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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

15
Out17

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Para não falar de cor, vi outra vez a entrevista de Sócrates na televisão. Antes de mais, como disse aqui ontem, acho que não se deve dar a esta criatura tempo de antena. Mas,  estando ele ali naquela casa, mostrou mais vez o que é. Atacou o jornalista de uma forma que não se trata ninguém. Disse que ele estaria a ser uma espécie de Correio da Manhã. Que ele não leu bem, que não leu tudo, e pior.

Hoje é Domingo, tenho mais que fazer, só quero dizer uma cousa ao engenheiro. Olhe, você nem digno do Correio da Manhã é! Nem de rabinho de fora e fio dental. Você mente é com os dentes todos, está velho, a narrativa que tenta construir para sua defesa  não tem fio por onde se pegue. Você tem é um fio dental na boca que não vale um chavo.  Está a perder a qualidade na retórica. E esse tom de risco nos olhos, não lhe fica bem. O Luís não opinou na sua maquilhajem? Olhe, e por aqui não ficarei: você é que não foi digno de ser Primeiro Ministro, não lhe ficou nada bem, não foi digno. O Correio da Manhã vale muito mais do que tu. Nem te convidaram, topas?

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14
Out17

Sócrates: condenado "súbito"!

por Fátima Pinheiro

Chegamos ao inaceitável no que respeita a Sócrates. Na entrevista à RTP, o ex-primeiro ministro ofende gravemente o Ministério Público (MP). Limito-me a referir duas afirmações. Mas há muitas outras, aliás toda a entrevista é uma facada na Justiça. Para Sócrates, tudo isto é um "Embuste do Ministério Público", "O Ministérío Público está  a mentir". Que enxovalho ao MP, que falta de respeito, que ausência de sentido de Estado! Bem diz Carlos César que tudo isto é desconfortável. Esqueceu-se de dizer foi porquê. É desconfortável porque tudo aquilo de que Sócrates é acusado é verdade. Vem agora o acusado dizer que a acusação não tem provas. E ele tem provas para dizer o que diz? Que não é queque, não se dá com os Salgados ????!!!! Fritos estamos nós, e Portugal putrefacto.

Sócrates transpira falsidade, vaidade, teimosia e mania da perseguição. De uma  insegurança já doentia,  tem na cara o que fez. Nem preciso ler uma das 4.000 folhas do processo, Lévinas chega... Por isso, considera-se de tal modo importante que se resume: "sou um alvo a abater". Tipo mártir. Expediente previsível. Mas a que propósito ser "perseguido", senão o de ter feito o que fez, de ter feito aquilo de que é acusado ? Quem é a figurinha que tem o rei na barriga? Quem é o ladrão que pôs o meu País na bancarrota, para quem levantamentos de 5 mil euros, são coisinha sem importância, como disse na entrevista? Quem é o je pense, donc je lixe que pensa que agora percebe de filosofia e que tem que citar Faulkner para dizer que não se pode ignorar o passado? A minha avó, analfabeta, sempre me ensinou essa verdade, não apenas por palavras mas com a sua própria vida. E ao citar o escritor, o homem da Sorbonne ou seja lá de onde é, fê-lo com ar blasé, e ao mesmo tempo como que a buscar o nome do pseudo culto saco onde pensa ter a sabedoria toda.

A mim não me enganas tu. Eu sou de Filosofia e tive a oportuniidade de, no lançamento de um livro teu, confrontar-te, quando fingi que te ia pedir um autógrafo. Foi na Bertrand do Chiado. Ele só tinha confundido  - no livro - Platão e Aristóteles. Coisinha pouca! É como a dos 5, talvez 6 mil euros. E olhou-me enraivecido. Mas sempre com o mesmo verniz que pôs na entrevista da RTP. Deve ser Chállui. O discurso de um homem que fez monstruosidades e não o quer reconhecer. Um narrador ambicioso que põe a cabeça de fora do mar de 4.000 folhas, a ver se escapa, e se da adversidade ainda consegue fazer melhor. Ele e seus cogumelos de route.

