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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

16
Nov17

Há dois tipos de pessoas

por Fátima Pinheiro

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       TM Rasante

 

Revi nestes dias três entrevistas a pessoas que me interessam. O entrevistador, era o mesmo. Na segunda-feira fui ouvir Eduardo Lourenço, na Gulbenkian, numa conferência sobre o tema Haverá lugar para Heterodoxias? E há aqui um ponto de convergência que se tornou claro para mim, bem como a redescoberta do que é saber entrevistar. E uma grande conclusão, que mais uma vez reapreendi, que é a palavra que me "diz" mais. Eu já sabia, mas experimentei mais uma vez.

Há dois tipos de pessoas: as pessoas discurso e as pessoas presença. A vida passa por mim e vou apreendendo a reconhecê-las. E mesmo quando cada um destes tipos têm laivos do outro, acaba por imperar ou uma ou outra. Em relação ao que vi nestes casos que referi não tenho dúvidas: dois discursos e três presenças. O discurso pode ser lógico, interessante e ortodoxo, mas reduz-se a uma lógica demagógica, corriqueira e asfixiante. Perde assim até o direito a ser chamado de discurso na verdadeira acepção da palavra, sendo apenas a cassete de sobrevivência. E por incrível que pareça, vende.

Com as pessoas presença é diferente. O tempo pára, elas têm olhos e olhar.  A entrevista e o grande plano deixam ver. Revelam. É como estar ao vivo com as pessoas e ao fim do dia lembro, como se fosse agora. E sorrio. Aí soa então bem fundo a palavra que mais me diz. Que me realiza. Já estão a ver qual é? E todos os dias soa mais. Todos os dias é como se fosse diferente. Não é cassete, realiza!

Uma boa entrevista? É saber entre vistar. É saber, quanto baste, antes de enfrentar o entrevistado. Trabalho, mais trabalho de casa, que inclui o trabalho da própria vida de quem pergunta. E nesse entre ter, mostrar na cara e no corpo, o bicho que está na berlinda. No que está gravado  - no gravador e na memória do coração - podemos andar para a frente e para trás (chama-se  silêncio, meditar, recolher, recuar para avançar, tempo ao tempo).

No caso, o entrevistador foi sempre o mesmo. E nas entrevistas que revi, vi de tudo. Numa delas porém vi dois homens.

De Eduardo Lourenço já aqui disse tudo. Ele, o homem das heterodoxias, é um ortodoxo, como lembrou no outro dia. A humanidade tem a vocação da verdade. Não a da verdade opressiva, mas a da verdade positiva, que liberta. Foi o que revi há dias naquela entrevista, dois homens desarmados, sem rede, a mostrarem-me quem sou. Uma arte.

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23
Ago17

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A Secretária de Estado da Modernização administrativa,  disse ao DN que é homossexual. Graça Fonseca considera “importante” fazer a declaração a que chama “afirmação política”, "assumiu" publicamente a sua homossexualidade, leio no jornal. Por isso escrevo este post. Mas principalmente porque o tema da sexualidade me interessa e é raro, sim, falar-se sobre o que é a sexualidade. E porque esta política está cada vez mais fora do real.

Tive o privilégio de estudar com  bons professores de fenomenologia. São João Paulo  II, que poucos conhecem como fenomenólego, deu um passo de gigante no estudo do corpo, uma vez que desde São Tomás de Aquino, século XIII, que não se  dizia nada de novo e verdadeiro sobre o tema. Ligando o sexo ao amor, reconheceu que sexo não se identifica com procriação, mas que as pessoas envolvidas se querem unir, fundir, se querem como que comer uma à outra. Novidade na Igreja Católica? Sim. Pouco conhecida? Sim. A Igreja Católica errou? Sim. A Ciência também erra? Sim. Lembro o que a Ciência disse antes de Galileu, antes de Pasteur. O pensamento evolui, sim senhor.

Em relação à secretária de estado tenho a dizer que entendo "assumir" como um verbo que não faz sentido no seu discurso.  Uma pessoa é homosexual, ponto. O que acrescenta "assumir"?

