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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

06
Ago17

De nora para avó

por Fátima Pinheiro


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 fotografia Rasante

 

Transcrevo uma carta que encontrei ontem no caminho, ia a chegar a casa. Tem a ver comigo e talvez com mais pessoas. Espero que possa chegar ao destinatário, ou se calhar era um rascunho o que encontrei. 

Cara avó Fernanda,

"hoje é o seu dia de anos, é dia de Festa, e é ao que venho. Parabéns! Como não estou aí a festejar, escrevo estas linhas, porque dia de anos é também dia de verdade, e eu agora já não deixo para amanhã o que posso fazer hoje (nem sempre consigo, nem sempre tenho coragem; gostaria de pedir-lhe para a visitar...). E sobretudo porque no sangue dos meus filhos corre sangue da avó. Era só para lhe agradecer os netos que me deu. Refiro em especial a que é escritora, que sei que hoje lhe escreveu mais uma carta, a qual assino de cruz, porque sei o quanto ela gosta de si. E principalmente porque tenho aprendido que a falar é que nos entendemos e, também, que Deus gosta assim, gosta de paz.

Escrevo para lhe pedir desculpa de todo o azedume e cinismo que tive para consigo. Não soube estar à altura. Devia tê-la compreeendido, e ter sabido como a sua vida, muito complexa, a determinou. A sua mãe morreu, era ainda a Fernanda uma criança. O seu pai trocou-a pela madrastra que lhe arranjou e nunca, pelo que sei, quiz saber de si. Depois, vieram as noras, de quem ninguém a podia obrigar a gostar. Do genro sei pouco. Compreendo por isso o que tenha sentido quando aconteceram as separações.

Queria pois agradecer-lhe os netos que me deu. Melhor não poderia ser!!! Cada um deles.  Se um dia eu vier a ter netos, neles também correrá o seu sangue. Alguns terão os seus olhos, outros a sua altura, ou os seus defeitos. Outros ainda, terão a sua determinação e força para estancar os desaires e os momentos difíceis da família. Brincarei com eles ou então vê-los-ei de longe, onde Deus me quiser "por". Ele fará o melhor, como faz sempre. Ele sabe quando. É ele que faz as contas. Melhor: nem são bem contas. O nome D'Ele é Misericórdia, como nos tem ensinado o Papa Francisco. O Francisco que lhe conte o que aconteceu quando se soube que ele tinha escolhido esse nome. Estavamos os dois juntos, a vir do médico.

Fundamental é também agradecer-lhe o resto, que não necessito de lembrar. Tudo aconteceu e acontece para o bem de cada um. Graças também a si, sou uma mullher feliz. E desejo-lhe tanta ou mais felicidade do que a que tenho.

Só mais uma coisa. Há casamentos que nunca existiram. Mas há outros que existiram, simplesmente não foram alimentados. Cada um sabe do seu, e Deus sabe de todos.

 

Um beijinho desta nora que não a adora, mas que a estima e lhe deseja um dia muito feliz, e muita coragem pela sua nova etapa de vida. Quem sou eu para lhe dar conselhos, mas devo dizer-lhe, que da minha pequenina experiência de vida que tenho (já lá vão quase 60, um zero à esquerda comparado com os séculos dos séculos)  e de ter tido e "ter" uma mãe e um pai que desde cedo me mostraram os olhos de Deus, a vida é para abraçar com muito amor. Como lembrou noutro dia uma amiga minha, médica, o sangue por dentro é todo vermelho." 

Bem  haja!

 

 

 

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11
Mai17

A pessoa de Cristo

por Fátima Pinheiro

 O melhor que pode acontecer a uma pessoa, vai também acontecer em Fátima, uma revolução radical.

 

 

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03
Mai16

Deus Regressou HOJE

por Fátima Pinheiro

Tomas_Halik.jpg

 imagem tirada da net

 

Conheci este teólogo pela leitura de um livro seu, "A paciência de Deus", no qual explica a diferença entre um crente e um ateu de um forma nova para mim, o que me mudou mais um bocadinho - ver o meu  http://expresso.sapo.pt/o-que-distingue-um-ateu-de-um-crente-1=f849468.

