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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

06
Ago17

De nora para avó

por Fátima Pinheiro


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 fotografia Rasante

 

Transcrevo uma carta que encontrei ontem no caminho, ia a chegar a casa. Tem a ver comigo e talvez com mais pessoas. Espero que possa chegar ao destinatário, ou se calhar era um rascunho o que encontrei. 

Cara avó Fernanda,

"hoje é o seu dia de anos, é dia de Festa, e é ao que venho. Parabéns! Como não estou aí a festejar, escrevo estas linhas, porque dia de anos é também dia de verdade, e eu agora já não deixo para amanhã o que posso fazer hoje (nem sempre consigo, nem sempre tenho coragem; gostaria de pedir-lhe para a visitar...). E sobretudo porque no sangue dos meus filhos corre sangue da avó. Era só para lhe agradecer os netos que me deu. Refiro em especial a que é escritora, que sei que hoje lhe escreveu mais uma carta, a qual assino de cruz, porque sei o quanto ela gosta de si. E principalmente porque tenho aprendido que a falar é que nos entendemos e, também, que Deus gosta assim, gosta de paz.

Escrevo para lhe pedir desculpa de todo o azedume e cinismo que tive para consigo. Não soube estar à altura. Devia tê-la compreeendido, e ter sabido como a sua vida, muito complexa, a determinou. A sua mãe morreu, era ainda a Fernanda uma criança. O seu pai trocou-a pela madrastra que lhe arranjou e nunca, pelo que sei, quiz saber de si. Depois, vieram as noras, de quem ninguém a podia obrigar a gostar. Do genro sei pouco. Compreendo por isso o que tenha sentido quando aconteceram as separações.

Queria pois agradecer-lhe os netos que me deu. Melhor não poderia ser!!! Cada um deles.  Se um dia eu vier a ter netos, neles também correrá o seu sangue. Alguns terão os seus olhos, outros a sua altura, ou os seus defeitos. Outros ainda, terão a sua determinação e força para estancar os desaires e os momentos difíceis da família. Brincarei com eles ou então vê-los-ei de longe, onde Deus me quiser "por". Ele fará o melhor, como faz sempre. Ele sabe quando. É ele que faz as contas. Melhor: nem são bem contas. O nome D'Ele é Misericórdia, como nos tem ensinado o Papa Francisco. O Francisco que lhe conte o que aconteceu quando se soube que ele tinha escolhido esse nome. Estavamos os dois juntos, a vir do médico.

Fundamental é também agradecer-lhe o resto, que não necessito de lembrar. Tudo aconteceu e acontece para o bem de cada um. Graças também a si, sou uma mullher feliz. E desejo-lhe tanta ou mais felicidade do que a que tenho.

Só mais uma coisa. Há casamentos que nunca existiram. Mas há outros que existiram, simplesmente não foram alimentados. Cada um sabe do seu, e Deus sabe de todos.

 

Um beijinho desta nora que não a adora, mas que a estima e lhe deseja um dia muito feliz, e muita coragem pela sua nova etapa de vida. Quem sou eu para lhe dar conselhos, mas devo dizer-lhe, que da minha pequenina experiência de vida que tenho (já lá vão quase 60, um zero à esquerda comparado com os séculos dos séculos)  e de ter tido e "ter" uma mãe e um pai que desde cedo me mostraram os olhos de Deus, a vida é para abraçar com muito amor. Como lembrou noutro dia uma amiga minha, médica, o sangue por dentro é todo vermelho." 

Bem  haja!

 

 

 

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26
Jan17

O índio e o cowboy

por Fátima Pinheiro

eu.jpg

uns anos mais tarde 

 

O Presidente do México, ouvi agora na rádio,  não acredita em muros. Eu também não, os muros vêem-se bem, não precisamos de acreditar neles. Mas não era isso que que ele queria dizer. O que ele queria dizer é que os muros matam. Ainda a ouvir a rádio, alguém dizia que o muro é "desumano e ridículo". Não quero simplificar o tema, e dizer "mas o muro começa dentro de cada um". Mas é que é verdade! Só que há um problema:  quem é que começa a partir o muro? Lembro-me das minhas primeiras guerras...