“Acho que as leis não bastam para mudar mentalidades", diz Graça Fonseca. Pois não, são as mentalidades que fazem mudar.

“Se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia”, sublinhou. Sim, eu gosto de ver os governantes a falarem de si. Agora, "assumir" aplica-se a responsabilidades. Por exemplo, quem assume a responsabilidade destes fogos? Isso sim. Isso é política!

“E se as pessoas perceberem que há um semelhante, que não odeiam, que é homossexual...". Será que li bem? Pessoas mortas ? Odiar?  Preferia estar enganada, mas esta entrevista cheira a agenda mediática, eleições (e aqui ressalvo as intenções da senhora secretária de estado, a quem ponho, como a cada pessoa, político ou não, acima de mim, por razões ontológicas). A esquerda é moderna, e eu sou de esquerda. Um dia destes ainda me vêem a "assumir" que sou católica? A palavra "assumir" é palavra de telenovela.

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17
Ago17

Não parece, mas abordo hoje um tema de profunda atualidade. O que me leva a fazê-lo? Um artigo do Expresso de papel, do fim de semana passado, a história de Manuela Moura Guedes com revelações que não me entram por um ouvido e saem por outro, a frontalidade de Camilo Lourenço e do Observador, sobretudo de José Manuel Fernandes e outras coisas aqui e ali que não deixam de ser menos determinantes para me ajudarem a construir o que penso. Sim, porque ando aqui para pensar. Sem isso como transcendental, sou apenas um pedaçito de matéria que de espacito caminha para o "the end." Apesar de ainda acreditar que é possível um jornalismo credível, há muito que verifico que o que temos agora, com honrosas excepções, é um monte de esterco, e apenas sabe parir ratos.

Nem preciso de me alongar com exemplos. Está à vista. Apenas uns sublinhados. Eu sei que os jornais precisam de vender. Mas não a qualquer preço. Seremos uma república de bananas? Quem manda calar quem? É quem tem guito. Meus queridos jornais, digam-me "espelho meu", qual o valor que os portugueses deram para os fogos? Não sabem!! Não vos pagam para dizer, não é? Isto é que são cabeças bem rapadas.E o artigo do Expresso sobre barrigas de aluguer? Cheira-me a encomenda. Laurinda Alves escreveu no "Observador" o melhor artigo que saiu sobre o tema, com o título "Cheira a negócio", no qual refere praticamente todos os aspectos implicados com esta lei. E o que faz o Expresso? Vai ao clássico expediente do puxar da lágrima, e afirma, sic, que esta lei permite a Isabel realizar o sonho de ter um filho. Graças à lei a felicidade aumenta sobre a terra. Bruxo, que a mãe dela, de Isabel  - a quem já foi dado o nome de avó - oferece  a barriga sem cobrar. É por amor. Não dúvido, e apreçio o gesto da senhora! Mas o artigo,que só pretende contar este caso, o primeiro na lista de candidaturas, acaba por tecer discurso sobre a lei. Discurso incompleto e enganador. Não me venham com piedosas intenções. Quero uma cabeça cheia de verdades, clareza e rapada de preconceitos que só enchem o bolso dos outros. Quero preconceitos que ajudem, que façam de mim, do meu País e do meu mundo um lugar de esperaça, e já. 

Há muita vida para lá das eleições. E vou continuar a ouvir e a apostar em quem não me engana. A vida é bela, não apesar, mas mesmo através deste desnorte!

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01
Ago17

A minha querida LGBTIQ+++++....

por Fátima Pinheiro

 

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A ideologia de género é mesmo ideologia e não faz o meu género. Pretende fazer do zero, rebentar com a família, embora use o mesmo termo para a sua aquitectura. E, obviamente, eu, e alguns como eu,  sou categorizada, pertenço, a um período histórico mental ultrapassado.  Até a gramática já mudou!! A língua, essa, já mudou.