Porque se dá a esta criatura toda esta "defesa", todo este tempo de antena? Todo este ataque ao Ministério Público? Uma entrevista absolutamente inacreditável. Será que sonhei? (aqui poderíamos falar de Descartes e das razões do duvidar) .

Desculpe-me o MP e todas as autoridades de Portugal, mas devo dizer que quem não se sente não é filho de boa gente. E deixam este senhor com tempo de antena para enxovalhar até 2030, segundo as habituais, rigorosas e maravilhosas contas de Rui Ramos no Observador de ontem!

Perco tempo com isto porque sou filha de boa gente. O que fazer? À semelhança do súbito santo da Igreja, Sócrates deve ir de cana e JÁ. Uma inovação jurídica: "condenado súbito". A justiça e todo o sistema que não façam cerimónia. E até lhe poupavamos a dívida que ele irá ter para com os seus advogados. Sim, porque não é com o dinheiro da sua pensão de deputado da qual vive, como disse na entrevista, que o poderá fazer.

De penas não entendo. Mas quem paga somos nós, que vamos assistir a isto em prisão perpétua. Uns em gaiolas douradas, outros nem por isso. 

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01
Out17

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O Porto Canal é indecente. Convidar o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates para comentar a noite das autárquicas revela uma total ausência de profissionalismo, uma vergonhosa falta de ética. O critério foi, mais uma vez, a guerra de audiências. E, suspeito, mais qualquer coisita.

Mas isto faz parte do jornalismo que temos. Quanto a  mim, não perco  a esperança de virmos a ter melhor. E para Canais tenho sempre o Canal Caveira, do famoso cozido à portuguesa. Júlio Magallhães, com o prato que oferece hoje à noite, não dá cozido mas frito, e é mais Canal Múmia. Perdeu o norte!

Sócrates é inocente, e mais uma vez apresenta-se "para além do bem e do mal", mas, garanto-vos que, apesar de ter estudado filosofia em Paris, não percebe nada nem de Sócrates,  nem de Nietszche. Desses filósofos percebo eu. E gosto muito, mesmo muito, quer  de um, quer de  outro. Há razões para isso.

Sócrates é inocente. Presumo. Mas não construo uma casa nas suas areias movediças. E tu Júliio,  o que queres  construir com este convidado? Podias ter convidado  a Madonna!!! Podia ser que ela comprasse mais uma casinha. Na Foz, ou assim. E assim sim, terias audiências. Aproveita a ideia, que aí é que os portugueses ficariam mais habilitados acerca de um assunto tão estruturante para a nossas vidas: a política. E ela, que fala espanhol, até poderia fazer um dueto com o engenheiro sobre a Catalunha. Mas também podia ser em inglês. Seria uma ilha tão bonita, um porto com tanto sentido...

Eu gosto de coisas genuínas. Pouco me interessa um catavento.  Ainda me lembro do Júlio dos tempos do Professor Marcelo, como também me lembro do Professor Marcelo, dos tempos do Júlio...E quanto a José não me parece que tenha pinta de mártir do Japão, sim, não anda ele sempre a dizer  que não gosta de aparecer?!! Vai agora ao Tal Canal? Vai agora comentar para o nosso bem? Sim, falta de dinheiro não é com certeza.

Eu? Uma cidadã comum, blogueira por gosto e convição, que hoje  vai votar para ganhar. Tu? Fica com o Omelete e o Magalhães, que também tens no nome. Mas não te esqueças  que para hameletes   receita.

 

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11
Mai16

Mamã, posso inaugurar um túnel?

por Fátima Pinheiro

benefits-of-post-natal-yoga.jpg

 

  imagem tirada da net

 

Por não acreditar em coisas sem sentido, devo dizer que foi o episódio da inauguração do túnel que me levou a escrever estas linhas. E que foi Sócrates, um dos meus recentes ex-primeiro ministros, que nos fez olhar para o túnel. Se não fosse ele, alguém, na semana que passou, iria notar no Marão? Digam-me se há no mundo homem mais belo que eu? Estas linhas referem aspetos que considero essencias à Política. Ao Sócrates effect lá iremos, mais para o Verão.