Eram de dois tipos. As guerras com o meu  irmão, mais velho que eu quatro anos. Ele é que decidia. Era sempre o cowboy. E eu caia sempre, com ele a correr atrás de mim. Ele é que era! Nove anos mais tarde acabei por fazer o mesmo com a minha irmã, só que agora era eu a ganhar. Hoje sabe Deus quem de nós os três é o quê. Tenho uma ideia...

As outras guerras eram de mim comigo. Lembro- me como se fosse hoje. Começava a chorar por qualquer razão que agora não me lembro e não conseguia calar-me. Então dizia (lembro-me como se fosse há minutos, da casa, da minha mãe, do quarto...) : "eu quero calar-me e não posso, eu quero calar-me e não posso...". Repetia esta frase, vezes sem fim. Chorava no meio, até que acabava por me silenciar, contrariada, aos soluços, cada vez mais espaçados. 

Trump tem sido alvo dos noticiários. E até parece que é em júbilo que verificam o estrito e rigoroso cumprimento das promessas eleitoriais da parte do novo dono da Casa Branca,  e dono, pensa ele, de mais, muito mais. Não diz ele que acima de tudo os EUA? Sempre ouvi dizer que o feitiço se vira contra o feiticeiro. 

 

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23
Dez16

Se não chego ao dia de Natal

por Fátima Pinheiro

feliz natal.jpg

 

Eu sei lá se chego ao dia de natal. Não é brincadeira e digo-o em primeiro lugar a mim mesma. Muitos de nós não chegarão lá. Digo isto para mim, para não andar no natal em stresses, e para fazer as pazes com quem ainda me falta fazer. Deus queira que eu tenha mais tempo para isso, para poder ainda abraçar a tempo. Não porque tenha medo de ir parar ao inferno. Eu quero sim viver bem, sem nós, mas, ses e mas(es), porcariazinhas. Sem falsos risos ou chorares. E irei adiar...

Se  não chegar ao natal não terei o prazer de abraçar quem magoei ou quem me magoou. Quero uma coisa feliz, plena do que fazem os afectos.

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Ronald Brautigam.jpg

 fotografia @fatima pinheiro

 

The musician recognizes an ugliness in this world we live. However he is the prove of the opposite. He´s full of energy, generosity and beauty.

Here we listen to what Ronald Brautigam thinks about music, what is a public, what makes music a Must, what it gives, how to "make" it, and more. The talk had place yesterday, at Fundação Calouste Gulbenkian, after he played Mozart piano concert nº27. 

He decided to be a musician when he was 4 , 5 years old,in bed, listening to his father playing Chopin. Play is for him to share a passion. We realy need music, to live the best way the ugliness of life. "Let´s not be sad, we are going to dye" says Haydn  in an opera that inspired this Mozart concert he played. Everybody has music. Music gives you energy. When he plays, music comes alive; when he plays happens that thing that  music gives. What´s that, I asked...

 

 

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31
Mai15

 imagem tirada da net/ Painéis de S. Vicente de Fora - Uma visão Poética (2009)

 

« "Painéis de S. Vicente de Fora - Uma visão Poética" (2009) é uma reflexão de Manoel de  Oliveira (MO). Numa época que se preocupa mais com coisas penúltimas, MO dá-nos Portugal. O que inspira a reflexão, reconhece o realizador, é a crise em que a humanidade vive. O filme é assim apelo à paz, a uma visão humanista que não exclui nenhuma raça. Marco Müller, diretor do Festival de Veneza no dia da estreia do filme: "o grande mistério destes Painéis reside em não se saber ao certo quem são as personagens nele representadas, porque se algumas são reconhecíveis, muitas outras não o são".

Porque fez MO este filme? Para saber porque é que num dos dois painéis onde aparece S. Vicente, ele traz o livro aberto com uma passagem da Missa do Espírito Santo (João, XIV, 28-31). E no outro, o santo pega no livro fechado e tem o bastão da virilidade debaixo do braço, e a mão a deter o chefe guerreiro. E para saber por que razão no painel dos pobres, apenas um homem se encontra prostrado de cotovelos no chão.

O Painel em que o livro está aberto, Oliveira roda:"olhai bem!".E repete. É o cinema de Oliveira na exigência da contemplação. O filme termina com uma dança dos Pauliteiros de Miranda, dançando em frente ao quadro, num apelo à alegria de viver, a um banquete.

