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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

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Se havia dúvidas, elas deixaram de existir. Um Governo que manda agora uma editora retirar um livro do mercado (um livro que tem um ano) é um perigo.  A sexualidade, a ser orientada para as cores todas - o que nos querem dizer com bandeiras com o arco iris; vi agora uma hasteada num edifício camarário, por sinal a achar-se "moderno" - é afinal a defesa de pessoas assépticas e cinzentas. Sem tomates no pensamento.  Que se deixasse ao menos o azul e o rosa. Mas não, é tudo igual. Os nossos miúdos perderam a graça, a pinta, de serem estimulados a pensar.  Só se pode pensar de forma ideológica. 

Mas quem é o Governo para impor uma ideologia género "só porque sim". O decidir porque "decidir é que é". Que pobreza de humanidade. Quem manda em mim, a obrigar-me a pôr palas no que posso encontrar nas livrarias? Palas no meu pensamento? E nada de confusões com o gasto argumento de Sousa Lara, Saramago e Inquisição. Alhos não têm a ver com bugalhos. E tomates foi o que faltou à editora. 

Homologar o pessoal a decidir o que não é susceptível de decisão, é uma modalidade de governo em abuso de poder. Diradura sexual é ditadura. Pior: é admitir que eu não posso ser na minha bela e única singularidade de ter nascido mulher, gira, com olhos castanhos, e para o gorduchito. Leiam o que quiserem! Mas não me interditem de ler o que eu quiser. Cortem os tomates! Eu passo,  e luto por um mundo colorido que não tem a minha autoria. Tem sim a autoria da minha liberdade. 

Tenho o privilégio de ter amigos que dizem ser homosexuais. Mas não se contam os segredos.

 

 

 

 

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01
Ago17

A minha querida LGBTIQ+++++....

por Fátima Pinheiro

 

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A ideologia de género é mesmo ideologia e não faz o meu género. Pretende fazer do zero, rebentar com a família, embora use o mesmo termo para a sua aquitectura. E, obviamente, eu, e alguns como eu,  sou categorizada, pertenço, a um período histórico mental ultrapassado.  Até a gramática já mudou!! A língua, essa, já mudou.

Não é por acaso que a Filosofia, há milénios, começou com a lógica, com um estudo das palavras e, sempre que surge um filósofo, é da linguagem que tem de tratar primeiro. Aristóteles ontem, Husserl em 1900, e hoje, para abreviar, os analíticos. Não falo hoje da origem, mas da natureza. Da origem há novidades: Dan Brown já nos deu o presente de Natal.  Da natureza sim, vou abundar. Para isso recorro ao meu filósofo preferido que diz que reconhece, e bem, que "o enunciado não termina em si, mas na coisa". Por exemplo, se eu digo "este copo é de vidro" este enunciado não fica fechado em si mas aponta para "isso" que intenciono. E posso intencionar de forma gestual, ou das formas que eu for capaz de criar para referir a mesma coisa, neste caso o que é designado pela palavra "copo". Com a LGBTIQ (a abreviatura tem vindo a aumentar) passa-se o mesmo.

Pouco importa o nome que eu der a esta ou àquela pessoa, o masculino e o feminino são intencionados por mim, mesmo se eu usasse outras palavras. Há homens e há mulheres. Ponto. Por muito que se diga o contrário quando alguém nasce, não nasce selvagem, é menino ou é menina. É como na gramática haver o género masculino e o femininino. 

Uma vez perguntaram ao  D.José Policarpo se era a favor do casamento homosexual. Ele, que conhecia o jovem jornalista, respondeu: "só se for na tua terra!". 

Obviamente que "cada cabeça sua sentença", não nos vamos processar uns aos outros por pensarmos as coisas de forma diferente. Posso ser Lésbica, Gay, Bisexual, Transexual, Intersexual ou ainda a Questionar. Trata-se de uma ideologia porque trás disto vem uma visão do mundo, não faz por menos. É uma uma forma de entender os homens e as mulheres,  uma forma de ver que parte da cabeça e perde pouco tempo a olhar as coisas; que defende que uma visão do sexo apenas como atração entre um homem e uma mullher é mentirosa e redutora. É só uma opção, uma entre tantas... Ser mulher  e ser homem é algo que cada um vai decicidindo ao longo da vida. O "y" dos cromossomosas é para esquecer.

