diários do nosso país, do mundo, e pelo modo como eles atravessaram a minha vida.

 

Há poucos anos publiquei um livro a quatro mãos, com uma amiga minha, a Maria do Rosário Lupi Bello, sobre uma outra grande figura da nossa cultura, a pedagoga Maria Ulrich, de quem aprendi que na vida tudo interessa, não há nada desprezível, que não mereça o nosso olhar e o nosso juízo. Também este aspecto me norteou sempre na construção dos meus textos: o desejo de olhar tudo o que acontece com curiosidade e vontade de compreender. Vontade de dizer sim. Oliveira no CCB disse na presença de Bento XVI, falando em nome do mundo da Cultura: “os seres humanos caminham na esperança, apesar de todos os negativismos. Como diz o padre António Vieira: ‘terrível palavra é o Non, por qualquer lado que o tomeis é sempre Non...’,  terminando por lembrar que o Non tira a Esperança que é a última coisa que a natureza deixou ao homem.”

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