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Rasante

Rasante

Não tomaste conta de mim!!!

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 imagem tirada da net

 

O gesto de ontem no Meo Arena vale por si. A beleza da solidariedade e dos valores envolvidos, diz tudo. Parabéns a todos. Da minha parte, que raramente vejo a tv, vi, e liguei para aquela linha muitas vezes. Devo dizer que gosto muito da Cristina Ferreira. Tem gargalhada genuínas.  A vida é bela, disse antes de cantar o Salvador Sobral. Mas do que eu gostei em especial, mesmo, foi do direto do Presidente da Câmara de Pedrógão, e dos diretos feitos por um Pedro Teixeira como eu nunca tinha visto. Maravilhoso.  Sem uma pinga de espírito negativo, o homem que ficou a tratar dos vivos, e não veio a Lisboa, apesar de ter sido convidado, como confessou na entrevista, é um homem maduro. E no top ponho o meu Pedro Abrunhosa e aquele genial angolano, que eu não conhecia, e cantou "todos me chamam louco".

A noite tinha um manto de espírito positivo, uma montanha de sorrisos de portugueses a apreciarem os portugueses, uma onda de "nós somos incríveis, sabemos unirmo-nos, fazer um mega evento", e por aí. Tipo "we are the portuguese". E o mundo das estrelas da rádio e da tv. E que que grande concerto! Que artistas temos!

Mas não posso deixar de lado o que penso. Cantam mas não "animam". Só uma pessoa vale mais que 1 milhão e 153 mil euros. Este número tem sido repetido nos media, que já incomoda. Sabem quanto custa um estádio? Ou quanto custou a Quinta do Relógio?  Não estou a dizer que este dinheiro de ontem não vale. E como valem os discursos comovidos das pessoas que ontem falaram.  Mas nada apaga o que aconteceu. E o concerto de ontem - eu sei que a ideia não é essa - pode ser um tapar o sol com a peneira.  O que eu queria mesmo, porque um País que se preze é assim que funciona,  tem sido e vai seguramente ser adiado. É uma palavrinha de quem nos governa. E ação estruturada. Visão.

Parafraseando o meu querido Abrunhosa, cada morto de Pedrógão pode dizer "não tomaste conta de mim". O calor do Meo Arena é também um fogo. Por isso me chamam louco. São as estrelas no céu. O brilho da arte. A arte está de de Parabéns. E nós portugueses também. Os vivos e os mortos.