Só ontem soube que está em Portugal e que hoje vai estar na Culturgest para  reflectir connosco sobre o  «O Regresso de Deus». Ás 18h e 30m, entrada livre.

O pontificado de Francisco deu um “novo estilo” à Igreja Católica, “é um novo capítulo na história do Cristianismo”, disse em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre Halík está em Portugal para um conjunto de conferências e celebrações, ligados principalmente à apresentação da sua nova obra, ‘Quero que tu sejas - Podemos acreditar no Deus do amor?’.

 

 

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27
Mar16

O Nome de Deus é Francisco

por Fátima Pinheiro

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Leonardo di Caprio em "O Renascido", imagem tirada da net, a imagem final do filme

 

Cinema não é o tema deste artigo, embora esteja repleto de Revenant, Stalker e Spotlight. Escrevo sim sobre a Páscoa que é mais do que aquilo que mostra o filme “dos padres pedófilos”, como o chamam. Não gostei não, mas não é pelo que se pensa. É por razões apropriadas: a Porta que Bergman refere ao comentar a obra de Tarkovsky.

Spotlight (2015) mostra a investigação feita por uma equipa de jornalistas que usa todos os meios para trazer a verdade ao de cima. É mais um documentário do que um filme propriamente dito. 20 valores. Há contudo um aspeto crucial. Sendo a Igreja ator principal desta história, dela pouco se fica a conhecer no que respeita à sua natureza. Eu sei que o filme não pretende ser uma Suma Teológica, mas acaba por meter a colher em seara alheia. Ou melhor, não consegue meter.

O resultado do filme é a Igreja reduzida aos que praticaram atos monstruosos. O resultado pode ser: “afinal a Igreja é um bando de criminosos, pompas e circunstâncias.” Talvez o Papa Francisco seja outra loiça, etc. Erro gnoseológico: parte-se da premissa de que a Igreja é feita por homens perfeitos. Acontece que Jesus Cristo ao fundar a Sua Igreja sobre Pedro, que o tinha acabado de negar três vezes (e foi isto que os homens de Boston fizeram) sabia muito bem o que estava a fazer. Foi de propósito. A Igreja foi escolhida assim, como um barro que é o instrumento humano do divino. Logo, qualquer objeção à Igreja com base de que ela não tem a pinta do seu fundador, cai por terra. Spotlight mostra de mais e acaba por mostrar de menos. Viro-me então para os outros dois: um filme que não é de vingança, como se diz, filme de um mexicano que quer imitar o artista russo que realizou Stalker. Para chegar assim à Páscoa, à Porta.

Renascido (2015) é sim a história de um pai, de um filho e de uma grande companhia. De um amor que não desiste diante dos maiores obstáculos. O filme é a nossa vida. O grande e o pequeno, a natureza e a história, o dia e noite, o amor e o ódio, o sol e a chuva, a tempestade e a bonança, a mulher e o homem, a musica a dança e o silêncio. É um pedaço de vida que não se conta. Vê-se. Experimenta-se. Depois de meia dúzia de filmes de seguida com Scorcese, Leonardo Di Caprio dá-se na Câmara de Iñárritu. Um mexicano que me foi apresentado recentemente. 

Stalker (Tarkovski,1979): entra-se mudo e sai-se calado. É um murro no estômago. Sou eu, ali. Diante da Porta. Quero entrar? Não há chave, diz Bergman; mas mesmo se houvesse não abriria, continuou Tolentino Mendoça no Domingo ao apresentar este filme (o que escolheria, se tivesse que indicar um de Tarkovsky) no Espaço Nimas. Foi e é preciso a Páscoa. Não há pedofilia que se aguente. Entremos nas “entranhas da Misericórdia”, lembrou há pouco Francisco numa entrevista, um spotlight que é o nome de Deus em ação.

