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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

13
Mai17

Só pode ter aparecido !

por Fátima Pinheiro

O que faz Francisco vir à Cova da Iria? Acabo de estar a um metro e meio de distância deste homem terno e imponente. Que prescinde ou é, pelo menos, livre, de pompas e circunstâncias. Que sabe o que é a miséria e a ditadura. No meio dos Poderosos age como se estivesse com crianças. E não deixa de ser solene e impactar.  Entre outros gestos, que as televisões não se cansaram de por e repor, no percurso que fez da base aérea onde aterrou, até ao Santuário, fez o papa móvel parar algumas vezes para se enternecer e ser enternecido, por algumas delas. Brincou com duas bonecas, abraçou um rapaz com grave deficiência, virava-se e estendia-se para todos os lados. Sempre a amparar, consolar, abraçar e beijar. Isto entremeado por imagens dos que nos governam, dos que vestidos de fios, tm, e coisas que nem sei, faziam o trabalho para que tudo corresse bem. 

À noite, ontem, Ele  podia ter ficado de chinelos na Casa do Carmo, a ver pela janela, com se visse pela televisão, o mar de velas que é aquela vigília, de que há pouco João Canijo soube dar um cheirinho. Mas Francisco é um homem de "calle". Mal jantou e antes do terço das 21h e 30, é vê-lo uns vinte minutos antes, foro do papa móvel, a caminhar para a capelinha, onde rezou em frente ao local onde há Cem Anos apareceu a Senhora mais brilhante que o sol. Ninguém diz que tem um pulmão apenas e que tem 80 anos. O que O faz correr é a certeza do essencial. O fôlego e a juventude soltam-lhe um sorriso bom, alegre e inesquecível. Faz-nos por as sandálias e saltar, que urge. Mata a mornice panhonhas de acharmos que "ainda não". Ou "um dia". Artroses, noitadas e falta de tempo...

Disse que veio como peregrino mas também para celebrar o centenário das Aparições. "Temos mãe", disse repetidamente. Cristo é a Porta. E Ela é Mãe porque soube dar o Filho ao mundo. As mães dão tudo. As mães dão-se. Os pastorinhos deram-se, lembrava hoje Francisco que é agora nosso Pastor. Na véspera já nos tinha oferecido uma bela Mariologia.

Hoje o papa apontou-nos Jacinta e Francisco como santos. Conta connosco, pede-o insistentemente que rezemos por Ele. Sabe muito, muito bem o que o rodeia, e o que tem pela frente. Já partiu, um homem investido de mais sáude, força, coragem, profundidade, e outras coisas mais que o Bispo de Fátima lhe prometeu que iriamos rezar. Ele vai à luta. Também o disse quando chegou. Como disse hoje  que ser cristão é ser mariano.

Não vi, mas Ela apareceu.  Senão seria tudo isto uma brincadeira. A conversa do sermos tolerantes e respeitarmos, não leva a lado nenhum. É como um filho ao colo da mãe: essas palavras - tolerância e respeito - não cabem. Cabem outras palavras que não se sabem dizer. Cabe nada a não ser o lugar que se faz no colo. Temos mãe, "um manto de luz".

 

Da Homilia de hoje: "Deus criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz."

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O padre Aleksandr Burgos, da igreja católica bizantina da Rússia, acaba de anunciar em S.Petersburgo  que

amanhã, 13 de maio de 2017 às 7.15 da manhã, hora europeia, os bispos da Rússia e Cazaquistão vão consagrar a Rússia e Cazaquistão ao imaculado coração de Maria perante o ícone da mãe de Deus de Fátima. Podemos juntar-nos espiritualmente.

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11
Mai17

A pessoa de Cristo

por Fátima Pinheiro

 O melhor que pode acontecer a uma pessoa, vai também acontecer em Fátima, uma revolução radical.

 

 

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Assim penso e sigo. O papa vive uma revolução que não é revolução, em sentido técnico, entenda-se. Ao ver ontem o Prós e contras lembrei-me  deste programa sobre se Francisco era revolução ou rutura, aquando da sua "tomada de posse". Penso o mesmo, só que mais guarnecido pelo que tenho visto. O seu pontificado tem sido extraordinárido pela sua simplicidade. Rico em paradoxos.

