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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

05
Jul16

 

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 ontem no lançamento do livro no Porto, fotografia tirada da net

 

Paula Teixeira da Cruz e Luis Osório juntos? Sim. Ele escreveu o livro "Amor" e  ela vai apresentá-lo hoje em Lisboa.Ontem foi no Porto, como se vê acima. O "Amor" o que é? Para mim eu sei, mas por sua própria natureza vou conheçendo cada vez menos. Mas posso dizer que o conheço pessoalmente e o texto que melhor o descreve vem num livro que toda a gente conhece. O novo livro do jornalista não conheço mas vou conhecer. Deste livro nada sei, mas vou saber.

O que é AMOR? O autor esclarece: "AMOR não tenta matar as sombras, assume-as e vive com elas. É um livro em que me enfureço e faço as pazes, em que me apaziguo e me perco. Há páginas em que as janelas estão escancaradas para o mundo e para os outros, mas há outras em que a casa nem sequer tem janelas à vista."

 

Editado pela Oficina do Livro, conta com apresentação de Paula Teixeira da Cruz e a participação de Nuno Costa Santos. Porquê Paula Teixeira da Cruz?  Continua Luís:  "O meu livro é um livro de pensamentos. Um livro que fala de Amor, de desilusão, de morte, de Deus, de gente capaz de se iludir e de se desiludir. Paula Teixeira da Cruz é a melhor pessoa que eu podia desejar para apresentar AMOR – por não ser óbvia, por ser diferente de mim, por conhecer a vida no que ela tem de mais extraordinário, contraditório e monstruoso."

 

O LANÇAMENTO | 5 jul. '16 | 18h30 | Anfiteatro | Entrada Livre

 

"O livro estará disponível em primeira mão para quem for aos lançamentos (à vendas nas livrarias apenas uma semana depois). E mais importante do que isso, muito mais importante, adoraria que fossem num dia em que (tenho de assumir) quero dar o primeiro passo para um outro caminho." 

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 Teresa Vilaça e João Almeida/Casa Museu Medeiros e Almeida

 

 

A Casa Museu Medeiros e Almeida fez anteontem 15 anos. O Rasante esteve na Festa e trocou umas palavras com a sua directora, Teresa Vilaça, que nos fez lembrar Picasso : "dêem-me um museu e eu encho-o."


Rasante (F) : Teresa Vilaça, Diretora da Casa Museu Medeiros e Almeida que faz hoje 15 anos. Em poucas palavras ou sintetizando, o que é esta Casa?

Teresa (T): Esta Casa é a casa onde viveu o senhor António Medeiros e Almeida e a mulher. Mais tarde, transformou-se em Casa Museu. Também pela ausência de descendência ele quis abri-la ao público e, portanto, oferecê-la ao usufruto do público.

F: Só que esse senhor, não sei se muita gente saberá quem é...

T: Não, se calhar não sabem quem é mas de facto ele foi um grande empresário, foi um homem muito importante. Foi um homem tão importante, mas bastante low-profile; tão importante quanto foram os Champalimaud, os Melo ou mesmo os Espirito Santo mas ele, e aliás era amigo deles todos, e dava-se com todos, mas de facto muito low-profile, acaba por ser um bocado pouco conhecido.

 

F: De qualquer modo, deixo o link para quem quiser e vale realmente a pena visitar esta casa. Eu também não a conhecia há uns anos, conheci, e agora considero um pouco a minha casa mas Teresa diga lá então.

T: Mas portanto eu posso dizer que esta casa apresenta a melhor coleção de artes decorativas que o país tem. Mesmo tendo a certeza que a fundação Gulbenkian é uma boa coleção mas a fundação Gulbenkian foi feita por um não-português.

F: Então Medeiros e Almeida é o maior colecionador português!


F: E cheio de gosto....

T: Cheio!

F: Diga lá peças... Coleções...

T: Peças únicas que não se vêem mais em lado nenhum, o relógio de noite da Rainha Catarina de Bragança, ...

F: E montes de relógios, não é?

T: Para além da melhor coleção de relógios que a Europa apresenta, os relógios Breguet, a melhor coleção de primeiras encomendas da porcelana da China da passagem dos portugueses no século XVI pela China, já que foram os primeiros a lá chegar... Uma belíssima coleção de mobiliário assinado francês...

F: Eu até li no New York Times há pouco tempo que esta é uma casa obrigatória de se visitar, que pouca gente conhece mas que é obrigatória de se visitar. É verdade, não é?

