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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

08
Nov17

Websummit sim, mentira não!

por Fátima Pinheiro

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Greve dos médicos à porta da Websummit! É só uma sugestão. Este Portugal tão surpreendente não tem nada para esconder. Ou terá?

Somos tão amigos uns dos outros, estão em Portugal os grandes do mundo...Abraços e bejos, beijos e abraços.

Eu sei que esta Cimeira não brinca e que pode vir a ser um trunfo para a resolução de problemas. Mas não está a par de tudo o que se passa. No meio vão surfar, o que é muito bom mas importa abrir o jogo.

Portugal não é só "wonderful, sun, amazing". Há pessoas a "surfar" nos Hospitais de Portugal. Agora. 

Há fogos que não se apagaram por incúria.

Websummit sim, mentira não.

Queremos consultas e as cirurgias que estavam programadas a serem feitas. Assim não dá.

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25
Out17

A política veste "Pravda"

por Fátima Pinheiro

 

Ai se não fosse ela!  Ontem a moção de censura deu-nos uma grande lição. E sobretudo levantou-nos o ânimo. A Política é possivel. Temos sentido de Estado. A Política não tem cor nem veste Prada. A Política veste, sim Pravda. E nestes últimos meses  é de luto que tem dicilmente respirado. Mas está de volta, na sua Casa.

Era ver ontem a cara do Primeiro-Ministro enquanto Cristas apresentava a moção de censura. Encolhido,  envergonhado, censurado com razões que aquela senhora lia desfiando com fortaleza, sobriedade, e sentido de Estado.

Mas quem não se demitiu por um erro crasso, teve essa endurance e hoje já vai continuar a cirindar. Mas nada que apague o fogo em que se meteu.

Assunção falou o que eu queria dizer. E não sou a única. Falou por todos nós. E por Marcelo. Temos Parlamento, as instuições a funcionar. A lider parlamentar pôs os pontos nos "is"  de uma forma rigorosa e, nem mais, nem menos. E de forma educada, o que nem sempre se vé naquela casa. 

A moção não passou, é verdade. Mas passou. Quero dizer com isto que já nada será como dentes. E os "fofinhos" da esquerda mostraram mais uma vez que querem governar, doa a quem doer. E Costa ralado! Mas como não é um estadista, finca pé, e quais demitir-se!

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20
Out17

Aproveitamento Político

por Fátima Pinheiro

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 A moção de censura do CDS é "acusada" de aproveitamento político. Quem o faz, confunde oportunismo e aproveitamento. Vamos a um exemplo clarificador. A minha mãe ensinou-me a aproveitar. Refiro- me a restos de comida, ainda boa. Já oportunista, nunca. Por isso passei a aproveitar o aproveitável e a não instrumentalizar nada nem ninguém para o meu umbigo. Claro que há um risco que se pisa, não vou dizer que nunca fui oportunista. Mas faço por não ser, ter bem definidos os meus objetivos, agir em conformidade e não pisar as pessoas. E?

Se a política é boa, há que aproveitar tudo para atingir objetivos. Sem pinga de oportunismo. Refiro agora a Moção de Censura do CDS. Quem a acusa ao dizer que é um aproveitamento, lá sabe as linhas com que se cose. O que faz o CDS faz muito bem. É aproveitar tudo o que pode e deve para que haja um Governo que não faça as asneiras que fez. É tocar no ponto chave de uma política que seja digna desse nome.

Quem critica o CDS é que está a fazer um aproveitamento político, no mau sentido da palavra. Quem o faz revela um oportunismo que só pensa em pisar para reinar.

Não me divido em partidos, sou sim a favor de razões. O PS, o BE, e o PCP não têm neste ponto razão nenhuma. Zeros à esquerda. O CDS faz muito bem: aproveita e arrisca a bem das pessoas. Os outros vão tendo reuniões para distribuir guito pelo maior número de pessoas vivas. Aqui ia dizer uma asneira, mas contenho-me, e empurro o microfone para longe. Mas isto digo, sim, àquele senhor: depois do que o senhor PR disse, faça as malas, andor!  O senhor é um case study de oportunismo. Mas como tem várias vidas, tem o futuro à sua frente...

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19
Out17

Pede desculpa quem quer!

por Fátima Pinheiro

 

 

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 fotografia de Paulo Novais/Lusa

As "desculpas" de ontem, as de António Costa no Parlamento, não valem. Lembram-me aquelas coisas de criança: se queres que peça desculpa à mãe eu peço. Não, não valem. A desculpa só vale se for o próprio a querer pedir desculpa e a pedir desculpa. Por esta ordem, querer pedir e depois pedir. Como fez Marcelo e como o Rasante aqui ontem destacou...Tudo o mais são intenções, palavras ocas, de ocasião. 