As ondas não se repetem, mas mar só há um. É como se cada onda se enchesse e crescesse, ou se esvaziasse e diminuisse num mesmo bater, avançar e recuar. Como o fogo da minha lareira. Francisco gosta de estar com as pessoas e é um solitário, faz muito trabalho de casa sozinho. É jesuíta e chama-se agora Francisco. É sério e abarrota com um sentido de humor desconcertante. É um teaser que provoca liberdade, sem deixar a formalidade dos pontos nos "is".

É uma grande oportunidade. Um avião não passa duas vezes. Veja o video.

 

 

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08
Mai17

Sou do tempo em que prefácios e apresentações de livros eram realmente isso. Tinham como objetivo dar em breves palavras uma pincelada sobre o livro, que era suposto conhecerem. Para além disso tinham também como objetivo suscitarem o interesse para o livro. Mas já era. O bom que se vai perdendo. A troco de quê?

Tenho lido tudo o que é livro sobre o Papa e Fátima. Ele está a chegar. Ontem peguei em mais um, li. O prefácio era de uma pessoa célebre. Até fiquei envergonhada! Quatro a cinco parágrafos que podiam servir em qualquer livro. Tipo chapa zero. Eles não estragam o livro, mas quase. O ponto a que chegamos.

Ainda nos admiramos que os livros tenha perdido o interesse. Umas coisas obsoletas. O livro, editoras, autores, cederam também a venderem gato por lebre. Até percebo. Eu também tenho que pagar as contas no fim de cada mês. Mas vamos cruzar os braços ou amá-los? Eu ainda acredito. Salve-se quem puder.

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Uma escola. Trabalho de casa e de caso. Um punhado de 11 mulheres, actrizes de primeira. Rita Blanco, sem dúvida. Mas a Bustorf, apenas para referir mais uma,  está irreconhecível, de tão bem encarnar uma pessoa que está nos antípodas dela. E as outras, impecáveis. Não foi por acaso que viveram literalmemte em Vinhais, e tivessem ido a pé a Fátima, como o próprio realizador fez antes delas, para se identificarem com os seus papéis. Muitos perguntam a Canijo se elas são todas actrizes, e esta é uma pergunta que ele aliás já reconheceu gostar muito. O fime "Fátima" de João Canijo não veio ao engano. Quiz o realizador filmar um grupo de mulheres em situação potencialmente exploxiva, convivendo em situação limite, sem interrupções, dia e noite. Não podia ter arranjado melhor: uma ida a Fátima a pé, vindas de Trás- os-Montes. Sem pretensões de entrar em motivações, apenas a de mostrar um pedaço, uma perspectiva sociológica. Também não tenho outra pretensão que não a de partilhar o que vi. Só um realizador com mestria consegue fazer o que Canijo fez. Embora Fátima não seja só o que este filme mostra, Ela está lá toda. 

A sua câmara aguenta e faz brilhar o que parece não chegar para tema de um filme que prende do princípio ao fim. Sempre o mesmo. Cada manhã o arrancar para a caminhada. As feridas nos pés. As frições e altos mexericos.Tudo ao som das avé-marias, das asneiras, das melhores, grossas mesmo. E cânticos. Os assuntos são um quotidiano aparentemente sem novidade. Realismo puro e duro. E por isso mesmo, por ser realista, mesmo sem o querer Canijo deixa espaço para o imprevisto. Quem vai à guerra dá e leva. E Canijo nos seus fimes mostra sempre a pele nua e crua do real. Por vezes calando pormenores que também fazem parte.

O que são estas mulheres senão um guerra? A vida é uma guerra. Recordo um plano em que se dão muitos planos justapostos, numa profundeza a roçar uma pintura, em que ao fundo, Rita Blanco deixa cair umas lágrimas, é já noite e é hora de descansar.  Ao mesmo tempo, planos com pés, ligaduras, e vozes que sussurram outras vidas. E caralho, porra, foda-se, sempre. Até cheira mal na sala onde me sento. E as queixas do dia. Merda. E o caminho que não acaba. A lágrima de Rita traz, contudo, a vitória dos nadas. Sangue do meu sangue.