E se argumentos mais não tenho para pensar de forma diferente, paciência. Tenho o mais forte de todos: a natureza. Gosto de ter pai, de ter e ser mãe e de ter filhos. Claro que se algum deles fosse das comunidades LGBTIQ, amá-lo-ia assim, da forma como escolheram viver. Faz parte da minha natureza e da deles. Amarmos e ser amados.

Donde tira a sociedade, de onde tiramos nós, a ideia dos papéis masculino e feminino? Não é de ser rico ou pobre. É das vidas e das caras das pessoas que por mim passaram e passam. É das vidas e das caras das pessoas por quem passei e passo. E esses encontros e desencontros são muitas vezes duros e complicados. Mas não é por isso que as coisas deixam  de ser o que são. Só a liberdade é que gosta de "sair", faz parte da sua natureza. Tudo o mais é para se construir. Um filósofo português lembrou que o homem é dado em natureza para se reconstruir em liberdade. E  ontem Eduardo Lourenço - um homem que sempre quiz ser homem ao longo da vida... - na entrevista que deu ao Público disse "Sei tanto agora que tenho quase cem anos como quando tinha dois."

Quando eu era pequenina, aos domingos de manhã, ainda na cama, ouvia o meu pai e a minha mãe, também ainda na cama, falavam, falavam, falavam. Por isso eu sou hoje tão feliz. Ao longo da vida fui questionando, finalmente encontrei-me e sei o que quero. Fui a menina do meu pai. Não fui a sobrinha do tio que ia casa do irmão brincar ao "ursinho" com a menina que conheci em mulher, e ainda  lhe dói o que calou durante anos. 
Teria mil mil histórias para aqui contar. E sei que somos todos únicos e irrepetíveis. Lembro só a da Patrícia, que antes de se chamar  assim, se tinha chamado Pedro,  fez uma operação ... Disse que ainda era infeliz, mas que ao pé de mim se sentia bem, que nem precisava de fumar. A cara rebentava de silicone.

E a história do João, que passa a vida a dizer bem das tias, que eram gays, lésbicas, ou homosexuais, mas que o criaram, e que lhe deram tudo, mais do que muitas famílias com pai e mãe. Ainda bem. O amor é muito bom. Agora, as coisas são o que são. E cada caso é um caso.  Como se passa com os heterosexuais. Eu não me reduzo a um número.

Por vezes é como se os meus queridos LGBTIQ tivessem várias peles vestidas. Às vezes despem-nas. Para mim!!! Alguns fumam...

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29
Jul15

O meu corpo é muito bom!

por Fátima Pinheiro

 Pier Paolo Pasolini/imagem tirada da net

 

Dêem-me perguntas. Adoro. Deus e o diabo vão aturar-me sempre. Escolhi estudar Filosofia por "desporto". É mesmo o trabalho que gosto. E "felizes" os que trabalham naquilo que gostam, porque aumentam ao gostar natural o das horas de trabalho - dimensão enorme da existência, não só por nos ocupar longas horas, mas porque é através dele que temos a oportunidade de realizar, descobrir e construir. Tudo. O desemprego pode aumentar. Mas trabalho há sempre. O dinheiro é uma grande chatice, e quero também escrever sobre isso. Mas hoje escrevo sobre homens e mulheres. Normalmente acordo cheia de coisas na cabeça, e só descanso quando as passo ao papel. Hoje acordei a pensar neles.