Não é por acaso que a Filosofia, há milénios, começou com a lógica, com um estudo das palavras e, sempre que surge um filósofo, é da linguagem que tem de tratar primeiro. Aristóteles ontem, Husserl em 1900, e hoje, para abreviar, os analíticos. Não falo hoje da origem, mas da natureza. Da origem há novidades: Dan Brown já nos deu o presente de Natal.  Da natureza sim, vou abundar. Para isso recorro ao meu filósofo preferido que diz que reconhece, e bem, que "o enunciado não termina em si, mas na coisa". Por exemplo, se eu digo "este copo é de vidro" este enunciado não fica fechado em si mas aponta para "isso" que intenciono. E posso intencionar de forma gestual, ou das formas que eu for capaz de criar para referir a mesma coisa, neste caso o que é designado pela palavra "copo". Com a LGBTIQ (a abreviatura tem vindo a aumentar) passa-se o mesmo.

Pouco importa o nome que eu der a esta ou àquela pessoa, o masculino e o feminino são intencionados por mim, mesmo se eu usasse outras palavras. Há homens e há mulheres. Ponto. Por muito que se diga o contrário quando alguém nasce, não nasce selvagem, é menino ou é menina. É como na gramática haver o género masculino e o femininino. 

Uma vez perguntaram ao  D.José Policarpo se era a favor do casamento homosexual. Ele, que conhecia o jovem jornalista, respondeu: "só se for na tua terra!". 

Obviamente que "cada cabeça sua sentença", não nos vamos processar uns aos outros por pensarmos as coisas de forma diferente. Posso ser Lésbica, Gay, Bisexual, Transexual, Intersexual ou ainda a Questionar. Trata-se de uma ideologia porque trás disto vem uma visão do mundo, não faz por menos. É uma uma forma de entender os homens e as mulheres,  uma forma de ver que parte da cabeça e perde pouco tempo a olhar as coisas; que defende que uma visão do sexo apenas como atração entre um homem e uma mullher é mentirosa e redutora. É só uma opção, uma entre tantas... Ser mulher  e ser homem é algo que cada um vai decicidindo ao longo da vida. O "y" dos cromossomosas é para esquecer.

E se argumentos mais não tenho para pensar de forma diferente, paciência. Tenho o mais forte de todos: a natureza. Gosto de ter pai, de ter e ser mãe e de ter filhos. Claro que se algum deles fosse das comunidades LGBTIQ, amá-lo-ia assim, da forma como escolheram viver. Faz parte da minha natureza e da deles. Amarmos e ser amados.

Donde tira a sociedade, de onde tiramos nós, a ideia dos papéis masculino e feminino? Não é de ser rico ou pobre. É das vidas e das caras das pessoas que por mim passaram e passam. É das vidas e das caras das pessoas por quem passei e passo. E esses encontros e desencontros são muitas vezes duros e complicados. Mas não é por isso que as coisas deixam  de ser o que são. Só a liberdade é que gosta de "sair", faz parte da sua natureza. Tudo o mais é para se construir. Um filósofo português lembrou que o homem é dado em natureza para se reconstruir em liberdade. E  ontem Eduardo Lourenço - um homem que sempre quiz ser homem ao longo da vida... - na entrevista que deu ao Público disse "Sei tanto agora que tenho quase cem anos como quando tinha dois."

Quando eu era pequenina, aos domingos de manhã, ainda na cama, ouvia o meu pai e a minha mãe, também ainda na cama, falavam, falavam, falavam. Por isso eu sou hoje tão feliz. Ao longo da vida fui questionando, finalmente encontrei-me e sei o que quero. Fui a menina do meu pai. Não fui a sobrinha do tio que ia casa do irmão brincar ao "ursinho" com a menina que conheci em mulher, e ainda  lhe dói o que calou durante anos. 
Teria mil mil histórias para aqui contar. E sei que somos todos únicos e irrepetíveis. Lembro só a da Patrícia, que antes de se chamar  assim, se tinha chamado Pedro,  fez uma operação ... Disse que ainda era infeliz, mas que ao pé de mim se sentia bem, que nem precisava de fumar. A cara rebentava de silicone.