O filme começa com S. Vicente a "sair" dos Painéis, a colocar-se diante deles (de nós) e faz aquelas perguntas. Ricardo Trêpa convoca, para isso, alguns homens dos painéis. Vão "saindo" das 60 figuras do original (contando com a dupla representação de São Vicente), 18 personagens que se vão colocando no mesmo plano, isto é diante do Políptico, a olhar para nós.Vinde! E começa com os guerreiros. Vinde vós, também, homens do povo. E vós, os homens do painel da Relíquia. Vinde vós os frades, eles também, têm o seu papel, sem dúvida - embora não seja apenas sobre eles que recai a responsabilidade de fazer a paz. No fim é também convocado Diogo Dória, o infante D. Henrique, que irá fazer um apelo à paz. O Arcebispo não é convocado porque, diz o Santo, "já sabe o que vou dizer".

No Painel da esquerda São Vicente detém com a mão o chefe guerreiro como que a dizer: "É tempo de acabar [a guerra]". Ao que este, surpreso, responde "Eu?". Este é o ponto central da reflexão. É como se Oliveira nos provocasse - cada um - à mesma pergunta. E é de notar que é a única vez, nos escassos minutos do filme (sempre ao som da "música" de vento e de mar), que o Santo intensifica o tom de vós, numa intencionalidade, ou acting, muito incisivos: "Eu?" Como se dissesse: o que é que eu tenho a ver com isso? Sou eu que faço a Guerra? Sou eu que vou fazer a paz?

Quem está de joelhos, é o Oliveira? Sou eu? Diz o santo: o pescador é o único prostrado de joelhos a rezar pela salvação do mundo. É como se os Painéis fossem um só. O Painel da humanidade, com todas as raças, a "ecoar o clamor da crise" : o grito do pobre, do pobre saudoso de sentido (Eduardo Lourenço).

A razão pela qual num dos painéis o livro está aberto, e no outro fechado, é o corte entre Passado e Presente que Oliveira quer "unir". A razão da necessidade do homem estar de cotovelos, no chão, é porque é preciso gritar do fundo (S. Agostinho, Confissões II). Não basta perguntar por perguntar. Num dos seus mais belos filmes, o Vale Abrãao, Oliveira põe o dedo na nossa ferida.  É da boca de João Perry que vem a "minha" dramática alternativa : "vive-se....ou não se vive...".  Nos Painéis a vida, o viver, é deixar o livro aberto, sôbolo olhar que corre. E correr...

Oliveira é um "livro aberto" mediante um trabalho - construção - que revela o movimento de um Políptico trespassado de um presente que chega até nós como uma Nação Amada, e Ajoelhada diante do Livro que Ricardo Trepa traz ao "colo" (evocando quiçá a figura de Nª Senhora - Rainha do Porto, a cidade do Douro, da "sinfónica" faina fluvial); um Portugal que não nega que se enraíza num Cristianismo que nunca ficou "em casa" mas arriscou uma Missão que a Europa parece hoje querer esquecer.»

(2/7/2013 - Expresso on line)

 

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11
Jan15

Cartoons: é como um homem quer?

por Fátima Pinheiro

 

Estimo um céu aberto 

 Amoreiras Shopping Center/imagem da net

 

Cartoons: para além do bem e do mal? Há limites à  liberdade de expressão? Não não há. Nesse ponto sou Charles. Agora, há limites à liberdade do que se expressa? Não estaremos em certos casos a insultar ? Não, não estou a dizer que o recente crime foi bem feito. Não se mata. Ponto final. Agora, quem semeia ventos colhe tempestades; falo para os dois lados (França e terroristas) e falo em geral; não tenho em mente apenas o que se passou em Paris. E sei que quem não se sente não é filho de boa gente. Mesmo na terra que se diz da “igualdade, liberdade e fraternidade” não haverá um ponto onde se deve parar? E é certo que França tem sido pouco acolhedora. Nem burkas, nem nada. Depois há inocentes que morrem à mistura. Onde isto já vai, onde isto nos irá levar?