O assunto interessa-me há muito. Nas discussões de adolescência, quando se falava das diferenças entre homens e mulheres, amuava e não discutia. Dizia apenas que o que interessava era a pessoa. Estava completamente out. Eles estavam certos. No fundo fui sempre um bocadinho tótó; um dia, na 3ª classe, perguntei à D. Júlia por que é que na pré-história só se falava do "homem", se "não havia então mulheres?"...; não que fosse completamente estúpida, um dia até mordi a Cristina, e levei reguadas. Mas era assim. E quando, já no liceu, as 7 mais belas raparigas se juntaram para serem as 7 mosqueteiras, as 7 magnífícas, ou os 7 anões, aceitei - e ainda hoje gosto de ser - o nome "Dunga". O que ainda nos divertimos.

Agora? Não falo de cor. Não há muitos anos, por razões de trabalho recebi uma pessoa que tinha nascido homem (devia ter sido cá uma brasa! alto, olhos lindos, verdes, etc; fui tentando adivinhar ao longo da conversa como seira "ela" antes, mas não me podia distrair porque o tema era sério) e que tinha feito uma operação de restituição sexual e agora é mulher. Passamos umas boas, boas, horas, a "tratar" do problema que a levava ali.

Normalmente quando falo com alguém olho muito para a pessoa. Foi o que aconteceu. Ela olhava-me intensamente. A certa altura disse-me que se sentia tão bem a falar comigo que nem tinha vontade de fumar. E cheirava-se que fumava muito. E que era feliz com o namorado. Pois ainda bem. Mas o que eu via não coincidia. Ela dizia uma coisa e eu via outra.

Não me venham com a conversa do "respeito". O que é que isso acrescenta aos factos? É como a palavra "assumir"? Mas assumir o quê. A pessoa é, ou não é. Ama ou não ama. Eu sei lá se sou se sou mais doente do que aquela rapariga? E que há muitas doenças que escangalham a pessoa há. Respeitar, assumir, estão a mais. Se não é doença, melhor.

As diferenças entre homem e mulher qualquer criança sabe. É como quando pergunto aos amigos dos meus filhos quando vêm pela primeira vez lá a casa: quantos dedos do pé tenho, e eles dizem logo "5". "Como é que sabes? Não estás a ver!" Podia escrever um livro com as respostas. Mas têm a certeza que é "5". Não precisam de ver. Por acaso num deles só tenho quatro, fui operada...

É uma questão de sexualidade. O que é sexualidade? Não estou a devolver a batata quente. É a pergunta que fiz e à qual venho obtendo resposta. Já sabia mas faltava mais. E continuo a aprender. E aprender implica descobrir os elos, as razões, e de como o sentimento a ela (à razão) está colado (Kant neste ponto não teve pontaria, porque eu não sou, nem quero ser, anjo). E nada se percebe se não se passa pela homossexualidade; e aqui há a masculina e a feminina, que distam uma da outra como o céu da terra. "Perdi" muito tempo a ver as pessoas. Fiquei a conhecer-me melhor e aos outros. E isto não acaba...

Andamos muito tempo no tabu do corpo. Foi a religião católica, dizem. Há uma parte de razão, nos factos. Mas não esquecer as religiões e as morais antigas, e as de hoje, que pensam que ao inundarem-nos de incensos, óleos e mirras (olhem as lojas dos milhares de centros comercias, ou bestiais...) nos querem elevar acima do sofrimento, que vem do corpo e sofrimentos adjacentes. Nunca gostei de anestesias, prefiro chorar. Mas, claro, gosto mais de abraços. Todos. O corpo é muito bom!

Ó Richard, meu oficial e cavalheiro, que pena! E eu que gosto tanto do Lama, de facto. Mas foi um papa polaco, filósofo, que agarrou em Husserl e voltou a olhar para o corpo e a discorrer (não fosse ele um atleta). Estava demasiado perto da Rússia para não se ter deixado espantar pela beleza dos corpos de um homem e de uma mulher. Foi nele que bebi, aprendo, e vou vivendo as "palavras" magníficas. Experimento e verifico quem sou e o que é ser mulher. Experimento e verifico o que é ser homem. Sei o que se ganha e o que se perde. Não respeito, nem assumo. Limito-me a ser mulher. Mas sei porque não gosto do "mesmo do mesmo". Não sou bruxa, sou apenas humana, converso, dou atenção (tento) e por isso sei os factos e as razões - porque conheci e conheço pessoas assim - que levaram (e levam; e aqui mea culpa...) a procurar o mesmo do mesmo.