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23
Fev16

Lutero tinha razão

por Fátima Pinheiro

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imagem tirada da net 

Vem isto a propósito de uma conversa recente. Sobre tudo. Religião inclusivé. Lutero em especial. Mas o que escrevo é mais abrangente e serve para as nossas vidas. Serve para mim. Se eu tenho razão, e do outro lado de que faço parte não há razão, o que faço? Saio, e faço à parte?

A este propósito verifiquei mais uma vez que somos muito ignorantes e tomamos muitas vezes opções apenas por desconhecimento. Se soubessesmos da matéria, muito poderia ser diferente. Depois não temos tempo para aprofundar as questões. A vida é complexa e vamos fazendo o que pudemos. Rotinas, obrigações, urgências, cansaço. O tempo para amar também se esvai.Todos sabemos do que estou a falar...

Lutero fez bem ao "sair"? Ele estava cheio de razão. A História da Igreja não é propriamete um mar de rosas. E quem fundou a Igreja bem sabia que Pedro, o escolhido para primeiro papa, o tinha negado três vezes antes do galo cantar. Pois aqui está. O gesto fundacional é o de uma vida, não o de uma moral. A moral é toda quase igual em todo o lado. Mas a Igreja não é uma moral, é uma vida. Humana. Instrumento do Divino.

Lutero tinha razão. Havias razões de sobejo para sair. Mas ao fazê-lo foi bem diferente daquela mulher que à decisão de Salomão - de cortar o menino ao meio, metade para cada uma das duas pretensas mães -  decidiu abdicar do seu filho só para que não o partissem ao meio. Lutero tinha razão, mas "perdeu-a".

 

 

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22
Out15

imagem tirada da net

 

Eu tento ser católico, apostólico, romano, disse ontem o encenador na Capela do Rato. Não são "Confissões" a uma nossa e querida Maria João Avillez, que conduz o ciclo de Conversas com o título "Deus", e vai trazer Marcelo, Maria de Belém, Fernando Santos e outros. O Pe Tolentino Mendonça (que acaba de receber mais um prémio literário, desta vez italiano) abriu com chave de ouro esta sua iniciativa. Jorge foi um crisóstomo para aquela sala cheia, que também tem muito que falar, sob o olhar de uma estátua de uma Nossa Senhora linda, num fundo laranja e azul, que prende e solta. O que confessou este homem que se apaixonou bem cedo por Deus? Como S.Agostinho, confessou aos homens a sua experiência de que é preciso gritar bem do fundo de si o desejo de felicidade.

 

Foi a Companhia de Amor e Perdão que o cativou.  É muito melhor "Maria vai com as outras", como é muito melhor "torcer que quebrar" (lembrou o  que o Pe António Vieira disse da superação da matéria). Acho que devia haver o sacramento da Confirmação todos os dias, e não ser limitado a ser uma segunda via do baptismo. Mas no princípio, para ele, está o episódio da Transfiguração, do Monte Tabor, que S. João, que lá estava, é o único dos quatro evangelistas que a ele não faz referência. Homem de teatro, mas que entrou pela porta do cinema (teve João Bénard da Costa como professor, sublinhou), ele transfigura-se em todos os palcos, a partir das 21h,  assistindo ao nascimento de novas criaturas, os actores que "dirige". Teatro e catolicismo nunca se deram muito bem, reconhece. Mas olhe, Jorge  (e agora é a minha fala), olhe que não: uma alegria estampada nos olhos, na face, uma honestidade intelectual invulgar e contangiante, um homem que dá gosto.

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16
Ago15

1 Dogma, 2 Dogmas, 3 Dogmas...

por Fátima Pinheiro

 

Maria consola Jesus, depois de uma queda (em A paixão de Cristo, Mel Gibson)/imagem tirada da net

 

A palavra "Dogma" significa "verdade", "máxima" e não é só usada na Igreja. A novidade do cristianismo está noutra coisa: a louca pretensão de "continuar" a presença de Jesus nestes nossos dias. O que passa a ser de cada um, na verificação dessa pretensão. Ele foi o único homem que afirmou ser Deus ( e não apenas enviado, profeta, etc.)