E a história do João, que passa a vida a dizer bem das tias, que eram gays, lésbicas, ou homosexuais, mas que o criaram, e que lhe deram tudo, mais do que muitas famílias com pai e mãe. Ainda bem. O amor é muito bom. Agora, as coisas são o que são. E cada caso é um caso.  Como se passa com os heterosexuais. Eu não me reduzo a um número.

Por vezes é como se os meus queridos LGBTIQ tivessem várias peles vestidas. Às vezes despem-nas. Para mim!!! Alguns fumam...

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transferir (9).jpgO País? Bem. Vê-se no espelho de quem governa e no espelho de quem garante o regular funcionamento das instituições.  Os fogos passarão. A onda de optimismo que caracteriza a esquerda, agora alargada, continua em crescendo, uma espécie de vie en rose. A ilusão de que a culpa é do fogo, e de quem atravessou a estrada quando não devia; essa ilusão floresce nas barbas de quase todos, incluindo-se aqui o misterioso, inefável e inestimável apoio de onda dos media em geral. Só falta o canto de Sócrates que agora , e uma vez descoberto o dono do dinheiro, vai piando mais fino. Mas a farsa é tal que algumas ricas vozes sensatas insistem em chamar as coisas pelo seu nome. Bem hajam. Sem vocês, tudo seria uma esquizofrenia, ou uma monstruosidade.  Ainda acredito no fogo que arde sem se ver, no fogo que muda e vira as páginas da História.

 

O senhor feliz, após breve e notório desaparecimento foi agora para Mação. Só quem lá está é que compreende, diz. Então eu não compreendo? Será que o País caberia todo em Mação, ou estaremos condenados à ignorância? Feliz por ser compassivo com quem sofre, o senhor feliz, magnânino, até ignora a mentira do CEMGFA. Primeiro o material de Tancos era sucata, e ontem ficamos a saber pela mesma boca, que o material não era sucata. Na minha terrra isto chama-se mentir. Por que não ser magnânimo com o General? Eu bem queria acreditar que as instituçoes estão a funcionar regularmente, mas não consigo. Nem quero ser desmancha prazeres. Mas não vejo razões que me dêem prazer. O utilitarismo do senhor feliz desgosta-me. O seu comportamento político de não fazer ondas para ser cada vez mais feliz, entristece-me, gera mal, envergonha. 

Mas isto de não querer confrontos com o senhor contente - nem com ninguém - tira-lhe em coluna vertebral. Lembra-me um senhor chamado Pilatos. E, à maneira de Jesus, caminha sobre as águas, deixa as ondas para o mar e vai abraçando a gente da nossa terra. Tolera Costa, porque o que o move é mesmo, e só , ser feliz. Como comentador já assim era, muito Gentil e a fazer todos muito felizes também. 

 

O senhor contente, cada vez mais contente com o seu "comigo é que é" (e muitos indices e relatórios independentes do estrangeiro a confirmar...). Bem pode agora - depois das merecidas férias - planear, dizer que vai fazer, chutar para canto, e aparecer nas televisões com hora estudada e marcada. O destino marca a hora! Catarinas, Mortáguas, Jerónimos, aguentam bem o preço do poder, e aqui e ali vão tapando buracos. Mas já não têm a graça de um touro enraivecido. Até já tenho saudades de quando eles eram genuínos e abriam a boca para dizer verdades. Mas passaram para a Côrte e o caldo, sem se entornar, até poder ter bom aspecto, mas azedou. Sonsice. E insonso é o ar que nos dão a respirar. Sal? Aumenta o das lágrimas de Portugal.

 

E já agora falando de Salgados: vem agora o homem inocente (atchim)  a querer passar por marmota bébé. Cabia aqui um palavrinha às editoras, mas isto vai longo. Nos anos recentes tem saido cada livro. Eles, os "inocentes", ficam com mais tempo e escrevem a sua inocência. Mas voltando ao mister Ricardo Salgado, e porque escrevo sobre o meu País, devo escrever que houve um homem que lhe disse Não. Por acaso esse homem foi o mesmo que ganhou as últimas eleições. Para quem esqueceu chama-se Pedro Passos Coelho. E o senhor feliz o que decidiu? Decidiu ser mais feliz, e investir o senhor contente com mais contentamento. Optou por uma ave rara...