A mim o diferente abre-me ao mistério, dá-me vertigens. Voo e vejo mais longe - saio da gaiola - e não me limito às promessas de um conforto que insiste em invadir-me como se fosse uma ditadura a dizer "da igual, se te gusta"! Isto já vai longo. Há pano para mangas. Para as por e tirar. A sexualidade reside na bela diferença.

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30
Jun15

Edgar Morin: paradigma encontrado?

por Fátima Pinheiro

 

 

Edgar Morin : « L’encyclique Laudato Si’ est peut-être l’acte 1 d’un appel pour une nouvelle civilisation »

www.la-croix.com/Religion/Actualite/Edgar-Morin-L-encyclique-Laudato-Si-est-peut-etre-l-acte-1-d-un-appel-pour-une-nouvelle-civilisation-2015-06-21-1326175.

 

 

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03
Jun15

 

 gostos não se discutem/imagem tirada da net

 

O poeta recentemente falecido diz assim: "que interessa fazer a barba, se é tudo para cremar (Herberto Helder, Poemas Canhotos, Porto editora, 2015. p.16). O mesmo é dizer : que interessa viver, se é para morrer? Esta obra póstuma é de uma carga metafísica ou filosófica mais explícita que noutros livros de Herberto Helder. Mas não se entende aqui metafísica como uma coisa distante, que é o que por ela erradamente se entende, a maior parte das vezes. Antes pelo contrário, é bem concreto. O poeta trata de si , de mim, do "eu". Duma forma principalmente filosófica. A páginas tantas : "em boa verdade houve um tempo em que tive uma ou duas artes poéticas, agora não tenho nada" (p.18). A filosofia é uma espécie de nada, um não saber que questiona o quotidiano e pergunta "quem sou eu?". A Metafísica é um peixe de águas profundas, "a realidade." (p.13)

 

Mais metafísico significa aqui mais metido consigo, com o seu "eu". Com a natureza humana  (Ramos Rosa:"ele sou eu "(p.39). O poeta desdobra aqui neste livro um lençol exposto a dobras, pondo as perguntas preto no branco; assim como um pobre a mendigar sentido: "ó mundo, deixa-te entender um pouco/ desde nascer a morrer que não entendo nada..."(p.16). Ou assim: " tudo tão prodigioso que se não entende nada." A pobreza deste senhor de barba é a exposição de uma ferida, "no meio da escuridão" (p.43), na beleza de um perguntar que tem a sua marca. Reconhecer que o cremar não é tudo, é assim o testemunhar de um excesso que escapa e o faz acordar, cada dia, numa precariedade que vale a sua pena. No seu caso uma precariedade cortada em milhares de versos e poemas. Mas porquê Canhotos?

 

Eu que sou destra, não consigo fazer nada com a mão esquerda. Então posso calcular que ele assim os baptiza por serem versos impotentes, onde não cabe o que realmente me implica. Contudo, são esses mesmos versos que podem um "dizer" ensanguentado de sentido. Que nele é mesmo muito carnalmente sentido. Voraz. Doce. Escondido e gritante. Só a ele se chega "quando se mete a mão e se vê que a mão é muito mais suprema." (p.24) Esquerda ou direita? Pouco importa, já que vale a pena, este "mundo das mães loucas" (p.29): "ninguém transforma assim numa chaga a beleza humana." (p.20),  "oh faminta ciência da paciência" (p.21).

 

Poemas Canhotos de Herberto Helder

 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 56
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04753-3
Idioma: Português

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 A Beleza de D. Giussani/ imagem tirada da net

 

O CL é um Movimento da Igreja Católica. Ontem, o “novo” Cardeal D.Manuel Clemente, celebrou Missa pelo 10º aniversário da morte de D. Luigi Giussani, seu fundador, e pelo 33º aniversário do reconhecimento pontifício do CL. Pouco conhecido entre nós, o “movimento” começou nos anos 50 (cfr. http://por.clonline.org/). O Papa Francisco vai encontrar-se no próximo dia 7 de Março, em Roma, com este “rosto" de Igreja, como tem feito com outros "rostos" que são a Igreja, uma vida.

