Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

 

1091398.jpg

Para comemorar o dia do nascimento de Manoel de Oliveira, deixo aqui o que me disse Eduardo Lourenço sobre o nosso genial cineasta. Em termos do que de melhor  a cultura tem, é uma espécie de dois em um. Com a lucidez, inteligência e simplicidade que lhe são inerentes, o professor dá-nos Oliveira trocado por miúdos.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

DB 2.jpg

 Durão Barroso/imagem tirada da net

 

O Conhaque-Philo ao vivo começa só  a 4 de Novembro. Mas como a vida são dois dias, e muitas agendas estarão neste momento já bem recheadas, então façam favor de anotar o que aqui deixo.  Em 2014 o Conhaque-Philo encerrou juntando à mesa  o selecionador nacional, Fernando Santos, e o cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, assim: http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014-12-17-Fernando-Santos-e-D.-Manuel-Clemente-juntos.  A Casa-Museu Medeiros e Almeida acolheu a iniciativa da bloguista Fátima Pinheiro: Durante 7 sessões semanais, à 3º feira, FALEMOS dos OUTROS, foi uma conversa, com tema pré definido, mas informal, provocadora e desafiante entre quem desafiou  e todos os que quiseram assistir e serem desafiados.Foi todas as 3ªs à noite entre 4 de Novembro e 16 de Dezembro, com os temas que abaixo se indicam. A moderação foi feita pela bloguista.

4 Nov – FALEMOS dos OUTROS - Eduardo Lourenço e Sofia Areal

11 Nov – A gestão do amor - António Pinto Leite e Albano Homem de Melo

18 Nov – O que pode a literatura - Maria do Rosário Lupi Bello e Paula Mendes Coelho

25 Nov – As curvas do mundo - Francisco Seixas da Costa e Jaime Nogueira Pinto

2 Dez – E a leste? - José Milhazes e Henrique Monteiro

9 Dez – O que “faz” a beleza – José Mouga e Luísa Pinto Leite

16 Dez – O que é “selecionar”- Fernando Santos e D.Manuel Clemente.

 

A Sala do Lago da Casa-Museu transformou-se num espaço descontraído, onde cada um pode acompanhar e participar nesta iniciativa sentado a uma mesa enquanto bebia um café, um vinho... e conhaque, claro.

 

Este ano, também com ENTRADA LIVRE, todas as 2ªas feiras , a começar a 4 de Novembro e a terminar a 14 de Dezembro,  das 21h e 30m às 23h, a bela Sala do Lago da CASA-MUSEU MEDEIROS E ALMEIDA  promete ainda mais. O tema?  "A Europa em Nós". Durão Barroso encerra, e com ele estará também um special one. E os outros convidados, sempre dois a dois, são de se lhes tirar o chapéu...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Eduardo Lourenço dá-nos hoje, ao final do dia, a chave que abre a beleza, riqueza e complexidade do aparente “Mundo fechado” (1948) de Agustina. Mundo dele e dela. E meu também. Será a última intervenção do Congresso que a Fundação Calouste Gulbenkian acolheu, ontem e hoje. Múltiplas foram as reflexões sobre, entre outros temas, o divino e o religioso em Agustina Bessa-Luís.  De difícil leitura, a obra desta rainha ou génia do norte, abre-nos um mundo solar cuja densidade tudo encerra. E por tudo conter é paradoxal, como o é a cinematografia de Oliveira. Foi alíás ele que ma apresentou. “Gémeos falsos”, coincidem em cada canto. Destaco “Vale Abrãao”, que ela escreve em 1991 e ele adapta em 1993. Foi a ela que o cineasta pediu uma “bovarinha” mais nossa. A mão foge-lhe logo para a caneta. E Ema chega-nos assim num filme obrigatório. Destaco ainda “A ronda da noite”, romance de 2006, que Oliveira gostaria de incluir num dos projectos que tem em mão, que é também o título de um dos quadros de Rembrandt.

