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Rasante

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O Pe Manuel Antunes ajuda a ler, e a Ana também, sempre...




nas fotografias: Francisco José Viegas, e testemunhos de participantes

A Ana Sofia Marçal é a responsável pela Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes (1918-1985) http://biblioteca.cm-serta.pt/ . Por altura do lançamento das Obras Completas do genial jesuíta, fui à Sertã. Não mais me esqueço dela e da “sua” Biblioteca. “A educação é o reflexo e o projeto de uma cultura”, lê-se à entrada. E a Ana e a sua equipa tomam conta dela. Foi por isso que num dos seus projetos insiste no ler: A MAIOR MARATONA PORTUGUESA DA LEITURA, 24 Horas a Ler, vai já na sua 3ªediçao. Foi no dia 12 de julho que Portugal foi convidado a ler! Além da leitura presencial, houve presença em skype e também em diferido. E contou com os escritores Francisco José Viegas e Pedro Chagas Freitas. E a ilustradora Mafalda Milhões.

Presencialmente estiveram 17 Bibliotecas Municipais de vários pontos do país, de 3 associações e entidades locais (os Escuteiros, a Associação Recreativa e Cultural do Vale Porco e a Paróquia da Sertã) e muitas pessoas de todas as idades. Contaram-se 150 participações, que leram em voz alta 3 obras completas, mais de 150 textos soltos e excertos de obras (contos, poemas, ficção, etc.) de partes de cerca de 120 obras de todos os géneros literários: poesia, cações, lendas, comédia e anedotas, romances, policiais, literatura fantástica, policiais, história, contos infantis e literatura de âmbito local. Assistiu-se também à leitura de cerca de 30 textos inéditos, nomeadamente o que foi lido por Francisco José Viegas, na abertura da Maratona de Leitura, texto que faz parte da sua próxima obra, disponível ao público em Março de 2015.

O livro “Repensar Portugal” foi o meu primeiro contacto com o Pe Manuel Antunes. Nesta deriva cultural em que se vive importa rele-lo. Portugal é aí lido com todo o pragmatismo e humanismo. Importa que os seus talentos, por vezes adormecidos, venham ao de cima. Que tal começar por voltar a ler? Felizmente A Maratona já começou.

Do Repensar, duas passagens: “Povo místico mas pouco metafísico, povo lírico mas pouco gregário; povo ativo mas pouco organizado, povo empírico mas pouco pragmático, povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras, povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias, povo convivente mas facilmente segregável por artes de quem o conduz ou se propõe conduzi-lo; é com um povo assim, é a partir de um povo assim que se torna imperioso iniciar a nova marcha que os acontecimentos do 25 de Abril vieram inaugurar numa das horas mais graves da história de Portugal.”

Manuel Antunes tem um pensamento paradigmático: desburocratizar, desideologizar, desclientelizar, descentralizar. No plano cultural e mental propõe uma nova educação capaz de “aprender a conjugar o realismo político e a esperança”. É necessário saber “trocar a aventura mercantil pela aventura do espírito”; assim se evitam os “sebastianismo endógenos” e os “imitacionismos exógenos”. Em Julho de 2015 a Biblioteca da Sertã será lugar de outro marco nesta maratona integral.