Até agora (e ressalvando o que se passa no íntimo de cada um, onde só o próprio e Deus, têm acesso) em termos de desculpas, o PM revelou que tem um lado do B. Pesa-lhe o que aconteceu, foi o que disse ontem. A vida toda.  Tem, ou vai tendo, noção que não fez tudo que podia ser feito? Mas será que tem um lado A? O de pedir desculpa mesmo? A sua política irá ter moralidade? 

Falar é fácil, dizem. Mas pedir desculpa nem sempre é. Não falo de desculpas esfarrapadas mas de desculpas mesmo. E há desculpas que nem precisam de palavras, há desculpas que se fazem em abraços. Mas, e apesar de a cara dizer tudo, há o imperativo de falar. A falar é que a gente se entende.

Impossivel é uma palavra que não consta do meu vocabulário.  E quem traz de volta os que morreram? Impossível, não? Parece que sim. Agora, é impossível largar esta pergunta : quem traz de volta os que morreram? Fala-ei, com todas as forças que arranjar, todos os dias da minha vida. Senão serei nesta vida apenas um cadáver adiado. E tenho sinais que não é isso que me define. Sendo eu mais uma pergunta que uma resposta, tenho em mim um lado A que não fui eu a compor. Uma luz dos meus olhos, a mesma que esta mãe que Marcelo abraça,  chorando de desespero, grita que perdeu.

Por fim, quero dizer que Paulo Novais é genial porque conseguiu a proeza de registar, não só os olhos de Marcelo mas um olhar que trarei comigo sempre e  até sempre. De um verde que traz esperança.

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18
Out17

Quem pede desculpa?

por Fátima Pinheiro

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Não falo de fretes, nem de formalismos (a Ministra da Administração interna acaba de se demitir)... Falo do que fez Marcelo ontem. Falo de pedir desculpa mesmo.

Só pode e deve pedir desculpa quem tem culpa.  Só faz sentido pedir desculpa se houver culpa. Se uma pessoa entende que não tem culpa, não pede desculpa. Mas esta consciência  de não ter culpa, não quer dizer que ela não tenha feito mal. Há quem ache que fez tudo o que estava ao seu alcance. Mas se podia ter feito o que devia ser feito e não fez, pode e deve pedir desculpa. À desculpa segue-se o arrependimento que é: fiz, fiz mal, não quero voltar a fazer. O arrependimento vira-se para a frente. "Arre" e "pender" quer dizer que se pende ou volta para o que se fez, mas não se fica aí. O arrependimento é um sentimento positivo que leva para um futuro novo.

Ficar a olhar para o passado e dele não sair é o remorso. Sentimento negativo e que pode corroer quem o tem. Por isso há quem prefira viver sem consciência, usando todos meios para a calar.

 

E o que fez Marcelo ontem? Um amigo meu resumiu melhor que ninguém:

"Pediu desculpa aos Portugueses em nome do Estado.
Falou com carinho aos portugueses.
Falou grosso com quem tinha de falar grosso.
Deixou avisos. Fez exigências.
De forma educada, deu um murro na mesa ."

Obrigada Sr. Presidente da República.  E peço desculpa porque tenho escrito muito sobre si, acusando- o de forma precipitada e injusta. Estou arrependida e espero que me perdoe. Um beijinho.

 

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17
Out17

Costa é Herodes e Pilatos!

por Fátima Pinheiro

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Ontem à noite Costa foi o que é. Com um sorriso posto, nele natural, foi cool e light. Todos sabemos que se tivesse feito o que era já óbvio desde Pedrógão, esta segunda tragédia não teria atingido tal dimensão. Vem agora dizer que a partir de sábado se avança. Não desejo nem quero que Costa e a Ministra vão para o inferno. Nem que morram num fogo, ou que sejam julgados pela Inquisição. Só quero que saiam e vão roubar para outro lado. É tempo de soluções, disse; esta seria a melhor. Estas pessoas não têm categoria. E o Presidente também segue nisto.

Não interessa agora o luto nacional. E o luto pessoal? Aparece a rir e a dizer que agora é que é? Que pronto, agora com o Relatório nas mãos, que no Sábado o governo reune extraordinariamente. Reunem mas é ordinariamente. E o Relatório para aqui e para ali. Entretanto vão morrendo mais. Resilientemente, sem ajuda. Auto-protegem-se, como diz o outro, o Jorge Gomes.