Qual flautista de Hamelin, Costa continuará a pular e a saltar, a encantar tudo e todos. Mas a música começa a soar mal, e ainda há quem se ache gente, e não um rato que só vive para o queijo. Por enquanto esta tristeza que trago, tenho a certeza, foi de vós que a recebi. Porreiro, pás!!!  

A  Proteção Civil acaba de dizer que está tudo  controlado, mas o vice-presidente da Câmara de Mação, ao início desta manhã, diz outra coisa: "já ardeu metade do Concelho", sendo a situação "completamente descontrolada", "catastrófica" (sic). O senhor ainda aí está com o seu Povo? Ah, e o Ministro da Saúde acaba de dizer que vai ter mais orçamento. Pudera!!!!

 

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24
Jul17

Obviamente demita-se!

por Fátima Pinheiro

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Onde é que é hoje o fogo? Sertã e Castelo Branco, é onde está pior. Vai passar a clássico? Pessoas queimadas e mortas, e ninguém diz nada. Coitadinhos, não têm culpa! Quem não tem culpa foi quem morreu e morre por incúria. Quem ficou de mãos a abanar, chora pelos que partiram, sem férias que os descanse. As queimaduras emocionais não se curam com um 'delete' tecnológico. Ficam para sempre.  E parece haver apelo e agravo. Já quanto à Inquisição ninguém a poupa. Pior, muito pior o que se está a passar. É uma analogia, obvio. Eu não misturo temas. É só por uma espécie de paradoxo da tangência.

Na Assembleia da República ouvi dizer que obviamente dois ministros não seriam demitidos. E que as ações deles eram da responsabilidade de um outro. Então que se demita esse outro, António Costa, óbvio! Não adianta ir ao local, após merecidas férias, e pôr um capacete e uma cara de missa de sétimo dia. Só adianta para a imagem, que parece ser a única preocupação de muitos.

Tinha muito mais a dizer, mas hoje não quero nem posso. Que o meu silêncio tenha o valor de um profundo pesar e grito de indignação. Acabe-se com esta piolhada! Mas parece que não, os Media insistem no deixar vir a mim as criancinhas...

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14
Jul17

 

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Cada dia que passa tem sido uma anedota. Hoje às 19h temos novo governo. Não saem os que deviam, entram oito nomes credíveis. Sejam bem vindos, queremos todos contribuir para construir uma vida melhor no nosso Portugal. Agora o problema não é a vossa credibilidade. O problema está na credibilidade de quem conduz este governo e quejandos. E o que interessa agora a Costa é ganhar as autárticas. É como nada do que aconteceu nestas semanas  tivesse acontecido. Eu aprecio o pragmatismo e o cortar a direito. Não choro sobre leite derramado. Sou também optimista, mas não piso nem gozo com ninguém. Há limites de decência e a demagogia é uma vergonha.

Ontem temos a anedota. Júdice revela: "assaltantes de Tancos estavam a ser vigiados pelas autoridades. A informação de que os assaltantes estavam "sob suspeita" e vigilância para os tentar apanhar em "flagrante delito" foi dado ao advogado por um "político de nível muito elevado", é o que se pode ler no Jornal Económlco de ontem. Um político de alto nível, aliás, um político de muito alto nível!!!! Só duas perguntinhas. Delito? Então não era sucata? O político de muito alto nível não sabia? Recuo. Podem alguém dizer-me o que é um político de muito, muito, repito, alto nível? "Se calhar mora no ultimo andar !!! ", esclareceu-me uma amiga.

"Até tenho medo de falar nisto. Eu ponho com todas as cautelas, porque se calhar isto nem é verdade. Há muita ‘boataria’”, continua Júdice. Medo? Por amor de Deus. Então porque é que falou? Judice responde : "Mas quem me disse isto é um político de nível muito elevado que me disse o seguinte: este bando, ou este grupo, já estava sob suspeita das forças de investigação, das polícias”. Fico esclarecida. Quem tem razão é Rui Ramos ontem no Observador. A imagem e mediatismo, é o que vale.