T: Exatamente.... Neste momento, é considerado um dos pequenos museus obrigatórios já que os pequenos museus são chamados os museus cheios de charme. É uma casa com as memórias... Que transporta as memórias do casal que aqui habitou, e isso é muito apetecível às pessoas.


F:
Outra coisa que eu noto, porque eu venho também de vez em quando aqui comer neste adorável buffet que se pode usufruir todos os dias (a comida é muito importante e as refeições são muito importantes...). E tenho visto a casa e tenho apreciado cada vez mais a casa. Sinto-me em casa. O que é que diz às pessoas, para virem cá?

T: Exatamente, que venham ver uma casa que no fundo toca a todos porque todos temos as nossas memórias e as nossas memórias são sempre mais ou menos coincidentes com aquilo que se vê aqui, e portanto, isso toca-nos muito, é uma coisa que todos saímos daqui com um encantamento. Para além de que aproveitamos também e vemos belíssimas obras de arte, que nos deixam...

 

F: E a casa está sempre cheia de coisas, colaborações... Eu própria até faço cá uns debates, mas agora não venho cá para falar sobre isso, mas noto que tem sempre exposições... Como é que é, as pessoas chegam aqui... A Teresa tem olho! 


T: Nós temos uma programação que normalmente está a dois anos e portanto, vamos conseguindo manter essa programação perfeitamente viva... Mas de qualquer maneira, um dos objetivos desta casa é exatamente ser transversal a todos os tipos, não é só museu, e, portanto, também abrimos os espaços a debates, a conferências a temas fraturantes enfim, a tudo aquilo que nos aproxime cada vez mais da sociedade civil, que é isso que nós pretendemos.

 

F: Por exemplo, este ano, o que é que se destaca? Eu vim cá várias vezes e vi sempre coisas novas... Coisas de pintura, de fotografia...

 

T: Acabou de sair daqui uma belíssima exposição sobre 2 artistas contemporâneos – a Carla Cabanas e o Manuel Valente Alves... Vamos ter ainda várias, práticamente mensais até o fim do ano...

F: E faz muitas visitas, não é?

 

T: Fazemos visitas diárias, há um site da casa museu, onde está isto tudo. Estamos permanentemente a fazer visitas até gratuitas, oferecemos visitas, visitas temáticas, visitas à casa Museu, visitas...

 

F: Aos Sábados... Às Segundas...

T: Aos Sábados... De 15 em 15 dias aos Sábados do meio dia à uma, há visitas guiadas gratuitas. À quinta-feira de 15 em 15 dias há visitas temáticas à hora de almoço gratuitas, portanto, os sábados de manhã são também gratuitos... Portanto, o público não pode dizer que não vem cá porque é muito caro.

 

F: E para se informarem então, vão ao site e vêem tudo?

 

T: Aconselho vivamente irem ao site. Se não entenderem o site, procuram o número de telefone, telefonam, que ao telefone daremos todas as informações.

F: Teresa, qual é a peça que a toca mais...

T: A que se destaca para mim. Eu sei, eu sei muito bem qual é.

F: Então diga.

T: É um par de cómodas que ainda hoje falámos. É um par de cómodas portuguesas em pau santo, Dom João V do século XVIII que é uma coisa magnifica, pela sua dimensão, pela sua escala, pelo seu movimento... São umas cómodas barrocas, lindíssimas que eu de facto...

 

F: E de onde lhe vem essa energia toda?

T: Ai, isso não sei...

F: Que está, está!

T: Eu penso que é uma necessidade, de avançar, continuar, e portanto, sem energia não seria possível dominar isto. Que apesar de tudo, é muito trabalho, e uma mini-mini, super equipa.

F: Mas é uma mini equipa!

T: Mini SUPER equipa!

F
: Uma coisa que lhe devo dizer é que no facebook estão sempre a meter coisas novas...

T: Permanentemente...

F: E uma coisa que eu noto, é que o vosso facebook relaciona os assuntos da atualidade com peças que vocês têm!

T: Exactamente!

F: E verifico que têm sempre uma peça que tem a ver com o atual.

T: Sempre. Temos 2500 peças expostas e portanto, a graça que se faz, diariamente, é chegar ao autor da peça, ou à pessoa com quem a peça está relacionada no dia do nascimento. Portanto no dia dos anos dessa personagem, que está relacionada de alguma maneira com a peça, nós pomos “Parabéns ao não sei quantos” e pomos a peça.

F: Ah... Certo... E depois têm coisas giríssimas. Abriu agora uma coleção, quer dizer agora não, há um ano creio, uma coleção de leques...


T: Exatamente.


F:
Que coleção é essa?

