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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

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Para além da Taprobana’ é o tema da sessão 4 do Conhaque-Philo que desta vez nos mostra três estrelas: do jornalismo, do teatro e dos céus.

 

Raquel é sub diretora de informação da rádio renascença.

Luís, prémio Pessoa, é um senhor da cultura, do teatro em especial, fundador da Cornucópia.

Ludovico, engenheiro do ambiente, é um astrónomo amador, passou pelo Centro Ciência Viva de Sintra          

 

Esta terça-feira vão estar numa conversa improvável (mais uma), dos ciclos Conhaque-Philo, promovidos pela bloger Fátima Viseu Pinheiro. O local é o de sempre, a Casa Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, e a hora, a do costume, 21h30. É só chegar e ajudar a pensar. Com café ou conhaque. Contamos consigo.

 ver mais em 

www.coolture.pt

 

www.facebook.com/events/214075612406229/

 

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05
Mar17

"Só se conquista o que se dá"

por Fátima Pinheiro

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“SEMPRE NÓS” na Casa Museu Medeiros e Almeida


“SÓ SE CONQUISTA O QUE SE DÁ”
7 de Março - 21h30
ENTRADA GRATUITA

Convidados:
. Rui Ramos
. Luís Osório
. Siiri Milhazes

Sempre nós? Por ser sobre cada um de nós, sempre. Porque a vida está cheia de nós, entre nós, por atar e desatar, sempre. Porque a nossa História tem os “nós” da primeira globalização, “feita” com genial “corda”: sangue, energia e criatividade. Sempre foi e é. Será?

As terças-feiras à noite prometem ser diferentes na Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, a partir de março e durante seis semanas. Às 21h30 iniciam-se conversas provocadoras e desafiantes entre Fátima Pinheiro e os seus convidados, enquanto bebem um café, um vinho ou mesmo um conhaque.

A Sala do Lago da Casa-Museu Medeiros e Almeida é o palco intimista, com entrada livre e sem necessidade de inscrição prévia. A filósofa Fátima Pinheiro, conhecida na blogosfera como Conhaque-Philo, é a autora do blogue Rasante (http://rasante.blogs.sapo.pt/), sendo a moderadora, ao longo de 1h30, do “Sempre nós”. Esta iniciativa insere-se nos encontros Conhaque-Philo, já na 3.ª edição.

“Sempre nós” é, simultaneamente, o nome desta iniciativa e a temática transversal aos mais diversos entrevistados: políticos, jornalistas, economistas, artistas e empresários. Estão confirmados Rui Ramos, Luís Osório, Siiri Milhazes, João Soares, José Milhazes, Joaquim Sapinho, Ângelo Correia, Raquel Abecasis, Luís Miguel Cintra, Francisco Seixas da Costa, António Correia de Campos, Filipe De Sousa Magalhaes, Higino Cruz, Pedro Abrunhosa, Ruy de Carvalho, Paula Roque, e são esperadas algumas surpresas.

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 Luis Miguel Cintra em "Non, a vã Glória de Mandar"/imagem tirada da net

 

«Fora eu mosca e escreveria outra coisa. Assim sendo, vou a Veneza em pensamento, recordando o que "vi" no Centro Cultural de Belém em 12.5.2010. O novo filme de Oliveira, "O velho do restelo", tem estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza, que hoje começa. O filme está seguramente implicado nestas palavras. Mas ficamos à espera como referi aquihttp://rasante.blogs.sapo.pt/oliveira-em-veneza-estreia-e-segue-22532 . Manoel de Oliveira é cultura portuguesa, é universalidade. Ele não é “apenas” um homem que tem hoje 105 anos, até porque, como ele diz, o que conta não é a duração mas o argumento.

O meu De Oiro Faina Fluvial, num dos seus filmes sobre a História de Portugal afirma, com toda a certeza, pela boca de Luis Miguel Cintra : ”só se conquista o que se dá”.Portanto nada de “regressos”, ao passado, ao futuro, nada de imperialismos, ou “familiares”. O que conta é a Presença. Embora, como o cineasta tenha afirmado em Serralves na estreia do filme “Os Painéis de S.Vicente”, o Presente tenha uma “fábrica”: o Passado. Quem foi ontem à Cinemateca - os encartados - diz que a curta-metragem de 20 minutos abre com as ondas do mar, e que delas emergem momentos de filmes anteriores como «Non, a Vã Glória de Mandar» e o « O Quinto Império". A identidade portuguesa mais uma vez a dar o mote à lucidez que nos invade de um olhar enamorado.

Religião e arte: Palavra de Manoel de Oliveira no encontro de Bento XVI com o mundo da cultura
CCB 12 de Maio 2010

«Antes de mais quero agradecer este muito honroso convite para pronunciar, neste encontro, umas simples e breves palavras. Principiarei por dizer-vos ter pensado que as éticas, se não também mesmo as artes, seriam derivadas das religiões que procuram dar uma explicação da existência do ser humano face à sua inserção concreta no cosmos. Universo e homem, criações dum ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes para cuja solução “o Verbo, que se fez carne” em Cristo, nos trouxe insuperáveis graças divinas.