Este post destaca porém uma outra “ignorância”. Para tal refiro um jornalista italiano, que contou em livro a vida de Giussani. Usarei em tradução livre a edição italiana - Alberto SAVORANA, Vita di don Giussani,  Rizzoli – Milano, 2013 - em breve em português. Tudo isto para quê? Simples. Um dia, o já padre Giussani  ia no comboio. Ouviu uma conversa entre teenagers sobre Religião e Igreja. Constatou algo muito significativo: as posições que cada um defendia eram baseadas em ignorância, e desenvolvidas a partir de falsos preconceitos. Pensou (digo por minhas palavras): é preciso dar a conhecer, falar verdade, a ignorância é pior que o piolho. Para que a vida seja boa, mas já, e não para depois. Cristo prometeu que quem O seguisse teria a vida eterna e o cêntuplo JÁ.  E o que os miúdos dizem interessa-me. Quero ir para o meio deles. E veio também para o meio de mim, Graças a Deus, já há mais de 20 anos...

A questão decisiva  para Giussani, à qual dedicou toda a sua acção educativa, a sua vida, é então esta: Cristo: sim ou não? Hoje continua verdade. Quem sabe mesmo o que é o cristianismo? A educação é a rocha de sociedade, das pessoas. A minha pedra angular. Sem ela não vamos muito longe.

Hoje mesmo, D. Manuel Clemente, profere, no Mosteiro dos Jerónimos, a primeira catequese da Quaresma, este ano subordinada ao tema "A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira". Mas isto é tarefa de cada um. Já foi tempo em que a Igreja era uma “coisa” de alguns. Cristo é para mim “sim” ou “não”? Para responder é necessário saber de quem estamos a falar.

Destaco então o capítulo 19 do livro que referi. A mim esclareceu-me, e vejo-me num caminho em que a companhia deste movimento me alegra e me dá um gosto de vida nova. Como deu a S.Paulo, a Santa Teresinha do Menino Jesus e a tantos. Porquê? Porque a resposta à pergunta é a razoabilidade que enche e transborda do nosso ”coração”, das exigências e evidências que correm e fazem correr a natureza humana. Quem não tem sede de verdade, justiça, bem e beleza?

  • O que é a religiosidade? «A essência da razão». E qual é a pergunta que se faz mais vezes? «Faço-me tantas». Pode citar uma, pelo menos? «Se Deus deu aos católicos a inteligência, é para a usarem ou fazerem um holocausto dela?»
  • Quando “os tempos são maus”…quer dizer que veio o momento da conversão do coração e da maturidade na fé. [...] A vida vale a pena ser vivida para edificar a glória de Deus, isto é, para construir a humanidade nova na Igreja. Pois bem, em toda a história do cristianismo a condição para construir é o sacrifício, isto é, a cruz …A maturidade da nossa fé - eis a ressurreição.
  • Introdução à realidade, é o que é a educação. A palavra “realidade” está para a palavra “educação” tal como a meta está para um caminho. A meta é todo o significado do andar humano: esta não está presente unicamente no momento em que a empresa se realiza e termina, mas também em cada passo da estrada. Assim é a realidade, que determina integralmente o movimento educativo, passo a passo, e é a sua realização.
  • Infelizmente, a mentalidade laica – Giussani nota que isto é evidente na escola – «não está interessada em dar um contributo para a tomada de consciência efectiva de uma hipótese que explique as coisas unitariamente. O analismo que predomina nos programas abandona o aluno frente a uma heterogeneidade de coisas e a uma série de soluções contrárias entre si que o deixam, consoante a sua sensibilidade, desconcertado e desalentado no meio da incerteza». Em consequência, o jovem «sente, normalmente, a falta de alguém que o guie e que o ajude a descobrir aquele sentido de unidade das coisas, sem o qual ele vive uma dissociação»
  • É precisamente esta constatação que leva Giussani a aprofundar o conceito de autoridade: «A experiência da autoridade surge em nós como um encontro com uma pessoa rica na consciência da realidade; de modo que esta se nos imponha com a revelação e nos traga novidade, espanto e respeito. Da sua parte há uma atracção inevitável, da nossa parte uma inevitável dependência, sujeição». Para Giussani, a autoridade, de uma certa maneira, é o meu “eu” mais verdadeiro. Mas muitas vezes, hoje a autoridade propõe-se e é vista como algo que nos é estranho, que “se acrescenta” ao indivíduo. A autoridade permanece fora da consciência, ainda que talvez seja um limite devotamente aceite»
  • Dentro do percurso educativo, a figura da autoridade é central até accionar a verificação da proposta vinda da tradição «e isto só pode ser feito por iniciativa do jovem e por mais ninguém.