 

Chamem-me de direita, fascista, intolerante, atrasada. Pode ser. Etiquetas para mim só as das coisas que posso vir a comprar. Gosto destas dos saldos, por exemplo. Mas com este caso grave do Charleshebdo veio tudo ao de cima. Por um lado, os cartoons têm sido sistemáticos, atitude que não ignora que o outro lado – sendo como é, terrorista, o que acaba de se verificar- é provocado a uma atitude que nada tem a ver com a liberdade. Quer dizer, os criminosos não usam a liberdade; mas, os hebdos o que fazem ao alimentar esta menoridade? São mesmo livres? Serão anjinhos? Falo dos desenhos (não se entra nas intenções).

 

Um cartoon não é necessariamente inocente nem expressão de liberdade. Isto não é tudo “à grande e à francesa”! Achas para a fogueira? Só para a lareira que não tenho. Nem todos os cartoons que fazem sobre a minha mãe têm direito a existir. Um filho meu tem toda a liberdade de me insultar? De se expressar, sim.

 

Eu não vou matar quem me insulta, disso tenho a certeza. Isto é tramado, mas tenho como certo que há coisas que têm limites, e que é complexo encontrar (não digo “traçar”) a fronteira aceitável. Humana.

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29
Jul14

(fotografia tirada da net)

Olho à minha volta: “vira o disco e toca o mesmo!” As notícias da manhã, por exemplo, vão na linha de que o cessar-fogo é uma miragem, ou um negócio a fazer e vantajoso apenas para uma minoria. O verbo “exigir” está gasto, venha ele de Obama, da ONU, ou do Papa. Já para não falar do que se passa no meu país. O que fazer para parar este “ramram”. Só posso falar do que se passa comigo. Aconteceu-me uma coisa que me mudou.

Como experimentei essa diferença radical, e como já percebi que somos todos feitos da “mesma massa”, tenho a certeza que a mudança passa por aí. Como a adquiri? Porque ao olhar à minha volta, vejo pessoas, ou “momentos” de pessoas, que já fizeram e fazem a diferença. Têm um factor X que arrasa o desumano. Desarmam. Neste caso digo para mim: “Maria, vai com elas!”

Um dos “meus” filósofos: "Chegarei…diante dos campos, dos vastos palácios da memória, onde estão os tesouros de inúmeras imagens trazidas por perceções de toda espécie (...). Grande é realmente o poder da memória (…). Viajam os homens para admirar as alturas dos montes, as grandes ondas do mar, as largas correntes dos rios, a imensidão do oceano, a órbita dos astros, e esquecem-se de si mesmos! (cfr. Santo Agostinho, “Confissões”, INCM, Livro X, cap.VIII). Então, vou bloquear-me? Sair de cena?

António Câmara, o “meu” YDreams de eleição, toca na ferida, diz-me o que bloqueia o olhar: “os principais bloqueios da percepção são a ausência de perspectiva e a adopção de estereóptios.” (“O futuro inventa-se”, Objectiva, p. 53). Onde está o milagre?

É olhar para mim; é lembrar-me que sem “mim” tudo aparenta acontecer, tudo me é dado sem rosto. Sem a minha “faixa” de humanidade, sem o pedaço de “homem” que tenho entre mãos, o cessar-fogo é uma utopia. E vai-se vivendo, até um dia. Há pessoas que não aguentam. Oiço agora uma voz que me grita em surdina: “Maria, vai com as outras, à criatividade!” Quanto custa? "A liberdade."

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Lançamento do livro "Caim", Culturgest, o editor e o escritor (30.10.2009)
Fotografia do meu TM

Muito simples e lógico. Um gesto "umbilica-se" no seu agente. O Papa Francisco já disse e escreveu - muitas vezes - a razão pela qual ele faz o que faz: Cristo, Senhor do Mundo e da História. Ontem, sobre o conflito israelo árabe, disse da janela de Pedro: "Por favor, parem! Peço-vos com todo o meu coração, é tempo de parar. Parem, por favor!” Mais uma vez os jornais o vão elogiar, como têm feito desde o início do seu pontificado. Mas, na maioria dos casos, sem que lhes interesse abordar sequer por umas linhas, que o que ele diz e faz vem-lhe de um mandato. Como se neste Papa houvesse o direito e o avesso; um por fora e um por dentro. Como se o Papa fosse uma espécie de "Principezinho" mais formal, a dar mais legitimidade a "frases" (que já vi em canecas e T-Shirts e noutros merchandisings): "o essencial é invisível aos olhos"; e outras que não sei de cor, como "é preciso regar a rosa", e por aí fora; e calma, eu gosto do livro. Por este andar irá por certo receber um Prémio Nobel - por acaso não sei se um Papa pode receber tal galardão; mas para este Francisco, nem que passasse a ser; mais uma "inovação" deste Pontificado!