As Artes desde os primórdios sempre estiveram estreitamente ligadas às religiões e o cristianismo foi pródigo em expressões artísticas depois da passagem de Cristo pela terra e até aos dias de hoje.

Sou um homem do cinema, do cinema que é a sétima das artes, logo a mais recente de todas as expressões artísticas, pois não tem mais que um século, enquanto outras terão milénios. Em dois dos meus filmes, figurava um Anjo. No “Acto da Primavera”, baseado em um auto popular, da família dos chamados Mistérios ainda no século XVI. Este figurava a Paixão de Cristo, projecto que realizei em 1962, e onde a figura de um Anjo fazia parte do próprio contexto religioso desse Auto. No outro filme, “Cristóvão Colombo – O Enigma, realizado já em 2007, o Anjo não constava do contexto da história do livro em que me baseei. No entanto, pareceu-me bem introduzir o Anjo da Guarda, aqui o da nação portuguesa, como prévia configuração do Destino, tantas vezes adverso e tantas outras favorável às acções humanas, como aconteceu nessa feliz viagem do navegador que, pela primeira vez, encontrou as ilhas americanas de Antilhas. Isto levou-me a repensar as figuras dos Anjos fora e dentro das Igrejas, parecendo-me conotadas com prefigurações dos espíritos. Ora se os espíritos são um só, então temos nele a natureza de Deus.

Considerando, porém, a religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza Divina. E nisto não residirá a memória e a saudade do Paraíso perdido, de que nos fala a Bíblia, tesouro inesgotável da nossa cultura europeia? Acossados pelas especulações da razão, sempre se levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho que remove montanhas. E os seres humanos caminham na esperança, apesar de todos os negativismos. Como diz o padre António Vieira: «Terrível palavra é o “Non”, por qualquer lado que o tomeis é sempre Non…», terminando por lembrar que o “Non” tira a Esperança que é a última coisa que a natureza deixou ao homem.

Se as artes nada mais aspiram a ser que um reflexo das coisas e acções vivas dos procedimentos e sentimentos humanos do universo real ou em fantasias imaginadas, pode aceitar-se o que um realizador mexicano, Artur Ripstein, classificou dum modo magnífico e surpreendente o cinema como sendo o espelho da vida. E é-o de facto.

Não querendo alongar-me mais, aproveito a circunstância para, como pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e a de toda a Europa, quer queiramos ou não, saudar com profunda veneração sua Santidade, o Papa Bento XVI em visita ao nosso País e rogar filialmente que nos deixe a Sua bênção.»

E um «encore», este em Cannes: http://youtu.be/Ayd9r7-1nHE »

 

(27 Agosto 204)

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D.Quixote (Ricardo Trêpa), no filme " O Velho do Restelo" de Manoel de Oliveira/imagem tirada da net

 

Ricardo Trêpa, no penúltimo dia das filmagens da obra que hoje estreia no Cinema Ideal, naquele jardim onde o filme começou a acontecer, disse-me: ”É um filme sobre grandes sonhos; é um filme de grande importância para o meu avô; é mais um sonho concretizado. E Deus queira que venham mais filmes, porque é isso que o meu avô gosta”. O neto do realizador foi um dos actores que nesse dia encontrei no jardim por detrás da casa do cineasta. Disseram-me o pouco e o muito. Sintetizei em seis pontos e perguntei a Maria do Rosário Lupi Bello (MRLB), professora de Cinema e estudiosa da obra de Manoel de Oliveira, o significado das palavras de Ricardo Trêpa, Diogo Dória, Luis Miguel Cintra e Mário Barroso.

 

1. A dimensão onírica da obra de Oliveira firma-se neste filme. Aqueles homens sentados num banco de jardim, tanto podem estar num jardim moderno como num jardim sonhado pelo realizador. “Um jardim de Espíritos”, como me referiu DD. São eles Dom Quixote (não Cervantes) (RT), Camilo (MB),Camões (LMC) e Teixeira de Pascoaes (DD). Há também duas mulheres. Camilo é a personagem central da obra que Oliveira tem presente neste filme. Camilo é aliás o grande tema do cineasta. Este filme parte de um ensaio do Pe João Marques acerca da obra "O Penitente", de Teixeira de Pascoaes. Aqueles homens são "um mundo de espíritos" disse-me DD. "Será isto a eternidade?", expressão utilizada por LMC para expressar o que sentiu quando chegou ao jardim. “Personagens verdadeiras e de ficção; é como se os filmes de Oliveira durassem a eternidade”, frisou LMC. “Oliveira deu sempre voz ao inconsciente e agora está cada vez mais consciente disso”, acrescenta.