 

T: É uma belíssima coleção de 270 leques, dos quais, 70 são europeus e 200 chineses. E então abrimos; nós só expusemos para já, os europeus. Mas a ideia é daqui a 2 ou 3 anos,  fazer a rotação e virem os chineses. E expusemos os leques, que tem sido um sucesso porque é também uma temática das artes decorativas que não está muito explorada.

 

F: E hoje aqui nesta tarde de festa, que estamos aqui a concluir, ouvi também dizer que também há música... E que há...

 

T: Há Concertos...


F: E Ballet...


T: Sim, há ballet...Exactamente.

F: Há de tudo!

 

T: Há de tudo um pouco...


F: “Eu faço tudo”, pode dizer! Risos

T:
Exatamente. Eu faço tudo. Dinamizo...

F: A Teresa faz tudo, parabéns.

T: Muito obrigada Fátima.

F: E de certeza, o casal Medeiros e Almeida deve estar muito contente com o seu trabalho.

 

T: Espero que sim, eu espero que sim...

F: E convidamos todos a virem, que têm as portas abertas!


T: Muito obrigada!

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26
Mai16

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Jorge Silva Melo, imagem tirada da net 

 

No dia da estreia de O Jardim Zoológico de Vidro, de Tennessee Williams, não resisti a umas perguntas ao encenador, o homem do teatro da politécnica. A pinta dele. A "uma mulher sem importância", não houve palavra que não "me" ouvisse, resposta a tudo. Um homem livre. Isto a minutos da estreia. Nas calmas, porque nele vida e teatro coincidem. Hoje, dia do Corpo de Deus, feliz coincidência, é bom postar aqui uma conversa com uma pessoa que encarna,cada noite, a esperança. Foi Péguy que pôs o dedo na ferida ao gritar que ela é a virtude pequenina que ampara as outras duas, a fé e a caridade. É ela que cada dia acorda com olhar renovado e diz bom dia - neste caso "boa noite" cada noite - aos pobres e órfãos. Assim como eu quero ser. No pórtico.

 

Rasante (R): Jorge Silva Melo. Vamos ter uma estreia fabulosa com certeza, Tennessee Williams, por si...

 

Jorge Silva Melo (J) : O Jardim Zoológico de Vidro, é a primeira peça no fundo escrita  pelo Tennessee Williams, ele já tinha escrito outras, mas esta é a primeira que teve um êxito gigantesco em 46, e que é uma peça de adeus. É uma mãe, dois filhos, um rapaz e uma rapariga e o rapaz já mais velho, vai-se lembrando de como foi a vida naquela casa, como a mãe era possessiva, autoritária, charmosa, falhada (completamente) mas, possessiva, e como ele separou...


R: Como um bocadinho todas as mães, não é?

J: Como as mães devem ser! Está na sua obrigação! risos


R: Assim muito possessivas também não...

J: Eu acho que faz bem... risos


R: Porquê, já agora?

J:  Então, é o que está nesta mãe! Ela sonha para os filhos aquilo que não teve... A filha é deficiente como a verdadeira irmã do Tennessee Williams, era deficiente, sofreu uma lobotomia e ficou como um vegetal até ao fim da vida, e viveu mais tempo do que o Tennessee Williams....

 

R: E o resto, vimos ver a peça, também não pode estar a contar tudo!

J: Mas é a maneira dele dizer adeus, e porque é que ele saiu de casa e porque é que ele sentiu sempre um remorso.

 

R: E porque é que se interessou por esta peça?

J: Esta adequa-se muito bem a este teatrinho íntimo...

R: Que já é a terceira peça este ano, não é? Pelo que eu li, eu estive aqui na anterior...

 

J: Pois exatamente, tivemos duas peças do Tennessee Williams, no São Luís e no São João. E esta adequa-se a este teatro pequenino, íntimo, porque é como se fosse um segredo. É um remorso ou uma confissão. E essa dimensão íntima adequa-se a este teatrinho.

 

R: A este teatrinho...

J: Onde os atores até podem falar mais baixinho do que eu estou a falar agora.

R: E diga-me uma coisa, gosta muito de Tennessee Williams, porque é que o escolhe? Poderia escolher outros!

 

J: É um autor muito marcante e que inventou muito do teatro moderno contemporâneo, aqui nesta peça ele marcou para sempre o teatro americano, ele consegue roubar ao cinema os flash backs, o narrador, os intertítulos, os saltos na narrativa e esta humanidade fermente e não normativa, que ele enquadra. São pessoas que não são heróis. Embora tenham uma vontade enorme de vencer na vida, mas não são heróis nem são exemplos. Isso foi tal surpresa, a peça fez 3 anos seguidos em cena, todas as noites quando estreou! 