 

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02
Mai17

 

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                                           photo Chris Schwarz

 

Uma pergunta que faço, a propósito deste engarrafamento de artigos, livros e filmes sobre Fátima, agora que se aproxima o centenário 13 de Maio. Fátima não é um dogma, pode ser-se um "bom" católico sem se acreditar em Fátima, todas as crianças, não apenas os pastorinhos, são santos ( não conhecem os meus filhos...) tem-se dito. Para não falar da falsa dicotomia aparições/visões. Quem quiser acredite, quem quiser não acredite. É usar a razão.! Contudo, quem acredita no Deus das Aparições acredita em Alguém que não cabe na minha medida. É mesmo transcendente.

Li hoje um artigo no DN, uma entrevista a um teólogo que hoje lança um livro seu, moderando um debate, na Gulbenkian, onde estarão presentes, entre outros, Marcelo, Ramalho Eanes e Adriano Moreira. Proeza, não é? Um teólogo que precisou de Ernst Bloch e de Nietzsche para situar a questão central na sua maior atualidade. Quem sou eu, donde venho, para onde vou, o que espero? Dr. Anselmo , essas questões são ancestrais, e as crianças, sim, agora sim, todas as crianças, têm essas perguntas bem vivas, mesmo quando não as formulam. Uma criança que sofre, e o senhor muito bem as refere, tem essas perguntas estampadas no rosto. E tem fome. Eu peço o impossível, porque ao Deus em Quem acredito não ponho limites, e a minha oração vai de mão dada com as mangas que nada me faz desistir de arregaçar.

Mais, um teólogo que remete para os cientistas a explicação do Milagre do sol, um teólogo que nuns milagres acredita e noutros não, parece enfermar do gnosticismo que refere, sem a frontalidade que a questão exige. Uma teologia encolhida às pressões do cultural pós- pós - moderno (muito à frente mesmo). Se eu fosse ateia, diria "eu, na minha humilde postura"( Nietzsche aqui sim!) , a postura do "quem sou eu para julgar".... Mas sou libertada de presunções porque Aquele em Quem acretido, que me "faz" em cada instante (não um Deus ex-machina) como o senhor bem refere na sua entrevista, é superior à razão, embora em nada a contrarie (Maurice Blondel).

Pois então, para concluir, não sei dizer quem é um bom católico. Quanto a um bom teólogo, já a coisa muda de figura. O Papa não um é demagogo, nem um populista. É um teaser, com muita pinta. 

Ah, e sei que dizemos que a Aparição não o foi em sentido técnico, e que há três tipos de percepção, estudei Husserl e li com muita atenção texto de Bento XVI. Mas também não ponho limites às Aparições. Nossa Senhora apareceu  e eles viram, como Deus bem entendeu. É algo entre eles. Chamem-me pré-moderna. 

 

 

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22
Abr17

Fátima mascarada

por Fátima Pinheiro

Com a vinda do Papa a Fátima têm proliferado livros, artigos e filmes, que bem revelam o estado mediocre da produção cultural  no nosso país e  no  estrangeiro. Assunto ao qual é indiferente muito  boa gente. Mas a moral é uma coisa, conhecimento é outra. Não se tape o  sol com a peneira.

Quero então dizer que  vivemos a curto prazo, que também as editoras atravessam problemas, que não há estratégia educativa, e, gravíssimo, uma ignorância que brada aos céus. Mais, mente-se, dão-se cambalhotas epistemológicas, ofende-se, manipula-se, com base  em pressupostos que passam longe do crivo da inteligência e dos  factos. E uma ausência de filosofia  que bem mostra que se Descartes já passou de moda a um nível consciente, a um nível subjacente está bem actuante. Varrem-se séculos  de filosofia, vibra-se com o "eu sou eu e a minha circunstância" de Ortega e com os saltos de Kierkeegaard no irracional, e sobre Husserl, o genial filósofo  do  século xx ( e seguintes),  uma esponja! Confunde-se fé com superstição, razão com ciência, filosofia e teologia.