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     Natureza morta? Só destas/ Imagem da net de uma pintura de Van Gogh

     
    Volto ao que escrevi ontem por causa de palavras que troquei com um dos meus amigos do facebook, ao qual todos têm acesso. O título de hoje é paráfrase da conhecida expressão de Nietzsche: Deus morreu! Fomos nós que o matamos. De facto, palavras como "segredo", "justiça", "amor", "beleza", "verdade", "felicidade", "bem" e quejandas, já eram. Mudam-se os tempos....
     
    Todas estas noções são quando um homem quer e como quer. No entanto qualquer criança terá a maior das facilidades em reconhecer, por exemplo, e se for menina, que o pai não lhe deve ir "a certo sítio". Diz um tipo de Sociologia: foi porque interiorizou; é a sociedade que enfia os conceitos de "bem" e "mal", e todos os outros. Mas quem a mandou interiorizar? Terá sido à martelada? Ou não terá antes sido ela própria? E como? Com um crivo que possui e lhe permite ser tudo menos burra. Mas com o tempo, a maioria das pessoas, já crescidinhas, quando dá por ela, já pensa com uma cabeça que não é a sua. Matou a autenticidade e o sorriso de criança. Vive de marteladas, in-puts. Sim,  a razoabilidade da tal interiorização está na existência de uma natureza humana. Que matámos. E? Recuso-me a ser uma "natureza morta" e não desistirei de matar a alienação que me querem impingir. Uma espécie de régia posição: não sei por onde onde vou, só sei que não vou por aí. Ou se quiserem, vou à procura do que me corresponde, uma espécie de onde está o Wally? Eu sei que existe o Wally, está escondido, mas pode ser encontrado.
     
    O meu amigo: "Não tenho qualquer certeza sobre o chamado 'processo Sócrates' mas fico espantado quando vejo alguém, como tu, achar completamente normal tudo o que tem sido publicado contra José Sócrates, sobretudo pelo Sol e pelo Correio da Manhã, e que deveria estar em segredo de justiça, e, depois, quando a TVI resolve confrontar o acusado com os factos, dando-lhe a oportunidade de contar a sua versão dos ditos, reage com a indignação com que tu reages, chegando ao ponto de criticar a própria TVI por ter feito o que qualquer órgão de comunicação sério, em qualquer parte do mundo, teria tentado fazer, em circunstâncias idênticas. Aliás, quem só conhece o lado da história contado pelo Sol e pelo Correio da Manhã tem aqui o link que lhe permite aceder à versão do acusado: http://www.tvi24.iol.pt/.../exclusivo-tvi-as-respostas-de... EXCLUSIVO TVI: As respostas de Sócrates a seis questões essenciais "
     