R: E agora aqui também não se sabe... *Risos

J: Não fica 3 anos em cena! Risos

R: Nunca se sabe...
Sempre abertos ao mistério, não é...


J: Exatamente Risos

R: Teve alguma surpresa, nestes ensaios, estão a ensair há quanto tempo, só para ter uma ideia?

J: Há 2 meses, normalmente uma peça tem 2 meses de ensaios. Tive uma surpresa porque há uma personagem, que é chamada a personagem “mais realista”, que é o contraponto desta família, e que é o Jim. E o Jim normalmente é visto como o homem que cumpre o sonho americano. Vai ser racional, vai vencer na vida, e não é nada. Ele QUER, ele QUER ter o sonho americano, mas ainda é tão falhado como todos os outros. Está convencido que a ciência, se vai desenvolver, está convencido que se vai curar, e que vai vencer na vida mas é com a mesma fragilidade do que todos os outros. E isso é muito bonito. Isso eu nunca tinha visto em nenhuma das versões da peça que eu já vi, não tinha visto uma tal fragilidade nesta personagem do Jim. Foi um prazer trabalhar com o José Mata, que é quem faz esse papel e foi uma das grandes descobertas da peça, que eu conhecia de cor e salteado, e nunca tinha reparado que o rapaz era muito mais frágil do que aquilo que nos parecia ser.

R: E sente-se, assim, frágil?

J: Sim, claro... Claro! *Risos


R: Qual é a nossa maior fragilidade?


J:
A fragilidade do teu nome é “mulher”, diz o Shakespeare. Risos

R: Então, diga lá um bocadinho, você é um homem de (se) fiar...

 

J: A fragilidade é aquilo que não conseguimos vencer, aquilo que não conseguimos fazer, aquilo que achávamos que estava “à nossa mão”.

 

R: A vida é simples ou difícil?

J: A vida é ir deixando para trás uma série de propostas e apostas.

R: Mas é simples ou é difícil? É porque eu acho que é simples...

J: É simples, é simples.

R: Eu também acho.

J: Mas é deixar para trás muita coisa.

R: Mas é simples porquê, já agora?  Eu depois também lhe posso dar a minha opinião Risos


J: É simples porque é só viver. É acordar e viver.

 R: Tal e qual!


J: Mas... Temos que deixar muita coisa para trás e isso é quase sempre doloroso.

R: Mas nem para toda gente é simples.

 

J: Não, há muitas pessoas que gostam muito de fazer uma grande complicação.

R: E sabe porquê?

 

J: Não.

R: Eu estou a perguntar...

J: Não... As pessoas gostam de complicar muito.

R: Porque também não é “só deixar ir”... Há uma coisa que temos de fazer. Há uma que eu faço!

J: Não, tem muito de ser feito, MUITO de ser feito.

R: O que é que faz?

J: Trabalho! *Risos

R: Mas mais do que isso, está bem, a vida é um trabalho... Eu acho que é a liberdade, a pessoa é livre de desistir, de decidir...

J: Mas é livre também de querer transformar, querer fazer as coisas, querer realizar.

R: Para quê?

J: Para isso, para estar viva. A vida é viver.

R: Temos um minutinho... Também é adverso, à palavra “beleza”?

J: Não, gosto da beleza e fico entusiasmado com essa hipótese.

R: É porque há artistas, que quando falo na beleza, quase que me “matam”.

J: Agora está muito na moda.

R: E então dizem “interessante”, arranjam assim uns sinónimos... *Risos

J: Não, eu gosto da beleza. Uma vez escrevi um texto que me foi pedido pelo José Tolentino a dizer que a beleza dá-me pontapés, excita-me, faz-me renascer para a vida, ponta-peia-me!

R: Ela define-se mais pela negativa do que pela positiva... ou não? Fá-lo estar vivo? A mim faz!

J: Sim... Faz-me estar vivo e faz me querer fazer coisas... Belas.


R: Esta peça é uma peça bela.

J: É, é uma peça que... Ainda ontem, no ensaio geral, haviam espectadores que estavam a chorar... Queriam casar com a rapariga, no fundo! *Risos

R: Risos* Bem... Fica para outro encontro, isto é mesmo só um apontamento... Eu acho que as peças ou a arte não têm mensagem. Concorda comigo? Não lhe vou perguntar mensagem até porque... Nem quero que tenha!

J: Não, estamos aqui a ver e a viver uma fragilidade de quatro personagens que são nossos primos, somos nós próprios, não somos primos... Mas nós conhecemos. E gostamos de os ver.