 

O túnel é meu, é nosso. Todos os que lá morreram são irmãos meus. O irmão de Sócrates, que efetivamente morreu lá - "Perdi um irmão no IP4, tinha de vir cá", disse -,  também é meu irmão. De bom gosto eu própria inauguraria aquele túnel. A política não é feita à medida ou ao espelho. A política é para o bem comum que só o é se for para cada pessoa. Ai não? Os políticos são uma cambada de mafiosos? 

 

Como não sou maniqueísta e muito menos cegueta, acho nada disso. Há de tudo em tudo. Os políticos têm o desafio de enfrentar ambições desonestas, neste salve-se quem puder.  Contudo têm o mais nobre desafio de com um gesto poder mudar a vida de muitos. Os políticos de mão-cheia não são os que arrecadam com elas, as mãos, o que não devem, mas sim os que as erguem generosas a construir os túneis das nossas vidas. 

 

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13
Abr16

Canalhas há muitos, seu palerma!

por Fátima Pinheiro

 

canalha.jpg

(fotografia da net, e a despropósito; foi de uma coisa que eu vi em tempos e lembrei-me, por causa do tema "Da canalhice em geral, e de José Sócrates em particular")

 

O tema "Da  canalhice em geral, e de José Sócrates em particular"  é de uma atualidade que lhe vem dos primórdios da História. Canalhice? Comportamento característico de canalha; canalhada; que não tem caráter; dito ou ação de quem é canalha. E não podia estar mais implicado na Justiça com A. Isto para eventualmente concluir que a canalhice parece avançar, ao passo que o ter carácter é um fait divers, longe do tromp d'oeil que ilude e vai marcando pontos. Uma espécie de negação do sábio provérbio "os atos ficam com quem os pratica". Que mãos farão a justiça?

 

Foi com José Sócrates que aprendi a palavra "canalhice", a propósito de um caso em que ele estaria envolvido, facto que negou, que não conhecia a empresa que fazia "tais movimentos": E disse: “Isso é uma campanha de canalhice…eu não conheço ninguém…”; "querem agora arranjar um socialista qualquer...". Fiquei então a saber que Sócrates é "um socialista qualquer". Nunca é tarde! É a banalidade; já me estava a esquecer da sua paixão pela colega Arendt (que não é de filosofia, mas de filosofia política; ai estas "rendas" filosóficas de quem se esquece que tudo está interligado! ou do Maritain que distingue sim, mas para unir).

“Canalhice”? Não conhecia o termo. Canalha sim, conheço. Pensei: deve ser uma adaptação do francês, "nuances" que lhe ficaram da Sorbonne.
Mas a palavra existe, pronto. Os canalhas também. Nisto, nada como uns aninhos em Paris para aprofundar regras de método, de Descartes, por exemplo; sobretudo a de evitar juízos precipitados. São eles que muitas vezes levam ao erro. E caminhar no sentido da clareza e da evidência, as quais são adquiridas em intuições e deduções, os principais atos do espírito.

Canalhice? Campanha dela contra quem já foi considerado entre nós (ou seria isto para Manuel Maria Carrilho? Preciso mais café) o “Armani da Covilhã”? “Mais non, quel dommage”! Eu prefiro chamar mesmo canalha a quem o é. Será isto campanha – caseira, a minha – de canalhice? Que seja. O bom senso está bem distribuído, com ou sem o homem de um "Discurso do Método."

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26
Set15

 Já estou a preparar-me para as próximas eleições..

fotografia de JP

 

O show must go on? Parece que sim. E vamos lá saber porquê. Mas do quero mesmo falar é da Campanha para as Legislativas, que decorre com uma espécie de plafonamento socrático. O Engenheiro Sócrates quer ir agora a prolongamento e penalties? (o DN de hoje explica muito bem o que aconteceu ontem). Temos pena. Só o pus no título, porque a marca vende, e eu quero ser ouvida. É a banalidade deste meu blog. A grande pouca vergonha de querermos falar uns com os outros.