    Eu: "Não há 'processo', há uma pessoa que tem uma dignidade intocável e que tem esse nome. Foi meu primeiro-ministro. Acho inadmissível tudo isto. Viste o que escrevinhei sobre o segredo de justiça? [publicado neste blogue, a 17 de Dezembro e ontem no PINN Segredo de Justiça: Fernando Santos e D.Manuel Clemente Fátima Pinheiro http://portugueseindependentnews.com/.../segredo-de.../ ] Achas normal porem publicidade no meio da entrevista? E a própria entrevista? Não devia haver recato? Por outro lado, não nasci ontem, e independentemente de quem seja, achas normal um enriquecimento assim? Não me interessa o Sol ou o Correio da Manhã . Infelizmente já não acredito muito nos media. Neste espaço de blogues e fb digo o que penso; apenas usando o bom senso que tenho. Gostaria que tudo fosse mentira. Mas tenho o direito a desconfiar de quem subiu muito na vida, assim de repente. Nada disto é normal e eu sou apenas uma boa dona de casa. Alguma vez me considero superior a José Sócrates? E não fico excitada [expressão que ele introduziu no começo da conversa] mas triste com esta burricada toda. Acho que todos, incuindo Sócrates, mereçemos mais e melhor. Mas percebo que penses o que pensas. Já me habituei a que me interpretem mal. A Democracia precisa de treino e de saber selecionar http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=832107 O que têm em comum um patriarca e um treinador de futebol? - Renascença V+ "
     
    O meu amigo:  "Subscrevo - e aplaudo - o que disse D. Manuel Clemente sobre o segredo de justiça, no teu Conhaque - Philo: 'O caminho da justiça, precisa de uma certa distância da opinião pública para poder levar os seus processos por diante´ E lamentou: 'Às vezes, penso que será difícil, com este frenesim de casos sobre casos e mais casos, em que tudo fica julgado antes de o ser'. " No 'caso Sócrates', sobre o qual, como disse acima, não tenho qualquer certeza, já tudo está 'julgado antes de o ser'. Tal como tu, a generalidade das pessoas já interiorizaram que Sócrates ficou imensamente rico pelo que, tendo apenas funções públicas há imensos anos, apenas o poderá ter conseguido via corrupção/enriquecimento ilícito. Será mesmo assim? Não sei! Só sei o que os jornais publicam (que poderá constar do processo, ou não, e, mesmo que conste, carece de ser provado) e as respostas de Sócrates."
     
    Para terminar, digo que o meu amigo me responde assim porque não quer ser uma natureza morta. E apesar de não parecer, eu, tal como ele, não andamos aqui para ver andar os outros. Mais respeito por favor! Mas parece que esta bola de neve não quer parar; ou que todos os dias lá se atira mais uma acha para a fogueira. Uma espécie de oração da manhã. A que Deus? 
     
    PS: Acabo de ouvir da boca de um dos advogados de Sócrates (no noticiário das 8h da Rádio Renascença) que o facto de Sócrates ter dado a entrevista não vai contra a lei. E logo de seguida afirma que aquilo não foi uma entrevista, foi um conjunto de respostas a umas perguntas. Então foi ou não foi entrevista? Que burricada!

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   4.10.2014 Fátima Pinheiro/  MR@MIGUELRIBEIROPHOTO.COM

 

Nestas coisas a dois, ou dão os dois para a caixa, ou a coisa fica torta. Vem isto agora porque no meu facebook dei com um texto de um grupo de jovens casais católicos. Genial! Dizem como eu não saberia dizer. Por isso o transcrevo. Rasantes, não querem uma Igreja que mude com o mundo, mas uma Igreja que mude o mundo (Chesterton). E muito oportunos, enquanto em Roma decorre o Sínodo da família.

 

Cada um faz da sua vida o que quiser. No sentido em que temos razões, sentimentos e uma vontade que serve para consentir. Eu escolhi a Igreja Católica, ou, melhor foi Ela a mim. Não que seja melhor que os outros. Sei de mim o que faço e argoladas tenho feito e farei muitas. E até esta é uma das razões porque esta Igreja é mais humana que as outras. Não se venha agora com a coisa: fazes, confessa-te, e pronto. Toda a gente sabe que isso é batota. Mas até a batota “cabe” na Igreja de Pedro, que negou Cristo muito mais que três vezes. Mas tal como ele, também eu não digo como a raposa disse das uvas maduras: “são verdes, não prestam”. Não meço o que quero para a minha vida pelos meus “conseguires”. Todos, católicos e não católicos, somos feitos da mesma massa. A Igreja Católica não é uma moral mas sim uma presença que muda. Ai tanta ignorância sobre estes assuntos, sobre esta vida. 