R: Obrigada, agora começou a chover, temos que acabar!*Risos
E vamos então ver e convidamos... Quer dirigir assim um apelo? Para que as pessoas saiam de casa, tirem os chinelos e venham ver coisas bonitas!


J: É tão importante estarmos juntos a ver, portanto, o teatro tem essa coisa extraordinária. Há pessoas vivas que estão daquele lado e outras que estão vivas, deste lado. Estamos todos vivos a ver uma coisa, sofrendo, e é muito bom estar vivo!

R: Isso é muito bom. E ninguém sabe quem regressa a casa, não é?

J: Exatamente.

R: Obrigada e pelo que tem feito pelo teatro e pelo que vai fazer!

J: Obrigadíssimo!

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19
Mai16

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Mychael Nyman de arrasar

 

Adriano Jordão é o diretor Artístico do Festival de Música de Sintra, que vai na sua 51ª edição.  Também criou o de Macau, o dos Açores e o de Mateus. No dia da inauguração, a passada 5ªfeira, lá fomos ter com ele.

 

Como é que o senhor entrou neste “comboio”?
Eu?

Sim, o senhor, é um homem da música, pianista, esteve também no Brasil como nosso conselheiro cultural,e agora...

Exatamente. Eu tenho muita experiência na minha vida de festivais de música. 

O que é para si um festival? Eu já apanhei muitos festivais de Sintra  que não têm nada a ver uns com os outros.

Ainda bem que me pergunta! O que é que quer dizer para si a palavra “festival”?

Festa!

Claro. A primeira coisa é que tem de ser uma festa.
Mas o senhor é  que vai responder! Não esteja a tirar ideias... (risos)
Mas é isso mesmo. Tem de ser uma festa! A origem semântica de festival é a mesma do que a de “festa”. É uma festa, tem de ser um acontecimento. Não pode ser, como às vezes se fazem, juntar uns concertos, umas atividades, ao lado umas das outras... Tem que haver uma lógica...

Qual é a lógica deste festival de Sintra?
Ora, ainda bem que me perguntou! É o seguinte: Sintra é para mim romantismo. Sintra é exotismo. E Sintra também é, na tradição do festival, o piano. O instrumento, piano.

Sintra é o piano?

Sim, pela Marquesa do Cadaval. Para este ano, centrámo-nos no piano mas não no piano de uma maneira, digamos, “incoerente”. Então o que é que há? Há um piano hoje, do Michael Nyman. A seguir temos os dois pianos. Depois, temos o piano como instrumento de percussão. As pessoas não se lembram que o piano é um instrumento de percussão. Depois temos o piano em 4 mãos. Depois temos o piano num reportório que não é próprio do piano. Por exemplo: fados e tangos. A pessoa não liga tango ao piano, em princípio. Depois temos o piano noutro reportório também não habitual: Música árabe no piano. No Palácio da Pena. Tem tudo a ver!

Ai tenho de ir a esse, eu não tinha pensado....
Claro! E depois temos um concerto paradigmático de Sintra, um recital de Chopin no Palácio de Queluz. Uma grande chopiniana romântica. Aí estamos em pleno...em Sintra. Depois temos um concerto com um programa que é a história da música do piano. De Bach a Bartok. Depois temos um jovem artista português....
Está a ver se eu não tivesse vindo fazer-lhe um Rasante...

Claro, não veria a lógica! Portanto, a parte da festa já percebeu. Basta estar comigo para fazer uma festa!

Exactamente! Professor, eu não sei como é que o trato...
Adriano.
Já agora, como é que se trata um artista?
“Ó pá, tás bom?” (risos)

"Opá, tás bom?" diga-me quem é este homem que daqui pouco eu vou ouvir. Qual é a mais valia dele?

Nyman é um homem que se celebrizou através de um filme chamado?
Ai isso eu não sei!
Ah,  “O Piano”, está a ver? Portanto, se eu faço uma coisa, ligada toda ao piano, tem toda a lógica começar com uma aproximação ao piano que não é a aproximação da música clássica e elitista. Não vem de casaco fazer um recital de Chopin, não é nada disso. Percebe?