Não enganam. E outros fogos vão lançando outros fogos. O Orçamento chuta para a frente e quem arde vão ser outros. Costa consegue a proeza de ser Herodes e Pilatos. Manda matar inocentes e lava as mãos. Chamam a isto habilidade política? Eu chamo outra coisa, mas não digo porque é feio, muito feio.

Qual é o interesse nacional, hein? O voto. A vulnerabilidade é a essência do humano, bem disse o Papa na Colômbia.

 

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04
Out17

As Armas e os Barões Assinalados

por Fátima Pinheiro

 

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 cena do fime "A vida é bela"

O poder de umas autárquicas: mostram com mais clareza as armas e os  barões  assinalados. Não me refiro aos barões que aparecem agora a reunir. Entendo o que isso significa, mas antes escrevo sobre todos nós. Todos nós somos barões assinalados, como bem cantou Luís de Camões.  Gosto mesmo que me tratem por baronesa assinalada. Independente do que amesquinha e me pretende fazer a cabeça, digo o que penso, faço o que devo, e a minha participação política, que passa por Rasante, é viver tendo em conta os fatores todos. Desde o nascimento à  morte. Da família ao trabalho, do íntimo ao social. Uma cultura.

Assinalo  que a abstenção é crime porque mata parte da seiva que faz ser português. Assinalo o Adeus às Armas, que foi Tancos, e o facto de que no momento de votar o que interessa é o bolso. Tancos não interessa para nada! Nem a Marcelo, que não quer chatices com Costa. Marcelo, o Presidente de todas as selfies.

O que vale mais: a cara de Costa, uma cara leve que transborda de "porreiro pá" ou a cara pesada de Passos Coelho, que previne, não ilude e sublinha os podres? Também eu gosto da cara sorridente de Medina, e da  cara do  giro do BE. Já há homens giros no Bloco! (meninas, isto é para nós).

Não faço rescaldos, nem o caldo está entornado mais do que estava. Portugal move-se. Agora noutras  águas e o cenário é previsível. Dos fracos não reza a História. O que reza é quem pensa em desafios com futuro. Mas o que interessa o futuro? Eu também me interesso é pelo presente. Agora,  o presente não é um hoje sem densidade. O presente é a única oportunidade de construir um Portugal com coluna vertebral. O  resto, meus compatriotas, é caminhar passo a passo para a pompa e circunstância de funerais solenes na Basílica da Estrela, onde todos aparecem pesarosos.

Os barões assinalados são pessoas de bem, comem, bebem, e não fazem mal a ninguém. Uma  medianizinha como diz o RAP no " Calceteiro". Mas o mundo assim vai, e Trump e o da Coreia são pior. O sol e o turismo muito melhor.

O gesto da consciência humana é o que permite olhar para tudo isto com olhos de agradecimento. Sei por onde vou e arregaço as mangas. E como não sou maniqueísta, sei que somos feitos paredes meias de nobreza e vileza. O que me faz avançar é ter recebido um grande Amor, que me dá vida em cada adormecer e em cada  acordar. 

De nada  serve pensar como governar Portugal se eu não sei o que quero para mim. Que quero eu da vida? Mas estará realmente alguém interessado nisso? O tempo é pouco e  a questão é difícil. O melhor será ir andando ao sabor da onda, e depois "logo se verá"? Não. "A vida é  bela", como mostra o filme, cheio de razões que nem sempre temos pachorra para descortinar. Sei muito bem Por quem os Sinos dobram.

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30
Set17

EU VOTO

por Fátima Pinheiro

 

lula.jpg

 

"Vendes a torre dos clérigos em propriedade horizontal", definiram-me assim. Não é mentira. Verdade é que não sou má rapariga, sou multifacetada e muito positiva. Uma espécie de empreendedora. Esfrego o chão aos pulos ao som da RR; tenho Bimby, mas está avariada, e nunca se comeu tão bem cá em casa. Fui casada com um diplomata, na Igreja e tudo. Diplomata dos bons. Somos e seremos muito amigos; até porque temos três obras comuns, duas raparigas e um rapaz .