Por suas vez Saramago, outro Nobel, tem um novo livro a sair em outubro. Soube agora pelo nº26 da Revista “Blimunda" que é, para além da correspondência, o seu último romance. Será sobre guerra e paz, sobre um adeus às armas. Quando lançou o livro “Caim”, na Culturgest, no dia 30 de Outubro de 2009, a pergunta de Saramago foi, naquele fim de tarde: “o que fazer para se proibirem as armas?” E note-se que vem na sequência temática da “primeira guerra”, entre Caim e Abel. No discurso que fez disse que o seu livro seguinte seria sobre como acabar com as armas e que se basearia numa frase, não se lembrava se de Hemingway, no “Adeus às armas”, ou de “L’espoir”. Eu estava lá mas não apanhei tudo! Curioso que pela mesma altura Manoel de Oliveira tinha em “mãos” o seu filme sobre os Painéis de S.Vicente, cujo tema é "como acabar com a guerra". É o famoso “basta” que o santo grita ao guerreiro.

Também Obama recebeu o Prémio Nobel Paz. Até ontem, por telefone (leio nos media) pediu ao primeiro-ministro de Israel um cessar-fogo humanitário imediato. Não sabia que o "por telefone" fosse assim tão melhor. Pode ser que por telefone a coisa se resolva e se cresça em humanidade. Quem sou eu!

Três homens, um céu? Sim. No entanto há que distingui-los. Ver de onde lhes vem e sai o que são. Para mim que sou católica, e acredito no Deus de rosto humano, não me é indiferente a Razão pela qual o Papa Francisco é "assim". Para Ele todos os homens tem igual dignidade porque são feitos à "Imagem e Semelhança de Deus" (coisas a distinguir: imagem e semelhança; fica para outro post). Não se trata de terem dignidade "porque sim", mas por essa razão. De resto, não há outra "razão" que aguente direitos e consensos. Ou nos agarra pelo sangue, ou não há paz que se aguente.

O chutar para canto é bom, mas é no futebol. Não nestes assuntos. Ainda a semana que passou, um filósofo português que eu desconhecia, disse numa entrevista que deu na RTP2 que gostava muito do Papa Francisco. E que não queria ir para o céu porque gostava de morar em Lisboa. Ora eu também gosto de Epicuro no sentido em que comer um simples peixe numa das nossas tascas, onde o fazem como ninguém, é do melhor e basta. Mas para mim isso "faz parte" do Céu de que fala o Papa Francisco. O céu não é uma pasmaceira pós-morte, em que nada se faz e se morre de tédio. Ninguém saberá agora o que é na sua versão completa. Só depois da morte; senão não é Céu mas uma projeção humana. Mas o Céu começa agora. Paradoxalmente até nesta Gaza ensanguentada.

As pessoas têm alegrias "diferentes"; eu, e não por acaso, vejo as que vêm do Céu. Como? São aquelas que me mudam e me vão consolidando a felicidade. Esta não vem toda de uma vez, não se reduz a um pronto a vestir. É antes como o lado oculto do cubo. Como o lado "oculto" do Papa, de que não se fala.

Como "sei" que já começou? Por uma experiência, que é um "juízo" (como o juizo 'X é Y'). As filosofias têm todas razão. Pois têm. Mas umas apresentam mais "razões" que outras. Eu gosto de morar em Lisboa. E por favor: parem de elogiar "metade" do Papa Francisco. Assim, a meias, "cinzentonamente", ninguém lhe faz justiça, mas sim apenas uma "biga" instrumentalização. Dá vontade de "vomitar". Eu sei que é "fashion" elogiá-lo. Mas andará ele a falar para o boneco? Chega de monstruosidade nesta "faixa" feita de Céu.

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