Que é a verdade? Questão antiga e nova, impede diálogo, se não é bem entendida. Verdade? Não serão, antes, verdades? A minha, a tua … Ou não fará sentido falar de verdade, incluídas as que acabei por não poder deixar de implicar, ou subentender? Nem preciso de ir a Pilatos, nem à aletheia grega (des-velamento, luz, verdade), da qual Heidegger usou e abusou. Não! Está tudo muito, muito mais à mão.

Os ingleses, por exemplo, Conseguem ter, ao mesmo tempo, finura e geometria! Façanha ou destino que Descartes, nem aos calcanhares. Bem quis. E nós ainda dele, tendencialmente, filhos somos. Assim é a rapariga de nazaré, porta do céu! Deus abriu-a no dia em que um anjo a desafiou a dizer sim. "Posso entrar em ti"? Nesse dia a liberdade encarnou. É simples: nascemos e crescemos, mas vamos deixando de re-parar nos desafios. We take tem for granted. A Igreja é mesmo pretensiosa: é assim, ou não? Precisamos de uma boa filosofia a viver da luz que faz perguntar. O sol, para Platão, é a verdade que confere também às imagens projetadas na caverna o estatuto de possuírem essa verdade que lhes pertence.

Voltando à banalidade da verdade. O chá das 5 é tão bom, que é semelhante à etimologia da palavra "tree", que é a mesma da de "truth": algo em que se embate, ou algo que se topa. Difícil de ignorar. Como uma árvore, ou uma pedra, no nosso caminho, e em que tropeço. É algo de tão absoluto, quanto o eu estar aqui e agora a escrever estas linhas. Qualquer extra-terrestre, qualquer um, esteja onde estiver, pode, ou não, topar-me neste preciso instante, do dia 16 de Agosto de 2015, em Portugal continental. Aqui e agora. E no futuro poderemos referir-nos a esse dado como sendo verdadeiro. Isto é incontornável. Eu não estou em Veneza (em sonhos posso estar). É tão verdade quanto eu não saber se amanhã vai chover, ou onde estarei daqui a umas horas.

Assunção? Subida ao céu? Ela sempre foi. Aos 15 anos um anjo entrou-lhe em casa e fez-lhe um convite impossível: "Queres ser a mãe de Deus?". Nove meses depois, o recém-nascido é adorado por três cientistas e por um rebanho de pastores que por perto pernoitava. A música ambiente é cantada por anjos, cheios de pica. Meses depois, ela e o marido fogem para o Egipto porque houve um rei que teve medo que o puto lhe fizesse sombra.  Era o filho um teenager, quando Ela o perde, porque nesse dia numa feira, Ele parou na Sinagoga para ensinar os doutores. 33 anos mais tarde, num casamento a que foi com a família, a subida foi no vinho: a segunda rodada, melhor que a primeira. Por essa altura já o filho teria escolhido a dedo a equipa dos 12 que o iriam seguir.

A subida que foi aquele calvário, pressentiu-a mas subiu as expectativas: encontrou forças para ser Ela a guiá-la (neste ponto Gibson e Maria Morgenstern são , e serão, imbatíveis). Nas quedas do filho - que a cruz pesava, a coroa era espinhosa, e as chicotadas como se sabe -, Ela disse-lhe sempre: "Estou aqui". Como nas quedas que dava em pequenino, ainda antes de lhe por o Betadine. 

Numa época em que corpo ou é idolatrado (corpos Danone, etc.; como se fossemos só casca) ou ignorado e para esquecer (filosofias que afirmam a pés juntos que a dor pode ser sublimada; como se alguma vez a dor fosse uma ilusão), faz falta esta bússola do dia 15 de Agosto. Estrela a guiar. É um Dogma inventado pelo Vaticano? Não. E Dogma quer "apenas" dizer "é assim", e é proclamado ex-catedra porque a força de uma experiência milenar, tra-diz-se cada dia falando mais alto que todas as mentiras juntas.