Fui professora na Católica e andei por Gabinetes. Na Rússia ensinei em 6 universidades e traduzi (arranjei o dinheiro) um livro sobre Fátima, que contou com a presença da autora, a jornalista Aura Miguel, no Kremlin, juntando diplomatas, religiões cristãs, testemunhos de ortodoxos que "sobreviveram" à prisão pela forte fé nos acontecimentos da Cova da Iria, e mais. O diplomata russo que o apresentou, sempre se interessou pelo "dossier" Fátima, como referiu. O livro da vaticanista mudou-o profundamente, testemunhou. Morreu uns meses depois. Ao lançamento de "O segredo que conduz o papa", seguiu-se um jantar (ia a dizer na nossa Embaixada) em casa de um diplomata italiano. O livro foi apresentado na língua de Dante. Entretanto, ainda lá por fora, aproveitei e, a distância, acabei o Mestrado da Católica, e fiz uma pós graduação em Fenomenologia. Conheci e tornei-me amiga de cão, gato e piriquito. Os bons diplomatas não brincam em serviço e fazem trabalho de casa: faço bacalhau com natas, arroz de pato e natas do céu, de olhos fechados. E a luz aberta por quem me abriu o desejo de uma vida consolada, não mais deixou de bater em mim. 

 

Entretanto tornei-me bloguista. Às três pancadas entrevisto o belo e bom Pablo Hermoso (http://rasante.blogs.sapo.pt/pablo-h-de-mendoza-o-campo-pequeno-e-a-25392), o maestro Gustavo Dudamel, Grigory Sokolov (http://expresso.sapo.pt/grigory-sokolov-a-vida-e-bela-disse-me-ele-ontem-na-gulbenkian=f811162), o Lula dos Santos, o Ton Koopman, a bisneta de uma das fundadoras da Casa Batalha (http://rasante.blogs.sapo.pt/encontrei-a-casa-batalha-e-a-shakira-na-24682), e escrevo algumas opiniões, como esta http://rasante.blogs.sapo.pt/ps-e-poder-das-circunstancias-32630

Manoel de Oliveira tornou-se o meu campo de investigação, na Universidade, que fica mesmo junto ao passeio da minha casa. Criei o blog 100mim, a ele dedicado http://100mim.wordpress.com

Sigo-o a par e passo - estive nas filmagens do penúltimo filme dele http://expresso.sapo.pt/fui-as-filmagens-de-oliveira-vim-alfa-pendular=f865451

O Miguel Ribeiro http://www.miguelribeirophoto.com/ tirou-me umas fotografias, para o blog ficar bom do ponto de vista da imagem. Escrevi à borla um ano no expresso online, o que me deu uma experiência inestimável. A"paga" foi essa e o livro que reune as crónicas. Escrevi e publiquei também um livro com três conversas com Eduardo Lourenço, uma pessoa verdadeiramente extraordinãria. Escrevi (em coautoria com Maria do Rosário Lupi Bello) a história da grande Maria Ulrich (Tenacitas), aquando do centenário do seu nascimento. Pelo meio, uns artigos no Público, como este http://www.publico.pt/opiniao/jornal/passas-ou-nao-passas-23703373 sobre a passagem de ano.

Das tertúlias cá em casa, passei para outras, fora de casa, e que vão na terceira edição, na  Casa Museu Medeiros e Almeida. É uma coisa chamada Conhaque-Philo https://www.facebook.com/pages/Conhaque-Philo/520931661373616?ref=bookmarks

Amanhã vou votar. O segredo desta alegria que recebo cada manhã, com ou sem sol? Está na cara e no que passa por mim. É o segredo de Fátima...

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27
Set17

Cheira-me a ditadura

por Fátima Pinheiro

cavalob1.jpg

Imagem de um filme de Tarkovsky

 

Agora são postos no mercado outra vez. Refiro-me aos célebres cadernos de atividades rosa e azul. A Porto Editora, que por recomendação de altas autoridades tirou os livros do mercado,  diz ter ficado agora comprovada "a não existência de qualquer discriminação". Santo Deus, então não se viu logo, como a própria empresa reconheceu? Trata-se de matéria que  Ricardo Araújo Pereira desmontou em segundos! Mas não. A editora afirma que foi necessária "uma análise serena e ponderada de um caso que gerou imediata polémica assim que foi conhecido". A editora que há dois dias voltou a por os azuis e rosas nas livrarias aproveitou a ocasião "para denunciar o que classifica de lamentável manipulação". Pois eu também lamento, mas sim outra manipulação, não a das redes sociais, mas a do toque e foge do Governo. E ai Jesus, que antes de Domingo já posso ir comprar os cadernos.

