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Rasante

Rasante

Oliveira: o que me deu a ver, antes de eu morrer

 imagem da net/ a casa onde morava

 

Genial. Estas coisas vêm do sangue. Génio é aquele  que é capaz de "fazer" o que eu quero, sem o conseguir fazer da forma como ele o faz. Ontem e hoje, estreia um filme feito há mais de trinta anos, era ele um jovem de 70 e qualquer coisa. Para que se visse depois da sua morte. Isto não cabe na "câmara" de ninguém.  Dado o entendimento que ele tem da vida, só pode ser providencial a  obra - que ainda não vi, mas gostei...- que hoje, com o olhar ajoelhado, vou viver. Visita ou Memória e Confissões é o nome do filme inédito realizado em 1982, e que decidiu só mostrar publicamente após a sua morte. Não largo Oliveira. Pois não. Quem quer quer, quem não quer, não quer. Eu? Jamais me habituarei a ele.  E terei outra surpresa, como tive há dias no Monumental?

 

Quem ama sabe com o que conta. Por isso sabe que mais recebe quem mais dá. E andamos aqui todos para ganhar a vida, ou não? Ai eu acho que sim. Quem quer morrer, ou quem se matou mais cedo, é em nome de uma exigência que deseja uma vida maior. Uma vida que não se satisfaz de nims, assim assins, mediocridades, cinismos, cretinices, mentiras, violências, adiares, porcaria ...  A morte é uma "sortie", uma "certitude", disse em Veneza na estreia de "O Estranho caso de Angélica". A nossa vida uma "incertitude". A nossa vida é Visita, Memórias, Confissões...

Estreia pública mundial, ontem, no Porto, no Teatro Rivoli. Hoje na Cinemateca. Está também confirmada a sua passagem no próximo Festival de Cinema de Cannes, na secção dedicada aos Clássicos.

 

Diz quem sabe, Jorge Leitão Ramos no Expresso,  que  "a grande expectativa é sempre má conselheira". Verdade. Sobretudo com calibres como o de Oliveira, para quem cinema e  vida coincidem. Mais diz o crítico de cinema, que este filme  "é um jogo de simulações, não de janelas, ou espaço de inconfidência tal como o melhor cinema de Oliveira - onde tudo é falso e do finjimento que não se oculta nascem revelações formidáveis." Até amanhã. Se Deus quiser.