 

Apesar de não ser jovem, de o meu casamento ter agora outra cara, assino então por baixo, porque quero ser católica mesmo. É no pertencer a esta família que encontro as razões do meu viver.

 

“No artigo publicado no passado dia 14 de Outubro, o jornal I quis saber como vivem e pensam os jovens casais católicos de hoje. Para ajudar a cumprir o propósito do artigo, vimos por este meio apresentar-nos: somos jovens casais católicos de hoje, unidos pelo Sacramento do Matrimónio, fiéis à doutrina da Igreja. Passamos a explicar:

 1)Somos casais, homem e mulher, baptizados, que aderiram a Cristo por Amor, em total liberdade. E esta adesão é completa porque, para nós, Amar implica uma experiência de entrega total, sem reservas ou limites: por isso frequentamos regularmente os Sacramentos e participamos activamente das comunidades e Movimentos a que pertencemos.

2) Entendendo o Amor como a nossa vocação, ou seja, aquilo para que fomos chamados, e tendo como exemplo máximo Cristo que morreu por nós na Cruz, para nós o Sacramento do Matrimónio não pode significar uma entrega menor que esta. Por isso, com Deus, tornamo-nos um só, uma só carne, até que a morte nos separe.

3) Sabemos que a sexualidade é parte integrante do nosso corpo e que, tal como ele, é boa e foi criada por Deus. Sabemos que não temos um corpo, mas que somos um corpo, e o sexo para nós só faz sentido se corresponder a uma entrega total por amor: livre, aberto a todas as suas consequências, sem reservas, uma experiência de comunhão total entre 2 pessoas. Menos do que isto não queremos.

Trocado por miúdos, dispensamos as pílulas, os preservativos e tudo o que poderia distorcer esta união livre. Não queremos ser objectos sexuais, queremos amar e ser amados. E não queremos excluir Deus desta parte da nossa vida. Para nós, o sexo tem tanto de humano como de divino. Os casais católicos de hoje são sem dúvida muito exigentes neste assunto.

4)Sim, estamos abertos à procriação, porque consideramos que a Vida é um dom. Os filhos são os frutos do nosso amor e não faria sentido negá-los, adiá-los ou planeá-los com a leveza de quem projecta umas férias ou a compra de uma casa. Viver assim, em generosidade, traz-nos uma alegria imensa. Mas sabemos que as circunstâncias da vida nem sempre são fáceis. E por essa razão procuramos conhecer o nosso corpo, estudar em casal a fertilidade da mulher, e os métodos naturais que melhor se adaptarem a nós nessas alturas difíceis. Mas a generosidade mantém-se. Os bebés, para nós, nunca são persona non grata.

5)Por último, era bom que fosse, mas nada disto veio da nossa cabeça. Veio do Novo Testamento, das encíclicas dos Papas (Humanae Vitae, Familiaris Consortio, ...), das catequeses do Papa João Paulo II que deram origem à Teologia do Corpo, e do próprio Catecismo, que estabelece inequivocamente, apesar de V.Exas. não terem publicado no fim do artigo, que: "a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito."

Serve esta carta aberta para dar testemunho real de casais jovens que vivem de acordo com aquilo que a Igreja lhes pede. Não faz sentido querer fazer uma entrevista a um maratonista e para tal inquirir uma pessoa que faz jogging aos sábados de manhã.

Queremos dizer que é possível e que desejamos que todos os casais sejam tão felizes como nós somos, apesar das dificuldades que possam surgir"  http://samuraisdecristo.blogspot.pt/2014/10/resposta-de-jovens-casais-catolicos-ao.html

 

 

 

 

 

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