 

A Campanha então. A Democracia é um valor inestimável. E mais ainda o é, se ativada; se na base se oferecer uma informação transparente e total, sem tirar nem pôr; uma formação educada. E last but not the least, o primus inter pares é a vocação política "encarnada", para a "execução" do Bem Comum. Seria tão bom! Para o teu, e para o meu bem.

 

Campanha:onde estás, de onde vens, para onde vais? "Conhece-te a ti mesma!", ouve-se no templo em pleno coração da Grécia. O bom senso - outro inestimável, muito prático, sempre à mão - pede razoabilidade nas despesas, na forma de se "dialogar", no esgrimir de argumentos e pontos de vista, largos (humanos) de preferência, sem nada por de parte, por esquecimento,ou porque "não cabe",ou é demasiado complexo para se abordar. "Esquece", oiço tantas vezes...

 

A Campanha: o que vejo? Eu sei. Entra pelos olhos adentro que a justiça é quase sempre feita de justiças.Coloridas de penas e pesares que não dão a cada um aquilo que é seu. Não precisamos de utopias, eu sei. Mas sei que melhor é possível. Vejo que a Campanha é uma burricada se nela passa apenas gente afiambrada. Sei muito bem quem tem a mão no meu bolso.

 

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imagem tirada da net

 

5ª feira é o debate nas Rádios, temos dois ouvidos, pode ser que se perceba melhor. Mas regresso ao da Televisão.

Era o frente a frente decisivo entre Passos e Costa. Em direto. Ambos "perderam", e mais os três jornalistas (saudades cá de umas boas perguntas que não vão atrás nem do que vende, nem do que não é essencial, neste caso na política; e esta coisa moderna do tempo, segundo minuto a minuto que cada um rouba ao outro; como se isto fosse ao metro; se se contasse o tempo que eles perdem a contar o que se pode contar....não contem comigo para isto). Perdemos todos. Todos, todos, menos o da Joana. Realmente o Rei vai nu (o poder é por natureza monárquico, absoluto). Eu explico.

Não sou maquiavélica, mas os argumentos que Joana apresenta para aparecer nua e de barriga com o pai do filho que é deles (ele também se podia ter posto um pouco mais exposto, mas isso agora não interessa), em nada compromentem o que penso de meios e fins. Há pontos que sublinham o que anda esquecido, ao arrepio do que parece feio fazer-se. E que mal tem o corpo, que não possa estar numa capa? Digo de outra maneira: sou mais da matéria informada, do que de formalismos. Numa palavra: o essencial anda esquecido. É este o ponto daquela mulher cuja política só lhe pode estar colada à pele. Quem pense que as coisas se dividem de forma absoluta, engana-se. As divisões tem uma dimensão formal, como dizer "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque".  E é bom que assim seja.

 Voltando à TV, estavam afinal todos nus, vestidos às cores e panejamentos da ocasião. Quem dos dois ou quem dos jornalistas perguntou ou levantou o nível? As perguntas? A política? Cultura? Europa?  (e os refugiados?...) Economia?Defesa? Social? Educação. Apenas uma pitada de segurança social e de saúde. Passos podia muito bem não se limitar a estar à  defesa, pois tinha razões, factos e pano para mangas. Costa dirigiu o andamento ao som de uma demagogia irónica, esperta e mentirosa (a demagogia é; ele? não entro em intenções, só sei que uma coisa é a mentira, outra o mentiroso, etc.). Como se não pertencesse ao mesmo partido daquele que foi o centro das atenções - mais uma vez - e que deixou o país como sabemos: Sócrates.

O debate foi um exame à governação, mas com espingarda de curto calibre. Um programa de jovens e mais não sei quê que falhou? Aqui calo-me, porque falar de jovens faz-me arrepios. Passos permaneceu na resposta ao rasteiro ataque e não soube ser o que é. Mesmo assim, e de certo modo, ele ganha.Sob fogo durante quase duas horas, sem que se reconhecesse a mínima coisa boa em quatro anos de governação, soube não fugir, procurou responder ao que era perguntado, e reconhecer aquilo em que errou. Querem que faça um bom boneco ou que o dispa em direto?

