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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

06
Jun17

Também tenho falta de ar

por Fátima Pinheiro

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Não tenho asma ou coisa parecida mas às vezes falta- me o ar. A falta de ar manifesta-se de muitas formas, tem muitas causas, e muitas das vezes é atitude, ou falta dela. Digo hoje mais palavras que dizem o que digo sempre. Em grande parte faço da vida o que ela merece, ou não. Tudo me é servido de bandeja, os bens e os males. A mim cabe-me decidir. Decidir isto ou aquilo, decidir existir. A vida tem o grande mistério de um futuro que eu não sei, simplesmente porque o futuro não existe. Existe o que está aqui, hoje, agora. Falta-me o ar sim, bato com o murro na mesa. Isso acontece se me falta visão, e se resolver achar que a vida será como eu projetar. Tudo se atropela. O que fazer?

Parar, ter consciência que da minha parte, nas minhas mãos, tenho  "apenas" o bem precioso que é a liberdade , e, claro, os condicionalismos que todos conhecemos.  Agir em conformidade. Erguer a cabeça. Olhar o essecial. Que é bem visível aos olhos. Começo então a respirar, de novo. E com verdade devo dizer que nada fiz por isso.

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30
Mai17

Trocar as pernas pelas mãos

por Fátima Pinheiro

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O corpo tem nas mãos e nas pernas muito que se lhes diga. Pôr as mãos à obra, ter pernas para andar, apenas duas expressões entre as muitas existentes e que as glosam como poderosas. Pois é, há quem as constate como boas pernas, e boas mãos, querendo dizer muita, muita coisa.  Ter mão. Ter perna. "Meter os pés pelas mãos" é outra coisa. O quero dizer hoje é que não há necesssidade de trocar nada. Porém, como tudo na vida, tem a sua complexidade. Venha ela. Mas digo já que com  tudo a correr bem não troco nada. Só para melhor e porque é subjectivo.

Ao sétimo dia Deus viu que era tudo muito bom. Eu demorei um bocadinho mais. Disseram-me, não há muito tempo, que a partir dos cinquenta uma pessoa começa a entender um pouco da vida. E que depois só pára se quiser. E aprendi que ninguém manda na minha liberdade. Por isso é que ela se chama liberdade. A verdade é que confere.

Uma coisa é ficar sem pernas, num acidente ou assim. Conheço pessoalmente algumas pessoas que sofrem porque estão incapacitadas de andar. Não sei o que isso é. Só as vejo, vejo como vivem, e também como reagem de formas diferentes. Quanto a mim, ainda tenho as duas pernas, apesar de já ter tido alguns acidentes. E tenho as duas mãos. Não as troco por nada. Nem umas pelas outras. Todas me fazem falta. Digo isto porque já mas quiseram cortar, e trocar, mas eu não deixo. Sou uma mulher de sucesso!!! Ah, e não atiro os sapatos a ninguém. Só lhes tiro o chapéu.

 

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29
Mai17

A mim não me enganas tu

por Fátima Pinheiro

 

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Foi ao pequeno almoço. Com o dia em frente. Estava uma das minhas revistas preferidas mesmo ao meu lado. Uma daquelas que não li, e está em banho maria quase há um ano, numa mesa da sala. Porque sim, gosto da "Attitude" e do  tema de capa deste número: felicidade. "Aquela é uma pessoa de atitude", dizemos por vezes. "Mas não ganha nada com isso", acrescentamos por vezes. O outro é que se safa. Sem um propósito à altura do humano que nos mede, a vida acaba por ser uma sucessão de safadices, sacanices, violências: físicas, psicológicas, morais religiosas. Contra homens, animais e mais que haja. Atitude: é precisa? perdeu-se?

Tenho presente atitudes de que me orgulho, nos outros e em mim. E sei que é ambivalente. Atitude de ditador e de santo, de mafia e de gebo. A questão é a montante. Não vale a pena fingir. O melhor para mim é saber o que quero, cara a descoberto, desmascarada. Sempre, sempre, a perguntar. A quem sabe claro. E às coisas também. Usar inteligência e liberdade. O resto, a grande parte da performance, está nas minhas mãos. A minha atitude.

Sem ela , sem uma atitude sustentada, acabo por vegetar, e não ser feliz. Sim, a felicidade não passou de moda. Posso dizer que a rosa é feliz, mas a felicidade aplica-a em primeiro lugar a quem sabe se o é, ou não. E a mim não me enganas tu, diz a canção.

 

 

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