Pois, eu estou a imaginar, porque eu ainda não...
Agora vamos ver o que é que acontece! Se as minhas previsões estiverem erradas, para a próxima entrevista a Maia.
A Maia? (risos)
Está a ver? Faz uma entrevista à Maia!
O que vale é que estamos no ano da misericórdia. (risos)
A Maia faz uma previsão, e é muito melhor do que eu!
Para terminar, isto já passou o tempo e vai começar...
Já está rasante! (risos)
As pessoas não podem ir a tudo, não têm dinheiro, não têm...A cultura é cara...Qual é o concerto imperdível?
Depende do ponto de vista...
Do seu ponto de vista...
Para mim obviamente, eu diria que é o concerto “Recital Chopin” em Queluz. Eu sou um homem da música clássica. Para estes jovens que estão aqui hoje, o imperdível é o Michael Nyman! Quem seja muito curioso, se calhar quer é ir ver música árabe no Palácio da Pena.

E se eu tiver os pontos de vista todos, quero ir a tudo!
Exactamente, ir a todos os concertos!
Olhe, muito obrigada, foi um prazer conhecê-lo e espero ter outra oportunidade para falar consigo, obrigada.
Com certeza, para a próxima traga a bola de cristal...

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03
Mai16

Deus Regressou HOJE

por Fátima Pinheiro

Tomas_Halik.jpg

 imagem tirada da net

 

Conheci este teólogo pela leitura de um livro seu, "A paciência de Deus", no qual explica a diferença entre um crente e um ateu de um forma nova para mim, o que me mudou mais um bocadinho - ver o meu  http://expresso.sapo.pt/o-que-distingue-um-ateu-de-um-crente-1=f849468.

Só ontem soube que está em Portugal e que hoje vai estar na Culturgest para  reflectir connosco sobre o  «O Regresso de Deus». Ás 18h e 30m, entrada livre.

O pontificado de Francisco deu um “novo estilo” à Igreja Católica, “é um novo capítulo na história do Cristianismo”, disse em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre Halík está em Portugal para um conjunto de conferências e celebrações, ligados principalmente à apresentação da sua nova obra, ‘Quero que tu sejas - Podemos acreditar no Deus do amor?’.

 

 

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29
Abr16

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 os três

fotografia de Inês Torres da Silva

 
O sofá, a mamã e eu  é um espetáculo! Uma amiga convidou-me e fui. No fim, claro, fiz umas perguntinhas à Mamã, Valéria Carvalho. Mãe na vida real e no palco, escreveu com João Lima, o seu filho, um texto atrativo, pleno de ritmo e a prender-nos o tempo todo. Por isso voltei, e quero voltar como os meus filhos, e "comigo". É na Fundação Portuguesa das Comunicações, até 14 de Maio, às sextas e sábados. Mas espero que repitam, merece ser visto por muitos e muitos.
 
Leve e solto, o "show de bola" transporta-nos ao "eu", que eu sou, sem o qual nada de interessante acontece. O filho já não é só uma promessa e a mãe é uma atriz de mão cheia. Ambos com uma performance notável. Vitalidade, vitalidade, vitalidade. O monólogo lá mais para o fim revela uma mulher integral, e uma Rita Ferro no seu melhor (é ela que o escreve). O fim não conto, mas tem uma surpresa muito boa. Alegria e alegria. E conta-nos de príncipes e princesas encantados. Nessa noite eu fui uma delas. 
 
A publicidade resume assim: "peça que retrata o quotidiano familiar de uma mãe trabalhadora e consumista com o seu único filho a sair da adolescência para a idade adulta. Os dois vivem situações hilariantes, a par de alguns momentos de emoção, numa história pontuada pela ternura."
 
A nossa conversa segue em baixo. A seguir corri para Alfragide e "deslarguei-me".
 
Rasante (R): Vejo e revejo e não me canso. Cada vez gosto mais. Porque será?
Valéria Carvalho (VC): Alegra-me saber ! Talvez porque o texto mesmo sendo leve é profundo e subtil e aborda questões muito verdadeiras.
 
R. Ideia fabulosa: mãe e filho na arte e na vida real. Como surgiu a ideia?
VC: Desde sempre, eu e o João "brincamos" de teatro. Agora, como ele acabou de sair da EPTC Escola Profissional de Teatro de Cascais,  senti que ele estava preparado para este desafio, na vida tudo tem o seu tempo e eu senti que devia ser agora.
 
R. Diz-me Razões para ver a peça?
VC: É uma peça curiosa, divertida e profunda. Com encenação brilhante do italiano Lamberto Carrozzi  que conheci no Mindelact (Festival de Teatro do Mindelo). Música absolutamente fantástica de Marco Santos. Modéstia à parte, a nossa interpretação (minha e do meu filhote)... fomos muito bem dirigidos. A Fundação Portuguesa das Comunicações é um local muito agradável e de fácil acesso, aqui ao pé do Mercado da Ribeira. Mas sobretudo porque é uma peça contemporânea que agora temas atuais e dá alimento para a alma.
 