Digam lá que para casa ardida não vem mesmo a calhar uma nova secretaria de Estado, a da Habitação? E pôr em Pedrógão o polo de estudos sobre o Interior, hein? Assim nem um voto se perde. Se calhar antes pelo contrário. Já vejo os aplausos em Outubro. Mas como tudo isto que se passa nas nossas barbas é um pesadelo ou uma anedota, pode ser que eu esteja enganada.  Sou uma pessoa decente, e tenho da política uma visão de nobreza, e não de um oportunismo e ambição sem limites. O ilusionismo de Costa é elevado a transcendental. Que pena. E quanto a si senhor Presïdente? Ah, pois é, um PR não é um político de muito alto nível, é só PR. Garante o bom funcionamento das instituições.

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28
Jun17

Não tomaste conta de mim!!!

por Fátima Pinheiro

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 imagem tirada da net

 

O gesto de ontem no Meo Arena vale por si. A beleza da solidariedade e dos valores envolvidos, diz tudo. Parabéns a todos. Da minha parte, que raramente vejo a tv, vi, e liguei para aquela linha muitas vezes. Devo dizer que gosto muito da Cristina Ferreira. Tem gargalhada genuínas.  A vida é bela, disse antes de cantar o Salvador Sobral. Mas do que eu gostei em especial, mesmo, foi do direto do Presidente da Câmara de Pedrógão, e dos diretos feitos por um Pedro Teixeira como eu nunca tinha visto. Maravilhoso.  Sem uma pinga de espírito negativo, o homem que ficou a tratar dos vivos, e não veio a Lisboa, apesar de ter sido convidado, como confessou na entrevista, é um homem maduro. E no top ponho o meu Pedro Abrunhosa e aquele genial angolano, que eu não conhecia, e cantou "todos me chamam louco".

A noite tinha um manto de espírito positivo, uma montanha de sorrisos de portugueses a apreciarem os portugueses, uma onda de "nós somos incríveis, sabemos unirmo-nos, fazer um mega evento", e por aí. Tipo "we are the portuguese". E o mundo das estrelas da rádio e da tv. E que que grande concerto! Que artistas temos!

Mas não posso deixar de lado o que penso. Cantam mas não "animam". Só uma pessoa vale mais que 1 milhão e 153 mil euros. Este número tem sido repetido nos media, que já incomoda. Sabem quanto custa um estádio? Ou quanto custou a Quinta do Relógio?  Não estou a dizer que este dinheiro de ontem não vale. E como valem os discursos comovidos das pessoas que ontem falaram.  Mas nada apaga o que aconteceu. E o concerto de ontem - eu sei que a ideia não é essa - pode ser um tapar o sol com a peneira.  O que eu queria mesmo, porque um País que se preze é assim que funciona,  tem sido e vai seguramente ser adiado. É uma palavrinha de quem nos governa. E ação estruturada. Visão.

Parafraseando o meu querido Abrunhosa, cada morto de Pedrógão pode dizer "não tomaste conta de mim". O calor do Meo Arena é também um fogo. Por isso me chamam louco. São as estrelas no céu. O brilho da arte. A arte está de de Parabéns. E nós portugueses também. Os vivos e os mortos.

 

 

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16
Jun17

Grande mariquice

por Fátima Pinheiro

 

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 imagem tirada da net

 

Eu sei que estou a fazer o mesmo que hoje critico. Mas não faz mal, é só hoje! Isto dava mesmo pano para mangas. Podemos dizer "Madonnas há muitas!". Pois podemos, e até devemos. E títulos também. Mas o que agora ponho  aqui no meu blog se calhar enferma já de vícios de olhar. Uma Madonna já não é o que era. Nem um título. Muitas vezes não sabemos ao que vamos, outras vezes somos enganados. Para ir ao que interessa tenho passado, antes, a ler os verdadeiros opinion makers, que para mim são pessoas que pensam. Referências. Graças a Deus ainda há quem pense. Parafraseando Nuno Abecasis, "o que se escreve ou é uma coisa séria, ou é uma grande mariquice". Referia-se à política, mas não estamos longe dessa grande área. Pensar, escrever, dizer, fazer. Exterminar as barracas intelectuais que crescem em tablets e coisas digitais, como se o caminho fosse por aí. Digital sim, mas com cérebro. E a Madonna?