 

Eduardo Lourenço falará sem papéis, num discurso sempre novo, sem esquema nem etiquetas. Com a virgindade dum olhar que não acaba, um olhar que com nada se escandaliza, tudo encerra e tudo dá. Ele? Um absolute beginner...E tenho a certeza que, neste caso, a sua fonte é incerta, mas poderosa, duma pobreza pródiga da riqueza de sentido. Com plena consciência da vertigem em que vivemos, por entre as trilogias de amores frustrados, a norte e a sul, não nos facilitará a vida. Mas dá-nos o que mais precisamos. É como se estivesse no Sínodo da família, a decorrer ainda em Roma. Tanto disparate tenho lido estes dias sobre a Igreja, sobre as famílias, sobre a liberdade, sobre sexualidade. Mas por que se fala tão superficialmente, quando tudo é mais simples: parar, escutar e olhar. Mas não, falar de cor e no joelho, do é assim porque se diz que é assim, é o que tenho visto. Escrevam livros, sei lá, sobre doçaria conventual portuguesa.E a pergunta a que se foge, como diabo da cruz: “o que quero?” Devolve-me os laços, devolve-me a mim mesmo. Estreia absoluta; esta, a de uma liberdade provocadora.  E como Eduardo não fala sem mais nem porquê, terá já pedido a Agustina: diz-me “tu” quanto vale Abrãao!

 

O que nos valeu Caim, sabemos muito bem. E o que vence a morte, já o devíamos saber há muito. Mas “quero lá saber”, diz Leonor Silveira, a Ema presa à gaiola de uma vida que corre para a felicidade, aquilo que mais deseja. Mas a felicidade que a bovarinha tanto quer, insiste em não se dar no barulho da sua vida agitada. “Ó menina, não diga disparates”, diz-lhe um dia uma das suas criadas. Ema nem a ouve. É tão melhor navegar com Diogo Dória, no Douro e a alta velocidade. A Bovarinha sou eu, também. Sim, porque a luz de Agustina,  de Oliveira, a luz de Eduardo Lourenço, dá-nos a porta de uma vida humana. E esta não se compra de chave na mão.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



«Selfie» com o Professor Sobrinho Simões

Quem não me conhece diz: «fazes esses blogues para apareceres.» Então, a ser verdade, apareço muito mal. Porquê? Porque se aparecesse bem o Jornal «Expresso» - ainda um de referência - não teria prescindido do meu blogue “Luz e Lata”, que nesse Jornal tive diariamente «online» durante um ano. E prescindiu sem aviso. Isto não é uma “indirecta”, é mesmo “directa”. Também há a hipótese de se calhar o blogue aparecer bem, mas quem entrou de novo a mandar na linha editorial tenha vindo com as suas ideias. Eu poderia até ter feito o mesmo: limpeza, arrumação da casa, avançando com o meu plano. Não se passa assim em todo o lado? Os Ministros não levam os seus homens para os gabinetes? As suas secretárias? Os seus especialistas?

Mas quem me diz aquilo tem uma certa razão. Claro que se escrevo é para «aparecer». Só que não é para exibicionismos. Faço porque gosto. Com ou sem erros gramaticais – que tenho muitos – escrevo porque preciso. É como respirar. Ao ar. Ao público. E dou um exemplo de como faço um “post”.

Normalmente é na luz rasante da manhã, como ontem. Outras vezes estou no lugar certo porque sei que vai acontecer uma coisa que me interessa. No caso que a fotografia ilustra, eu sabia que o Professor Sobrinho Simões ia lançar um livro sobre o Cancro. Numa linguagem acessível. Fui. Quando ele chegou agarrei-o e perguntei. Ele disse-me: “tem uma caneta?”. E pronto, fez-me o boneco. A seguir fui ler o livro, mas em versão rápida; não fiquei para o ouvir porque tinha um compromisso, mas lá escrevi sobre isto quando cheguei a casa. Numa palavra: como na vida, "corro" para alcançar O que está a acontecer.

E ainda o «Expresso». Depois de eu telefonar a perguntar o que fazer (porque os posts que costumava fazer não saíam) pediram-me para parar e pediram desculpa de não me terem avisado antes; porque o arranque deste novo projecto os estava a absorver completamente. Mais tarde enviram uma carta a todos os bloguistas na minha situação. Formalmente não era preciso pedir desculpa; sempre lá estive por iniciativa própria sem promessas. Nada há a desculpar. Do ponto de vista moral, também não é preciso desculpas. Nunca assim foi, nem será. A verdade é que estamos assim muito melhor. A era do Digital Diário.

Se estou ressentida? Claro que sim, o que é normal. Mas como me dou muito bem comigo, dou-me muito bem com os outros. É muito saudável. A fotografia dá para ver. E já foi tirada depois da corrida do "Expresso".

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D


Links

imagens rasantes