Subido Ele já no madeiro, sobe Ela também aos pregos nos pés e aí fica até "aquilo" acabar, apoiada em João, o amigo preferido do filho. Descido já sem vida e irreconhecível, é Ela que sobe a lavá-Lo e a levá-Lo ao virgem sepulcro. Sobe Ela ainda mais alto, e sobem as mulheres de todos os tempos. O resto é conversa miudinha, de quem não ainda entendeu que a força da História fala mais alto que o barulho. Paroles, Paroles, Paroles.

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     Natureza morta? Só destas/ Imagem da net de uma pintura de Van Gogh

     
    Volto ao que escrevi ontem por causa de palavras que troquei com um dos meus amigos do facebook, ao qual todos têm acesso. O título de hoje é paráfrase da conhecida expressão de Nietzsche: Deus morreu! Fomos nós que o matamos. De facto, palavras como "segredo", "justiça", "amor", "beleza", "verdade", "felicidade", "bem" e quejandas, já eram. Mudam-se os tempos....
     
    Todas estas noções são quando um homem quer e como quer. No entanto qualquer criança terá a maior das facilidades em reconhecer, por exemplo, e se for menina, que o pai não lhe deve ir "a certo sítio". Diz um tipo de Sociologia: foi porque interiorizou; é a sociedade que enfia os conceitos de "bem" e "mal", e todos os outros. Mas quem a mandou interiorizar? Terá sido à martelada? Ou não terá antes sido ela própria? E como? Com um crivo que possui e lhe permite ser tudo menos burra. Mas com o tempo, a maioria das pessoas, já crescidinhas, quando dá por ela, já pensa com uma cabeça que não é a sua. Matou a autenticidade e o sorriso de criança. Vive de marteladas, in-puts. Sim,  a razoabilidade da tal interiorização está na existência de uma natureza humana. Que matámos. E? Recuso-me a ser uma "natureza morta" e não desistirei de matar a alienação que me querem impingir. Uma espécie de régia posição: não sei por onde onde vou, só sei que não vou por aí. Ou se quiserem, vou à procura do que me corresponde, uma espécie de onde está o Wally? Eu sei que existe o Wally, está escondido, mas pode ser encontrado.
     
    O meu amigo: "Não tenho qualquer certeza sobre o chamado 'processo Sócrates' mas fico espantado quando vejo alguém, como tu, achar completamente normal tudo o que tem sido publicado contra José Sócrates, sobretudo pelo Sol e pelo Correio da Manhã, e que deveria estar em segredo de justiça, e, depois, quando a TVI resolve confrontar o acusado com os factos, dando-lhe a oportunidade de contar a sua versão dos ditos, reage com a indignação com que tu reages, chegando ao ponto de criticar a própria TVI por ter feito o que qualquer órgão de comunicação sério, em qualquer parte do mundo, teria tentado fazer, em circunstâncias idênticas. Aliás, quem só conhece o lado da história contado pelo Sol e pelo Correio da Manhã tem aqui o link que lhe permite aceder à versão do acusado: http://www.tvi24.iol.pt/.../exclusivo-tvi-as-respostas-de... EXCLUSIVO TVI: As respostas de Sócrates a seis questões essenciais "
     
    Eu: "Não há 'processo', há uma pessoa que tem uma dignidade intocável e que tem esse nome. Foi meu primeiro-ministro. Acho inadmissível tudo isto. Viste o que escrevinhei sobre o segredo de justiça? [publicado neste blogue, a 17 de Dezembro e ontem no PINN Segredo de Justiça: Fernando Santos e D.Manuel Clemente Fátima Pinheiro http://portugueseindependentnews.com/.../segredo-de.../ ] Achas normal porem publicidade no meio da entrevista? E a própria entrevista? Não devia haver recato? Por outro lado, não nasci ontem, e independentemente de quem seja, achas normal um enriquecimento assim? Não me interessa o Sol ou o Correio da Manhã . Infelizmente já não acredito muito nos media. Neste espaço de blogues e fb digo o que penso; apenas usando o bom senso que tenho. Gostaria que tudo fosse mentira. Mas tenho o direito a desconfiar de quem subiu muito na vida, assim de repente. Nada disto é normal e eu sou apenas uma boa dona de casa. Alguma vez me considero superior a José Sócrates? E não fico excitada [expressão que ele introduziu no começo da conversa] mas triste com esta burricada toda. Acho que todos, incuindo Sócrates, mereçemos mais e melhor. Mas percebo que penses o que pensas. Já me habituei a que me interpretem mal. A Democracia precisa de treino e de saber selecionar http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=832107 O que têm em comum um patriarca e um treinador de futebol? - Renascença V+ "
     