MRLB: “Para Oliveira a História terrena fala sempre de ‘outra’ história, a da eternidade. Saber olhar o curso dos acontecimentos, as figuras que marcaram os tempos, é a forma de perspectivar o efémero segundo uma lógica de imortalidade, lendo os sinais de que os tempos concretos são feitos. O onírico permite remeter os acontecimentos para uma dimensão sem limites e assim perscrutar o seu significado escondido, misterioso."

 

2. O filme revela, mais uma vez,uma posição contraditória em Oliveira: "um amor à vida e a consciência de que a vida é o mais efémero possível",sintetizou LMC. E acrescentou: "Sabe, tenho muitas conversas ontológicas com ele!"

MRLB: “O amor entre homem e mulher é sinal disso mesmo: de que só uma dimensão transcendente o pode plenamente cumprir. Por isso Oliveira fala de ‘amores frustrados’ – de um certo ponto de vista, é como se na terra todos os amores fossem ‘fr.ustrados’, ou seja, incompletos, não plenos. Mas Oliveira – casado há mais de 70 anos! - acredita no mesmo céu estrelado de que fala a Teresa do ‘Amor de Perdição’, um céu onde o amor se cumpre. A sua perspectiva é sempre a de um drama atravessado pela esperança”.

 

3. A filmografia de Oliveira mantem o subtil sentido de humor a que já nos habituou.Neste caso é RT que o sustem, ao falar das mulheres de uma forma bem diferente da de Camilo. Esta é, diz MB, "crua e cruel".

MRLB: “A mulher é, para Oliveira, uma figura ambivalente, simultaneamente atractiva e destrutiva, forte mas perigosa, podendo ser tanto purificadora quanto perversa. Tal como para Agustina Bessa-Luís, é na mulher que o Mistério se faz presente com maior evidência. O humor funciona como uma espécie de ‘protecção’, que permite enfrentar o perigo e o desconhecido sem perder uma certa frescura, é uma forma de constatar a dimensão do mal sem desistir da certeza do bem.”

 

4. O filme mostra mais uma vez mais o gosto do realizador pelo artifício. LMC disse-me que Oliveira lhe perguntou: "Queres vir de LMC ou de Camões?". Cintra achou que não lhe parecia necessário vir vestido de Camões, uma vez que iria apenas contextualizar a cena e ler as estrofes dos "Lusíadas", no episódio do velho do restelo. Uns dias mais tarde diz-lhe: "Estive a pensar melhor, vens de Camões."

MRLB: “Para Manoel de Oliveira o artifício é uma forma de tornar a verdade mais evidente. Oliveira não acredita no ‘realismo’  ingénuo, mas sim no valor da arte como ‘lente artificial’ que pode representar o que as coisas realmente são, sem se ficar por aquilo que aparentam ser. Por isso gosta de repetir que o cinema não filma a vida, mas sim a representação da vida, o teatro da existência.”

 

5. A identidade nacional mantem-se recorrente. Aliás o filme trará uma visão do mundo atual, com a respetiva crise. Camões é o filósofo, sublinha LMC. A introdução de Cervantes prende-se precisamente a este ponto.

MRLB: “Essa é uma preocupação recorrente em Oliveira, sobretudo a partir de certa altura da sua carreira: procurar olhar e compreender a história do nosso País e o seu lugar no mundo. Oliveira ama a realidade mais do que a sua interpretação, ama tudo aquilo que é objectivo, e a História é feita de dados factuais e objectivos, cuja leitura pode ajudar a viver melhor.”

 

6. Camilo - e seus amores frustrados - é tema central na obra de Manoel de Oliveira, todos o quiseram sublinhar.Sobretudo MB, não fosse esta a terceira vez que o ator interpreta a pessoa do autor de "O amor de perdição". "Alguma novidade neste seu Camilo?", pergunto. "Oliveira tem o mesmo olhar, a mesma simpatia, a mesma ternura em relação a Camilo. O resto não sei. Ele é que sabe como vai usar tudo isto, todos os fragmentos aqui recolhidos." Mas, lembrou, "há um texto que fala do mundo, da vida, do amor, da morte..."; "é uma reflexão sobre a nossa sociedade."

MRLB: “O que interessa a Oliveira não são ‘temas’ ou ‘ideologias’, mas sim pessoas, cada pessoa. Nesse aspecto aproxima-se muito de Camilo, homem mil vezes apaixonado, que viveu a vida intensamente, sem se preocupar em teorizar sobre ela. O olhar de Oliveira tem sempre no horizonte o drama existencial de cada ser humano, e portanto é sempre universal, sem deixar de ser muito português.”

 

Na recente entrevista à Variety – de resposta curtas e concisas – Oliveira esclarece que este filme não é diferente dos outros que fez, só por ter ser sido filmado nas traseiras da sua casa. Mais: é o aviso de que as vitórias podem vir na companhia de derrotas nunca dantes pensadas. E assim reflecte sobre a Humanidade. Parafraseando Tawin: Oliveira não se repete mas rima. Só "ouvido"...

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