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A minha querida artrose

por Fátima Pinheiro, em 03.06.17

 

 

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 Almada Negreiros

 

Isto aconteceu mesmo, aí há um mês. Até parece que fiz um milagre. Ia na rua, no meu bairro. Agora obrigo-me a andar, porque é saudável, e desde que o pé me começou a doer depois do desastre, e o médico me recomendou  andar e fazer exercício por causa de uma artrose que ganhei no pé direito, é o que tenho feito e estou melhor. Às vezes dói mas isso não impede de andar. Antes pelo contrário. Devo. Tem sido um espetáculo!

Ia nessa manhã para o trabalho. À minha frente arrastava-se uma senhora mais velha, toda encurvada. Quando a ultrapassei pela esquerda disse-me em tom pesaroso: "em tempos eu andava assim, agora...". Eu, apesar da pressa que levava, resolvi parar. Olhei para a senhora e respondi firmemente e com o maior dos realismos: "a senhora não faz ideia as dores que tenho". Acrescentei, um bocadinho a frio , porque estava com pouco tempo para rodeios: "a  senhora se quiser pode endireitar-se um bocadinho!". "Tente lá!".

E fiz com o meu corpo um gesto de endireitar de costas para ela imitar. Não é que ela imitou e e se desencurvou? Parecia milagre. Não sei como ela está agora. O que sei é que ela podia andar direita.  Pedi- lhe que ela me prometesse que passaria a ficar assim, a andar de forma diferente. E que se nos cruzassemos outra vez eu iria vê - la "direita". Com a bengala, mas direita.

Segui caminho. Levo ainda comigo o "novo" ar dela. 

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