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Rasante

Rasante

Scorcese: ponho aqui o seu "pezinho"...

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Martin Scorsese, imagem tirada da net

 

O Filme "Silêncio" de Martim Scorcese, estreia para a semana. Tem suscitado grandes e diferentes expectativas, vindas de sensibilidades, perspectivas e credos. Não só o filme mas também o próprio Scorcese se têm dado a conhecer num assunto que, por muito que digam o contrário, não é do foro privado. A eterna discussão acerca do que é público tem sido uma faca de dois gumes. Factos são factos. Falam por si sem "dentros" nem "foras"; não se sujeitam a interpretações baratas, nem às que "dão de barato". É preciso tempo para conhecer e discernir.

Japão, século XVII, misionários católicos "convidados" a abjurar. Pisar o fumié (peça fininha, tipo tapete com a imagem de Cristo), e as torturas vão sendo mais subtis: a da fossa (cabeça para baixo, cortes atrás das orelhas, que é para não morrer logo, e uma fossa bem pertinho do nariz), a da água a subir, que é para se ir  morrendo afogado, e páro. Há quem nem vá ver o fime por isto. É preciso apanhar o peixe gordo. Cristovão Ferreira, um jesuíta nascido em Torres Vedras, é um desses. Os pequeninos imitam os grandes. Mas Deus é que sabe!

Volto aqui depois de ver o filme. Mas um filme não tem "mensagens". Desconfio!

As obras de arte não transmitem mensagens, honram-nos com a sua presença; são. Por isso digo já o que penso acerca do que por aí corre, nas narrativas. 

Não me queiram convencer que o martírio é uma "coisa" desnecessária. A História da Igreja está aí, mostrando ser um organismo vivo, que tem crescido com muito sangue, e, também, com muito erro. E isso sabia-o e sabe-o, o seu fundador, que começou logo por escolher para primeiro Papa um homem que o negou publicamente, Pedro. Isso sabio-o, Ele  também, porque a Sua Cruz era para todos. Disse-o: se Me perseguiram a mim, o mesmo vos farão.  Isso sabia-o Pedro: foi crucificado, e de cabeça para baixo (não quis ter honra de ser crucificado como o Mestre).

A Igreja é um Mistério. Não à maneira de Hitchcock, mas como uma coisa que surpreende há dois mil anos com "cenas" destas. Cristianismo sem Cristo? Não obrigada. S.Paulo também sabia que "já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim". Mas nada de confusões, eu sou tanto mais eu quanto mais me distingo. Porquê? Porque sou liberdade.