Eu sei o que é ditadura. Quando ensinei na Universidade um colega disse-me: cuidado, olhe que já se sabe que você pertence ao Comunhão e Libertação...Quando fiz umas conferências numa prestigiada Universidade Russa, e a pedido, contei o fenómemo Fátima, na parte mais picante alguém entrou na sala a mandar-me calar. Eu como só tenho medo de baratas, deixei-me estar, continuei e terminei.  Terminei o que tinha preparado, que foi seguir o que a vaticanista Aura Miguel escreveu sobre o tema, o livro "O segredo que conduz o Papa". Foi para não me perder com especulações sobre o tema e porque considero ser o melhor livro sobre Fátima.

Já agora, quando a Aura Miguel me fez uma visita a Moscovo, um grupo de amigos russos ficou tão interessado que decidi arranjar maneira de o publicar em russo. Pedi ajuda e dinheiro e a Aura teve que voltar a Moscovo para o lançamento. Foi um evento memorável. Estavam representantes ortodoxos, ao mais alto nível. Diplomatas, e muitos amigos. Não foi uma beatice católica.

A autora fez a apresentação do livro em italiano.  Tinha recebido um convite para irmos jantar, a seguir à cerimónia no Kremlin, na residência de um grande diplomata italiano. E hoje é tudo.

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26
Set17

O PS ganha as eleições

por Fátima Pinheiro

 

 

redonda.jpg

O PS ganha as eleições no domingo. Não me baseio em sondagens. Sou apenas uma aplicada observadora. O PS ganha, e ganhar tem dimensão nacional. A retórica de que, politicamente, nacional e local são coisas diferentes é incompleta. E o  PS ganha porque veio a investir e a cortar naquilo que lhe dá o poder de agora encher o bolso dos que no domingo lhe vão dar o "agradecido" voto. É Deus no céu e a geringonça na terra. E é compreensível. "Que ninguém passe fome", disse uma vez o recém-falecido bispo vermelho, D. Manuel Martins. O vermelho vale muito, mas não é tudo. 

O PS ganha porque Marcelo deixou (foi Cavaco que deu posse a Costa, 3 meses antes de Marcelo ser eleito, mas...).  Foi o PSD que ganhou as anteriores eleições, e a solução, sabiamente forjada  por quem sabemos, não era a única solução. Cavaco estava na recta final, acabou por fazer como Pilatos e Marcelo, ao chegar, fez o mesmo, Pilatos, queria presidir sem chatices. O PR queria continuar como sempre foi: leve e magnânimo, a ensinar e a usufrir. Ontem, com alguma tristeza, vi-o na sua chegada a Luanda, para participar na cerimónia de tomada de posse do recém-eleito Presidente. Achei-o abatido. Notava-se na cara. Lá no fundo sabe o que fez e o que anda a calar. Como diz Irina Shayk, a que era do Ronaldo e faz a campanha da conhecida marca de lingerie "intimissimi": "beauty starts inside". E Marcelo é um homem de boa cepa. Mas não tem chegado.

O PS ganha, sim, mas Portugal perde. Vamos pagar  lá mais para a frente. A sala está bonita, mas debaixo do tapete...E não é só isso. Há cortes que não deveriam ter sido feitos, e já se começam a fazer sentir.  Mas os bolsos carentes, esses, estão prontos ao voto. Agora aqui poderia falar doutros bolsos, sempre na maior, porreiros pá, mas hoje não.

Mas feitas bem as contas, o PS ganha mas é em falta de vergonha na cara, ganha em falta de sentido de Estado.

Quem ganha é afinal quem não sabe enganar o Povo. Quem não mente.

Quem ganha é o Expresso por ter publicado o que publicou e por sexta-feira ir divulgar mais. Eu sei que para um bom jornalismo  é  preciso identificar a fonte do Relatório.  Mas diante das graves circunstâncias que temos vivido, a mim basta-me a credibilidade daquele jornal. 

Espero que Portugal mostre, mais cedo ou mais tarde, tudo o que tem "inside". O que se nota na cara.  Nunca embarquei em Don Sebastiões, mas sei que há quem mereça a nobre tarefa de por Portugal no rumo, com tradição e inovação. Portugal um desafio a combater já, com o futuro em perspectiva; não um Portugal de buracos que vão sendo tapados mal e porcamente, à medida de votos. O meu País, que não troco por outro,  não é um monte de cinzas entregue a terroristas.

Sejamos pragmáticos sim. Mas não a qualquer preço. Se for preciso eu ponho-me de cócoras, ponho. Mas é para mudar as fraldas a quem delas precisa e precisa de ajuda. Não é para fazer figuras tristes "lá fora". Portugal é "intimissimi".

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