Quem deixou o País neste estado? Não, não é preciso ir a Adão e Eva. Paro no Largo do Rato e é quanto basta.

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05
Set15

O meu heterónimo "não te conheças a ti mesma" é uma segunda natureza. Gera-se e sai quando menos espero. Alegrei-me com o facto do autor do livro - escrito em inglês,  presumo que não técnico...- que é uma tese defendida na Science Po (ou Poucachinha), ou wanna be tese, esteja agora, desde ontem sem pulseira. (Um à parte :  foi Maria Filomena Mónica, na edição do Expresso de 22 de Agosto passado, que de forma rigorosa - bom jornalismo!!!!!! -, magnífica, tratou deste assunto da tese ou livro, ou assim.) Comigo alegraram-se todos os que consideram este novo estádio socrático ( e porque não até "comptiano") emergente ontem, e, note-se, não daqui a meia dúzia de dias, uma benção para para o ambiente de campanha;  isto no pressuposto de que a democracia é um bem que todos se esforçam por promover.

 

Não tendo nascido ontem, e saindo agora daquele heterónimo, nada disto me soa bem. Sócrates está livre, não usa já aquela coleira de pulso eléctrico/a. Sócrates é mesmo  um brinco, ou um brincar connosco; ou um colar, mas que já não vai pegar. Vai estar por aqui, mas já nada é igual. Fico triste, muito triste com estes directos televisivos tão pouco avisados, a darem-nos, em directo também, a nova morada do homem que saiu de Évora e que agora já pode encomendar pizza em Lisboa (quelle merveille!). Com número de porta e tudo. Se eu lá quiser ir ou fazer uma manifestação, são dados porreiros. Tristeza eu estar aqui a perder tempo com isto. Tristeza os rios de tinta que se gastam neste nada que parecer ser tudo. O mito.

 

Num tempo que precisa de debate, de argumentos e de paz para que se escolham os melhores para nos conduzir no bem comum, andamos a brincar às bonecas. E se decidissemos ir fazer o que ainda não foi feito?

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 mais do que Alex, George: o homem de todo o momento/ imagem tirada da net

 

Todos escrevem sobre o Zorba do momento. É um must. Apesar de não ser o meu forte, o que é certo é que estou nesta jangada, e sei que tudo o que acontece aos outros pode também acontecer a mim. Exemplo, posso vir a comer bolo rei como o faz – ou fez – Cavaco Silva; vou um dia morrer, como aconteceu anteontem a uma amiga do tempo do liceu, que eu não via há muitos anos mas vi ontem no cemitério. É a designada “natureza humana” que o relativismo dos nossos dias teima em hastear como vitória da razão. O que contraria o facto de todos agora usarem as expressões “je suis” ou “je ne suis”, a começar com Charles hebdo e agora com Alex Tsipras e a Grécia. Já Baudelaire dizia “A Bovary sou eu." Enfim, ainda há quem pense que acaba de inventar a roda. Leiam, para dar um exemplo, o que Aristóteles escreve sobre a amizade, as suas categorias e a sua descrição delas. Pois, e Tsipras?

 

