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Rasante

Rasante

O que mostra Oliveira hoje no Festival de Cinema de Veneza?

Maestro della Maddalena di Capodimonte, Maddalena penitente, Messina Museo Regionale

Eu não sei. A estreia cá está marcada para dia 11 de Dezembro. Sei que parte do livro "O Penitente (Camilo Castelo Branco)", de Teixeira de Pascoaes, Assírio & Alvim 1985). E sei do que vi nas filmagens e escrevi aqui: http://expresso.sapo.pt/fui-as-filmagens-de-oliveira-vim-alfa-pendular=f865451.

E sei que sigo atrás com duas notas na mão. A última, a mais pessoal, deixa-me ainda mais feliz. Nesta se vê como a vida vale a pena. É Bela.

1.Sei da centralidade de Camilo na obra de Oliveira. Não é de estranhar este pano de fundo que encontrei no site da Editora: «Pascoaes foi iniciado na leitura de Camilo Castelo Branco por sua mãe, que guardava à cabeceira da cama os livros deste autor e, quando chegava ao último volume, voltava a ler o primeiro. Assim se interessou um autor pela figura romanesca do outro, cujos passos descreverá, desde a infância até ao suicídio. Através da leitura desse percurso ficam-se a conhecer diferentes episódios, como a profanação da sepultura de Maria do Adro, a prisão de Ana Plácido e Camilo, e os últimos dias em Ceide.
No epílogo deste livro, Teixeira de Pascoaes alerta para o facto de não ter escrito uma biografia, ou uma crítica literária, pois quis apenas aproveitar, da vida e obra de Camilo Castelo Branco, o que constitui o ‘drama camiliano’. Desta forma se explica que, como afirma António-Pedro Vasconcellos na sua introdução ao livro, Camilo, visto por Pascoaes, seja ‘uma personagem saída da imaginação de um Shakespeare ou de um Dostoiévski, um eterno enamorado da morte e um irredutível solitário’».

2. Um Penitente em Veneza? Sim e em Companhia. “É preciso acreditar”, disse-me Oliveira no dia 23 de Fevereiro, por volta das 6 da tarde. Nessa altura as filmagens não tinham ainda sido possíveis por falta de guito. No penúltimo dia das filmagens, já em Abril, disse-me que a sua memória não estava como dantes. Desmenti-o. E dei-lhe um beijinho. E agora Veneza fala.

“Só acredita quem vive um grande Amor”, disse-me outro mestre. Sim, porque acreditar é não ver. Ceguinho. Por isso o Povo tem razão ao dizer que o amor é cego. Seria contudo desumano viver “às cegas”, sem razões. Os passos de Manoel de Oliveira, um atrás do outro - hoje em Gôndola – são mais que suficientes para que a minha vida seja uma alegria em que o preto deixa adivinhar uma luz que me rasga ao meio e me vai cosendo dia a dia.

Soma e segue. Eu sigo atrás, em lume brando, penitente. Por cá vai-se dizendo que ele vai fazer 106 anos em breve e que o secretário de estado se congratula com a estreia mundial.

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