Não sei quem escolheu o título da exposição que está agora no Museu das Janelas Verdes, sobre a Mãe de Deus. Mas também isso não me interessa. Olho o título e poderia ser um convite a uma exposição sobre a estrela rock que tem andado pelo nosso país, e, diz-se, vai comprar a bela Quinta do Relógio, em Sintra, onde neste momento me encontro. Ainda ontem passei por ela, pela Quinta.

A exposição tem como título "Madonna. Tesouros dos Museus do Vaticano". Embora a cantora não seja ainda de museu, o título combina com ela no mood de um Dan Brown ou de um Rodrigues dos Santos. Estratégia de marketing para chamar para uma visita ao museu? É mesmo ao arrepio de chamar as coisas pelos nomes. As pessoas em geral pensam que Madonna é a Madonna. Como uma vez, estavamos perto da Páscoa, pus no Goole "Quaresma" e sairam-me só coisas de futebol.  

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19
Mai17

Saiu-me e disparou

por Fátima Pinheiro

 

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 a capa de umas revistas que gosto

 

Explodi! Ele há coisas, há.  Já ando um bocado farta da agenda mediática Fátima, Papa, Sobrais e Benfica. Dá muito jeito uma agenda  pronta a comer, quase self service. Eu própria, como se está a ver, estou neste momento a usá-la. Eles, os tópicos, não são de agora e não são consensuais.  Mas nestes dias só se fala deles. Sempre com filtros, monoclos, não há outra forma. Descartes pensava que sim, mas enganou-se. E tudo ao mesmo tempo, o que levou a uma espécie de atropelamento, por vezes um certo stress, de sempre mesmo do mesmo. Assuntos interessantes, mas sem se adiantar nada de novo, de constructor. Salvo raras excepções. Abençoado João Canijo. E certos livros.  Passada a febre, já voltamos ao normal. Ou não??

Madonas, Trump, Rússia, a má da Coreia, Brasil, agora pela voz de Temer, Uber, Lua de mel de Bruno Carvalho, e pouco mais. Sempre no fundo a intolerância, a ONU de Guterres, as autárquicas, os mártires cristãos na Siria, Macron, Chico Buarque e Carminho, Rui Moreira. E Marcelo, Ronaldo e Costa sempre. Ah, e o terrorismo, já me ia esquecendo. Sobral no Parlamento e a Aveiro a fazer furor, agora no Brasil. A economia a crescer, e de quem é afinal o mérito, e onde e como vai ser o festival da Eurovisão. As videntes e a Terceira Guerra Mundial. Voltamos a ler-nos no epidérmico. Mas onde é que está o gato?

Voltando ao que me referia inicialmente  - onde já vai a discussão teológica visões versus aparições - há dois dias saiu-me quase sem querer um post.  Muito porque nâo gostei da televisão, salvo raras excepções. Estive em Fátima a 13 mas pernoitei de véspera em casa de uns amigos, e vi pela televisão. Tiraram-me a fotografia que inspirou o dito post. Tive tantas visualiações! E fiz o que sempre faço. Escrevo o que penso das coisas que se passam e gostei de ter tido muitas visualizações. E penso na razão que terá feito subir os que por aqui passam.

Cheguei a uma primeira conclusão. O facto de toda esta circunstância  ser rica de potencialdades mudou-me; fez-me carregar o botão com mais força e parar. Fazendo o que sempre faço, fi-lo de forma mais exigente, paradoxalmente, baixando os braços. A querer respostas mais completas. A querer uma comunicaçâo social mais séria, uma vida mais autêntica. A pedir que me ajudem na procura e construção de músicas, teologias, políticas e pessoas mais belas. A ser uma pessoa mais bela.  É o que quero. Talvez o Salvador, a cantar como ninguém, seja o mais pessoal e universal de tudo isto, mais um "pastorinho" que me ensina o que me corresponde: eu sei que não se ama sozinho.

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