    O meu amigo:  "Subscrevo - e aplaudo - o que disse D. Manuel Clemente sobre o segredo de justiça, no teu Conhaque - Philo: 'O caminho da justiça, precisa de uma certa distância da opinião pública para poder levar os seus processos por diante´ E lamentou: 'Às vezes, penso que será difícil, com este frenesim de casos sobre casos e mais casos, em que tudo fica julgado antes de o ser'. " No 'caso Sócrates', sobre o qual, como disse acima, não tenho qualquer certeza, já tudo está 'julgado antes de o ser'. Tal como tu, a generalidade das pessoas já interiorizaram que Sócrates ficou imensamente rico pelo que, tendo apenas funções públicas há imensos anos, apenas o poderá ter conseguido via corrupção/enriquecimento ilícito. Será mesmo assim? Não sei! Só sei o que os jornais publicam (que poderá constar do processo, ou não, e, mesmo que conste, carece de ser provado) e as respostas de Sócrates."
     
    Para terminar, digo que o meu amigo me responde assim porque não quer ser uma natureza morta. E apesar de não parecer, eu, tal como ele, não andamos aqui para ver andar os outros. Mais respeito por favor! Mas parece que esta bola de neve não quer parar; ou que todos os dias lá se atira mais uma acha para a fogueira. Uma espécie de oração da manhã. A que Deus? 
     
    PS: Acabo de ouvir da boca de um dos advogados de Sócrates (no noticiário das 8h da Rádio Renascença) que o facto de Sócrates ter dado a entrevista não vai contra a lei. E logo de seguida afirma que aquilo não foi uma entrevista, foi um conjunto de respostas a umas perguntas. Então foi ou não foi entrevista? Que burricada!

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24
Dez14

A alegria do Natal: tanto me faz!

por Fátima Pinheiro

 

Maria no filme de Pasolini "O Evangelho segundo Mateus"  (1964) / imagem da net

 

Apareci tida e achada.  E não dei por nada. De um seio que então soube e sabe mais do que eu, que eu de mim própria. Eu vou sabendo sim, aos poucos, aos tropeções, às apalpadelas, aos abraços, aos sonhos, aos nós, seus atares e desamores, no tempo. Às vezes mesmo sem ele. Pressas e devagares, urgências e prioridades. Essenciais e acessórios. Hoje, no dia em que o tempo foi rachado de eternidade, na noite em que na hospedaria passou a haver lugar para a transcendência de todas as transcendências, em que os estábulos se tornaram todos Carne da mesma Carne, "o céu o mar prolongou". E a filosofia, após breve mas rigoroso descanso, ganhou alento para uma vida nova. Do tamanho de um bébé. Com ou sem caracóis, uma alegria de palha a sorrir duns olhos tantos. Dum tamanho que tanto me faz! 

 

Leibniz, Kierkegaard e Nietzsche cabem neste presépio (três porque os magos eram três, mas há outros, para outros posts). Como tudo cabe. Mais os livros - os bons e outros - que enchem prateleiras e fazem parte dos bolo rei e rainha, oferecidos nesta quadra. São pungir de muitos lábios que desejam, como o fado nasceram um dia, na amurada de um veleiro, o vento mal bulia. Do peito e dos muros e bordos das nossas janelas. No silêncio do saber perguntar. Ou pedir. O Deus que descrevem não é o do "tanto" me faz, embora o intencionar seja outra história. Sei eu lá o seu intencionar! Limito-me aos escritos. Então? 