Já não se escreve para esclarecer (até porque quem não está esclarecido, não esclarece). Escreve-se para aparecer, para dar cartas, marcar posição. Sim, a liberdade é uma conquista.  Mas não é uma coisa absoluta. É simples, mas dá trabalho. Um trabalho diário de libertação. E se o papa bem sabe o que é a teologia da libertação, que sublinha a necessidade de dar condições materiais de  vida  às vidas, Ele é também o intelectual que sabe das necessidades de uma teologia da libertação de preconceitos em estado bruto, para que se caminhe no conhecimento. A verdade liberta.

Com bem sublinhou  Aura Miguel, os  pastorinhos  levaram uma vida de verdade, e é por isso que vão ser canonizados. Não é por terem visto Nossa Senhora. A verdade é que viram. Basta um pouco de honestidade intelectual. Mas é muito mais cómodo ficar no discurso que se choca com os desnecessários sacrifícios e explorações comerciais...E a Igreja a deixar e a incentivar. Mas importa não esquecer que Fátima é  também um fenómeno  de massas. Agora, não se reduz a isso. Tavez seja o aspecto mais visível. E é a isso que os nossos olhos se habituram.

Só duas notas para exemplificar. Angelo d'Orsi, sabe porque é que a bala está na coroa? Se soubesse, não escreveria o que escreveu no seu livro que li por recomendação de Vitor Serrão . Gramsci não tem instrumentos para compreender Fátima. Fátima é superstição e regressso ao pré-moderno? Não. Não foi espetar a bala na coroa sem mais. Dum historiador espera-se História. E já agora, D. Carlos Azevedo, sabe o que diz Husserl das potencialidades da intencionalidade? Dum teólogo também se espera Filosofia.

Antes a Fina da Armada e seu par, o Pe da "Fátima Desmascarada".

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27
Abr16

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O Papa a um metro do meu amigo  Fechi (também Francisco) e de mim,  na Audiência  com o Movimento Comunhão e Libertação, na Praça de São Pedro, no dia 7/03/2015 

 

 

Nem de propósito.  Hoje passam dois anos do dia em que João Paulo II passou a "santo". O papa Francisco virá a Portugal no centenário das Aparições (1917- 2017). Mas de Papas percebe a vaticanista e jornalista da Rádio Renascença Aura Miguel. Aqui a deixo.

Aura é mesmo Rasante. Um dia confessou que preferia a adrelanina da rádio, à da de outro tipo de media. Se continuar neste registo audio, vai ficar a saber o jornalismo que é feito, e como ela entende que ele deve ser. Discernir sempre, sem defesas, sem rede, contando o que "vê", arriscando....

Mais, a jornalista "define" em três palavras os três papas que tem seguido. Uma espécie de três retratos. Abre-nos o que pensa da visita de Francisco a Fátima, do valor das aparições na História da Igreja, e mais.O quê? Quer ouvir?

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 Fotografia:  Bernardo/Rasante

O Papa a um metro do meu amigo  Fechi (também Francisco) e de mim,  na Audiência  com o Movimento Comunhão e Libertação, na Praça de São Pedro, no dia 7/03/2015

 

 

Nem de propósito.  Hoje, passa um ano do dia em que João Paulo II passou a "santo". Ontem foi anunciada a notícia da vinda do Papa Francisco a Fátima, a 13 de Maio de 2017. Melhor, a da sua intenção em vir a Portugal no centenário das Aparições, como manifestou a D. António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Fátima. De Papas percebe a vaticanista, Aura Miguel. Aqui a deixo.

 

Esta foi mesmo Rasante. Aliás, ela é assim. Um dia confessou que preferia a adrelanina da rádio, à da de outro tipo de media. Se continuar neste registo feito ontem, vai ficar a saber o jornalismo que é feito, e como ela entende que ele deve ser. Discernir sempre, sem defesas, sem rede, contando o que "vê", arriscando....

 

Mais, a jornalista da Rádio Renascença "define" em três palavras os três papas que tem seguido. Uma espécie de três retratos. Abre-nos o que pensa da visita de Francisco a Fátima, do valor das aparições na História da Igreja, e mais.O quê?. Abra os ouvidos e oiça.

 

 

 

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