Eu posso vir a ser o grego também. Estou sempre disposta a mudar para melhor. Por isso já tenho em casa mais este dossier e começo por notar dois posts que apareceram no meu facebook: um de um amigo de infância e outro, de Francisco Seixas da Costa. “É um tempo novo na Europa. Não sabemos se, no plano político e económico, o sucesso está garantido. Porém, no ‘dress code’, a revolução já começou. O seu provável momento alto será a deslocação de Alex Tsipras, na próxima semana, a algumas capitais europeias. Irá sem gravata aos encontros? Imagino a agitação que atravessará os especialistas em protocolo. Por cá, quero crer que o ministro Paulo Portas, não obstante todas as divergências políticas, terá sentido, neste ponto particular, uma simpatia pelo estilo de vestuário novo chefe de governo grego.” E por cá, digo eu, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, acusou há dias o PS de estar a utilizar o caso da detenção do antigo primeiro-ministro José Sócrates para não discutir política: "O PS está, de certa forma, a instrumentalizar o que aconteceu a Sócrates para evitar que se discuta aquilo que é o modelo de governação do PS" ("Terça à Noite", da Rádio Renascença). "Basta olhar para a fotografia: são os mesmos que à época estavam nos destinos do país", disse. E?, pergunto eu. Pois há agora a Europa, a surpresa grega, o dizer mal de Durão Barroso, isto é, material de sobeja para o PS não falar do período em que não nos soube governar. E ganha pontos no eleitorado feminino: Tsipras pauta por um dress code “in”, numa mistura armani da Covilhã e Clooney: um Tó Kalon (deve ler-se com aquele cândido acento blasé camone).

 

E o meu amigo: “Há quase quatro anos, a 19 de Junho de 2011, escrevi aqui no Facebook: Como dizia há dias um professor universitário grego, comentando na BBC a crise no seu país, a solução encontrada pela UE e o FMI para a Grécia (e para a Irlanda e para Portugal...) é idêntica a dizer a alguém, que já não tem dinheiro para pagar a prestação da sua casa: ‘Tenho uma solução para o seu problema. Tem aqui um cartão de crédito com que vai poder pagar as prestações da casa.’ O pagamento da casa deixa de ser um problema mas, em contrapartida, vai faltar o dinheiro para pagar o cartão de crédito...Quem era o professor universitário grego? Yanis Varoufakis, o novo ministro das Finanças grego.” E? Isto é muito bom, digo eu.

 

Tsipras abana paradigmas, esquemas, prontos-a-comer. Obriga a uma reflexão, que é palavra que se mete medo a alguém, esse alguém não é humano. O eleito do momento não é, como Zorba, um grego simples que espalha o caos por onde passa. Hoje não sei dizer mais nada. E uma coisa é certa: eu não vou esperar para ver. Estou nisto até ao sangue.

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     Natureza morta? Só destas/ Imagem da net de uma pintura de Van Gogh

     
    Volto ao que escrevi ontem por causa de palavras que troquei com um dos meus amigos do facebook, ao qual todos têm acesso. O título de hoje é paráfrase da conhecida expressão de Nietzsche: Deus morreu! Fomos nós que o matamos. De facto, palavras como "segredo", "justiça", "amor", "beleza", "verdade", "felicidade", "bem" e quejandas, já eram. Mudam-se os tempos....
     
    Todas estas noções são quando um homem quer e como quer. No entanto qualquer criança terá a maior das facilidades em reconhecer, por exemplo, e se for menina, que o pai não lhe deve ir "a certo sítio". Diz um tipo de Sociologia: foi porque interiorizou; é a sociedade que enfia os conceitos de "bem" e "mal", e todos os outros. Mas quem a mandou interiorizar? Terá sido à martelada? Ou não terá antes sido ela própria? E como? Com um crivo que possui e lhe permite ser tudo menos burra. Mas com o tempo, a maioria das pessoas, já crescidinhas, quando dá por ela, já pensa com uma cabeça que não é a sua. Matou a autenticidade e o sorriso de criança. Vive de marteladas, in-puts. Sim,  a razoabilidade da tal interiorização está na existência de uma natureza humana. Que matámos. E? Recuso-me a ser uma "natureza morta" e não desistirei de matar a alienação que me querem impingir. Uma espécie de régia posição: não sei por onde onde vou, só sei que não vou por aí. Ou se quiserem, vou à procura do que me corresponde, uma espécie de onde está o Wally? Eu sei que existe o Wally, está escondido, mas pode ser encontrado.
     