 

Leibniz? O melhor dos mundos possíveis é encolhido no peito do marinheiro. A quadra não tem esquadro que valha. O racionalismo calça um número abaixo do nosso. É o racionalismo. Presente sem Rei. Mas a mostrar que isto não é para fezadas, nem brincadeiras.

 

Kierkegaard? Bem que cantou e saltou. Mas a fé saltou descalça. A razão é o pé que faltou. Outro presente desadequado. É o fideísmo, embora no seu melhor. Grande pai dos existencialistas.

 

E o meu ceguinho de choro? Louco,  Nietzsche? E que importa ? Foi a montante das morais que descreveu! Interessou-lhe, sim, a vida no seu esplendor. Não a encontrou nas prácticas de uma Europa toda de carneirada, nem nas de um cristianismo de seiva de túmulos caiados de branco e de cadáveres adiados. Vomitou mediocridades, e, pela negativa arejou os cinzentos da lufada de uma transcendência sem lugar nas nossas vidas. É esse Natal que peço, mais uma vez. Um que caiba no meu sapatinho. Porque acredito e porque já se cumpre numa alegria que me espanta, na alegria do paradoxo do  que me vai acontecendo, e que tanto me "faz".

 

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23
Dez14

Maçonaria: um estábulo tramado.

por Fátima Pinheiro

Jesus Cristo/imagem da Net

 

Muito simples a resposta à pergunta: catolicismo e maçonaria são compatíveis? A resposta está no meu novo livro, o Rasante (Chiado editora, 2014), lançado há umas semanas por uma pessoa de quem gosto muito e que pertence à Maçonaria – já o disse ele em público várias vezes; não revelo segredos. Segredo é segredo. O meu livro nada faz ou diz de especial. Diz o que já foi dito e redito. O tema veio-me há dois dias à cabeça. Assim escrevo as minhas crónicas: escrevo sobre o que me acontece. Estamos no Natal e talvez tenha sido por isso que me veio à memória. E talvez também porque há muita confusão, ou pouco rigor, ao falar de Natal e de Maçonaria. Uma coisa é certa: isto não é um j’accuse ou um je sais, je sais, je sais. Nem falo de pessoas, apenas de filosofia.

Maçonaria? Sei pouco do assunto mas interesso-me e sei q.b. E sei o que as pessoas de conhecimento médio sabem: que é bom pertencer à Maçonaria porque se arranjam muitos contactos que facilitam a vida, o arranjar trabalho e coisas do género. E sei também que as bases filosóficas da Maçonaria não suscitam o interesse que mereceriam. Há uns tempos li um livro – que esgotou num ápice – intitulado A Trama Maçónica, de Manuel Guerra. Fiquei esclarecida, mas não é deste livro que falo hoje.

É costume comparar-se o pertencer à Maçonaria como pertencer à Opus Dei, sem saber sequer o que é uma Prelatura Pessoal. Mal comparado, as pessoas (categoria em que me encontro, a de ser pessoa) pensam que é assim uma coisa de Rotários. As pessoas gostam de amigos, de estar protegidas, tecerem relações que as ajudam nas suas vidas. As pessoas têm pouco tempo para estudar.

Hoje falo sim do que já sabia de básico e é nesse ponto que fico: para a Maçonaria – e há várias, eu sei – Cristo não é verdadeiro Deus, mas sim verdadeiramente homem. Para o Catolicismo Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiramente homem. Para a Maçonaria Deus é um Arquitecto, que a razão humana entende, no juntar dos traços do mesmo esquadro. Para o Catolicismo Deus é a verificação da hipótese que Platão põe no Fédon.

Como não sei dizer melhor e tenho que fazer as rabanadas, transcrevo o que um dia escrevi no jornal Público “A hipótese de Platão verificou-se em Nazaré?”