R. Quais têm sido as reações do Público?
VC: Reações muito verdadeiras, as pessoas riem bastante, mas também emocionam-se muito. É uma peça que faz refletir, sem dúvida. 
 
R.O que te surpreende na peça?
 VC: A reação do público! As pessoas acham graça onde nunca pensamos, é curioso. 
 
 R.Ser mãe. O que é?
VC: É  uma lição constante de humildade, de coragem, de evolução como ser humano
 
R.O "eu" que és, e que dizes tão bem no monólogo final, como o "defines"?
 VC: É um "eu" igual ao de toda gente... Um eu que precisa  aprender a amar a si próprio para poder amar e ser amado. É isto que viemos fazer aqui na Terra. 
 
R. O que é o "príncipe encantado" que referes no final?
VC: É aquele amor puro e verdadeiro, bonito e especial que acreditamos desde criança que vai aparecer  e fazer de nós uma princesa. Quando crescemos percebemos que é o contrário, é preciso se sentir princesa primeiro para o príncipe aparecer...
 
 R.Mas não será a felicidade uma utopia?
VC: É uma conquista diária, é a capacidade de reconhecer no dia a dia as coisas boas e agradecer para que elas se multipliquem.
 
 R. Adoro o vosso sofá (que não é do Ikea...) mas não sei dizer o nome. Como é?
 VC: Hahahahaha é um John Richard Ashton Classe A!!!!!
 
 
 

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05
Abr16

cena-de-o-gebo-e-a-sombra-de-manoel-de-oliveira-13

 num intervalo das filmagens de "O gebo e a Sombra" , Ricardo Trepa e Jeanne Moreau/imagem tirada da net

 

Um Colóquio Internacional "Manoel de Oliveira: a Poetics of Dissent" nos próximos dias 7 e 8 na Universidade Católica, a não perder. 

 

E um remake sobre aquele que considero um dos melhores de Oliveira, artigo que escrevi antes da apresentação do filme em Veneza. A Crise continua mas não nos define. O grito sim!

 

"Crises não matam vida e cinema. No festival de Veneza, daqui a dias, Manoel de Oliveira apresenta o seu novo filme, O gebo e a sombra. "Faz um filme sobre a pobreza", pedem-lhe. Ao que respondeu ser "um tema muito difícil". A dona crise fê-lo partir (d)a peça homónima de Raul Brandão, de uma atualidade que não esperávamos encontrar. Em quatro atos (96 páginas da edição do Círculo de Leitores), o teatro diagnostica o humano: as sociedades em contrastes e dramas desafiam a liberdade de cada um a desejar uma vida maior. Como Oliveira nas suas obras, não dá soluções mas mostra-se, e neste caso do cinema, no poder que a imagem tem. Provoca e faz, ou não, avançar. Cheio de sombras e de gebos, é solar. Penetra o eu, e o pássaro vai decidir se sai ou não da gaiola, recorrente nos filmes a que nunca me habituarei. Não há mensagem, há uma pergunta que sai da boca do Gebo, o pai: resta saber se a gente vem a este mundo para ser feliz. O gebo, o pobre, sou eu. E quero saber agora, como no céu. Que estás tu a olhar para mim, velha cheia de sonhos irrealizados?, pergunta João, o filho, à mulher, Sofia, no take da página 51.

Isto da política está cada vez pior. Era preciso um homem de pulso. (p53.) Já não há arte (p13); não há nada que chegue à arte... ponho-me a pensar[nela] e vem-me uma tristeza (p45). A gente chega a pensar em morrer(p24). Foi tudo inútil! (p96). Como me dói o que dizes, aqui no coração(p78). Talvez a verdade nos salve (p72). Entretanto, a vida dura, nas suas pungentes urgências, impaciências, cansaços e tampas, leva a esquecer, às vezes a entreter: trabalhar e dormir. E a sacrifícios. Não há que cismar, e o tempo é dominado por outras coisas, que o coração dói. Não se acompanha mais, diz o fado.

Mas não acaba assim! Há uma sombra que pisca, e o coração sabe que não é de pedra (p74). Brandão põe em João a possibilidade de mudar; ele faz gritar por um sentido. Na peça é apresentado com estas palavras: Aí está o homem!(p38). Eu tinha boca e nunca tinha gritado (p96), espanta-se o Gebo. Ele, homem do dever (p.73), entrega-se à polícia, por um dinheiro do suor da sua contabilidade, que foi o filho a roubar. Dostoievski espreita por muitas páginas desta peça, é inegável. E Oliveira gosta muito disso. Afinal, como Claudel, no Anúncio a Maria: para que serve a vida se não for para ser dada?Fui eu que roubei (p83).