    O meu amigo: "Não tenho qualquer certeza sobre o chamado 'processo Sócrates' mas fico espantado quando vejo alguém, como tu, achar completamente normal tudo o que tem sido publicado contra José Sócrates, sobretudo pelo Sol e pelo Correio da Manhã, e que deveria estar em segredo de justiça, e, depois, quando a TVI resolve confrontar o acusado com os factos, dando-lhe a oportunidade de contar a sua versão dos ditos, reage com a indignação com que tu reages, chegando ao ponto de criticar a própria TVI por ter feito o que qualquer órgão de comunicação sério, em qualquer parte do mundo, teria tentado fazer, em circunstâncias idênticas. Aliás, quem só conhece o lado da história contado pelo Sol e pelo Correio da Manhã tem aqui o link que lhe permite aceder à versão do acusado: http://www.tvi24.iol.pt/.../exclusivo-tvi-as-respostas-de... EXCLUSIVO TVI: As respostas de Sócrates a seis questões essenciais "
     
    Eu: "Não há 'processo', há uma pessoa que tem uma dignidade intocável e que tem esse nome. Foi meu primeiro-ministro. Acho inadmissível tudo isto. Viste o que escrevinhei sobre o segredo de justiça? [publicado neste blogue, a 17 de Dezembro e ontem no PINN Segredo de Justiça: Fernando Santos e D.Manuel Clemente Fátima Pinheiro http://portugueseindependentnews.com/.../segredo-de.../ ] Achas normal porem publicidade no meio da entrevista? E a própria entrevista? Não devia haver recato? Por outro lado, não nasci ontem, e independentemente de quem seja, achas normal um enriquecimento assim? Não me interessa o Sol ou o Correio da Manhã . Infelizmente já não acredito muito nos media. Neste espaço de blogues e fb digo o que penso; apenas usando o bom senso que tenho. Gostaria que tudo fosse mentira. Mas tenho o direito a desconfiar de quem subiu muito na vida, assim de repente. Nada disto é normal e eu sou apenas uma boa dona de casa. Alguma vez me considero superior a José Sócrates? E não fico excitada [expressão que ele introduziu no começo da conversa] mas triste com esta burricada toda. Acho que todos, incuindo Sócrates, mereçemos mais e melhor. Mas percebo que penses o que pensas. Já me habituei a que me interpretem mal. A Democracia precisa de treino e de saber selecionar http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=832107 O que têm em comum um patriarca e um treinador de futebol? - Renascença V+ "
     
    O meu amigo:  "Subscrevo - e aplaudo - o que disse D. Manuel Clemente sobre o segredo de justiça, no teu Conhaque - Philo: 'O caminho da justiça, precisa de uma certa distância da opinião pública para poder levar os seus processos por diante´ E lamentou: 'Às vezes, penso que será difícil, com este frenesim de casos sobre casos e mais casos, em que tudo fica julgado antes de o ser'. " No 'caso Sócrates', sobre o qual, como disse acima, não tenho qualquer certeza, já tudo está 'julgado antes de o ser'. Tal como tu, a generalidade das pessoas já interiorizaram que Sócrates ficou imensamente rico pelo que, tendo apenas funções públicas há imensos anos, apenas o poderá ter conseguido via corrupção/enriquecimento ilícito. Será mesmo assim? Não sei! Só sei o que os jornais publicam (que poderá constar do processo, ou não, e, mesmo que conste, carece de ser provado) e as respostas de Sócrates."
     
    Para terminar, digo que o meu amigo me responde assim porque não quer ser uma natureza morta. E apesar de não parecer, eu, tal como ele, não andamos aqui para ver andar os outros. Mais respeito por favor! Mas parece que esta bola de neve não quer parar; ou que todos os dias lá se atira mais uma acha para a fogueira. Uma espécie de oração da manhã. A que Deus? 
     
    PS: Acabo de ouvir da boca de um dos advogados de Sócrates (no noticiário das 8h da Rádio Renascença) que o facto de Sócrates ter dado a entrevista não vai contra a lei. E logo de seguida afirma que aquilo não foi uma entrevista, foi um conjunto de respostas a umas perguntas. Então foi ou não foi entrevista? Que burricada!

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