« 'Natal é quando um homem quiser', é frase repetida todo o ano. Até é verdadeira, mas num sentido muito singular. Isto é, nem sempre assim é. Se dissermos antes: 'Natal foi quando uma mulher quis', já a história é outra. Platão intuiu o que aqui é implicado, mas não com todos os contornos. Foi preciso, uns séculos mais tarde, uma virgem de 15 anos (números redondos) para que a passagem do Fédon ganhasse sentido, e para que hoje o que se vive em torno do Natal se possa animar de uma esperança que torne "carne" os mais profundos desejos, pedidos, evidências e exigências do coração de cada pessoa.

Pode dizer-se que um triângulo equilátero é uma figura geométrica de 30 lados desiguais. Mas não do ponto de vista da ciência que o estuda enquanto tal. Neste caso é uma afirmação falsa. Já no que diz respeito ao sentido último da existência - se Deus existe, e se sim "quantos" são, e qual a natureza, ou, o que dá no mesmo, "quem sou, de onde venho e para onde vou?" -, celebra-se na filosofia contemporânea um relativismo, outrora visto como impotência da razão. Daí que as palavras de Platão acertem em cheio: nestas questões "últimas" - parafraseio o diálogo há pouco referido -, o homem vive como que num oceano de vagas difíceis, tempestuoso, a naufragar na ausência de resposta cabal. A não ser que o próprio Deus venha "cá" esclarecer-nos.

A posição dos sofistas - que Platão critica de forma rigorosa em terreno filosófico com a sua Teoria das Ideias, que são mais reais do que a aparente realidade que se pensa que nos sustenta - é, embora noutras modalidades, defendida hoje: a dificuldade das questões e a brevidade da vida humana alegadamente justificam que cada um seja a medida do real.

O sentido religioso, isto é, aquilo que no homem o impele a uma religação com o elo perdido, é construído por cada um, com as forças de cada um. Por um lado, uma solidão dolorosa, ou cruz sem ressurreição. Por outro, pode defender-se, como fez o então Presidente Clinton, "a América é o país mais religioso do mundo" porque nele há mais religiões.

A hipótese que Platão pôs verificou-se em Nazaré? That"s the Question. Todas as religiões são um esforço mais ou menos individual, mais ou menos estruturado ou ritualizado, para "sim-tonizar" o homem com o Infinito. Apenas uma delas - o que levou Julien Ries a afirmar então que, em sentido estrito, o Cristianismo se trata da única religião que não é religião - escandalosamente, para muitos, se apresenta ao mundo com a pretensão de que "contém" e "fornece" o Infinito.

Num momento do tempo - como bem notou T. S. Elliot - no que acontece no diálogo de todos conhecido, entre o anjo Gabriel e a rapariga escolhida por Deus, "marca-se" o tempo. E aqui lembro Paolo Pasolini, no filme Evangelho segundo Mateus (1964), na cara que mostra Maria serena mas preocupada com José, que só mais tarde vem a perceber. Quando isso acontece, ela espera por ele, já com as mãos na barriga, e o seu sorriso só se abre ao abrir do sorriso do noivo.

O que tem ela no seu seio? O Infinito? Esta é a pretensão que faz da Igreja o que Ela é. É a pergunta à qual cada um terá que responder, ou simplesmente ignorar, ou tornear, por dificuldade ou por "não ter tempo". Seja como for, e olhando o Natal como se apresenta vivido hoje, ele é o que um homem "quer". O Natal "é" anjos, ovelhinhas, estrelas e bolas coloridas, da almofada ao postal? O Natal é a festa das famílias? O Natal é o Verbo que se fez carne naquele seio? É tudo isto?

O que nos enche mais a razão, isto é, os nossos mais profundos desejos, pedidos, evidências e exigências? Quero religar-me a esse "X" que, por ser do "tamanho" que é - Infinito e bebé "em palhinhas estendido" -, é capaz de encher o vazio que só cínica e hipocritamente - isto é, de forma irrazoável - posso dizer que ignoro? Ou fico-me sustentado pelas luzes? Lindas, sem dúvida, e a fazer parte, com o bacalhau e os sonhos. Mas sombras de sombras da Luz que Platão sabia e 'conheceu' .»

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