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Rasante

Rasante

Oue belos dentes tem o meu País!

 

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                                                              Van Gogh

 

 

Às vezes leio o que escrevo e penso que poderá parecer uma coisa desfazada dos problemas quotidianos. Os blogues com receitas e dicas são mais úteis. O Rasante é poesia ou utopia. Ou mesmo uma coisa disparatada. Mas há lugar para todos. Não sou  de falsas humildades nem mulher de cruzar os braços. Por isso continuo, e sei que tenho os pés na terra. Hoje olho para o quadro de miséria desta terra que tanto nos honrou e continuará a honrar. Embora me apareça muita fantochada por todos lados, apesar das coisas e das pessoas estarem a ser tratadas da forma que estão, apesar de ouvir quantidades de euros que nem sei imaginar, e de saber que os que deles estão guarnecidos estão de costas quentes. Apesar da dança das cadeiras (estes senhores ex-secretários de  estado, por exemplo, têm seguramente um lugar para onde bem ir, e outros virão, e outras danças seguirão), apesar de se dizer agora que a ajuda dada não está a ser dada aos necessitados de Pedrógão, e de se dizer que o Algarve, para dar um exemplo, precisa de mais médicos. Podia continuar. Não é preciso. A tudo é imune o romantismo do "la vie en rose" (só me faltava a fotografia de uma criança bronzeada em demasia; ao menos é descanso para Salvador Sobral e Cristina Ferreira; para os iates de CR 7 e barriga proeminente espanhola, jamais...)

E eu a pensar que com  José Sócrates tinhamos atingido the top of the hill! Eu sei que há laranjas podres e rosas murchas, mas o que é que o PS tem? Nem com uma flor se lhe toca! O sorriso monalísico ou zénico de António Costa diz tudo! E os media, salvo honrosas excepções, silêncio. Silenciam. 

Hipocrisias hediondas, que teatro, que sofrimento! Aprendi contudo num evangelho apócrifo, que indo Jesus com os amigos passeando, depararam com um cão em putrefação. Eles queixaram do cheiro insuportável. Jesus disse apenas: já reparam nos belos dentes que tem! E continuaram caminho.

A política é uma coisa muito séria. Chega de brincadeira! Mas não choro sobre leite derramado. Sigo em frente e trabalho. Como Van Gogh.