João: vocês não sabem o que é a vida. A vida! (p43). E eu, pobre voz, peço:Não entendo e quero ver... (p75). Ver! Se nós pudéssemos ver! (p77). E o que faz perguntar não cessa de amparar, vindo da boca do filho as palavras de toque, a apontar um lugar: Não procures em mim outra figura senão a que conheces...a do desespero não queiras vê-la... (p60). A promessa vem das palavras do pai: Espera que quero ver e hei-de ver! (p78).

E Sofia, mulher do filho, e que não tem este nome sem mais, quando o coração está negro como a noite (p82) - e é de noite que se pergunta (p17; 61-62) - vai dando sempre a deixa: o que eu acho é que há talvez outra coisa maior que não conheço, mas pressinto... É uma coisa que me mete medo e que me atrai. (p75). Eu, o Gebo: Outra coisa?... outra coisa maior? (p76). Eu:No céu? A sabedoria: Não, na terra. (cfr. p76)

Somos uns desgraçados. Por isso é preciso dar tempo e espaço na terra, agora, já, às estrelas que aparecem. Oliveira é seguramente uma das mais brilhantes. E, na p95, o Gebo termina o que escrevo: Ah, essas noites em que a luz se foi fazendo cada vez mais clara [refere-se ao tempo passado na prisão, de castigo a pagar o crime]... Uma hora em que entendi tudo e todas as vozes dentro de mim se sumiram com medo à minha própria voz. A gente só não se arrepende do mal que faz neste mundo."

 

 

 

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 Susana e Carlos Moura de Carvalho/fotografia de António Alfarroba

 Na Porta de entrada, 15 de Maio 2015

 

 

A Mercearia Criativa celebrou os seus cinco anos na 6ª feira passada. O Rasante não podia faltar à Festa. Palavras para quê? Um espanto. O Carlos Moura de Carvalhou conta como tudo aconteceu e do que nos espera....

 

 

 

 

 

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21
Mai15

"Me olvideé de vivir": é capaz!

por Fátima Pinheiro

 

Julio Iglesias estará a 30 de maio no MEO Arena, onde irá apresentar o seu novo espetáculo, integrado na WORLD TOUR 2015.

45 anos de carreira, mais de 300 milhões de discos em todo o mundo. É o único artista a quem foi atribuído um Disco de Diamante por ter vendido, nos seus primeiros 10 anos de carreira internacional, mais de 120 milhões de discos.

Foi distinguido com mais de 3.195 discos de ouro e platina. Figura no Guiness Bookof World Records como sendo o artista que mais discos vendeu num maior número de idiomas e já realizou mais de 5.423 espetáculos em 89 países de todos os continentes.

A letra: "De tanto correr por la vida sin freno/ Me olvidé que la vida se vive un momento/De tanto querer ser en todo el primero/ Me olvidé de vivir los detalles pequeños. /De tanto jugar con los sentimientos/Viviendo de aplausos envueltos en sueños/ De tanto gritar mis canciones al viento/ Ya no soy como ayer, ya no se lo que siento/ Me olvidé de vivir/ Me olvidé de vivir /Me olvidé de vivir! Me olvidé de vivir/ De tanto cantarle al amor y la vida /Me quede sin amor una noche de un día/ De tanto jugar con quien yo más quería/ Perdí sin querer lo mejor que tenía./ De tanto ocultar la verdad con mentiras /Me engañé sin saber que era yo quien perdía /De tanto esperar, yo que nunca ofrecía/ Hoy me toca llorar, yo que siempre"

 

 

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18
Mai15

José Milhazes:um bobo da corte!

por Fátima Pinheiro

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  Um dos belos Palácios de S.Petersburgo/ imagem da net

 

José Milhazes lança o seu novo livro amanhã: "O Favorito Português de Pedro O Grande. Um grumete que chegou a  general e chefe das polícias". Fomos falar com o nosso especialista em temas de Leste. O que ele nos disse! Desde o papel de António Vieira - assim se chamava - aos seus descendentes, entre os quais, os irmãos Michalkov, famosos cineastas russos.

 

E contou-nos também das suas preferências em termos de portugueses com trabalho feito, como o médico Ribeiro Sanches. E portuguesas?, perguntamos. Deu-nos então a conhecer Julia, filha da Marquesa de Alorna, que casou como o Sr. Strogonoff, mais velho e de dentes fracos (estão  a ver de onde vêm os célebres bifinhos"); e um outro português..., bobo na corte russa. 

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