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Rasante

Rasante

Prefiro os livros dos 5 e dos 7 ou o novo "4,3,2,1"?

 

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Blyton ou Auster? A resposta é simples. É uma alternativa que não interessa. Ou então podia responder desta forma : "sim". O que me interessa hoje, sim, é 1 pequena nota sobre 1 coisa chamada livro. Espécie em extinção? E a conversa vai muito à frente, para além do papel e do digital.  Não, não falo disso, isso é conversa para tótós, nerds, ou para os fanáticos dos 3 novos IPhones, 8, 8+ ,e X (e vão 10 anos). Adorava ter um, por acaso.

Para haver livro é preciso saber escrever.  Falo do livro mesmo. Não me estou a referir a outros usos da palavra: fulano é um "livro", ou do "livro" que é a natureza. Vamos ter como referência Shakespeare, para ver se nos entendemos. Isto é um post mas é a sério. Quanto a este ponto, saber escrever, estamos mal. Hoje abundam coisas com folhas, com uma capa bonita, todo um filme de apresentações, apresentadores, tops de venda cozinhados, mas que lá dentro, bem esmiuçado, são paroles, paroles, paroles. Já não é mau, mas um maço de tabaco bem usado, pode ser muito melhor.

Há 1 sinal que para mim mata 1 livro à partida. É quando me dizem que "este livro tem há 2 alternativas". Fico à espera delas, e afinal era 1 alternativa: "ou, ou". "To be or not to be" é 1 alternativa, não são 2. Quando as contas estão erradas, não há narrativa que aguente. Mesmo a  já demodé conceptual.

Para termos livro é preciso 1 autor. Mas hoje, onde os há? Quem se compromete em dar a caneta, ou a cara? Há coisas bonitas, mas não são livros. Um autor não foge à narrativa como o diabo da cruz. Um autor é assim como Fernando Pessoa, que tem a genialidade de ser um moderno exponencial que narra ao cubo do cubo, e mais cubo, ao infinito. O autor tem uma carne apaixonada, o que não é autor tem a insustentável leveza de uma atitude de mãos limpas, prontas ao autógrafo.

E não abordo hoje os Auto-Ajuda que são à partida uma contradição.

Escrever é genialidade e ofício. Vocação. Eu gosto de ser fiel às meias amarelas e sujas do protagonista do livro que agora leio. E se o cão da Zé morresse, eu choraria. Muito. Salvo belas excepções, já não há protagonistas, mas sim suspense e hipóteses. Mas estes não me beijam a alma.